terça-feira, abril 21, 2015

Umas no cravo e outras na ferradura



 Foto Jumento


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Talha dourada, Coimbra
  
 Jumento do dia
    
Paulo Macedo, Opus minsitro da Saúde

Paulo macedo é mais um que não consegue ou não quer entender que um político tem responsabilidades políticas e essas responsabilidades resultam não apenas das suas instruções directas, mas também das orientações, do ambiente que criam, dos responsáveis que escolhem e da liberdade que dão aos homens da sua confiança. Se Paulo Macedo não tem quiaisquer responsabilidades porque motivo nem se deu ao trabalho de se informar?

«O ministro da Saúde diz não conhecer a metodologia aplicada por dois hospitais do Porto que pediram provas de evidência de leite às funcionárias que recorrem à possibilidade de redução do horário de serviço por estarem a amamentar.

"Nós não demos quaisquer orientações nesse domínio e não tenho conhecimento de qual é a metodologia" observou este domingo Paulo Macedo após a sua intervenção na sessão inaugural do 36.º Congresso Português de Cardiologia, que decorre em Albufeira até 21 de abril.

A queixa de duas enfermeiras, uma do Hospital de Santo António e outra do Hospital do São João, ambos localizados no Porto, que dizem ter tido de comprovar às entidades laborais que estavam a amamentar, "espremendo leite das mamas à frente de médicos de saúde ocupacional", foi publicada este domingo pelo jornal "Público".» [Expresso]

  As Urgências

Paulo Macedo deixou as urgências do SNS em tão mau estado que já não são os portugueses a pedir a ajuda das urgências, são estas que para serem salvas precisa da ajuda dos portugueses e essa ajuda é muito simples, demitir o incompetente do Opus Macedo

 O 20A da Madeira

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 Leilão na AT

Para os eventuais interessados aqui ficam os dados:
  • Nº de venda 1899.2014.338
  • Preço de base de venda por leilão electronico: 2,53 euros
  • Descrição do bem: 3/56 indivisos de predio rustico.
  • Valor patrimonial: 3,62 euros
  Parece que neste país anda tudo parvo!

      
 Urgências, de novo
   
«O panorama apresentado num canal da TV sobre urgências em diversos hospitais tem duas características que aumentam a gravidade do problema desvendado há três meses. Não é conjuntural, mas cumulativo. Doravante será provavelmente sempre pior, se não forem tomadas medidas radicais. Já veremos quais.

A segunda circunstância é a intenção deliberada de esconder o problema. Visível na comparação entre as imagens da câmara indiscreta e as da câmara autorizada. Já se sabia que em algumas urgências se mostra a jornalistas apenas a parte civilizada, externa. Portas adentro, o inferno é outro. Um imenso desafecto à verdade acompanha esta atitude.

Vamos à realidade: as urgências são hoje um inferno, porque foi destruída a sua capacidade: escalas de dimensão "económica", redução a 50% do pagamento de horas extra, não substituição de profissionais reformados, emigrados ou desistentes; paragem na constituição das unidades de saúde familiar (USF) a montante do problema e congelamento da criação de cuidados continuados a idosos e dependentes (CCI) a jusante, recurso a médicos tarefeiros arregimentados por empresas, entrega das chefias a profissionais de bom nível, mas muito jovens, sem senioridade para imporem respeito e sem que a equipa que precariamente dirigem assegure produtividade no trabalho de banco e continuidade de cuidados. Sabemos que no afã de agradar, alguns administradores cortaram camas de internamento, sem precaver o futuro, ou sequer o presente. Sabemos que a procura se alterou com o envelhecimento, a pluripatologia, a prática recorrente de alguns lares lucrativos despejarem na urgência os idosos doentes com patologias ignobilmente agravadas, por não quererem contratar pessoal de saúde e não haver quem a tal os obrigue. Sabemos que emigraram em 2014, segundo as respectivas ordens, 400 médicos, (tal como 500 médicos dentistas) e outros tantos enfermeiros. Sabemos que começa a faltar o material de consumo. Já agora, sabemos também que os hospitais devem hoje cerca de 700 milhões de euros à indústria farmacêutica e cerca de 600 milhões às empresas que vendem dispositivos médicos, tornando a gestão do quotidiano um permanente operação de relações públicas com credores.

Tudo isto era previsível se tivesse havido quem pensasse no cavalo do inglês, morto pela redução a quase zero, da ração inicial. Se tivesse havido quem olhasse o sistema de forma global, e não de forma orçamental. Quem ouvisse os interessados, visitasse urgências de surpresa, falasse mais com o povo, andasse de metro e autocarro, desse crédito a jornalistas sérios e experientes.

Impossível, o governo cegou em vários gradientes. A cegueira de pensar que a fome salvadora regenerava o espírito e curava o organismo. Depois, ainda, por os seus amigos lá de fora e alguns opinadores cá de dentro, prescreverem o mercado e suas falhas como terapêutica única contra as falhas de governo.

Quando a evidência ultrapassa a razão, recorre-se à negação e ao absurdo de transformar o mau em bom. O comentário de um responsável político valorizando o facto de os doentes estarem em boas camas e não em macas, tão espontâneo quanto insensato, entristece-nos duplamente: por vermos a negação erigida em doutrina e por o improviso infeliz se arriscar a ser confundido com cinismo. Agora que aqui chegámos, que fazer, para recuperar a confiança dos cidadãos nos seus hospitais?

Estudem ou mandem estudar rapidamente a dimensão e profundidade do problema. Vão aos locais, ver com os próprios olhos e sem aviso. Têm que incidir sobre as causas: acelerar a criação de USF e CCI; rever os pagamentos de horas extra; tentar substituir tarefeiros por médicos do hospital, com incentivos adequados; tentar, onde possível, profissionalizar equipes de urgencialistas; readmitir médicos reformados em regime de acumulação com pensão, sem cortes, por um período transitório de três anos, até os seis mil internos em formação a terem concluído; visitar lares privados obrigando-os a contratar enfermeiros e médicos para não deixar descompensados doentes idosos; visitar lares públicos e particulares, aconselhando a colaboração estreita com o centro de saúde e hospitais da área, sem pensar em dois ministérios diferentes.

E fugir das falsas soluções: pensar que instituições particulares podem criar bons serviços de urgência é um insulto a essas instituições, voltando ao erro dos SAP. Cuidados de urgência são cuidados a sério, bem organizados, bem instalados e com pessoal suficiente, treinado e variado. Custa dinheiro? Pois custa, mais uma razão para não aliciar instituições honradas com ofertas envenenadas.» [Público]
   
Autor:

Correia de Campos.

 Letra de faduncho para Passos chegar lá
   
«Há coisas, como ensina a gaguez, que só lá vão cantando. Cantemos, então: "És sempre para mim a mais bonita/ Apesar de enrugado esse teu rosto..." Já percebeu, Passos Coelho? Era o que eu dizia, cantando até você vai lá. Aquele "apesar de" é uma locução prepositiva, ajuda a expor uma ideia que não impede o contrário... A mãe estar velhinha não impede que o filho continue a gostar dela, diz um fado simplório. Este chama-se "Amor de Mãe", o mesmo nome do cantado por Marceneiro, mas esse é outro patamar. Fui buscar um fado simplório para que você entenda a necessidade de dar um saltinho. Que diabo, o Passos Coelho é nosso primeiro-ministro! A uma mãe, num fado simplório, pode dizer-se que está enrugada e isso ser o menos. Mas numa declaração de primeiro-ministro sobre um ministro falecido não se diz "apesar de..." Era o Mariano Gago coxo? Ou mesmo gago? Estúpido? Socialista? Mesmo sendo-o, há que calar os pequenos defeitos do morto. Como ontem, neste jornal, o Nuno Saraiva lhe explicou, o seu "apesar de ter servido em governos do Partido Socialista..." é de presunçoso sectário. Mas foi mauzinho, o Nuno Saraiva, falar de política consigo. Também é patamar a mais. Eu fui para o faduncho "Amor de Mãe", porque gostava de o ouvir a falar português. Só. Repare, não fui para o "Apesar de Você", do Chico Buarque, que não, não é um arrufo de namorados - é política escrita com inteligência. Esse, então, era patamar impensável.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

 Morreu um político
   
«Não é, nos tempos que correm, habitual associarmos um político à construção de um qualquer sistema público ou a grande reforma que seja vista como fundadora de qualquer coisa. Acontecia em ditadura, porque os políticos estavam mais tempo no poder, não tinham de lidar com contrariedades mediáticas ou corporativas e não havia ciclos eleitorais que lhes temperassem o ímpeto. É o caso, entre muitos, do legado de Veiga Simão. Também aconteceu no advento da nossa democracia, em que associamos o nascimento do Serviço Nacional de Saúde a António Arnaut.

Num período com a democracia estabilizada isto é muito mais difícil. E ainda mais difícil quando o discurso político está muito marcado pela desestruturação de serviços públicos do que propriamente na sua construção. Ainda mais num momento em que o papel do Estado, motor fundamental para o desenvolvimento cultural, social e económico de qualquer país das nossas dimensões, é tão demonizado.

Mariano Gago foi provavelmente o único político português, depois de lançados os alicerces do Estado Social que temos, a ter o privilégio de poder ser chamado “pai” de qualquer coisa. Um privilégio ainda maior quando vivemos no tempo dos coveiros de tanta coisa. Para isso contribuiu o estado quase embrionário em que encontrou as políticas públicas de ciência.

Contribuiu o facto de ter sido ele, ainda antes de ser ministro, o pioneiro do pensamento da política de ciência, quer na presidência da Junta de Investigação Científica e Tecnológica (que viria a dar origem à atual Fundação para a Ciência e a Tecnologia), quer na organização, em 1987, das Jornadas Nacionais de Investigação Científica e Tecnológica - onde se juntou a então minúscula comunidade científica portuguesa, grande parte dela expatriada -, quer na autoria, em 1990, do Manifesto para a Ciência em Portugal. Quando chegou ao Governo, o seu programa estava feito. O facto de ter sido ministro durante 13 anos (com Guterres e Sócrates) garantiu o resto.

Mariano Gago sabia o que fazia mas não era um tecnocrata. Era um político com saber técnico. Não é a mesma coisa. Acreditava que a qualificação era a única forma de Portugal ultrapassar o seu atraso cultural, político e económico crónico. E que sem uma política pública de ciência, que democratizasse e generalizasse o acesso ao conhecimento, isso seria impossível. Parece uma banalidade consensual. Está muito longe de o ser. O que domina o pensamento dos velhos jarretas que fazem a opinião em Portugal é exatamente o oposto. É o elogio à velha academia elitista, seletiva e isolada do mundo. É a avaliação da relevância da investigação com base num infantil utilitarismo imediato, tão presente no discurso simplista sobre o retorno económico direto do trabalho dos investigadores, que ignora a importância da existência de uma comunidade científica com massa crítica suficiente para conseguir mais do que fogachos momentâneos e que o cálculo do valor económico do conhecimento que ainda não temos é um exercício de adivinhação. É o pensamento retrógrado sobre as funções da escola, tão dominantes na atual tragédia intelectual que se instalou na política educativa nacional.

Há uma coerência no trabalho que Mariano Gago desenvolveu na política científica, que começa na Ciência Viva, pensada para democratizar a cultura científica desde muito cedo na vida dos portugueses, até ao aumento exponencial de investigadores, passando pela adesão de Portugal a grandes organizações científicas internacionais e europeias e pela instituição da avaliação internacional da ciência que se faz em Portugal. Dar dimensão, internacionalizar e impor o rigor no lugar da capelinha. Tudo o contrário do que, nos últimos anos, tem sido feito na política de ciência. A sua estratégia correspondeu a um olhar político sobre o que deve ser o país - que não passa pela aposta na competitividade por via da redução drástica dos custos de trabalho - e sobre o que tinha sido o país - que não passa por um saudosismo despropositado por um elitismo típico de países subdesenvolvidos.

Mentiria se dissesse que tudo o que Mariano Gago fez me agradou. Não foi um homem divorciado do seu tempo, em que a produtivismo científico ganhou contornos quase burocráticos. Muito do crescimento do trabalho científico fez-se com a utilização de trabalho excessivamente precário. E o regime jurídico que impôs às instituições de ensino superior levantam-me muitas dúvidas sobre o que ele pensava que deviam ser as universidades. Mas o essencial da sua obra política - e no fim, é pelo essencial que somos avaliados - faz dele um dos melhores ministros que Portugal teve depois do 25 de abril.

Os elogios gerais que agora recebe não devem fazer passar a ideia de que a sua obra foi consensual. Mariano Gago acreditava, como disse o ex-reitor da Universidade de Lisboa Sampaio da Nóvoa, que “nunca seria de mais o número de diplomados em Portugal”. Não há, num País treinado para o subdesenvolvimento, nada mais fora do consenso político atual do que isto.

De 2004 a 2012, Portugal mais do que duplicou o número de doutorados por cem mil habitantes. Em 2004, dos países da atual União, só a Bulgária, Chipre, Letónia e Malta estavam pior do que nós. Mesmo em 2012, com 17,7 doutorados por cem mil habitantes, tínhamos bem menos de metade da Eslováquia ou Suécia; cerca de metade da Alemanha, Áustria, Croácia, Dinamarca, Eslovénia, Finlândia, Irlanda, Reino Unido, República Checa ou Roménia; menos do que Espanha, Itália e Bélgica, e próximo do que tem a Grécia. E, no entanto, o que mais se ouve, do taxista ao colunista do “Público”, é que “somos um país de doutores”. E continuamos a lamentar cada tostão que o Estado gasta em ciência, quando gasta tão pouco.

Mariano Gago foi obreiro de uma parte do que hoje se considera ter sido uma megalomania indesculpável para quem não deveria ambicionar mais do que conduzir “tuque-tuques” e cobrar pouco pelo seu trabalho. Poderão chamar o que afasta a política científica de Gago e Crato de diferenças ideológicas, usando as palavras de Paulo Portas. São isso mesmo. A marca que deixou no sistema científico resulta dessas diferenças: o que ele achava que deveria ser o país e o papel do Estado na construção desse futuro. Afinal de contas, Mariano Gago era mesmo um político.» [Expresso]
   
Autor:

Daniel Oliveira.


 Governo paga boas estatísticas de desemprego
   
«O governo vai pagar, durante seis meses, até 80% do valor do estágio às pequenas e médias empresas que contratem desempregados com mais de 31 anos e que estejam inscritos nos centros de emprego há mais de um ano. As outras empresas poderão receber 65%.

O programa Reativar arranca hoje, com um custo nas contas do ministro Pedro Mota Soares de 43 milhões de euros. Objetivo é diminuir o desemprego de longa duração. Em março, havia 290 088 pessoas sem trabalho há mais de um ano, menos 42 mil (-12,7%) do que um ano antes. São, mesmo assim, quase metade dos inscritos nos centros de emprego.» [DN]
   
Parecer:

Mesmo a tempo das eleições!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 A anedota do dia
   
«O juiz Carlos Alexandre estendeu o segredo interno no processo Marquês por mais três meses, vedando o acesso da defesa a todos os documentos e dados que constam do processo por fraude fiscal, corrupção e branqueamento de capitais contra o ex-primeiro-ministro José Sócrates, avança esta segunda-feira o jornal Correio da Manhã.

O pedido de prolongamento do segredo interno tinha sido feito pelo procurador Rosário Teixeira e foi defendido pelo juiz de instrução. O segredo interno serve para proteger a investigação.» [DN]
   
Parecer:

Qual segredo?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Só agora é que este Barroso reparou?
   
«Durão Barroso reconheceu, pela primeira vez, que houve um problema de dignidade institucional na relação da troika com os países resgatados, porque os funcionários da Comissão Europeia, FMI e Banco Central Europeu discutiam diretamente com governantes.

Em entrevista à TSF, Durão Barroso reagiu assim às declarações do atual presidente, Jean Claude Juncker."Isso é algo que talvez possa ser corrigido. Gostaria que fosse. Quando as missões vão aos países, vão funcionários, são técnicos. E é natural que os governos desses países queiram receber as próprias pessoas. Por isso, havia aqui um problema de dignidade institucional, porque aparecia aos olhos da opinião pública o governo, às vezes até o Primeiro-ministro, a falar com funcionários, que são pessoas sem dúvida muito competentes, mas que não têm a mesma dignidade institucional que tem o responsável democraticamente eleito".» [DN]
   
Parecer:

tardou!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Barroso que faça um esforço para ser menos lerdo no raciocínio.»
  

   
   
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