domingo, dezembro 01, 2013

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Flores do Parque da Bela Vista, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Bruno Maçães, o boche

EM Portugal evoca-se o 1640, lá fora lambe-se o rabo à senhora Merkel.

«Bruno Maçães esteve na Grécia há uma semana, à margem conferência ‘Governância económica e crise europeia’, promovida pela Fundação Grega para a Política Europeia e Estrangeira na qual discursou. Foi inclusive aí que recebeu o título de ‘o alemão’ pela imprensa grega.

Isto porque, segundo escrevem dois jornais daquele país, a intervenção do secretário de Estados dos Negócios Estrangeiros revelou aproximação à posição alemã, sendo que este recusou a ideia de uma união de esforços a Sul, nomeadamente ente os países que recebem ajuda externa, mas falando também em Itália ou França. Além disso, defendeu que as questões fiscais da União Europeia deveriam ser tratadas a nível nacional.

Em declarações ao i, um dos jornalistas que o entrevistou no final do evento, explicou que as palavras de Maçães foram recebidas com “bastante surpresa” já que este “se mostrou resolutamente contra uma frente europeia do Sul na Zona Euro”.» [Notícias ao Minuto]

 Nazaré Blow Up 
 
 
 A crise do regime perfeita

Passos como primeiro-ministro, seguro como líder do PS e Cavaco na Presidência.
 
 A cobardia dos reitores

Ao não comentarem o exame dos professores estão a admitir a incompetência das avaliações das suas universidades.
 
      
 Obrigado dr. Soares!
   
«A 9 de março de 2011, em pleno estertor do socratismo, Cavaco Silva apelava no seu discurso de tomada de posse como Presidente da República a um "sobressalto cívico" e à emergência de uma sociedade civil forte que afirmasse os seus direitos e fizesse chegar a sua voz aos decisores políticos.

Estávamos em vésperas daquela que viria a ser uma das maiores manifestações contra o anterior Governo, fora das baias seguras de partidos ou sindicatos. Nessa altura, naturalmente, ninguém rasgou as vestes, fez insinuações sobre a idade ou o estado de saúde ou sequer acusou Cavaco Silva de estar a apelar, incentivar ou a caucionar a violência.

Passados dois anos, e num contexto económico e social muito mais grave, em que nos permitimos ouvir impávidos um eurocrata responsável insistir na tese de que os salários ainda têm de baixar mais em nome da competitividade e do investimento, eis que cai o Carmo e a Trindade quando Mário Soares, na Aula Magna, constata o óbvio: "A violência está à porta". Podemos gostar mais ou menos do estilo, considerar a forma mais ou menos feliz, mas ninguém de boa fé pode vislumbrar nas palavras do ex-presidente um apelo à revolta armada ou à violência, mesmo que, noutras ocasiões, até tenha havido maior evidência de que era esse o sentido das suas opiniões.

Aquilo de que fala Mário Soares é das consequências de uma política da inevitabilidade, de pensamento único em nome do empobrecimento, da indiferença de um governo acólito das doutrinas da chamada "destruição criativa" de Schumpeter, do capitalismo selvagem e sem regras que deixa um rasto de desemprego e devastação económica, do desespero de quem já não consegue pagar as contas ou pôr comida na mesa para dar aos filhos porque quem governa se ajoelha, obediente e submisso, perante os credores, indiferente à angústia de um povo inteiro. Em síntese, do que se trata é de afirmar que há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos.

É às desigualdades e assimetrias, injustiças e sofrimentos vários que aqueles que são vítimas de uma crise que não provocaram estão a sofrer que Soares se refere. Diz o povo, na sua imensa sabedoria, que não há pior cego do que aquele que não quer ver. E só por autismo ou crença fundamentalista na narrativa ideológica que nos está a ser imposta se consegue não vislumbrar o barril de pólvora em que estamos sentados.
Como é óbvio, em democracia não há lugar a revoluções ou a tomadas do poder pela força. Creio, firmemente, que é esta a convicção de todos aqueles que compareceram na Aula Magna, respondendo ao apelo de Soares, em defesa da Constituição e do Estado social. Como acredito que é também este o sentido da exortação apostólica, "A Alegria do Evangelho", do Papa Francisco.

A denúncia do Sumo Pontífice contra a "nova tirania" do capitalismo sem limites, que conduz à desigualdade e exclusão social, geradoras de "violência" e causa de "uma explosão" inevitável, não foi feita, que se saiba, num encontro de esquerdas. O apelo aos políticos para que garantam a todos "trabalho digno, educação e cuidados de saúde" e aos ricos para que partilhem a sua fortuna" não foi desferido, que conste, em nenhuma assembleia de revolucionários. A convocação de valores humanistas do género "tal como o mandamento "Não matarás" impõe um limite claro para defender o valor da vida humana, hoje também temos de dizer "Tu não" a uma economia de exclusão e desigualdade. Esta economia mata", não foi produzida com qualquer intuito violento.

Foi, isso sim, a expressão plena dos mais elementares princípios da doutrina social da Igreja, abandonados, ao que parece, por uma pseudodemocracia cristã portuguesa que se limita a encher a boca com tais postulados e a exibir a caridadezinha quando, ao domingo, vai à missa bater com a mão no peito.

O que é trágico é que estejamos confrontados com um vazio e torpor tais - de Belém não se conhece hoje qualquer apelo - que seja necessário recorrer a figuras como Soares e outros que se inquietam, que, na pena de alguns idiotas, "podem ter tido um grande passado mas vivem o drama de não ter futuro", para defender aquilo que é fundamental em qualquer democracia: os valores da dignidade humana.» [DN]
   
Autor:
 
Nuno Saraiva.
      
 SIm, comparei-nos com os nossos burros
   
«Há meses croniquei aqui sobre os burros de Miranda ("Afinal nem tudo é asno", 24 de Fevereiro de 2013). Ontem, o The New York Times também se interessou pelo burro mirandês. Raphael Minder , o jornalista, lançou a metáfora: "O destino do burro começa a assemelhar-se ao dos humanos: ameaçado pelo declínio populacional e dependente para sobreviver dos subsídios da União Europeia." Claro, feriu suscetibilidades. Logo se disse que os americanos comparam portugueses ao burro mirandês... Minder, falando para o Público, teve de dizer que longe dele pensar isso. Foi, então, que eu me dei conta da tangente que passei ao apedrejamento. É que eu comparei, mesmo, os portugueses e os burros de Miranda! Mais, ousei dizer que, na comparação, os homens ficavam em desvantagem. É que na minha crónica eu referia o Centro de Acolhimento de burros, em Miranda do Douro, por onde andou agora Raphael Minder. Ali, os velhos transmontanos, de 70 anos, vão levar os companheiros, que aos 35 são tão velhos quanto eles, para terem uma reforma digna. Ali, limam-se os dentes pontiagudos aos burros, cuidam dos cascos e deixam-nos passear sem precisar de arrastar o arado... Confesso que me comovi por ver bem tratados portugueses que ficaram velhos para o mercado de trabalho. Embora também amargo por saber que a outros velhos compatriotas, quando bípedes, se lhes lança a pergunta moderna: "Qual é a parte de "não há dinheiro para ti" que não entendes?"» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.
   
   
 Ainda bem que não há violência em Portugal
   
«Uma mulher de 47 anos morreu hoje ao ser atingida com um tiro na cabeça alegadamente disparado pelo antigo companheiro, em Castro Verde (Beja), tendo o suspeito sido detido, revelaram fontes dos bombeiros e da GNR.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Em Portugal há uma guerra entre paredes com que os políticos não se preocupam muito, mandam as condolências às famílias da meia dúzia de vítimas de um acidente mas ignoram as dezenas de vítimas da violência doméstica. Enfim, entre marido e mulher não se mete a colher.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se.»
  
 Vamos ajudar o cavalinho congelado
   
«Uma professora de Bragança lançou uma campanha no Facebook para ajudar um cavalinho que está preso num descampado em São Sebastião, dormindo ao relento e enfrentando as más condições atmosféricas com temperaturas negativas, que em algumas noites e madrugadas descem cinco graus abaixo de zero.

Na mesma zona está, por vezes, também um cavalo preso junto a uma edificação e sem acesso a erva. Ambos os animais pertencem ao mesmo proprietário.

Na página "Vamos ajudar o cavalinho congelado"https://www.facebook.com/pages/Vamos-salvar-o-Cavalinho-congelado/563785980347887 faz-se um apelo para que alguém ajude a resgatar os animais que desde o verão passado se encontram nesta zona da cidade de Bragança, sem comida e sem qualquer recipiente onde possa matar a sede. Segundo os moradores, o cavalinho apenas se alimenta da erva que existe no terreno, que por esta altura amanhece congelada. A autora da campanha no Facebook cobriu o animal com uma manta, mas teme que não seja suficiente para manter o pónei quente visto que está muito frio.

Os moradores que já deram conta do problema à câmara e ao Serviço de Ambiente e Proteção da Natureza (SEPNA) da GNR de Bragança, consideram que a situação só se resolveria se fossem retirados os animais aos donos, "pois eles não têm condições nem responsabilidade para cuidar dos cavalos", deu conta um residente que preferiu manter o anonimato.

"Para além do frio, é, também, a fome que passam. Há queixas de maus tratos e pessoas que contam que os adolescentes e adultos (filhos dos donos) batem aos cavalos", acrescentou o morador.

Os animais são receosos e demonstram medo, pois fogem assustados quando alguém se aproxima e revelam ter fome. Ainda segundo os moradores, os donos simplesmente deslocam os animais de um lado para outro prendendo-os com cordas em terrenos da zona. Duarte Lopes, veterinário, confirmou que o frio "pode pôr em risco" a saúde dos animais e até a própria vida.» [JN]
     

   
   
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