segunda-feira, julho 03, 2017

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Rovisco Duarte, chefe do Exército

O gesto não foi bonito, o chefe do Estado Maior do Exército começou por "mandar bitaistes" sugerindo o óbvio, que o assalto a Tancos teria beneficiado de informação interna. É evidente que alguém que passou pelo quartel ou estava no quartel decidiu ganhar dinheiro para ajietar o pré ou optar pela profissão de ladrão quando passou à "peluda".

Só que de um chefe do Exército não se espera bitaites e fazer rolar meia dúzia de cabeças para apaziguar os políticos não foi o melhor dos gestos. Primeiro colocava ele o seu prórpio lugar á disposição e depois, sem espalhafatao na comunicação social,. demitiria quem devesse ser demitido.

Ao demitir chefias e manter-se firme e hirto no seu cargo, quando o prórpio ministro já assumiu a responsabilidade política, o chefe do Exército dá um mau exemplo às tropas.

«O anúncio foi feito pelo chefe do Estado-Maior do Exército, à RTP. Rovisco Duarte decidiu exonerar os cinco comandantes das unidades que dão forças à segurança física e militar dos paióis. O Comandante da Unidade de Apoio da Brigada de Reação Rápida, o Comandante do Regimento de Infantaria 15, o Comandante do Regimento de Paraquedistas, o Comandante do Regimento de Engenharia 1 e o Comandante da Unidade de Apoios Geral do Material do Exército são as cinco primeiras vítimas do assalto aos Paióis de Tancos.
Questionado sobre se houve ou não passagem de informação do interior para o exterior, o General Rovisco Duarte respondeu que "quando se escolhem dois paióis no lote de 20, que por acaso não são os mais próximos da entrada, temos de tirar conclusões".

O Exército garante que esta exoneração "não se encontra ligada, nem tem qualquer associação, a algum indício ou suspeita de envolvimento ilícito dos titulares destes cargos; prende-se única e exclusivamente com a necessidade de se criarem todas as garantias de que as averiguações em curso decorrerão de forma absolutamente isenta e transparente".

Em relação ao incidente e em complemento à informação anteriormente divulgada, o Exército, por decisão do General Chefe de Estado-Maior do Exército anunciou que já foram tomadas as seguintes medidas de reforço à segurança física dos Paióis Nacionais de Tancos (PNT): Aumento do número de militares envolvidos na segurança física das instalações e aumento da frequência das rondas móveis motorizadas e apeadas.» [Exército]

 O rolador de cabeças

Em Portugal temos a mania de resolver os problemas fazendo rolar cabeças, ocorre um roubo, uma calamidade, um acidente ou que quer que seja há sempre cabeças de serviço que devem ser metidas nessa máquina muito portuguesa que é o rolador de cabeças. 

Há uma cheia que provocou vítimas? Certamente não foi da chuva em demasia, algo falhou, alguém se esqueceu de investir num dique, de ouvir a crítica de um cientista feita há anos num qualquer congresso, procure-se bem que tem de haver alguém culpado, só não pode ser o São Pedro. Ainda há gente a afogar-se e a principal preocupação de jornalistas, comentadores das noites da má língua ou do conselho de ministros da TVI 24 é exigir cabeças.

Há alguém é responsável, do cabo da guarda ao primeiro-ministro todos são culpados, o único que não tem qualquer culpa é o Presidentes República, umas vezes tem por função levar o jipe cheio de dossiers, noutras vezes o papel é dar beijinhos, tirar fotografias, beber uns copos e dar uns mergulhos, ou, como diria um deputado do CDS que trata o bruno de Carvalho pelo “meu Presidente”, o Presidente da República serve para dar beijinhos no dói dói ou como diz aquela rapariga enjoativa do Eixo do Mal, o Presidente ser para dar abracinhos ao secretário de Estado.

Não isto não vai com festinhas no dói dói, beijinhos e choradeiras, rolam-se cabeças. Aconteça o que acontecer tem de haver um ministro com a tutela, esse deve assumir a responsabilidade política e demitir-se, porque como diz o traste de Massamá. Que nunca foi responsável por nada, se assume a responsabilidade política é para alguma coisa. É por isso que a melhor forma de um governo resolver qualquer problema é fazendo rolar cabeças, pelo menos duas, a do ministro e a do Chefe do serviço, seja o general ou o diretor-geral.

Há um incêndio?  A ministra deve assumir a responsabilidade política e demitir-se a meio do fogo. Há um assalto? O General deve ser corrido. Isto não é política, é um ritual pagão e à falta de carneiros para degolar, servem-se cabeças de ministros e altos responsáveis para apaziguamento dos deuses e alegria das oposições.

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