quinta-feira, junho 19, 2014

A nossa selecção



Ao contrário do que muitos dizem considero que a selecção de futebol está muito bem e representa muito bem o país que somos por estes dias. Uma selecção deve identificar-se com um país, com o seu povo e com os seus líderes e é isso que os nossos jogadores, treinadores e responsáveis federativos estão fazendo. Da mesma forma que seria estranho termos uma equipa de lourinhos de pele encarnada também não perceberíamos muito bem se fossem organizados como os alemães, educados como os australianos ou esforçados como os chilenos. Uma selecção deve interpretar o seu país e é isso que os nossos jogadores estão fazendo.
  
Veja-se o João Pereira, a forma como ele desvaloriza a inteligência do árbitro chamando-lhe louco enquanto gesticula com o indicador apontado à cabeça é a interpretação perfeita da forma como vemos os estrangeiros. Os africanos são “pretos”, os brasileiros gandulos e as brasileiras sabe Deus o que são, os espanhóis são todos uns mariconaços, os ingleses uma palermas a quem pomos os cornos a toda a hora por esse Algarve fora, os alemães são uns atrasadinhos que só sabem trabalhar e mal bebem um copo ficam bêbados. 
  
A selecção foi estagiar para o luxo norte-americano? Nada disso, o que a equipa federativa fez foi diplomacia desportiva, seguiu o modelo do governo e de Paulo Portas com a sua diplomacia económica, uma invenção do tempos de Martins da Cruz, o ministro dos negócios estrangeiros de Durão Barroso que era o pai da famosa Diana, que a esta hora já deve ser a Dra. Diana. Vejam bem onde é que o Paulo Portas faz a sua diplomacia económica e depois digam-me se ele fica nalgum hotel cheio de pulgas de um qualquer país pobre.
  
O Rui Meireles ainda joga? Claro, o Meireles está para a selecção como o BES está para a economia, todos sabemos o que por lá vai, o dinheiro circula de tal forma quem vez de envelopes aproveitam os sacos do Continente, mas ninguém imagina a economia portuguesa sem o BES e os seus homens. Da mesma forma que os Rui Meireles matam a possibilidade de surgirem novos jogadores, também os nossos BES matam muito boa empresa à nascença. 
  
Não há razões para que fiquemos admirados coma escolha de Rui Patrício, vivemos num país de franguistas que passam à frente de todos graças aos padrinhos, as empresas, os gabinetes ministeriais, as direcções-gerais estão cheios deles, não há razão para sacrificar o guarda-redes da selecção. Aliás, uma boa parte da selecção é formada pelos afilhados, um fenómeno tipicamente tuga.
  
A selecção nacional de futebol representa os nossos valores como nenhuma outra, até faz lembrar aquele velho anúncio do “Restaurador Olex”, “um preto de cabeleira loira ou um branco de carapinha não é natural, o que é natural e fica bem é cada um usar o cabelo com que nasceu”. Uma selecção organizadinha como a da Alemanha, disciplinada como a Holandesa, jovem como a inglesa, ambiciosa como a australiana ou lutadora como a belga podia ser muito boa, mas não era a nossa. 

Mas alguém tem dúvidas de que ganhamos o mundial? Somos os melhores nos sapatos, temos os melhores vinhos, somos os campeões do improviso, somos bons em tudo e mais alguma coisa, temos Cavaco Silva na presidência, o Passos Coelho e o Cristiano Ronaldo. Claro que vamos ganhar, o primeiro jogo foi o que foi porque o árbitro foi o malandro do costume, mas vamos dar uma cabazada aos EUA e ao Gana. Não há razão para finais dramáticos.

Cavaco tem toda a razão ao ignorar as muitas dezenas de modalidades em que Portugal se faz representar em competições nacionais, a nossa selecção, aquela que os publicitários confundem com Portugal dizendo que "todos somos Portugal", a nossa verdadeira selecção, a que nos respresenta e é o que todos nós somos, é a selecção de futebol. 

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