sexta-feira, junho 13, 2014

Oposição sinistra

Se fosse em italiano sinistra significaria esquerda, mas aqui a palavra tem um significado luso e pretende-se dizer que a lógica da overdose de oposição agora seguida por José António Seguro é uma estratégia sinistra. Enquanto esteve em causa o interesse dos portugueses o líder do PS ignorou o seu papel de líder da oposição, mal percebeu que a sua flacidez lhe custaria o seu cargo de secretário-geral do PS passou a ser mais duro na linguagem do que o Jerónimo de Sousa.

A estratégia de seguro perante as políticas do governo sempre foi clara, enquanto a atribuição das culpas podia ser assacado o líder do PS manteve-se sempre em silêncio, convinha-lhe culpar Sócrates de todos os males do país e a estratégia do governo de Passos Coelho ia de encontro aos seus objectivos políticos. Seguro sempre detestou o antecessor e se restassem dúvidas isso ficou óbvio nos ataques que recentemente foram dirigidos a António Costa.
  
Seguro sempre pareceu concordar com as políticas de Passos Coelho e a sua posição oscilou entre a abstenção e uns guinchinhos parlamentares. Nunca tomou uma posição firme contra as políticas de Passos Coelho e mesmo quando estava em causa a constitucionalidade dos cortes de vencimentos a sua liderança opôs-se à iniciativa de deputados do PS. Na verdade Seguro nunca apresentou alternativas às políticas do governo porque não as tinhas ou, pior ainda, concordava com elas.
  
Durante três anos o memorando foi alvo de revisões e Seguro ou concordou sem o assumir em público, ou não ficou muito incomodado com o endurecer da austeridade. Fica-se com a impressão de que Seguro assistia tranquilamente ao empobrecimento forçado dos portugueses, aceitando tranquilamente que Passos fizesse o trabalho sujo para depois ser mais fácil governar. Chegou-se ao cúmulo de Passos prometer a recuperação dos vencimentos dos funcionários públicos ao mesmo tempo que Seguro não dava quaisquer garantias nesses sentido. Nem mesom o famoso programa das legislativas apresentado na campanha das europeias corrigia essa injustiça.
  
Mas o mesmo Seguro que não se comprometia com a recuperação dos vencimentos foi o primeiro a correr para as televisões para transformar o acórdão do Tribunal Constitucional numa vitória sua. Temos, portanto, um líder do PS que aceitava tudo o que era feito aso portugueses, mas a partir do momento em que estava em causa o seu futuro acordou e tomou uma overdose de Viagra para andar armado em líder da oposição. Isto é oportunismo levado ao extremo.
 
 

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