sábado, março 01, 2014

Do Cabo Horn às pressões sobre Cavaco

Cavaco Silva, o infelizmente ainda presidente mais incompetente desta maltratada e triste República, foi andar ali para os lados da Califórnia, o que é uma excelente ideia, habituado ao clima ano da Quinta da Coelha sabe bem apanhar um pouco de sol da agora triste, sombria e chuvosa Lisboa. Cavaco fez bem em escolher a Califórnia e se o seu papel é gastar o dinheiro dos contribuintes a mostrar o mundo à dona Maria fez uma excelente escolha, depois de lhe ter ido mostrar a Capadócia e com a Europa entregue a neve e tempestades sobrava a Califórnia e a Patagónia, mas se tivesse escolhido a Argentina dificilmente faria a costumeira recepção a jovens portugueses empreendedores ou a também já habitual e mal sucedida com os tais investidores que se estão nas tintas para Portugal, mas lá fazem o frete à embaixada local.
 
Até é pena que Cavaco não tenha querido ir mostrar a Patagónia à esposa, até seria uma boa ideia se, concluídas as formalidades na América do Norte Cavaco decidisse fazer o percurso inverso ao de Che Guevara e rumasse por estrada até ao extremo sul da Argentina, com passagens pelo Canal do Panamá, pelo deserto do Atacama, pela Amazónia com destino ao Cabo Horn. No Canal do Panamá falaria do investimento que será feito em Sines uns anos depois do alargamento do canal, na Amazónia poderia lembrar os bandeirantes que como Duarte Lima andaram por estradas secundárias do Brasil, no Parque do Atacama poderia ver os flamingos que lhe lembrariam o Algarve Natal, e no Cabo Horn. Prestaria a devida homenagem a Magalhães. Mas se a palavra Magalhães lhe provoca urticária, até poderia sugerir ao mundo a mudança do nome do navegador, seguindo a ideia de Paulo Portas em relação ao computador dos pirralhos.
 
Esta viagem seria uma excelente ideia e livrar-nos-ia da presença irritante do Senhor Silva e aquilo que se gastaria em viagens poupar-se-ia em pareceres a juristas e e especialistas em segurança informática. Até porque parece que Cavaco se lembrou dos velhos painéis à entrada dos concelhos da CDU onde se lia “concelho livre de armas nucleares”, um dia destes passamos pelo Palácio de Belém e e damos com um grande painel pendurado por cima dos GNR de cabeleira branca onde podemos ler “Portugal, um país livre da Constituição”.
 
A verdade é que Portugal já navega à vista para não se perder da costa até que a troika parta, acabaram-se os direitos, os funcionários e pensionistas ganham gorjetas, a Constituição está arrumadinha no parlamento à espera do próximo presidente eleito. Até lá o país tem um presidente que governo em conformidade com os pareceres que encomenda, tem sobre o que manda ou recebe do governo ou do constitucional a mesma opinião que os carteiros têm sobre o conteúdo das cartas que distribuem e se alguém lhe pergunta o que pensa começa a dizer o tal disparate de “os portugueses sabem que não cedo a pressões”.
 

O problema é que sobre o diploma do corte das pensões, onde não se incluem as pensões do Banco de Portugal, ninguém fez quaisquer pressões sobre Cavaco Silva. Poder-se-ia dizer que Cavaco sofre as pressões da sua consciência, mas isso é muito menos do que provável.
  

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