quinta-feira, dezembro 19, 2013

2014

2014 será o ano de todas as mentiras, o Governo vai apregoar o sucesso das suas opções de política económica ainda que o país se assemelhe cada vez mais a um cemitério empresarial, Bruxelas vai ter de inventar uma fórmula que permita limpar a honra dos responsáveis da Comissão e do BCE, quanto ao FMI há muito que anda a admitir os seus erros preparando-se para um cenário de conflito. Nem os ocupantes estrangeiros nem os cônsules locais vão querer assumir responsabilidades.
  
O OE para 2014 é o instrumento que permitirá aos responsáveis pelo falhanço ilibar-se dessas responsabilidades, duplica-se a dose da austeridade mas poupa-se o sector privado. Para salvar os responsáveis pelo falhanço das experiências feitas em Portugal leva-se à miséria aqueles de cujo voto se desconfia. Começou-se por se acusar os portugueses de consumirem demais, acaba-se culpando os funcionários públicos de todos os males.
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Mais para iludir a verdade do que pelo sucesso das políticas, o caso português vai ser declarado um grande êxito por aqueles que durante três anos sujeitaram o país a uma experiência que em termos económicos é o equivalente às experiências de Josef Mengele no campo de Aushwitz. Os responsáveis por centenas de milhares de desempregados, pela destruição de uma parte das empresas, pela destruição do ensino público, pela emigração forçada de uma geração de jovens, nunca assumirão as suas responsabilidades. 
  
O pós troika não é mais do que mais um resgate disfarçado de outra coisa qualquer, um resgate concedido a troco de mais cinco ou seis anos de austeridade. O pós troika é uma mentira e mais não é do que um período em que o governo se comportará como se fosse ele próprio a troika. 
  
No primeiro semestre de 2014 prepara-se o segundo resgate disfarçado, mais trinta ou quarenta mil milhões e mais cinco ou seis anos de austeridade brutal. O governo vai negociar o resgate sem a participação de outros partidos e no total segredo, isto se Cavaco Silva não conseguir transformar o PS em ala liberal do grupo formado pela troika e pelos seus apoiantes locais, governo e Belém.
  
No segundo semestre Cavaco vai concluir que as medidas do segundo resgate devem ser discutidas pelo país e a melhor forma de fazê-lo é legitimando o governo que as executará com novas eleições legislativa. Até lá Cavaco defenderá que a legislatura irá até ao fim, adormecendo a oposição interna do PS a José Seguro. Depois convoca eleições e assegurando-se de que Seguro será o candidato do PS a primeiro-ministro.
  
A única hipótese de a direita continuar a governar em São Bento e em Belém é indo a eleições em cima do segundo resgate e com Seguro como líder. Cavaco nunca se arriscará a que quase no fim do seu mandato seja forçado a dar posse ao governo que ele próprio ajudou a derrubar no início do mandato. Cavaco começa a habituar-se a ser humilhado, mas isso seria demais para o pobre senhor.
 
 
 
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