quinta-feira, janeiro 08, 2015

Je suis Passos Coelho

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Quem lê o comunicado do Governo da República Portuguesa a propósito do atentado em Paris não acredita, lê, relê e fica pasmado porque fica com a sensação de que houve um acidente rodoviário um pouco mais grave do que o costume. Se não fosse usada a palavra atentado e a "tag" direitos humanos nem se teria apercebido de que estava em causa algo mais.

Mas a preocupação do governo pelos direitos humanos fica-se pela "tag" e nada mais, o assunto é rapidamente ultrapassado e podemos estar descansados porque a Embaixada e o Consulado Geral estão a acompanhar o assunto, não vá alguma das vítimas ser portuguesa. Assunto encerrado.

O governo cumpriu com a sua obrigação e os jornais,  cumpriram com a sua obrigação e sossegaram os portugueses informando-os de que o país já tinha cumprido com a sua obrigação moral de enviar as condolências às famílias. Assunto encerrado, os nossos jornalistas que por estes dias se chamam todos Charli já podem regressar descansados para Évora não vá algum ex-governante do PS ou um qualquer outro cadastrado visitar José Sócrates sem ninguém dar pela sua entrada.
  
Não é só economicamente que o governo está pior,está bem por e a todos os níveis. Este comunicado, que se não fosse o Jugular até passaria despercebido, mostra a pobreza ética em que estamos enterrados. Nem uma palavra para os jornalistas, nem a mais pequena preocupação pelo que se passa, nem uma frase em defesa do valor da liberdade. Um comunicado igual a todos os outros, sem qualquer conteúdo.
  
Enquanto o mundo se indigna e todos dizem Je suis Charlie, por cá todos os membros do governo, a começar por Rui Macete, parece optarem por dizer "Je suis Passos Coelho",
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