terça-feira, março 25, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Flor do Jardim Gulbenkian, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Teodora Cardoso

Já nem se defende o aumento do IVA, agora a senhora propõe um imposto sobre o que se ganha, uma espécie de adicional de IRS ou de IVA sem consumo, um imposto sobre nada que não passa de um saque ao bolso. Parece que a senhora quer ganhar um concurso de loucura fiscal, agora sugere que as pessoas ganhem o seu ordenado mas que depois se cobre uma parte desse ordenado quando for usado para suportar as despesas das famílias.

«A presidente do Conselho de Finanças Públicas (CFP), Teodora Cardoso, defendeu esta segunda-feira, no primeiro dia de jornadas parlamentares do PSD, que decorrem em Viseu, um imposto sobre os levantamentos e movimentos bancários. A ideia passa por colocar os cidadãos a receber os salários e pensões numa conta poupança, sendo posteriormente taxados pela movimentação dessas verbas.

Teodora Cardoso, que apresentou um pacote de ideias para o Portugal pós-troika, tema central da reunião dos deputados sociais-democratas, alertou ainda que os salários em Portugal "nunca vão subir muito" porque o país compete com outros onde os salários são mais baixos,» [DN]
 
 A entrevista de José Rodrigues dos Santos a José Sócrates

Se compararmos a entrevista de José Rodrigues dos Santos com as que são feitas semanalmente a Marcelo Rebelo de Sousa ou a Marques Mendes temos de concordar que este é o melhor modelo. O problema é que José Rodrigues dos Santos parece ter o seu arquivo na São Caetano à Lapa e terá tentado surpreender o seu comentador transformando um programa de comentário político num debate eleitoral sem pré aviso.
  
Aquilo que poderia ter sido uma boa entrevista acabou por parecer um jogo sujo, com José Rodrigues dos Santos a tentar dar sucessivos golpes baixos, jogando na surpresa e na descontextualização de declarações que Sócrates fez no passado. 
  
José Rodrigues dos Santos poderia ter surpreendido Sócrates e os telespectadores pela positiva, colocando questões mais difíceis, atirando mesmo algumas cascas de banana ou confrontando Sócrates com algum contraditório. O debate político teria ficado grato ao jornalista da SIC e o próprio Sócrates teria agradecido. Mas, infelizmente, não foi isso que José Rodrigues dos Santos fez.
  
Quando se confunde propositadamente o conceito de “reestruturação da dívida” num contexto em que isso significa não pagar uma parte com o mesmo conceito em que o significado significa reescalonar e negociar taxas de juro mais favoráveis, não estamos perante perguntas difíceis ou mesmo a tratar de uma casquinha de banana. Estamos jogando com a ignorância técnica de muitos telespectadores da RTP para fazer passar a ideia de que alguém é aldrabão. Isto é bem mais grave, estamos perante uma jogada suja do jornalista da RTP, uma falha grave na honestidade intelectual de alguém que obrigação deontológica deve ser rigoroso e honesto.
  
José Rodrigues dos Santos poderia ter aberto um novo capítulo do jornalismo português ao tratar os ex-líderes partidários como agentes políticos e não como meros comentadores ingénuos. Mas não resistiu à tentação de dar graxa ao poder, se calhar por estar preocupado com os cortes salariais, e fez uma entrevista pouco digna de um jornalista e que fica quase ao nível dos debates políticos com mais golpes baixos e jogo sujo a que o país assistiu.

Se é verdade que Sócrates foi apanhado de surpresa é óbvio que estamos perante um golpe baixo que não dignifica quem o deu, José Rodrigues dos Santos tentou rasteirar um comentador e não um entrevistado, preparou as rasteiras com antecedência, encaminhou as perguntas para as respostas que julgava oportunas para depois atirar com as suas peças de arquivo. Isto não é entrevistar ou questionar um comentador, é como convidar para uma corrida aguém que está de chinelos. O que o jornalista da RTP fez foi um golpe sujo, mas pelo que se viu saiu-se mal.
  
Mas há, talvez, um ponto em que José Rodrigues dos Santos terá ganho, este tipo de entrevistas não fazem sentido e desta forma deu uma preciosa ajuda aos que querem banir José Sócrates. O problema é que estas tarefas normalmente não são atribuídas aos jornalistas, nem estes costumam aceitar tais fretes.
 
 Oportunismo

A forma como Passos Coelho usou as palavras vulgares que disse a propósito de Adolfo Suarez para usar a morte do estadista espanhol para apoio subliminar à sua política foi de ir ao vómito, uma vergonha pouco digna de um primeiro-ministro da República Portuguesa.
 
      
 Sai um banco público para cidadão pagar
   
«No início do seu trajecto como candidato a líder do PSD, Pedro Passos Coelho apareceu com uma proposta fulminante – o homem que queria fazer o Estado desaparecer das nossas vidas, desejava naturalmente, privatizar a Caixa Geral de Depósitos. Perante o clamor nacional, Passos mudou de ideias. Afinal, "a Caixa era a Caixa" e nunca lhe tinha passado pela cabeça a relação especial que os portugueses mantinham com "a Caixa".

Agora, o governo decidiu criar um segundo banco público. Desta vez, é um Banco de Fomento que vai ajudar a conceder crédito às empresas. A ideia até tem o apoio do PS que a defendeu antes do governo. Alguns economistas – como o insuspeito Mira Amaral – defendem que o que este banco vai fazer podia perfeitamente ser feito pela Caixa Geral de Depósitos, um organismo que faz de público em determinadas ocasiões e de "banco comercial" em outras.

Mas lá se avançou para a comissão instaladora do Banco de Fomento, que irá revolucionar a economia portuguesa (como se alguma coisa, infelizmente, conseguisse fazer isso perante as obtusas regras europeias a que estamos obrigados). Acontece que os vencimentos anunciados para os membros da comissão instaladora do banco público revelam mais uma vez ao mundo que as "gorduras do Estado" que o governo jurou combater eram a arraia-miúda, os reformados e os funcionários públicos. As "gorduras" do Estado eram os serviços públicos e os pensionistas com reformas acima dos 600 euros. Não há dinheiro para nada, mas há dinheiro para pagar quase meio milhão de euros a três criaturas que vão "instalar" o segundo banco público do país. Maria Antonieta também pensava assim.

O argumento de que se tem de pagar muito bem porque se tem de ir buscar "os melhores" é iníquo no meio da devastação social a que o país está sujeito. E quem são os melhores? E onde está a lei que tinha travado salários no Estado superiores aos do Presidente da República? E se é suposto que um primeiro-ministro seja "um dos melhores" porque lhe é imposto um rendimento tão baixo em comparação com o banqueiro? Até aqui, pagámos muito (com uma crise e desemprego elevado) para salvar os bancos. Continuamos a salvar banqueiros. Os cortes que vêm aí não vão incidir sobre o salário destes novos banqueiros públicos – vão voltar aos do costume, aos ricos que têm rendimentos de 1000 euros brutos. Anda-se a brincar com o fogo.» [i]
   
Autor:
 
Ana Sá Lopes.
   
   
 Portugueses com hábitos exemplares
   
«Segundo o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento do Instituto Nacional de Estatística (INE), feito em 2013 com base nos rendimentos de 2012, a população portuguesa que vivia em situação de privação material severa passou de 8,6 por cento em 2012 para 10,9 por cento no ano passado.

Considera-se privação material severa quando um agregado não tem acesso a pelo menos quatro de uma lista de nove itens relacionados com necessidades económicas e bens duráveis.

Na lista incluem itens como atrasos no pagamento de rendas, empréstimos ou despesas correntes da casa, não conseguir comer uma refeição de carne e peixe de dois em dois dias, não ter carro, televisão ou máquina de lavar roupa ou não conseguir fazer face ao pagamento de uma despesa inesperada, entre outros.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Estes são os portugueses que consomem de acordo com as possibilidades do país.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se os parabéns a Passos Coelho e ao "defunto" Gaspar.»
  
 Temos um governo mesmo muito transparente
   
«"É sabido que ainda precisamos de fazer descer o nosso défice público em 2015, nos termos que ficaram acordados com os nossos credores internacionais, para 2,5% do PIB. Não sabemos ainda com rigor, em termos de valor absoluto, o que é que isso vai significar. Mas haveremos de saber dentro de algum tempo, durante o mês de abril terá de ficar clarificado", declarou Pedro Passos Coelho, que falava perante deputados do PSD na abertura das jornadas parlamentares do partido que decorrem em Viseu até terça-feira.

O governante diz que já se sabe que "entre medidas do lado da despesa e medidas do lado da receita" terá de se encontrar uma combinação "que seja o melhor possível" para reduzir o défice para 2,5% em 2015.

"Não há nada escondido. Não pode haver nada mais público que isto. Os partidos que acham que há uma agenda escondida e que não se devem fazer mais cortes, querem mais défice para o ano? Têm de o dizer. Não podem é dizer que não é possível ter mais cortes e depois cumprir as metas do défice. Não bate a bota com a perdigota", sublinhou Pedro Passos Coelho.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Pois.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   
 101 Dálmatas e mais 108 soldadinhos de chumbo
   
«Falando para Paulo Rangel, cabeça de lista da coligação ao hemiciclo europeu, o líder da bancada social-democrata disse que o eurodeputado tem nos deputados "laranjas" 108 "soldados disponíveis" para apoiar os candidatos no transmitir da mensagem de qual o Portugal que se pretende para ter voz no Parlamento Europeu.» [DN]
   
Parecer:

Isto começa a ficar divertido, o Rangel agora até tem uma ala dos namorados formada pelos 108 soldadinhos do parlamento.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
     

   
   
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