terça-feira, março 11, 2014

Umas no cravio e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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O "28" na Graça, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Cavaco Silva, o ainda infelizmente presidente

A intervenção de Cavaco Silva logo a seguir ao elogio da marca de Nestlé, a tal marca que ra tão importante que quando um bebé era bonito se dizia logo ser um "bebé Nestlé", é uma intervenção pouco digna de um Presidente da República. Quano um presidente apela aos portugueses para forçarem os partidos a algio que ele julga desejável a democracia bate no fundo pois estamos perante alguém que usa as suas competências para atirar os cidadãos contra o sistema multipartidário.

Mas a posição de Cavaco é bem mais grave pois todos os portugueses sabem que o ódio que ele pretende que seja atirado não é para todos os partidos, é dirigido apenas ao partido que rejeita o consenso segundo o modelo de Cavaco ou os ditames de Passos Coelho.

Um Presidente que apela aos cidadãos para se atirarem contra um partido só tem uma coisa de útil a fazer, resignar. Quanto mais cedo resignar mais facilmente o país retomará a normalidade, a democracia passa a funcionar segundo regras democráticas e pode proceder-se à eleição de alguém empenhado em respeitar as regras constitucionais, defensor da democracia e sem ganhos exagerados em empresas cujos prejuízos fraudulentos foram suportados pelos eleitores.

«Falando em Estarreja, depois de terminar uma visita a instalações da Nestlé, Cavaco Silva disse que os portugueses "perdem muito" se esse consenso - que definiu como um "acordo de médio prazo que incluísse a próxima legislatura" - não se realizar.

Perdem em salários, nas pensões, na distribuição da riqueza e até nos juros da dívida, afirmou o Presidente, que com este argumento explicou ter de ser o eleitorado a pressionar um entendimento entre os partidos, já que estes entre si não se entendem.

Segundo afirmou, "é estranhíssimo" que Portugal seja o país da UE "onde é mais difícil o entendimento". E este, a existir, sublinhou depois, nenhuma implicação teria na "alternância democrática".

O Presidente da República aconselhou também a classe política a "estudar muito seriamente" as condicionantes do pós-troika antes de defender se quer uma saída limpa ou uma saída apoiada.» [DN]
 
 Expresso: jornalismo sem vergonha na cara

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 Deu-se mal

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Se os dálmatas não fossem personagens da banda desenhada teriam fortes razões de queixa, mesmo assim o candidato da direita está mais ao nível do porta-chaves do que da figura da banda desenhada. Pela forma como se justifica esperemos que nunca elabore um programa em 40 pontos, ainda vai dizer que se sente um Ali Babá.
 
      
 Prefaciar depois do leite derramado
   
«O fim do túnel da troika já se vê e o que se vê não é luz que encante. Mais um aviso: o de Cavaco Silva. No Expresso, o Presidente publicou o prefácio do último Roteiros, balanço e perspetivas anuais do seu mandato. Resumo: o começo do fim vai durar muito e vai acabar mal. Sobre durar muito, ele é taxativo: só nos livramos desta canga lá para 2035. Sobre acabar mal, ele não o diz assim (um Presidente não pode ser tão profeta da desgraça), mas aponta solução agora irrealista: só um consenso de PSD, PS e CDS levantar-nos-ia. Eu estou de acordo com a mezinha (necessária, embora não suficiente), mas duvido da eficácia por causa da... ordem das páginas. A solução é-nos apresentada num prefácio, não é? Pois, não é um prefácio, é um posfácio - e essa é uma das causas da nossa desgraça. Um prefácio escreve-se em páginas antes do assunto do livro, para o iluminar. O livro da nossa desgraça - a nossa crise - deveria ter tido, sim, um prefácio sensato. Dizendo, em 2009, 2010 e 2011, isto: A) esta é uma crise global; e: B) e é também uma crise especificamente portuguesa, com erros e vícios que sucessivos governos portugueses aprofundaram; e: C) a situação é grave e aqueles que a causaram têm o dever nacional de se juntar para nos tirarem dela... Infelizmente, ninguém importante disse, então, esse prefácio. Ouviu-se, isso sim, demasiado, a negação de A). E, em vez de B), a demonização de um só governo. Isto é, impediu-se C).» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
      
 A “luz” que ilumina José Luís Arnaut
   
«José Luís Arnaut desferiu esta manhã, na Antena 1, um sórdido ataque a Mário Soares. Iluminado por uma dita investigação do Correio da Manhã – que “fez luz” no seu espírito – sobre apoios do Estado à Fundação Mário Soares, que visava sobretudo José Sócrates, Arnaut afirma que o facto de o governo de Passos Coelho ter retirado esse apoio justifica as críticas que Mário Soares faz ao governo. Segundo Arnaut, ao criticar o governo, Soares posiciona-se “contra os valores essenciais da democracia”, como seja “a agitação permanente”.

O que mais choca nos insultos de Arnaut não é a crítica aos apoios do Estado à Fundação Mário Soares mas sim que Arnaut,funcionário do pouco recomendável banco norte-americano Goldman Sachs, meça Soares pela sua bitola e pense que ele alguma vez se deixaria “comprar” por eventuais apoios financeiros à sua Fundação, em troca dos quais deixaria de criticar o governo de Passos Coelho.

E o despautério de Arnaut vai ao ponto de dizer que Soares não devia criticar o regime de Angola porque um dos bancos que apoiam a sua Fundação tem Isabel dos Santos como accionista. Estas asserções vindas de uma tão polivalente personagem – advogado, intermediador de negócios, ex e potencial futuro governante, conselheiro do famigerado banco Goldman Sachs, comentador e o mais que vier à rede, dão bem a medida da mesquinhez e pobreza intelectual e cultural da personagem.

De facto, Arnaut revela uma profunda ignorância sobre o trabalho da Fundação Mário Soares não apenas no que se refere ao seu valioso arquivo para o estudo da história contemporânea do país, como pelas inúmeras actividades culturais e serviços prestados ao estudo das relações de Portugal com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Não é a primeira vez que José Luís Arnaut aproveita o seu espaço semanal na Antena 1 para desferir violentos ataques a Mário Soares.

O que choca nos seus comentários é o facto de partirem de alguém cuja vida pública se movimenta dos negócios para a política e da política para os negócios, numa imbricação que é tudo menos transparente.

Já agora, talvez o Correio da Manhã possa fazer “luz” sobre as ligações a empresas públicas e privadas dos escritório de advogados de que Arnaut faz parte, já não falando nas privatizações levadas a cabo pelo actual governo.

É bem verdade que vozes de burro não chegam ao céu… mas pelo sim pelo não convém não as deixar sem reparo.» [Vai e Vem]
   
Autor:

Estrela Serrano.
   
   
 No melhor pano cai a nódoa
   
«O organismo do Estado que zela pela aplicação das leis laborais não está a cumprir a legislação que ele próprio fiscaliza. Os mais de 800 funcionários da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) não dispõem de medicina do trabalho, obrigatória desde 2008. O sindicato do sector apresentou queixa ao provedor de Justiça.

"A ACT não está a cumprir a lei e, apesar disso, não se inibe de multar as empresas por situações idênticas. Tudo isto é caricato", diz Luís Esteves, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas. "Não cumprem a legislação que fiscalizam quando deveriam ser os primeiros a dar o exemplo. É inconcebível", acrescenta am declarações ao Expresso.

A inexistência de medicina do trabalho numa pequena empresa pode dar origem à aplicação de uma coima, cujo valor mínimo ascende a dois mil euros.

Fonte da ACT reconhece que o incumprimento da lei se arrasta há vários anos e diz estar previsto o lançamento de um concurso para contratação de uma empresa prestadora de serviços nesta área. O problema é que ninguém sabe quando é que o concurso será lançado, nem se a Secretaria de Estado da Administração Pública autorizará a despesa, tanto mais que a ACT está muito longe de ser o único serviço do Estado sem medicina do trabalho.» [Expresso]
   
Parecer:

A verdade é que em matéria de cumprimento de normas o Estado é o pior dos patrões, é o equivalente a uma empresa do paralelo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Questione-se a ministra das Finanças.»
     

   
   
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