quarta-feira, dezembro 03, 2014

Governem e ponto final!

O Governo tem um programa eleitoral com que se vinculou ao seu eleitorado.

O Governo fez aprovar um programa de Governo no parlamento.

O Governo conta com o apoio militante e a ajuda técnica de Cavaco Silva?

O Governo tem beneficiado da complacência do povo e de instituições como o Tribunal Constitucional, para não referir a quase inexistência do tribunal de Contas.

O governo tem uma maioria absoluta no parlamento.

O governo nunca viu um diploma aprovado pela maioria ser devolvido ao parlamento para conseguir uma maioria alargada, como sucedia quando o PS governou com maioria absoluta.

O Governo tem um Orçamento de Estado para 2015 já aprovado e a caminho de uma promulgação de que ninguém duvida.

O Governo fez a maior reforma do IRS de que há memória na história fiscal do país tem ter precisado de qualquer diálogo, aliás, sem qualquer aviso à oposição.

O Governo fez cortes brutais nas pensões a que chamou reforma sem pedir a opinião a qualquer partido da oposição e o próprio Passos Coelho já decidiu que até ao fim da legislatura não haveria mais reformas no sector.

O Governo tem o direito de provar a sua competência governando sem a tutela da Troika ou sem ter que repartir os louros da sua competência com o PS.

O Governo tem uma reforma do Estado já desenhada num guião e com o seu cronograma já estabelecido numa reunião do Conselho de Ministros pelo que tem o direito de a implementar.
O governo deve ter a oportunidade de provar que a decisão do BES foi tomada a pensar no interesse dos contribuintes.

A legislatura só termina em Setembro do próximo ano.

Portanto o governo deve governar segundo o seu programa, deve ser coerente com o seu projecto político não se desviando em função de consensos de oportunidade, deve colher os frutos da sua política. O país tem o direito de beneficiar de uma maioria estável e de ter uma maioria e um presidente da mesma área política.

Seria uma injustiça a oposição aproveitar-se das benesses da saída limpa e beneficiar eleitoralmente de acordos neste tempo de fartura, crescimento económico e criação de emprego. Deve ser o governo a conseguir um lugar no céu com uma reforma do IRS que reconheça a superioridade fiscal da boa família cristã, temerosa de Deus e oposta ao preservativo. Deve ser o governo a decidir como reforma a Segurança Social agora que já conhece a Constituição e a interpretação que faz dela o Tribunal Constitucional. Deve ser o Governo e o Presidente a receber a fila de investidores estrangeiros em busca de vistos, cavalos e mulheres bonitas ou paisagens verdejantes.
   
Portanto, o Governo que governe e ponto final. Em, Setembro do próximo ano saberemos o que cada partido quer para a próxima legislatura, conheceremos o alcance do milagre económico há muito anunciado por governantes como Pires de Lima, saberemos se Portas está mais à esquerda ou à direita ou se Passos e Portas irão coligados ou com juras de coligação.

O Governo que se deixe de merdas e faça aquilo para que foi eleito, que governe e como diria o senhor da Quinta da Coelha, ponto final!
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