quarta-feira, dezembro 10, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Ricardo Salgado

Vale a pena ler o texto da intervenção inicial de Ricardo Salgado (PDF) na comissão parlamentar de inquérito, é a melhor síntese do que se passou no mercado financeiro desde a falência do banco Lehman Brothers Holdings Inc. até aos nossos dias, passando pelo comportamento das agências de notação que mereceu um apelo de Cavaco à obediência nacional em relação aos mercados.
 
É um texto de uma rara limpidez que só peca pelo atraso, quando Ricardo Salgado liderou os banqueiros para exigir a intervenção da troika esqueceu-se do que agora descobriu, é uma pena, se o tivesse dito na ocasião teria feito um grande favor ao país e à verdade. Agora é tarde, o BES foi destruído em nome de uma suposta separação entre Passos e os negócios, Cavaco continua presidente, Passos ainda é primeiro-ministro e a economia portuguesa está de rastos, enquanto muita gente continua a ser cobarde perante os acontecimentos.

 Começo a sofrer do síndroma da abstinência

Depois de tantas acusações, de tantas provas, de tantas malas cheias de dinheiro a serem transportadas para Paris, de tantos apartamentos vendidos, de tantas certezas da acusação, de tantas tentativas de fuga, começo a sentir falta de mais acusações, mais certezas da acusação e de mais provas. Hoje só mesmo o Correio da Manhã se referia a Sócrates na primeira página, talvez por cansaço dos organizadores das fugas ao segredo de justiça ou, quem sabe, da sua perda de criatividade, deixaram de haver novidades.

Agora parece que a atenções estão virada para o Perna, não porque possa dar à perna mas porque talvez se possa "arrepender". Já ninguém fala de branqueamento de capitais e muito menos dos negócios sujos que os terão gerado, fala-se de corrupção mas já não é da passiva nem dos tempos do governo, quanto ao crime de evasão fiscal nada se diz porque os crimes são todos resultados uns dos outros e ainda não deram com o crime original.

Quanto ao crime original percebe-se que a esperança está em convencer o peerna a dizer umas coisas, de resto sabe-se que houve escutas e querem agora inventar a corrupção activa. Só que mais uma vez não se sabe quem foram os parceiros nem o objecto de tão hediondo crime.

Por favor, contem mais coisas à Felícia pois já não consigo viver sem o meu chuto diário de notícias das fontes da justiça sobre os hediondos crimes de Sócrates.


 Que tinha reduzido as desigualdades, disse o estupor
   
«Portugal tornou-se nos últimos anos um país mais desigual em termos de distribuição de rendimentos e isso danifica seriamente o crescimento da economia, assinala a OCDE, num conjunto de estudos hoje divulgado. Por exemplo, o rendimento dos 10% mais ricos é hoje dez vezes superior ao dos 10% mais pobres.» [DN]
   
Parecer:

Ainda há poucos dias Passos Coelho disse numa jantarada do seu partido que tinha reduzido as desigualdades.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao estupor.»

 E ninguém penhora a franja do Núncio Fiscoólico?
   
«Um contribuinte de Fafe que aguarda desde abril de 2013 a devolução de 76 808 euros cobrados indevidamente pela Autoridade Tributária admite avançar com uma queixa-crime contra o Estado, disse hoje à Lusa o seu advogado.

De acordo com o jurista Carlos Caneja Amorim, a decisão judicial sobre a matéria transitou em julgado naquela data, mas o Serviço de Finanças de Fafe tem alegado "problemas informáticos" para adiar sucessivamente a devolução da verba.

"Quando um contribuinte se atrasa um dia paga muitas multas, coimas e juros e passa a ser visto pelo Estado Português como um alvo a abater, mas quando o Estado perde os processos em tribunal e tem de devolver ao contribuinte dinheiro ilegalmente cobrado cria mecanismos e atrasos injustificados", criticou o advogado.» [DN]
   
Parecer:

O problema do fisco é lembrar-se da eficácia e da cidadania apenas na hora de cobrar pois a devolver o que cobra por engano é uma vergonha.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demitam-se todos os dirigentes responsáveis incluindo o secretário de Estado se tiver responsabilidades.»

 O Abreu não gostou de Ricardo Salgado
   
«Carlos Abreu Amorim foi o primeiro deputado a colocar questões a Ricardo Salgado, depois de o banqueiro ter terminado uma intervenção inicial superior a uma hora na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES. O deputado social-democrata não gostou de algumas comparações que ouviu.

"O ponto que mais me chocou foi a comparação forçada do BES com a nação portuguesa e do Banco de Portugal com a troika", afirmou Carlos Abreu Amorim. O deputado do PSD acusou Salgado de "desonestidade intelectual" e "de quase escarnecer" dos portugueses com tal comparação.

A acusação surge na sequência de declarações proferidas pelo ex-presidente do BES durante a sua intervenção inicial no Parlamento, nas quais dizia: "Foram dados ao BES sete meses para reembolsar a dívida, quando Portugal tem 31 anos para pagar à troika". No entanto, acrescentou Amorim, "seria despropositado comparar o BES ao país", ainda que este seja "um critério para perceber o carácter extremo das imposições feitas ao BES".» [Expresso]
   
Parecer:

Pudera....
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
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