Sexta-feira, Agosto 07, 2009

A esquerda conservadora e o PS

O PCP e o BE têm-se esforçado por tentar fazer passar a ideia de que lhes é indiferente que seja o PS ou o PSD a governar porque o primeiro pratica uma política de direita. A verdade é que o ódio da esquerda conservadora às correntes social-democratas é mais antigo do que o leninismo e sempre que os comunistas tiveram a oportunidade de o fazer eliminaram os social-democratas. Seo PCP assume cada vez mais este ódio ideológico nas páginas do Avante, já a “esquerda moderna” do BE não assume, da mesma forma que não assume os valores ideológicos dos seus dirigentes.

Nunca um governo português foi tão atacado pela esquerda conservadora, com vagas sucessivas de greves e manifestações, com a intervenção activa de corporações da justiça a promover processos difamatórios. Nem mesmo quando se pôs fim à “reforma Agrária” ou a outras “conquistas de Abril”, um governo português foi tão odiado pela esquerda conservadora. A defesa da bandalhice nas escolas é bem menos importante do que a sustentabilidade da segurança social, a sobrevivência do Sistema Nacional de Saúde ou o aumento dos apoios sociais. A acusação de que o governo de Sócrates é de direita não passa de uma treta que apenas serve para distrair os eleitores mais incautos.

Cavaco conseguiu levar a CGTP a assinar um acordo de concertação social e Manuela Ferreira Leite calou os sindicatos da Administração Pública quando foi ministra das Finanças. Nunca a esquerda conservadora combateu um governo desde a primeira como o fez com o governo de Sócrates. Quaisquer que fossem as políticas a esquerda conservadora faria o mesmo, haveriam sempre argumentos. É necessário eliminar o PS, é mesmo preferível um governo de direita.

Basta ler cós comentários em privado dos militantes do PCP e do BE destacados para encherem as caixas de comentários dos blogues para se perceber que trabalham activamente para que Portugal seja governado pela direita. Esta estratégia foi claramente assumida pelos militantes do PCP e do BE em muitas das “lutas”, como sucedeu com os professores, o apelo ao voto em todos menos no PS foi constante.

Para a esquerda conservadora pouco interessa o país ou quem governa, o que importa é o seu projecto e o PS, hoje como no passado, é o grande obstáculo à sua concretização. É por isso que se omitem todas as conquistas sociais, têm de ser o resultado das grandiosas lutas conduzidas pela esquerda conservadora.

A luta nas próximas eleições vai ser entre o PS e esquerda conservadora e não entre a esquerda e a direita. A direita e a esquerda conservadora estão de acordo na tentativa de colocar Manuela Ferreira Leite no poder., uns porque querem o poder a curto prazo, outros porque sonham com ele a longo prazo. Votar na direita é ajudar a esquerda conservadora, votar na esquerda conservadora é ajudar a direita.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTOS DE FÉRIAS NA PRAIA DO CABEÇO

Bico-de-lacre [Estrilda astrild]

FOTO JUMENTO

Sé Patriarcal de Lisboa

JUMENTO DO DIA

Eduardo Moniz

Ninguém, nem mesmo Cavaco Silva ou mesmo um dos seus assessores anónimos especializados em intriga, insinuou que o Moniz saiu da TVI devido a mais uma intervenção de Sócrates?

Cá por mim o Moniz está a rir de muitos idiotas da praça, conseguiu o que há muito tentou, sair e ganhar uns milhões, e ainda por cima a sua saída serviu pra difamar José Sócrates, deu para a sua esposa atacar o primeiro-ministro no seu pasquim televisivo, a versão noticiosa da pornografia dos primeiros tempos dos Monizes à frente da TVI.

Não é fácil de aceitar que o negócio agora concretizado tenha sido decidido à última hora, ninguém ganha seis milhões de euros e um cargo na administração da empresa que o contrata num negócio decidido na véspera. Hoje tudo é claro, a suposta possibilidade de Moniz de se candidatar ao Benfica não passou de uma farsa e o incidente que envolveu a PT apenas serviu para Moniz valorizar-se no mercado à custa da imagem de José Sócrates.

AVES DE LISBOA

Borrelho-de-coleira-interrompida [Charadrius alexandrinus] Local: Parque das Nações

FLORS DE LISBOA

No Jardim Botânico

POLÍTICOS ESTÃO MAIS CURTOS

«Dizem-me que houve conselheiros nacionais do PSD a tuitar durante a reunião em que se discutiam as listas. Discutiam-se lugarzinhos (o que anuncia sempre exaltação) e preferiu-se a porta fechada em vez da transparência de fachada. Antigamente, nessas reuniões os jornalistas encostavam as orelhas às portas. Quem tinha os decibéis de um Manuel Alegre podia fazer ouvir fora o que dizia dentro, e isso sem violar os estatutos. Agora, graças ao Twitter, isso também está ao alcance dos de voz pífia - enfim, mais uma prova de que as novas tecnologias democratizam. Mas há maior e melhor contributo. Naquela reunião do PSD, o deputado Ricardo Almeida tuitou para o mundo (em tempo real e, repito, com as portas fechadas): "Elidérico Viegas é o número 4 no Algarve. Não conheço mas gosto do nome." Haverá quem veja nessas duas frasezinhas matéria para processo disciplinar. Eu vejo muito mais: vejo duas frasezinhas. Sou do tempo em que os partidos faziam publicar nos jornais páginas inteiras sobre as linhas programáticas. Agora, graças ao Twitter (que obriga a dizer tudo com 140 caracteres no máximo), os políticos já falam como deve ser.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

O VESPEIRO

«Certas evidências pertencem ao domínio do não-dito. Ninguém o diz em voz alta, mas todos reconhecem que Portugal se encontra, 35 anos depois da queda do Estado Novo, num impasse político.

À época, tratava-se de acabar com a guerra colonial e a polícia política. Hoje tudo isso pertence ao passado. Sucede que os 35 anos da III República (vamos admitir que a ditadura militar de 1926-33 foi uma espécie de comissão liquidatária da primeira, e que o Estado Novo foi a segunda) cristalizaram num ‘patchwork' de conquistas em benefício exclusivo de certas corporações. Quem teve força, impôs as regras. Os outros foram cilindrados.

No discurso de posse como primeiro-ministro, José Sócrates fez uma inesperada referência ao fim do monopólio das farmácias. O país ficou boquiaberto. Farmácias? Na tomada de posse? Era um sinal. O comércio farmacêutico é o símbolo dos interesses instalados. O XVII Governo Constitucional pôs a nu os famosos "direitos adquiridos". Na Administração Pública, por exemplo. Melhor dito: nas várias "administrações públicas", cada qual com ‘benefits' particulares. Isto no regime geral. Os chamados corpos especiais (magistrados, professores, médicos, diplomatas, militares, polícias, etc.) têm tabelas salariais próprias, como deve ser, mas viviam há 30 anos como feudos autónomos. Até Março de 2005 nenhum primeiro-ministro questionou o "arranjo". Ao contrário, José Sócrates meteu-se no vespeiro, dando a conhecer ao país um quadro legal que permitia desigualdades gritantes.

E não hesitou. Acabaram as subvenções vitalícias dos deputados, concedidas ao fim de doze anos. Nenhum autarca pode agora cumprir mais de três mandatos consecutivos. A progressão salarial dos professores passou a depender de quotas e de avaliação prévia. A acumulação de pensões de reforma com o exercício de cargos públicos deixou de ser possível. (Abandonando o cargo de ministro das Finanças, o prof. Campos e Cunha pôde continuar a receber a pensão do Banco de Portugal.) As férias judiciais encolheram. Os generosos subsistemas de saúde das magistraturas, das forças armadas e das polícias foram subsumidos pela ADSE. Os aposentados da função pública viram aumentar o IRS e passaram a descontar para a ADSE. O regime de aposentação entre público e privado tem sido progressivamente equiparado. Na saúde, a rede de cuidados continuados é uma realidade. José Sócrates mudou mais em quatro anos do que alguém julgou possível. Por vontade de irritar as pessoas? Não. Para tornar o país mais justo. Teria sido infinitamente mais fácil deixar os marajás sossegados. » [Diário Económico]

Parecer:

por Eduardo Pitta, autor do http://simplex.blogs.sapo.pt/, um ‘blog' feito por apoiantes do Partido Socialista

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

ONGOING ESTÁ DE BOA SAÚDE FINANCEIRA

«As informações visam esclarecer notícias "nem sempre precisas" que têm sido veiculadas na comunicação social e que "podem levar a interpretações menos positivas sobre a situação finaceira do grupo", lê-se em comunicado.

A nota de imprensa assinala que, tendo 2008 sido "um dos piores anos de sempre ao nível dos mercados de capitais", foi necessário "proceder à realização de correspondentes provisões" que afectaram o desempenho do grupo mas não "beliscam a sua saúde financeira".» [Diário de Notícias]

Parecer:

Esperemos para ver até quando.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

O PROBLEMA DE MONIZ ERA O PREÇO

«A vice-presidência da Ongoing, grupo de media liderado por Nuno Vasconcellos, deverá ser o próximo desafio profissional de José Eduardo Moniz, que deve levar consigo duas ou três pessoas do seu núcleo de confiança. E 3,5 milhões de euros será o valor que os espanhóis da Prisa, proprietária da Media Capital (MC), vão pagar pelo afastamento de José Eduardo Moniz da direcção-geral da TVI. Os restantes 2,5 milhões de euros de indemnização a que Moniz terá direito devem ser pagos pela Ongoing, quando o até agora director-geral da TVI assumir o novo projecto.» [Diáro de Notícias]

Parecer:

Isto parece uma transferência do futebol, só que desta vez a Prisa pagou para se ver livre de Moniz.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver quanto tempo vai estar na Ongoing.»

SINDICATOS CRITICAM BASTONÁRIO DA ORDEM DOS MÉDICOS

«O secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos, Carlos Arroz, defendeu hoje que o bastonário Pedro Nunes deve "demonstrar" que a sua actividade à frente de uma seguradora espanhola está acima de suspeitas éticas e morais.

"O que se espera de um bastonário é que seja um médico que esteja acima de qualquer suspeita, nomeadamente nos foros éticos e morais", disse Carlos Arroz, questionado pela Agência Lusa sobre a multa de 135 mil euros aplicada a Pedro Nunes pela Direcção-Geral de Seguros espanhola.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Têm razão.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pela resposta do bastonário.»

O REGRESSO DE CRAVINHO

«A introdução de portagens nas Scut ameaça voltar a ser um tema forte das próximas eleições legislativas, já que integra o 'pacote' de obras públicas e do seu financiamento que tem alimentado o braço-de-ferro entre o PSD e o PS nos últimos quatro anos. O ex-ministro João Cravinho desconfia das reais intenções de Mário Lino e Ana Paula Vitorino sobre a matéria» [Diário de Notícias]

Parecer:

Cravinho aproveita as férias no seu alto tacho para lançar confusão e, mais uma vez, ajudar a direita.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Cravinho o que fez enquanto foi ministro das Obras Públicas.»

ATÉ MARCELO FICOU DESILUDIDO

«Marcelo Rebelo de Sousa classificou, esta quinta-feira, as listas do PSD para as legislativas como uma «inesperada desilusão», sem a «abertura interna de Sá Carneiro, Cavaco ou Barroso». As palavras do comentador político foram antecipadas no blogue que escreve para o semanário «Sol» e vão ser divulgadas na edição desta sexta-feira do jornal.

«Ferreiristas, sem a abertura interna de Sá Carneiro, Cavaco ou Barroso, nem suficiente abertura ao centro e aos jovens. Inesperada desilusão», escreve.» [Portugal Diário]

Parecer:

Tem razão, nem um grupelho M-L ou a LCI de Louçã faria pior.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

UMA GREVE EM TEMPO DE ELEIÇÕES

«Os trabalhadores marítimos da Soflusa estão em pré-aviso de greve «devido ao desrespeito, por parte da empresa, do período destinado às refeições dos trabalhadores», disse o presidente do sindicato dos Fluviais, Albano Rita.

Segundo o sindicato, «a empresa tem desrespeitado os horários dos turnos, sobretudo o horário das refeições porque não escala pessoal suficiente para os serviços que tem disponíveis», escreve a Lusa. » [Portugal Diário]

Parecer:

Para o PCP tudo vale.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «O argumento para a greve não passa de uma treta.»

ALGUÉM VIU A AUTORIDADE DA CONCORRÊNCIA

«As declarações proferidas quarta-feira à noite pelo presidente da Partex, António Costa e Silva, levaram o presidente da Autoridade da Concorrência, Manuel Sebastião, a vir hoje a público dizer que o organismo a que preside não só não está parado como “tem trabalhado como nenhuma outra autoridade de concorrência em toda a União Europeia e em toda a OCDE tem trabalhado neste sector”.Em causa está o trabalho de averiguações no sector dos combustíveis, depois do presidente da petrolífera da Fundação Gulbenkian ter acusado o facto de se estar num “mercado onde há muito pouca concorrência”, e de a Autoridade ter trocado o “papel de regulador pelo de simples grupo de estudos para justificar preços”. » [Público]

Parecer:

Os argumentos da Autoridade da Concorrência são uma anedota.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

SERGEY DO

CHANNEL 4

Quinta-feira, Agosto 06, 2009

Três opções

Nas próximas legislativas os eleitores terão três opções, o projecto de José Sócrates, as leves ideias erráticas e vagas de Manuela Ferreira Leite e as propostas da esquerda conservadora.

Das três propostas a mais tentadora para os eleitores são as apresentadas pelo PCP e pelo BE, em especial a segunda. Embora assentes num modelo social e político muito semelhante a do PCP peca pela coerência, sabe-se o que o partido de Jerónimo de Sousa pretende em todos os domínios da sociedade. A proposta de Louçã é bem mais tentadora, parece aos olhos dos eleitores como uma montra de gelados deliciosos.

Na proposta do PP há dinheiro para quase tudo, na do BE há dinheiro para tudo e ainda sobra. Chovem subsídios para todos os fins e basta combater a evasão fiscal para se arranjar dinheiro para tudo. Acaba-se a pobreza, aumenta-se o preço do pescado, empregam-se todos os professores e jovens licenciados, dão-se benefícios fiscais para todas as maleitas, reduzem-se as taxas de juro à habitação para níveis simbólicos, proíbem-se os despedimentos nas empresas com lucros. Quem se sujeita a uma cirurgia se pode resolver o problema no endireita, dá-se um puxão daqui, outro dali e o doente vai a saltar para casa.

A alternativa da direita é uma versão pretensamente séria da proposta de Louçã, onde o país tem problemas o PSD encontra soluções e o CDS não tem ideias mas está lá para ajudar Ferreira Leite se esta chegar a São Bento. O que pensa Manuela Ferreira Leite? Eu duvido que ela pense muito, nunca tive a sua inteligência em grande conta e tanto quanto se sabe terá sido uma razoável directora-geral da Contabilidade Pública.

O projecto de Sócrates é uma seca, combater o desemprego sem a genialidade de Louçã, assegurar o crescimento económico sem as propostas de ferreira Leite e resolver o problema das pesca sem as ideias de Portas torna tudo difícil. Com Sócrates o doente não vai ao endireita nem se cura com acupunctura, tem mesmo de ir à faca e isso é coisa de que ninguém gosta.

O mais curioso é que os que julgam que vão ao endireita de Louçã vão acabar por ter uma desilusão, acabarão no consultório da dra. Ferreira Leite onde em vez de agulhinhas vão acabar por ser operados, muito provavelmente sem anestesia.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTOS DE FÉRIAS NA PRAIA DO CABEÇO

Libelinha

FOTO JUMENTO

Candeeiros, Lisboa

JUMENTO DO DIA

Manuela Ferreira Leite

As listas de candidatos de deputados escolhida por Manuela ferreira Leite são bem piores do que se poderia imaginar, só têm a vantagem de mostrar ao país a pequenez, falta de formação democrática e espírito vingativo da líder do PSD. Entre um político que colheu um terço dos votos dos militantes do PSD e um pau-mandado que é acusado de crimes inaceitáveis num político Manuela Ferreira Leite.

Em vez de renovação a lista representa reciclagem de resíduos cavaquistas, gente que nunca deu ou já não tem nada a dar no país, gente que apenas tem em comum a obediência à chefe. Depois de tanto ter acusado Sócrates por supostamente ser pouco democrático, Manuela Ferreira Leite não hesitou em mostrar a sua face de ditadorazeca.

Lamento pela democracia e pelo próprio PSD, esta bancada do PSD vai ser uma bancada sem ideias liderada por um idiota.

AGORA NINGUÉM DIZ NADA?

A concretizar-se a saída de Moniz da TVI é a terceira vez que se fala dessa hipótese, o que só mostra que é o próprio Moniz que deseja sair como agora justificou. Aliás, das três vezes o director da TVI foi claro, isso sucedeu quando pôs a hipótese de se candidatar à presidência do Benfica e, mais tarde, quando se falou da compra da TVI pela PT.

Porque será que desta vez ninguém questionou a saída de Moniz? Porque não havia forma de lançar insinuações em relação à actuação do Governo. Apenas se lamenta que quem foi mais longe nas insinuações tenha sido Cavaco Silva, um Presidente da República que cada vez o é mais um "presidente" com letra pequena, um presidente que só tem um discurso articulado quando lê o papel ou quando as intervenções, mesmo as "espontâneas" são preparadas pelos seus assessores intriguistas.

AVES DE LISBOA

Pisco-de-peito-ruivo [Erithacus rubecula] Local: Parque da Bela-Vista

FLORES DE LISBOA

No Jardim Botânico

FAÇA-SE JUSTIÇA

«Zangada. Se me pedissem para caracterizar, numa só palavra, a Justiça portuguesa, seria esta a minha opção.

Temos uma Justiça zangada, reflexo do estado de espírito dos seus operadores - amuados e contrariados e egoístas. As duas magistraturas - que continuam a entrar na sala de audiências pela mesma porta - resistem a quase tudo o que é mudança. Os advogados, injustamente reduzidos ao bastonário que os pretende representar, perdem demasiado tempo em lutas intestinas. Alguns oficiais de justiça persistem numa espécie de greve de zelo. A maior parte dos solicitadores de execução ainda não entendeu que papel lhes está atribuído. E assim, salvo dignas excepções, temos todos contra todos e, dentro de cada grupo de influência, todos contra todos também.

No interior desta Justiça, estrutura e conjuntura não se distinguem, porque umbilicalmente ligadas. Esta a razão da Justiça dos tempos que correm, na qual, por paradoxo, radica a sua tão propalada falta de razão.

E eis que aparece o cidadão, também ele zangado, à procura de Justiça. E a zanga do litigante, natural - ou não viesse ele litigar -, encontra essa Justiça virada para dentro de interesses corporativos e com muito pouca disposição e tempo para aturar quem a ela recorre. Em suma, a Justiça perdeu o fio à meada, esqueceu-se de se fazer a si própria, inconsciente dos seus fins últimos.

Atento o cenário, pareceria ser de exigir uma reconciliação prévia do sistema. O problema é que tal reconciliação não é praticável, motivo pelo qual os sucessivos Governos vinham fracassando. E assim, mais que reformar, é essencial revolucionar - diferente de rasgar -, impondo um paradigma de autoridade.

É pois necessário, em vista de alguns egos desmesurados, invadir vontades - intrincada operação que o actual Governo, apesar de algumas cedências que descambaram em reformas precipitadas, encetou. O melhor exemplo que se pode dar deste modelo de acção é a desmaterialização dos processos nos tribunais judiciais, assente no projecto CITIUS, que engloba aplicações informáticas para os operadores judiciais, assim se reconhecendo, aliás, a indispensabilidade destes. Primeiro estranhou-se mas, com o tempo, vai entranhar-se. Assim se resista aos pedidos de suspensão para mais estudos.

Por se ter agora - só agora - contra pressões e amuos, começado a trilhar o caminho certo, insistindo-se em projectos - essenciais - que mudaram a forma da Justiça comunicar entre si e com o exterior, não podemos pensar em recomeçar. Rasgar e reconsiderar equivaleriam, ponderada a velocidade dos tempos, à falência definitiva da Justiça. » [Diário Económico]

Parecer:

Por Rogério da Costa Pereira, Autor do http://simplex.blogs.sapo.pt/, um ‘blog' feito por apoiantes do Partido Socialista.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

MONIUZ SAI

«José Eduardo Moniz, que já não é Director-Geral e de Coordenação de Informação e Programas da Estação de Queluz e deixou de ter qualquer vínculo profissional com empresas do Grupo Media Capital, esteve esta noite no Jornal Nacional da TVI para dizer adeus aos telespectadores a quem agradeceu em primeiro lugar.» [Diário de Notícias]

Parecer:

E também leva a esposa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao chefe da família Moniz."»

EUA: MENINO DE 10 ANOS CONDENADO A PRISÃO POR VIOLAÇÃO

«Uma juíza norte-americana ordenou hoje a prisão a um menino liberiano de 10 anos suspeito, com outros três, da violação, na cidade de Phoenix, de uma menina de 8 anos.

O menino, algemado, chorou durante a audiência com a juíza. Estava sentado numa cadeira grande demais para o seu tamanho.

O menor, que vai ficar preso enquanto decorrem as investigações, é indiciado também pelo crime de rapto.» [Diário de Notícias]

JOANA AMARAL DIZ FORA DAS LISTAS DO BE

«Aparentemente, o folhetim em torno do convite a Joana Amaral Dias para integrar as listas do PS às legislativas terá terminado. Atenuada esta discussão pública, Francisco Louçã, líder do Bloco de Esquerda (BE), justificou ontem a não inclusão da ex-dirigente nas listas de candidatos à Assembleia da República.

"Pela primeira vez, temos a obrigação de ter especialistas em todas as áreas e foi essa condição que determinou as escolhas", explicou, apontando que "não é a notoriedade que determina a inclusão nas listas". Louçã respondia a uma pergunta colocada por Rodrigo Moita de Deus, blogger do 31 da Armada, um dos 11 blogues que participaram na BlogConf do BE, ontem, na Casa do Alentejo, em Lisboa. » [Público assinantes]

Parecer:

É caso para dizer que Roma não paga a traidores.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se pelo silêncio disciplinado da ex-dirigente do BE.»

ALEXFOTO

STAMYL