quarta-feira, janeiro 07, 2015

Quantos mortos vale o Paulo Macedo?

Paulo Macedo tem sido um dos governantes mais manhosos, corre em pista própria, gere um programa de gestão da sua imagem orientado para a sua promoção pessoal, ao fim de três anos conseguiu mesmo de passar a imagem de que é um caso à parte neste governo em matéria de competência.
  
A imagem que Paulo Macedo faz passar de si próprio é a de um gestor competente que salvou o SNS apesar das medidas impostas pela troika e isso graças ao combate que fez às farmacêuticas. Até há pouco tempo conseguia convencer muita gente de que apesar dos cortes a qualidade do SNS não tinha piorado, antes pelo contrário terá mesmo melhorado.
  
A estratégia de Paulo Macedo foi tão bem desenvolvida que chegou mesmo a ser apontado como o substituto de Vítor Gaspar à frente do ministério das Finanças. Aliás, antes da nomeação da ministra Maria Luís Albuquerque como ministra dizia-se com frequência que em determinadas matérias das finanças Paulo Macedo era sempre consultado.
  
De um dia para o outro tudo mudou, a imagem da Saúde passou a ser feita pela realidade dos serviços de saúde em vez de resultar de notícias sucessivas dando conta dos sucessos de Paulo Macedo. De um momento para os outros os portugueses perceberam que em Portugal morre-se à portas dos hospitais por falta de assistência e as imagens que nos chega das urgências nada têm que ver com a famosa visita de Paulo Macedo ao hospital de Vila Franca de Xira, em plena crise da legionella, quando o ministro visitou o hospital de surpresa e sem ter avisado a comunicação social, mas a SIC estava à sua espera com todos os meios de exteriores devidamente preparados.
  
Compare-se a estratégia de Paulo Macedo com o problema do ébola e com a crise da legionella com aquilo a que estamos assistindo. Com o ébola o ministro desdobrou-se a mostrar equipamentos e a participar em simulações, chegando ao ridículo de se fazer aparecer ao lado da Catarina Furtado numa encenação. Com o legionella chamou a si os resultados do trabalho do director-geral de Saúde e na hora das consequências passou a pasta para o seu colega do Ambiente.
  
Quando o país soube que se morria à porta das urgências o Paulo Macedo não se colou ao director-geral da Saúde nem se fez acompanhar pela Catarina Furtado, desapareceu, muito simplesmente deixou de da r a cara. EM vez de vir explicar as situações e assumir as suas responsabilidades atirou a crise para terceiros e chegou a usar uma mera colocação de médicos estagiários como uma grande obra ministerial, como se fosse uma resposta à crise.
  
Em qualquer país desenvolvido já a oposição teria chamado o ministro ao parlamento e exigido a sua demissão, a própria comunicação social exigiria a cabeça do ministro. Mas o dr. Macedo há muito que soube criar relações fortes com algumas personalidades de peso no PS e que sabe gerir os jornalistas. É por isso que faz sentido perguntar quantos portugueses terão de morrer para que o dr. Macedo venha dar a cara e pedir a demissão, assumindo as consequências das suas políticas?

PS: sucedeu em Paris aquilo que aqui foi previsto no passado dia 1, os extremistas do Estado Islâmico recorreram a um dos seus “lobos solitários” para fazer 11 mortos. Enfim, por cá morre-se sem se ser atendido nas urgências, em Paris o Estado Islâmico mata jornalistas e Passos Coelho anda a dizer que não há nuvens e a experimentar chapéus folclóricos.

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