quarta-feira, janeiro 21, 2015

O Citius do Paulo Macedo

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Parece que cada ministro deste governo tem direito ao seu “Citius” e parece que a forma de responder às situações difíceis é sempre a mesma, a falta de coragem parece ser um padrão dos membros deste governo, com a honrosa excepção do ex-ministro da Administração Interna que contra os desejos de Passos Coelho assumiu a responsabilidade política por actos que lhe foram alheios.
  
Vale a pena observar atentamente a cambalhotas que o ministro da Saúde deu nos últimos meses, designadamente, desde que surgiu a crise do ébola. Nessa altura Paulo macedo desdobrou-se em espectáculos circenses passando a imagem do ministro competente, um pouco como um Marquês de Pombal da Saúde, o homem decido capaz de resolver as crises. Apareceu a legionella e o Macedo esqueceu o ébola, quase ia deixando a Catarina Furtado no meio da “pista de dança”, a partir daí o Macedo passou a ser o super-homem da legionella, quando chegou a hora de fazer contas aos mortos passou a crise para as mãos do ministro do ambiente e despareceu.
  
Quando surgem os primeiros mortos nas urgências o ministro esteve desaparecido, talvez esperasse que a coisa passasse. Quando os casos se repetiram no hospital Amadora-Sintra o ministro mandou a comunicação social dizer que as empresas que colocam médicos iriam ser penalizadas por incumprimento, isto é, o governo foi vítima das empresas. Depois fez-se um grande alarido com a colocação de médicos, não se explicando que os 800 médicos colocados nada tinham que ver com o problema nem se tratava de uma medida do Opus Macedo, era simplesmente a colocação de estagiários. Nesta altura o empenho de Macedo na propaganda foi tal que até a compra de meia dúzia de macas naquele hospital teve honras de notícia de primeira página.
  
Macedo continuou escondido mas como os casos não se limitaram ao Amadora-Sintra o governo sentiu a necessidade de enviar o secretário de Estado Adjunto a uma entrevista na TVI. O homem trazia maços de notícias que provavam que em Portugal sempre se morreu, tentando desresponsabilizar o ministro e o governo. A culpa era da gripe e da falta de médicos, a gripe encheu as urgências de gente e os médicos meteram atestado, uns malandros, o governo nada podia fazer pois a Ordem dos Médicos impedia a formação de professores. 
  
Mas Macedo é um homem de azar e as mortes continuaram a incomodar a sua imagem, finalmente deu a cara mas não foi para assumir a responsabilidade, foi para falar em alarmismo e em falsidades. Na opinião dos médicos os doentes morrem uns atrás dos outros sem receberem qualquer tratamento e isso não é motivo de alarmismo. E tudo o que se diga sobre o assunto que não sejam as suas desculpas são falsidades.
  
Agora o ministro tem nova estratégia para não assumir as consequências das suas políticas, a culpa é da gripe e desdobra-se em medidas para atender os doentes da gripe, passando mais uma vez a imagem do ministro super gestor. Só que as mortes incómodas começaram antes de qualquer epidemia de gripe que não existe e, seguindo o raciocínio do seu adjunto, sempre ocorreram gripes e daí não resultou a morte por abandono.
  
No meio disto tudo o Garcia da Horta fez um comunicado sinistro em que tentou demonstrar que um doente que faleceu teria falecido mesmo se tivesse sido tratado. Isto é, se alguém não puder ser salvo nas urgências não há qualquer responsabilidade por parte das autoridades de saúde por morrer como um cão, abandonado numa fila de espera.
  
Agora a culpa é dos médicos que se aposentaram, poucos dias depois de se ter gabado abusivamente de ter colocado muitas centenas de médicos o Macedo queixa-se dos 600 médicos que se aposentaram, ainda por cima os malandrecos aposentaram-se antecipadamente, esclarece manhosamente Paulo Macedo. O que Paulo Macedo não conta é que por excesso de idade esses médicos não trabalhavam nas urgências.
  
Os cortes na saúde, os médicos que se fartaram do Governo e optaram por ir para o sector privado, como sucedeu com a minha médica, os muitos médicos jovens que abandonam um país onde Passos Coelho acha que um médico deve ganhar menos do que uma doméstica por ser “despesa pública”, nada disto, nem mesmo a falta de capacidade gestão e de planeamento do grandioso Paulo macedo tem responsabilidades. A culpa é da gripe, das falsidades e das doenças que matam com ou sem tratamento. Do Paulo Macedo é que a culpa não pode ser, como também não foi da ministra da Justiça ou do Crato. Este é o trio que a destino levou a serem sitiados pelas consequências da sua incompetência.

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