sábado, janeiro 10, 2015

Ils sont quand même un peu «Charlie»

Foi bonita a festa pá! Boi bonito de ver a festa do 1.º de Maio de 1974 na versão exclusiva para os jornalistas portugueses, foi bonito de ver todas as redacções dos jornais portugueses reunidos para uma selfie colectiva depressa (ou nem tanto como sucedeu com CM) publicada na edição online. É sempre bonito ver gente encher-se de bons valores como a solidariedade, a coragem, a defesa da democracia reunida para cantar ou para tirar um fotografia. Já todos cantámos o “We are the World”, em todas as redações se assistiu à instalação de palcos mundiais e todos combatemos a fome rindo e cantando.
  
Mas será que são mesmo todos Charlie ou o são um tanto ou quanto, um pouco de "Charlie", principalmente quando lhes convém aparecer na fotografia?
  
Os jornalistas que estão à porta do Estabelecimento Prisional de Évora massacrando todos os que tocam à campainha e quase quando apanham um visitante de Sócrates vão a correr procurar a ficha do visitante?
  
O marido da ministra, um rapazola que era jornalista do DN e agora se e que depois teve um emprego falhado na EDP e cujo passatempo é mandar mensagens SMS aos colegas que criticam a esposa será mesmo “Charlie”?
  
Será mesmo “Charlie” um conhecido jornalista que em tempos denunciou no jornal “i” o nome do autor deste blogue alegando que era procurado pela polícia, curiosamente na sequência de uma queixa do paulo macedo e de um "sócio" do Dias Loureiro, transformando aquela publicação num dazibao de bufaria?
  
São mesmo “Charlies” os muitos jornalistas que á primeira oportunidade abandonam a profissão para se instalarem em gabinetes ministeriais a troco de uma gorjeta e da promessa de altos cargos no futuro? Será "Charlie" um jornalista que no DN acusa paulo Macedo de fuga ao fisco e hoje é aceesor económico do primeiro-ministro de um governo onde o mesmo Paulo Macedo (que no passado perseguiu gente por causa dessa notícia) é ministro da Saúde?

Serão "Charlies" os jornalistas que fizeram reportagens sobre jovens que se tinham convertido em terroristas do Estado Islâmico como jovens bem sucedidos que viviam em bons apartamentos n Síria e compravam as melhores melhores guloseimas ocidentais com as metralhadoras à tiracolo, passando a outros jovens a imagem de sucesso num paraíso terreno?
  
Serão mesmo “Charlie” os jornalistas que em ruas escuras recebem de agentes da justiça cópias processuais com que depois queimam arguidos em processos duvidosos destruindo-lhes o bom nome e condenados-na praça pública sem direita a julgamento e impedidos pela defesa por zelosos magistrados?
  
Serão mesmo “Charlie” os jornalistas que não perdem uma oportunidade para se venderem ou para lamber o traseiro aos empresários e gestores que dispõem de grandes orçamentos publicitários? Serão mesmo “Charlie” os jornalistas que no passado davam graxa ao Ricardo Salgado comportando-se como caniches a lamber o dono e hoje são os primeiros a condená-lo?
  
Serão mesmo “Charlies” os jornalistas que no passado destruíram ou tentaram destruir a reputação de muitos políticos com falsas acusações e hoje aparecem como salvadores da pátria?
  
Quantos dos nossos “Charlies” de aviário seriam capazes de assinar um único cartoon do Charlie Hebdo, quantos dos nossos “Charlies” se recusam a publicar as peças processuais de processos violando o segredo de justiça ao mesmo tempo que ajudam as polícias a julgar fora dos tribunais, quantos dos nossos “Charlies” assinavam o famoso cartoon onde o António apresentava o papa polaco com um preservativo no nariz?
  
É fácil ser “Charlie” quando os corajosos são os outros, quando os que não se vendem são os outros, quando os que dão a cara em defesa dos valores da democracia são os outros, quando os que não se vendem são os outros, quando os que não se oferecem para ajudar a polícia são os outros. Quantos destes "Charlies" de ocasião correria o mais pequeno risco para defender valores ou em defesa de valores?

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