quinta-feira, novembro 28, 2013

O protectorado

Paulo Portas, primeiro-ministro em funções e ideólogo do regime vigente, decidiu transformar o país que governa naquilo a que ele designa por protectorado.  Como o homem gosta de dar ares de saber muito de história de Portugal, também já comparou a situação com a do reinado dos Filipes, isto é, em vez de sermos um protectorado passamos a fazer parte de um outro país não especificado, sendo de supor que se referia à Alemanha, resultado da diluição do escudo no marco alemão agora eufemisticamente designado por euro.
A consequência lógica deste raciocínio é a de que Portas incentiva o povo à violência, apelando implicitamente a que este invada os ministérios e mande pela janela os governantes ao serviço dos estrangeiros. O povo tem-lhe feito meia vontade, os polícias já chegaram à porta do parlamento e os sindicalistas da CGTP já entraram nos ministérios, isto é, nunca estiveram tão perto das janelas, saída natural dos paus mandados dos ocupantes estrangeiros que cá se instalam para aumentar os impostos.

Bem, paremos este raciocínio pois ainda chegaremos à conclusão de que Portas está insinuando de forma subliminar que o Miguel Vasconcelos que deve voltar a voar pelas janelas é um rapazola que mora em Massamá e que se dá pelo nome de Passos Coelho.

Não é difícil de prever que se o país se safar desta crise antes da queda de Paulo Portas o ideólogo do regime não vai perder a oportunidade de dizer que durante muitos meses foi ele que deu a cara pelo governo, que os amigos Passos Coelho e Seguro desapareceram, talvez por cobardia. Nesse caso, Portas dirá que em vez de defender a libertação do país por meios violentos, coisa que, como se sabe, é mais ao agrado de Mário Soares, foi ele que nos salvou graças ao que fez pelo aumento das exportações. Portas é contra a violência, excepto se tiver de mandar uma fragata expulsar uma qualquer traineira que ande a fazer abortos na costa portuguesa.

Mas, se tudo der para o torto, não é difícil de prever que Portas fugirá inexorável e irrevogavelmente pela porta dos fundos para vir para as praças e feiras do país apontar Passos Coelho como o verdadeiro Miguel Vasconcelos da actualidade, sugerindo a janela de Massamá como local apropriado para tratar do assunto. Afinal de contas. Enquanto ele preparava o guião da reforma do Estado o Passos combinava com o FMI um relatório para a reforma do mesmo Estado. Enquanto o Portas se desdobrava em iniciativas para aumentar as exportações, Passos Coelho sorria perante um presidente da Comissão que ofendia Portugal ou aceitava que os jornalistas de Londres se referisse ao funcionamento do Tribunal Constitucional como uma expressão de activismo político.


No fim de tudo isto ainda vamos atirar Passos Coelho pela janela, pedir a D. Duarte que adopte Portas como filho dos Braganças para o podermos coroar e promovemos António José Seguro a bobo da corte.
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