segunda-feira, dezembro 22, 2014

A privatização da TAP

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Não tenho uma opinião definitiva sobre a privatização da TAP, muito embora tenha aprendido a desconfiar dos nossos políticos quando com argumentos como a “democracia económica” vendem a TAP ou o BESI aos chineses e ainda mais quando de um dia para o outro decidem privatizar uma empresa que começou a dar lucros. Duvido muito que o empenho do governo português tenha alguma coisa a ver com a defesa do interesse nacional e a forma como algumas personagens assumem o papel de vendedores ambulantes de aviões suscita-me as maiores dúvidas.
  
Gostaria muito de apoiar a greve dos trabalhadores da TAP mas décadas de “lutas laborais” na TAP ensinaram-me que os trabalhadores desta empresa sabem defender os seus próprios interesses e fazem muito bem em fazê-lo, mas tenho muitas dúvidas acerca desse princípio do sindicalismo leninista segundo o qual o interesse dos trabalhadores coincide com os interesses nacionais. Aliás, o que se vai sabendo sobre as negociações dos sindicatos com as empresas os que está em cima da mesa, nem do lado dos sindicatos, nem do lado da TAP, são os interesses nacionais.
  
Dizem-me que sem a privatização a TA irá extinguir-se o que leva a concluir que será o seu carácter privado e as virtudes da gestão privada que a salvarão. Se assim é porque é que as muitas empresas europeias de transportes aéreos europeias que faliram nos últimos anos não recorreram ao dinheiro e sabedoria do Pais do Amaral ou da Azor? Havendo tão bons gestores disponíveis e tanto dinheiro para investir.
  
O argumento do Brasil é uma treta, as viagens para o Brasil são pornograficamente caras e logo que o mercado tenha concorrentes a TAP será forçada a ter preços mais baixos, o mesmo sucedendo como destinos como Luanda. O argumento do turismo é igualmente uma treta, não é a TAP que atrai os turistas, são os turistas atraídos por Portugal que numa pequena percentagem compram viagens na TAP. Exibir os resultados da TAP no mercado do turismo nacional é puro oportunismo.
  
Invocar o interesse nacional e até a unidade nacional como fez o bobo da Horta Seca é ridículo, mais uma prova da desilusão intelectual que é o guru económico do irrevogável submersível Portas. É óbvio que não é um trafulha que usa Pais de Amaral como testa de ferro ou uma empresas brasileiras que mais não deve ser dio que uma OI da aviação que vão defender os interesses nacionais e a unidade nacional.

Graças às privatizações nacionalistas e defensoras da unidade nacional a rede eléctrica é gerida pelo Partido Comunista da China, bancos como o Totta & Açores, o Atlântico, o BES, o BNU desapareceram ou ostentam bandeiras estrangeiras, empresas como a PT estão à beira da extinção. As privatização portuguesas só conseguiram atrair investidores, portugueses ou estrangeiros, muito duvidosos. Saberá Deu porquê o critério de escolha acerta sempre nos candidatos mais manhosos, portugueses defensores dos centros nacionais que no dia seguinte vendem a estrangeiros ou gente chinesa de quem nunca se ouviu falar.
  
Prefiro ver a TAP como empresa de capitais públicas, no dia em que for privatizada começa a contagem decrescente para a sua destruição e será uma questão de tempo até que mude de nome. Os trabalhadores defendem os seus interesses e ao longo dos anos estes pouco coincidiram com os interesses nacionais e em matéria de sector público o governo defende tudo menos o interesse e a unidade nacional, no meio de tanta mentira e oportunismo que venha o diabo e escolha.

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