sábado, novembro 23, 2013

Os secos, os molhados e os encharcados

A direita dá-se mal com manifestações de polícias, faz-lhe confusão que aos polícias vocacionados para reprimir ousem eles próprios manifestar-se para além das conveniências. Por outro lado, é conhecido o trauma cavaquista dos secos e molhados que ficou evidente em todas as intervenções públicas de Passos Coelho e de Cavaco Silva. Os secos e molhados é um trauma que continua a incomodar uma direita que gosta de se armar em amiga das polícias.
Perante a mobilização dos polícias a direita assustou-se e começou a recear mais um dia de secos e molhados, um confronto entre polícias às portas do parlamento daria uma péssima imagem do governo e os responsáveis pela PSP fizeram o que puderam, a solução foi permitir aos manifestantes um passeio organizado até ao topo das escadarias do parlamento.
Foi um alívio para a direita, a presidente do parlamento não a escondeu e só lhe faltou dizer que foi uma pena os polícias não a terem ido visitar ao seu gabinete. O próprio governo ficou baralhado, Passos Coelho não sabia o que dizer passando a bola ao ministro, este ter-lhe-á dito que não iria a jogo, Cavaco aguardava pelo resultado. Quando o governo percebeu de que não se escaparia às críticas de falta de autoridade fez saber que tinha demitido o  director nacional da PSP.
O ministro esperou 24 horas para falar e quando o fez já tudo tinha sido dito, apenas se ficou a saber que não tinha feito nada e que depois do director nacional da PSP ter batido com a porta se limitou a nomear para o seu lugar o responsável operacional pelo falhanço da polícia de choque.

Desta vez e graças ao director nacional da PSP não ocorreu uma cena de secos e molhados, mas mesmo com tempo seco nas escadarias do parlamento o governo ficou encharcado com a torrente de manifestantes da PSP que, como disse a presidente do parlamento, quiseram bater `porta, quiseram e bateram.
  

  
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