Domingo, Março 07, 2010

Semanada

(imagem Jumento)

É uma inevitabilidade, para O Jumento esta semana foi a semana do 'i'.

'i' de Informador (vulgo bufo)

Um jornal que se pretende afirmar como um jornal de referência, que em tempos até chegou a sondar O Jumento para seu colunista, decidiu interromper a sua linha editorial e situar-se ao nível de um pasquim de caserna da Pide, pretendendo denunciar a identidade de um blogger e transformando a sua primeira página num instrumento de difamação. Está aberta a época do delator.

'i' de Interesses

O país assistiu à participação de Pinto Balesemão na Comissão de Ética do parlamento onde foi fazer campanha contra a presença da comunicasão social do Estado no mercado publicitário, numa tentativa evidente de obter ganhos financeiros para a sua empresa. Digamos que enquanto patrão da comunicação social e do BPP o número 1 do PSD deveria ter-se abstido de participar no espectáculo.

'i' de Iluminado

Os bem pensantes e instalados na vida da ala cavaquista do PSD, gente que quer decidir quem manda mas que não gostam muito de sujar as mãos, já perceberam que os candidatos da ala cavaquista não estão à altura de enfrentar José Sócrates, até porque contados os delegados do congresso do PSD correm um sério risco de perderem contra Pedro Passos Coelho. Resta-lhes insistirem com o professor Marcelo para que concorra à liderança do PSD, dizem que é para unir o partido.

'i' de Imemorado

Paulo Rangel continua a não lembrar-se bem se foi ou não militante do PSD.

'i' de Implicação

Os investigadores do caso Freeport vão a Londres na esperança de implicarem José Sócrates no caso Freeport e de adiarem durante mais uns meses a conclusão do processo, é mais do que certo de depois do regresso da capital inglesa terão mais umas dezenas de perícias para se entreterem. Com tanto dinheiro que os contribuintes estão a pagar o turismo judicial não me admira nada que os nossos magistrados apanhem o tique de Vasco Lourinho, antigo correspondente da RTP em Madrid, um dia destes entramos na Procuradoria-Geral da República e damos com os nossos procuradores a falarem português com sotaque londrino. Por este andar ainda vamos ver algum dos investigadores com a alcunha de Sherlock Holmes.

'i' de Inventar

A dona Moniz foi à Comissão de (est)Ética do parlamento inventar provas escondidas na TVI envolvimentos de António Vitorino na tentativa de compra da TVI e pressões de Sócrates sobre a PJ. Os deputados estavam tão distraídos que se esqueceram que o tema da comissão nada tinha que ver com o caso que tira o sono à antiga patroa da informação da TVI.

'i' Incoerência

Quando o comissário europeu fez comparações entre as situações financeiras da Grécia com as de Portugal e Espanha o Presidente da República ficou-se por uns argumentos tímidos. Mas em Espanha fez charme aos nossos vizinhos acusando o comissário de má-fé, só é pena que se tenha esquecido de que na mesma semana a sua amiga Manuela Fez declarações idênticas às do comissário europeu

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Camaleão, Praia dos Três Pauzinhos, Algarve

PS: Imaginem a quem dedico esta imagem, ainda que isso me obrigue a um pedido de desculpa ao bichano, é uma injustiça, o bicho muda de cor para se proteger, o bufo mudou de cor para agredir.

A MENTIRA DO DIA D'O JUMENTO

Consultada a bolinha de cristal do Palheiro estou em condições de assegurar que os investigadores do Caso Freeport estão fortemente empenhados em concluir o processo, pondo fim ao turismo judicial que tem provocado, até a rede Meridien já está a pensar em lançar um novo hotel em Londres a pensar no novo mercado aberto pelas deslocações de investigadores portugueses àquela cidade.

O Jumento sabe que depois da ida a Londres resta uma pista por investigar, trata-se de uma dica dada por uma conhecida jornalista, ao que parece o dinheiro para José Sócrates terá passado pela casa de um cidadão chinês e entregue depois ao primeiro-ministro num saco de plástico do Pingo Doce.

Assim, antes de encerrar o processo os investigadores irão ouvir todos os chineses, um a um após o que deverão dar o processo concluído. Ainda só não começaram a ouvir os chineses porque tiveram de ir a Londres e ainda aguardam a tradução dos nomes em mandarim para depois os ordenarem por ordem alfabética. Compreende-se, portanto, a exigência de um conhecido sindicalista do Ministério Público de que os investigadores possam trabalhar com meios e sem constrangimentos.

Brevemente, muito brevemente, o processo Freeport será encerrado.

O Jumento também soube que o MP vai adquiri cães especializados em cheirar peixe, depois da entrevista de Manuel Godinho todos os suspeitos de corrupção passarão pelo faro dos canídeos. Cheiro a robalo implica acusações de negócios com bancos, cheiro a pargo indiciará o envolvimento em negócios com telecomunicações, cheiro a bacalhau implica o envolvimento com negócios da TVI e por aí adiante.

JUMENTO DO DIA

João Correia, secretário de Estado da Justiça

O secretário de Estado da Justiça tem um excelente sentido da oportunidade, agora que muitas vozes estavam a questionar a justiça decidiu dizer umas baboseiras para permitir aos sindicalistas dos magistrados e outras personalidades desviarem a atenção dos portugueses. Enfim, ou entra mosca ou sai asneira.

EUNUCOS E MERETRIZES DE BIGODE

Neste que é um país de meretrizes de bigode eis que aparecem alguns sacerdotes em defesa da justiça, afirmando a bondade dos seus agentes numa tentativa de provar que são só eunucos e, por isso, podem desempenhar cabalmente o papel de sacerdotes da democracia.

Só é pena que estes sacerdotes da justiça estejam mais próximos da pureza dos padres pedófilos que abalam a Igreja Católica num número crescente de países do que do modelo de independência defendido na Constituição.

O VIOLADOR DE TELHEIRAS

Vale a pena comparar a forma como o "violador de Telheiras" foi tratado pela justiça e pelo Ministério Público com a forma como as personalidades políticas são tratadas. Cada um que pense e tire conclusões.

O APELO A MARCELO

É a melhor prova da falta de qualidade dos candidatos à liderança por parte do que resta do cavaquismo do PSD.

ARIEL

Não resisti a "roubar" este vídeo no Jugular, dá para perceber como há muito que a dona Moniz gosta de limpezas e de mudanças.

DEVASSA? COISA NENHUMA!

«Espantou-me a notícia brasileira sobre censura a anúncio da nova cerveja Devassa. Belo nome para um anúncio que desilude. A Devassa contratou Paris Hilton para, em terra de mulatas, ousar menear-se lascivamente com uma lata da cerveja. Ora esses gestos de tédio e vídeo foram proibidos por serem desrespeitosos. Deixem-me relembrar: no Brasil! No Brasil da marchinha Chiquita Bacana: "Não usa vestido/ Não usa calção...", diziam os versos nesse Carnaval de 1951. No Brasil de Chico Buarque, autor desta frase: "Não existe pecado do lado de baixo do Equador." De Vinicius de Moraes: "Nádega é importantíssimo." No Brasil colonizado pelo padre Manuel da Nóbrega, jesuíta, que se incomodou por os índios comerem até "mulheres bonitas, em vez de as utilizar para mister mais selecto". Do poeta Carlos Drummond de Andrade: "Oh, sejamos pornográficos/ (Docemente pornográficos)..." Do Brasil todo virado para aí: "Você é o seu sexo. Todo o seu corpo é um órgão sexual, com excepção, talvez, das clavículas" (Luís Fernando Veríssimo). E da desbunda, como dizia o jornalista Zózimo Barrozo do Amaral: "Antes à tarde do que nunca." E é nesse Brasil abençoado pela falta de pudor, que uma lambisgóia americana, loira e de fórmica, causa furor. "Progresso", diz a bandeira brasileira. Mas estão a regredir.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

MINISTÉRIO DOS ASSUNTOS SOCIAIS

«Pedro Passos Coelho garantiu ontem que se for eleito presidente do PSD e primeiro-ministro irá criar o ministério dos Assuntos Sociais, com a tutela conjunta das pastas da Educação, Saúde e Segurança Social.

O candidato à liderança do PSD lembrou, em declarações ao CM, que este ‘superministério’ já existiu no tempo da Aliança Democrática, com Morais Leitão, em 1980, e depois com Pinto Balsemão, Carlos Macedo e Luís Barbosa, em 1981. Passos Coelho pretende com este ministério regressar à fórmula de Sá Carneiro e, ao mesmo tempo, criar um elenco governativo mais pequeno. Apesar de ficarem reunidas num só ministério, as pastas da Educação, Saúde e Segurança Social "seriam entregues a secretários de Estado". » [Correio da Manhã]

Parecer:

É mais um momento imaginativo de Pedro Passos Coelho, já estou a ver perguntarem a um desempregado que se quer emprego, se pretende ser internado ou prefere regressar ao ensino básico.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

ENTÃO E A MANUELA MOURA GUEDES

«Para assinalar o Dia Internacional da Mulher lançámos um desafio aos leitores do 'Diário de Notícias'. E através do 'site' dn.pt elegemos as oito portuguesas mais influentes. Foram escolhidas Manuela Ferreira Leite, Leonor Beleza, Mariza, Maria José Morgado (em segundo plano, da esquerda para a direita), Maria Barroso, Paula Rego, Eunice Muñoz e Judite Sousa (em primeiro plano)» [Diário de Notícias]

Parecer:

E a Felícia Cabrita ou a Dona Maria CS?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Que grande injustiça!»

VOLTA MARCELO, ESTÁS PERDOADO

«A uma semana do congresso do PSD, há um por cento de hipóteses de o professor ir a Mafra e avançar para a liderança do partido, garantiram ao DN três ex-colaboradores próximos do social-democrata. Marcelo, concordam, não quer mesmo subir ao ringue e ninguém acredita que os outros atirem a toalha ao chão. Mas há sempre aquele um por cento. O professor é um homem de surpresas e provou isso no passado. Tanto quanto se sabe, não tem nenhum carro a precisar de rodagem, mas, se tiver um congresso a chamar por si, pode bem arranjar transporte ou boleia para fazer os 60 quilómetros que vão de Cascais, a sua casa, até Mafra.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Não vejo porque razão Marcelo não se decide, agora até já pode tomar banho no Tejo à vontade graças às obras que estão a desviar os cagalhões para a estação de tratamento de Alcântara.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ofereça-se um par de barbatanas e um Citroen BX ao professor Marcelo.»

INVESTIGADORES DO CASO FREEPORT VÃO A LONDRES

«O primeiro-ministro não é arguido no processo Freeport, mas os investigadores querem tirar a limpo os novos elementos que surgiram nos últimos meses, antes de darem o inquérito-crime por encerrado.» [Expresso]

«Os investigadores do caso Freeport estão actualmente a ler o relatório pericial para ver se há lacunas ou contradições, não tendo na sua posse novos indícios que justifique uma deslocação a Londres, disse hoje à Lusa fonte judicial.» [Expresso]

Mas no Público:

«Os investigadores do caso Freeport estão actualmente a ler o relatório pericial para ver se há lacunas ou contradições, não tendo na sua posse novos indícios que justifique uma deslocação a Londres, disse hoje à Lusa fonte judicial.» [Público]

Parecer:

Isto é porquinho demais, à falta de escutas para divulgar os boys de Balsemão recorrem à contra-informação.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Pinto Balsemão quem o pressionou desta vez e se esta tentativa de linchamento tem alguma coisa que ver com o processo do BPP, banco de que é um dos sócios.»

ISTO SIM QUE É PRODUTIVIDADE

«Há 78 984 empresas que declaram zero empregados ao seu serviço. Portugal tem 325 877 microempresas que empregam quase 750 mil pessoas. Se às micro juntarmos as pequenas empresas, o volume de emprego é de 1,5 milhões de postos de trabalho.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

E são as micro-empresas que criam emprego...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Informe-se Jerónimo de Sousa. e Francisco Louçã.»

ASAE É CONSTITUCIONAL

«O Tribunal Constitucional considera que a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica é constitucional, contrariando uma decisão do Tribunal da Relação de Lisboa que declarou ilegais algumas atribuições deste organismos.

Segundo o acórdão do Tribunal Constitucional (TC), o decreto-lei que atribuiu à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) competências para desenvolver acções de natureza preventiva e repressiva em matéria de jogo ilícito e poderes de órgãos e autoridade de polícia criminal não é inconstitucional. » [Jornal de Notícias]

Parecer:

Azar para os multados.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Informe-se o senhor António de Sousa.»

RANGEL QUER CONSTITUIR RESERVAS ALIMENTARES

«Paulo Rangel, candidato à liderança do PSD, disse, este sábado, na Covilhã, que o PSD deve eleger a agricultura como «prioridade estratégica» na «gestão territorial» e para «criação de reservas alimentares».

«O partido que até agora tem liderado a luta dos agricultores tem sido o CDS-PP. Temos deixado a agricultura para segundo ou terceiro plano e não devíamos», referiu. » [Portugal Diário]

Parecer:

Este senhor sabe tanto de agricultura como eu de lagares de azeite, a não ser que esteja a pensar em reservas alimentares de cebolas, alfaces e feijão fradinhos. Santa ignorância.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao pequeno Rangel que fale do que sabe se é que sabe de alguma coisa.»

PACHECO SABE DO QUE FALA

«José Pacheco Pereira desafiou ontem os candidatos à presidência do PSD a revelarem de forma voluntária as contas das suas campanhas para as eleições directas e quem as financia, estimando que hoje uma disputa eleitoral partidária não custe menos de 100 mil euros.» [Público]

Parecer:

Pois, mas nas últimas directas do PSD não se lembrou de fazer a mesma sugestão.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lá temos que dar mais uma gargalhada.»

TACI YUKSEL

DUREX

Sábado, Março 06, 2010

Nem tudo está mal na nossa justiça...

Não compreendo o reboliço que por aí vai contra os magistrados do Ministério Público, coitados fazem o que podem e se mais não fazem deverá ser por causa da falta de meios, não é por acaso que os desunhados sindicalistas não se cansa de exigir meios, já os ouvi pelo menos duas vezes a clamar por esses meios, António Cluny já os exigia no tempo do processo Casa Pia e mais recentemente, a propósito do Caso Face Oculta, o senhor Palma voltou a fazê-lo.

Como é que podemos exigir mais dos nossos magistrados da investigação se as suas instalações parecem um queijo suíço, eles tapam um buraco e os processos fogem pelo outro. Só quem não quer é que não consegue ir lá ler uns processos para publicar nos jornais. É por isso que em vez de pormos em causa os magistrados e o modelo exemplar de orgânica do Ministério Público devemos juntar as nossas vozes às dos seus sindicalistas e exigir mais meios, leis mais permissivas quanto aos métodos de investigação, prazos ilimitados para as prisões preventivas e para a conclusão dos processos.

Se têm dúvidas da isenção, competência, rigor e discrição dos magistrados vejam o verdadeiro exemplo de investigação que é o caso BPN, para não referir o BPP ou a Operação Furacão. Está a ser tão exemplar que ninguém se interroga, ninguém se preocupa, ninguém exige meios. O sr. Palma não questiona a falta de meios, o sr. Presidente não faz declarações a manifestar a sua preocupação nem chama ninguém a Belém.

Naquele processo os arguidos ou testemunhas são ouvidos calmamente e tratados com elegância, estendem um tapete vermelho e se for necessário até vão a casa buscar um papelinho de que se tenham esquecido e voltam no dia seguinte. Até têm direito a declarações presidências de confiança na sua presidência, os jornalistas não os esperam à porta de casa, nem a Manuela Moura Guedes não encontrou matéria suficiente para uma pequena notícia.

Naquele processo ninguém fez pressões sobre os magistrados, o governo não sentiu necessidade de mandar comprar qualquer estação de televisão, lá teve que nacionalizar o banco mas até a direita avessa a estatizações agradeceu o gesto, até porque o governo não abusou e deixou de fora as muitas empresas da SLN. O primeiro-ministro que no Caso Freeport foi tratado como suspeito, no caso Face Oculta foi considerado precisamente a face oculta, já no caso BPN está tudo bem, ninguém reparou se colocou algum amigo na administração e pela forma como se tudo pareceu até o pensador do PSD era capaz de pensar que em vez de um modesto diploma de engenharia o primeiro-ministro tem um doutoramento em Harvard.

A seu tempo far-se-á justiça, depois de assegurado os direitos dos arguidos e de todos os eventuais suspeitos de terem lambuzado as mãos nos mais de dois mil milhões de euros do buraco financeiro do BP, teremos a oportunidade de saber toda a verdade deste processo. Podemos estar tranquilos que nem o Sol, nem a TVI e muito menos o Público irão divulgando dia sim, dia não os nomes dos que fizeram negócios fáceis no BPN, dos que compraram e venderam acções da SLN, dos que tiveram acesso a créditos a juros simpáticos para negócios de alto risco, senão mesmo de negócios falidos. Com alguma sorte até ficaremos a saber como é que Oliveira e Costa fixava os preços de compra e de venda das acções compradas e vendidas pelos seus camaradas de partido.

Até porque, ao contrário de outros processos mais mediatizados, no Caso BPN com muito menos alarido já prenderam um dos culpados, podemos ficar tranquilos que a seu tempo prenderão os outros, nem que para isso seja necessário alugar o Hotel Ritz para servir de anexo aos calabouços da Polícia Judiciária. E como no Ritz não deverá haver pátio para recreio dos detidos ainda os vamos ver a passear no Parque Eduardo VII acompanhados de gentis agentes da Polícia Judiciária, num esforço para que o nome de Portugal apareça limpo nas listas da Amnistia Internacional.

Estejamos tranquilos, ao contrário do que por aí anda a dizer a justiça portuguesa é exemplar, se fosse uma equipa de futebol até faria melhor figura no Mundial do que fará a selecção do Carlos Queiroz.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTOGRAFIA JUMENTO

Andorinhas-das-chaminés (Hirundo rustica)

FOTOGRAFIAS DOS VISITANTES D'0 JUMENTO

Pintural mural, Moita

IMAGEM DO DIA

[Natacha Pisarenko-AP]

«A building in Concepcion, Chile, lies in ruins after Saturday's 8.8-magnitude earthquake.» [The Washington Post]

JUMENTO DO DIA

Cavaco Silva, Presidente da República

Cavaco Silva não viu em directo a entrevista do primeiro-ministro a José Sócrates, verá no dia seguinte os vídeos da presidência, isto é, os vídeos que a Casa Civil coloca na intranet da Presidência da República. Compreendo perfeitamente Cavaco Silva, à hora a que Sócrates estava a ser entrevistado por Francisco Sousa Tavares na SIC Notícias passam telenovelas nos outros canais.

Vale a pena ver Cavaco Silva em ambiente informal, como na entrevista que deu à SIC, constata-se uma enorme diferença entre o Cavaco que lê os discursos e o Cavaco que só diz banalidades. Cada vez tenho mais dúvidas sobre as capacidades intelectuais do Presidente da República. Aquela mão que treme suscita-me muitas interrogações.

O SILÊNCIO PREOCUPANTE DE CAVACO SILVA

Quando se deu o caso do Freeport o Presidente da República ficou preocupado e chamou Pinto Monteiro.

Quando Dias Loureiro foi incomodado por causa do caso SLN Cavaco ficou preocupado e fez uma declaração pública de quase inocência do seu velho companheiro.

Quando se deu o famoso caso das pressões sobre os investigadores do caso Freeport Cavaco Silva ficou preocupado e chamou o sr. Palma, o verdadeiro patrão dos magistrados do Ministério Público.

Quando se falou do jornal da Dona Moniz também ficou muito preocupado com a liberdade de imprensa.

Quando estalou o famoso caso das escutas a Belém ficou preocupado mas disse que só falaria depois das eleições.

Agora que o país assiste indignado a uma tentativa de destruição de um governo eleito pelos portugueses o Presidente da República nada diz, mantém o silêncio e aguarda tranquilamente que as fugas ao segredo de justiça destruam José Sócrates e todos os que o apoiem.

Ao que deverá o silêncio de Cavaco Silva? Significa que há cavaquistas envolvidos nestas manobras ou está mais preocupado com a subida do PSD ao poder e com a sua reeleição do que com a saúde que deveria defender?

O GOLPE DE ESTADO

«Como tanta coisa em acelerada mudança a técnica do golpe de estado também está em franca evolução. Com exceção de alguns estados falhados, os golpes à Pinochet passaram de moda. Já não é preciso meter tanques e soldados na rua para tomar de assalto...

Como tanta coisa em acelerada mudança a técnica do golpe de estado também está em franca evolução. Com exceção de alguns estados falhados, os golpes à Pinochet passaram de moda. Já não é preciso meter tanques e soldados na rua para tomar de assalto o poder. Já não é preciso derramar sangue, assassinar e torturar. Hoje, no mundo desenvolvido, existem outros meios bem mais poderosos para usurpar o que foi conquistado por via legítima e democrática.

Os golpes "civilizados" são muitas das vezes de tipo palaciano. Sucedem no interior das elites dirigentes e raramente chegam ao domínio público. Dos casos recentes e conhecidos temos a forma como Yeltsin cedeu o poder a Putin por via de uma inusitada declaração televisiva. Há também os casos de pura fraude. É hoje evidente que Al Gore ganhou as eleições americanas de 2000, só que através da impostura na contagem de votos na Florida e sucessivas intervenções judiciais o poder foi entregue a Bush.

Trata-se de casos pontuais. A técnica do golpe de estado em democracia tem evoluído com recurso à manipulação dos chamados contrapoderes. Sobretudo da justiça e dos media. No primeiro caso, temos um exemplo na tentativa de "impeachment" - destituição de um eleito por via de um processo formal -, do Presidente Clinton a propósito do seu caso com Monica Lewinsky. Através do equivalente a uma "comissão de inquérito" o procurador Kenneth Starr, numa saga digna de Hollywood, tentou por todos os meios, lícitos e ilícitos, derrubar o Presidente.

Mas, numa sociedade crescentemente dominada pelos media, são estes que vão jogando um papel determinante nos processos de conquista ilegítima do poder. De tal modo que se fala hoje de um novo conceito, precisamente, o de golpe de estado mediático.

Militar ou civil, fraudulenta ou formal, judicial ou mediática, a metodologia é sempre a mesma. Cria-se desordem e insegurança sob qualquer pretexto, para depois, os mesmos que estão na origem da instabilidade se apresentarem como salvadores da Pátria.Em Portugal estamos a viver o mecanismo. A tentativa de golpe de estado em curso tem seguido a cartilha com denodo. Tudo tem servido para descredibilizar o primeiro-ministro e gerar uma sensação de grande instabilidade política. Desde coisas claramente insignificantes, como a licenciatura de José Sócrates, até insinuações graves de corrupção, abuso de poder e até essa pérola que é o atentado ao Estado de Direito por via telefónica. Os meios são também conhecidos. Cirúrgicas fugas de informação; quebra constante do segredo de justiça; devassa da vida privada; agentes da justiça prontos a infringirem a lei que deviam defender; jornalistas dispostos a ampliarem a mais irrisória intriga ou mesmo a se tornarem agentes diretos da manipulação; intensa promiscuidade entre políticos, jornalistas, polícia e magistratura.

É igualmente clara a origem do golpe. A direção do PSD não se conformou, nem conforma, com o resultado das últimas eleições e procura, por todos os meios, subverter o voto popular. Mesmo se nesse processo se provoca a demolição sistemática do edifício constitucional - veja-se a exigência descarada da demissão do Procurador e do Presidente do Supremo -, e um prejuízo efetivo, social e económico, do país.

Acresce que numa fase de disputa interna, vai imperando no PSD a tendência de radicalização das posições mais extremistas. Quando ontem se falava da necessidade de garantir a estabilidade governativa, hoje fala-se já abertamente de derrube do Governo. Aliás, circula a ideia de que vencerá as eleições internas aquele que for capaz de garantir o "impeachment" de Sócrates, verdadeiro e único objetivo de tanta intriga, para o que o PSD possa finalmente regressar ao poder.

Portugal é neste momento um tubo de ensaio do golpe de estado em democracia. O desfecho desta operação terá significativas consequências. Se o golpe vencer, a democracia vai ter de se adaptar a estes ataques, o que só pode acontecer com a diminuição das liberdades cívicas e individuais e crescente perda de transparência da ação política. Neste sentido, não é Sócrates ou o PS que estão em causa. É a liberdade individual e a capacidade de decisão coletiva que estão em risco. Por isso mais uma vez há que ter a coragem de dizer: no pasarán! E só é pena que muitos dos que se dizem liberais e de esquerda sejam coniventes com um tão evidente ataque à liberdade e à democracia.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Leonel Moura.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

ELOGIO DA IMPRENSA E DOS SEUS HOMENS LIVRES

«O inquérito na Comissão de Ética tem obtido resultados pungentes. Até agora, os deponentes que por lá passaram debitaram umas banalidades e revelaram uma assustadora ignorância da nossa História próxima recente, como uma indigência comovente do que é jornalismo. Apenas Francisco Pinto Balsemão disse algumas coisas acertadas. Não espanta. Ele é um homem que, no "Diário Popular", de que foi proprietário, conheceu a agressiva intervenção da Censura. Com uma Redacção na maioria constituída por jovens redactores que não morriam de amores pelo salazarismo: alguns deles, como Mário Ventura, tinham passado, duas vezes, pelas masmorras de Caxias. Balsemão conhece as diferenças das épocas e possui, sobre todos os outros preopinantes, a experiência de moral em acção. Não nos esqueçamos que, quando foi primeiro-ministro (já depois de Abril, evidentemente), o jornal que mais o atacou, às vezes quase irracionalmente, chamava-se e chama-se "Expresso", de que é dono.

Escuso-me a dizer o que, profissionalmente, penso, hoje, daquele semanário, cuja leitura abandonei, por viscosa, há mais de três anos. Mas o que penso, obsta-me, por motivos de ordem higiénica. Mas Balsemão é outra coisa. Como dizia um querido amigo, Manuel Magro, outro dos grandes de que o "Diário Popular" dispôs, "o homem tem a democracia até à medula."

Quero dizer, com isto, que Francisco Pinto Balsemão, sobre ter a carteira profissional de jornalista, de que se orgulha, sabe do que fala quando fala de jornais. Ao contrário de muitos daqueles simpatizantes de jornalismo, que pela Comissão de Ética têm passado. O depoimento dele seguiu-se ao de Manuela Moura Guedes, cujo conteúdo e objectivos deixo de largo. Cansei-me de campeões da liberdade.

Aquilo vai levar a nada. O que não sucederá, quase de certeza, com a Comissão de Inquérito Parlamentar. Vai--se saber, então, se José Sócrates e seus apaniguados "socialistas" acondicionavam, em aconchego tenebroso, um plano sinistro para dominar a liberdade de expressão. Apurada a verdade dos factos, comprovada como verdade que o primeiro-ministro mentiu ao Parlamento, chamado que for para averiguações dos acontecimentos - o seu destino está marcado: terá de ser despedido, por indecente e má figura. Será a primeira vez que um primeiro-ministro de Portugal sofrerá de tal pena e de tal vergonha.

Todavia, tem de se saber se ele é ou não culpado de indignidade moral. Os senhoritos e senhoritas que por lá têm debitado banalidades e espelhado um narcisismo risível nada acrescentam à verdade que se procura. Por outro lado, os deputados, valha-os Deus!, manifestam um desconhecimento absoluto da especificidade do jornalismo e das singularidades dos profissionais. Este último pormenor está longe de ser despiciendo: a feira de vaidades que é a Imprensa (lato senso), o concentrado de egos que acalenta e o amontoado de ódios que embala são de molde (quando se os conhece) a fazer fugir o espírito mais coriáceo.

Alguns dos responsáveis pelas publicações deviam envergonhar-se pelo que dizem e pelo papel que vêm representando. Já praticaram censura interna, já procederam a práticas de omissão e de perseguição (a forma mais hedionda de censura), já foram as vozes caninas da ideologia dominante. Deviam, caso estivessem interessados e soubessem, preocupar-se mais com a natureza dos conteúdos, com a gramática e com a fundamentação das notícias que apresentam.

A batalha pela tiragem, no caso dos jornais, e pelas audiências, quanto às televisões, atingiu níveis nunca vistos e extremamente perigosos. A informação deixou, na esmagadora maioria dos casos, de ser contextualizada, social e historicamente; e a opinião contrária, habitualmente, é obtida através do telefone. Um descrédito que tem acentuado a degenerescência da profissão e a decadência de uma classe que, mesmo nas horas mais ominosas do fascismo, conseguiu manter a cabeça fora do lodaçal, e não capitular. E, podem crer os Dilectos, foram anos e anos dolorosos e difíceis, que aniquilaram grandes jornalistas e destruíram sonhos maiores e decentes ambições.

João Chagas [1863-1925], que foi um dos maiores jornalistas portugueses de sempre, político emérito, grande prosador e homem de bem, escreveu, em "As Minhas Razões", reflexões admiráveis, e extremamente actuais acerca do tema de que discreteei. Um excerto:

"Está absolutamente demonstrado que só os poderes enfraquecidos perseguem a Imprensa e, por outro lado, está igualmente demonstrado que nem por isso se tornam mais robustos e que, ao contrário, acabam quase sempre por se declarar vencidos. Só os poderes enfraquecidos temem a Imprensa, porque a Imprensa não é para temer. Só a verdade é temível, disse o velho Thiers, que um tão belo papel representou no acto de protesto contra as Ordenanças de Julho.

"Os juízos da Imprensa só são eficazes quando são justos, porque, apesar de tudo, quando se pensa da influência da Imprensa sobra a opinião, nem por isso é menos certo que são, afinal, os votos desta que ela acaba por formular. Não é geralmente o jornal que faz a opinião, é a opinião que faz o jornal, e o jornal é, quase sempre, o último a exprimi-la."

Dilecto: agora, ia por aí fora, na reprodução desta extraordinária reflexão sobre jornalismo. Que fique pois, e somente, como um voto de gratidão e homenagem aos autênticos profissionais portugueses, que nos legaram páginas e páginas imortais, nas quais a liberdade está marcada como desejo, realidade e luta. E como imposição da honra, da dignidade e da honradez. Aos outros, o meu profundo desdém.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Baptista Bastos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

O PODER

«Eis o direito à liberdade de expressão definido como o confronto entre o jornalista e "o poder" (ou seja, para Moura Guedes, o governo). Seguiu-se, por feliz coincidência, Balsemão, o mais notório patrão de media português. Tratado pelos deputados (todos) com a reverência trémula que se reserva às santidades, despediu "telefonemas" e "pressões" como "normais", asseverando que a capacidade dos media de lhes resistir depende do seu sucesso. Ou seja: do dinheiro que fazem. Mas, avisa, por ter noção disso o governo tem tentado impedir o sucesso dos media. Como? Legislando. Exemplos: a concessão de direitos de autor aos jornalistas (que, resumiu Balsemão, prejudicam os meios; traduzo eu, impedem os meios de fazer o que entendam com o trabalho dos jornalistas); a intenção de impedir a concentração dos meios de comunicação; a existência de uma entidade reguladora; as regras da publicidade. A lista é longa mas resume-se facilmente: Balsemão quer que seja "o mercado" a decidir o que é ou não aceitável, o que os media podem ou não fazer. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

JORNALISTAS DO SOL CONSTITUÍDAS ARGUIDAS

«As jornalistas do Sol Felícia Cabrita e Ana Paula Azevedo foram hoje constituídas arguidas no inquérito instaurado pelo procurador geral da República à divulgação de notícias sobre escutas telefónicas efectuadas no caso Face Oculta. Em declarações à Lusa, a jornalista Felícia Cabrita explicou que foram chamadas ao Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) onde foram constituídas arguidas, não tendo nenhuma delas prestado declarações, usando uma prerrogativa prevista na lei. » [Jornal de Negócios]

Parecer:

Receio que isto não passe de uma operação de fachada destinada a lavar a cara cada vez mais suja dos agentes da justiça. O mais certo é isto dar no arquivamento ou num julgamento com base numa acusação mal formulada e sem sustentação em provas. Por outras palavras, estou convencido de que vão usar o dinheiro dos contribuintes para uma manobra cujo único objectivo é desviar as atenções para o golpe de estado em curso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se às arguidas se já receberam cópias dos seus próprios processos.»

MARINHO PINTO SEM PAPAS NA LÍNGUA

«"O poder judicial está, neste momento, empenhado em derrubar o primeiro-ministro. Alguém tem dúvidas disso?", acusou esta sexta-feira Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados, na Faculdade de Direito do Porto.

O bastonário explicou que José Sócrates, "bem ou mal, tocou em alguns privilégios da corporação" que, por isso, está "empenhada em derrubá-lo".» [Correio da Manhã]

Parecer:

Ahja alguém com coragem neste país de políticos oportunistas e de cobardias.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Elogie-se a coragem de Marinho Pinto.»

MAIS UMA DOR DE CABEÇA PARA O BLOCO DE ESQUERDA?

«Manuel Carvalho da Silva, líder da CGTP, tem sido um nome falado como o próximo candidato da Esquerda a entrar na corrida às eleições Presidenciais, depois de Manuel Alegre e de Fernando Nobre.

A ideia foi esta sexta-feira avançada pelo dirigente do PSD Alexandre Relvas no programa ‘Edição da Noite’, na Rádio Renascença (RR). » [Correio da Manhã]

Parecer:

Por quanto mais tempo demorará o apoio do BE a Manuel Alegre?

É engraçado como o BE apoio Manuel Alegre na esperança de lucrar com a divisão interna do PS e agora arrisca-se a ficar ele próprio dividido. Se a candidatura de Fernando Nobre já dividiu o BE, a de Carvalho da Silva vai deixar a frente da extrema-esquerda à beira de uma crise de nervos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Francisco Louçã.»

HAJA HUMOR

«O primeiro ministro, que correu esta sexta-feira pelas ruas de Maputo, disse no final que faz o seu 'jogging' porque "é preciso esta em forma" ou, caso contrário "comem-nos vivos". José Sócrates respondeu assim com algum sentido de humor e ironia aos ataques de que diz ser alvo dos seus opositores em Portugal. » [Correio da Manhã]

Parecer:

Eles que pousem.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Sócrates que em vez de usar água de colónia que use piri-piri, pode ser que venhamos a ver algum magistrado a matar a sede na fonte em frente ao Palácio de Belém.»

PROTEGEM-SE UNS AOS OUTROS

«"Acho lamentável as declarações do doutor João Correia, que ainda não despiu a veste de advogado e ainda não vestiu a veste de secretário de Estado da Justiça", disse à Lusa Rui Rangel, sublinhando que de "uma pessoa de Estado" espera-se "ponderação, consenso e sensatez" e não afirmações de que ficou "com a impressão" que neste ou naquele processo houve contaminação política do MP.

"É exigível outro tipo de comportamento, de declaração, e que contribua para prestigiar as instituições e fazer baixar o ruído", sustentou Rui Rangel, observando que se João Correia "não despiu a veste de advogado então deixe de ser secretário de Estado da Justiça".» [Diário de Notícias]

Parecer:

Andaram todos na mesma escola, protegem-se uns aos outros.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao magistrado preocupado com a soberania o que diz do que se está a passar aos olhos de toda a gente.»

CORISTA DO VATICANO FORNECIA PROTISTUTOS

«"Ele a que horas tem de regressar ao seminário?" A pergunta não teria nada de mal se não tivesse sido feita por Angelo Balducci, o ex-presidente do Conselho das Obras Públicas italiano já preso por corrupção, ao homem que lhe fornecia prostitutos para encontros amorosos a troco de avultadas quantias. O destinatário da chamada - transcrita nas 72 páginas de escutas a Balducci agora divulgadas - era Chinedu Thomas Ehiem, nigeriano membro do selecto coral da Capela Giulia, entretanto afastado pelo Vaticano.

Identificado apenas como "Mike", Ehiem esteve em contacto com Balducci durante os últimos dois anos. Vinte e quatro meses durante os quais forneceu prostitutos ao engenheiro a um ritmo de dois a três por semana. Seminaristas da sua maioria, a escolha recaía por vezes também sobre imigrantes ilegais em busca de dinheiro e de uma autorização de residência em Itália.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Será que vem com o papa para cantar em Lisboa?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à Nunciatura Apostólica.»

NÃO CONVÉM

«O Governo vai propor aos sindicatos mecanismos de monitorização conjunta dos dados de adesão à greve, mas a medida não agrada às estruturas sindicais que acusam o Executivo de se estar a imiscuir na sua organização interna.» [Público]

Parecer:

Assim a adesão às greves fica sempre acima dos 90%.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

A RESPOSTA DOS ELEITORES

«O primeiro-ministro mentiu no Parlamento quando disse que não sabia que a Portugal Telecom queria comprar a TVI e essa mentira é injustificável. É esta a convicção da maioria dos portugueses, de acordo com uma sondagem da Intercampus feita para o PÚBLICO. Mas nem essa "mentira" nem a alegada ligação de José Sócrates a escândalos recentes lhe retiram condições para governar. Aliás, se as eleições fossem hoje, o PS voltava a ganhar e reforçava mesmo a sua votação, ficando à beira da maioria absoluta. Um paradoxo com diferentes explicações, na análise dos politólogos.» [Público]

Parecer:

Com sondagens destas os amigos de José Sócrates que se cuidem, devem estar todos sob escuta para aparecer outro processo, de processo em processo até à vitória final.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Desligue-se o telemóvel.»

O BLOGUE DO PISCA-PISCA

O "Valor das Ideias" o blogue de Carlos Santos, uma estrela da blogosfera que depois de uma passagem pela esquerda está agora na galáxia da direita, entrou em regime de intermitência, um fenómeno estranho cuja causa um amigo meu sugeriu resultar de ter ligado o blogue ao pisca-pisca do automóvel.

Acho que não, o jovem apoiante de Cavaco Silva no Facebook deve ser um admirador da Rute Marlene e em homenagem à cantora popular vai mudar o nome do blogue. Um dia destes quando o abrirmos vamos constatar que em vez de se chamar "O valor das Ideias" mudou para "Blogue do pisca-pisca"

SAPRONO ANDREY

MIGROS