Quarta-feira, Julho 07, 2010

Bons alunos

Disseram-nos que ser bons alunos era desmantelar todas as formas de proteccionismo nas trocas intracomunitárias e foi o que fizemos, fomos tão bons alunos que Cavaco Silva às voltas com um pico inflacionista até decidiu antecipar o fim do período de transição nas trocas de produtos agrícolas sem consultar o sector nem se preocupar com as consequências, bastou uma reunião onde até estive presente em representação do então secretário de Estado Oliveira e Costa (cruzes canhoto!) para de uma penada acabar com a protecção de que os nossos agricultores ainda beneficiavam.

Disseram-nos que ser bons alunos era construir auto-estradas que permitissem aos camiões transportar rapidamente os produtos que importamos e foi o que fizemos, pode-se chegar a Espanha num instante, a mesma Espanha que poucos anos antes evitava construir infra-estruturas rodoviárias que facilitassem o acesso à fronteira portuguesa.

Disseram-nos que ser bons alunos implicava liberalizar mercados onde haviam monopólios públicos e apressámo-nos a privatizar as empresas públicas mesmo sabendo que uma boa parte do capital dessas empresas seria adquirido por investidores estrangeiros o que colocaria sectores estratégicos para a economia nacional a serem geridos em função dos interesse de accionistas cujo único critério é o da oportunidade bolsista.

Disseram-nos que para sermos bons alunos só poderíamos embalar fruta bonitinha e toda do mesmo tamanho e assim fizemos, abandonámos as variedades genéticas nacionais, muitas delas extintas ou em vias de extinção para passarmos a comprar sementes e plantas que dão frutos muito bonitinhos, calibrados mas sem sabor, em nome da qualidade passámos a comer feijão verde com sabor a relva e sem sumo.

Disseram-nos que para sermos bons alunos teríamos de ser muito limpinhos e o Sr. António Nunes mandou os seus ninjas encerrar todos os negócios que não fossem limpinhos e pôr termo a todas as tradições que violassem os critérios de higiene definidos pelos insípidos burocratas de Bruxelas. Acabou-se a matança do porco, em troca compramos grandes pacotes de costeletas de porco espanholas embaladas em mega embalagens familiares.

Disseram-nos que para sermos bons alunos deveríamos implementar um plano de austeridade sempre que o comissário Joaquín Almunia acordar mal disposto e é o que temos feito, sempre que o comissário franze o sobrolho aumentamos os impostos ou tramamos os funcionários públicos.

Fomos tão bons alunos que até tivemos direito ao nome no quadro de honra para orgulho de Cavaco Silva, o problema é que somos bons alunos tesos, sem capacidade de intervenção na nossa economia e proibidos de intervir em função de objectivos estratégicos nacionais. Os objectivos do país, dizem-nos pessoas como Pedro Passos Coelho, devem ser os definidos pelos mercados, o bem-estar das nossas populações não deve depender do Estado Social mas sim aferido pelos lucros das empresas amigas que devem substituir o Estado.

Esta do bom aluno lembra-me uma velha anedota, uma comadre tinha uma amiga que andava com amantes ricos e lhe exibia os carros, casacos de peles e outros luxos que lhe ofereciam os amantes ricos, até que a outra se queixou que o padre Zé só lhe dava santinhos. Neste processo de integração europeia Portugal faz o papel da nossa amiga, somos bons alunos mas na hora de distribuir a imensa riqueza gerada pelo processo de integração europeia só levamos santinhos, no fim até nos dizem que é por sermos parvos, por não termos sabido aproveitar as oportunidades, até temos por aí uns artistas que andaram anos a ver a forma como poderiam enriquecer à custa da miséria alheira e agora acusam o país de não ter feito o trabalho de casa. Isto é, fizemos tudo em nome dos mercados mas o resultado não dependia das aulas mas sim do TPC.

Afinal não fomos bons alunos, esquecemo-nos de fazer os TPC.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Janela do Palácio dos Marqueses de Fronteira, Lisboa

JUMENTO DO DIA

Teixeira dos Santos, minsitro das Finanças

Como qualquer ministro das Finanças que se preze Teixeira dos Santos vai reduzir o défice orçamental, para além de cortar nos pobres e ir simbolicamente ao bolso de alguns ricos que ainda declaram rendimentos, o ministro encontrou uma forma brilhante de reduzir o défice. O mais curioso é que nem reduz a despesa, nem aumenta os impostos, inventa receita.

Se de um ponto de vista contabilístico há uma redução do défice, de um ponto de vista económico não há qualquer redução e com a economia sucede o mesmo que com os detergentes, o algodão não engana. O problema do défice não é apenas estatístico, se assim fosse estaria resolvido, é também económico e uma boa parte dos problemas que a Europa está a enfrentar resulta precisamente da criatividade contabilística dos governantes europeus.

O que o ministro das Finanças está na verdade a fazer não é reduzir o défice, é promover a economia da mentira.

«A Direcção-Geral de Impostos (DGCI) vai vender um conjunto de mais de 100 imóveis onde se encontram instalados os serviços da máquina tributária. O valor do negócio ascende a 106 milhões de euros e ajudará a reduzir o défice orçamental deste ano, numa alienação feita a uma empresa do próprio Estado: a Estamo, uma sub-holding imobiliária controlada pela Parpública. O contrato de promessa de compra e venda será assinado ainda este mês e a alienação, por ajuste directo, terá de se realizar até 31 de Dezembro de 2010.» [DE]

RONALDINHO

COINCIDÊNCIAS

Depois de Aznar ter vindo a Lisboa dias antes da assembleia geral da PT para falar com Pedro Passos Coelho e Cavaco Silva é a vez do líder do PP ir a Madrid prestar vassalagem ao líder do PP, como manda a tradição do nosso PSD, e reunir com empresários espanhóis. Bolas, nunca vi tanto intercâmbio político entre Madrid e Lisboa.

PORTUGAL E O CONTEXTO DA CRISE

«A comunicação social, todos os dias, invade a casa dos portugueses e torna- -os cada vez mais pessimistas. Há razões para isso: o desemprego crescente, a pobreza, que começa a ser muito preocupante, a precariedade do emprego, as falências das pequenas e médias empresas, que se anunciam com extrema frequência, e as inaceitáveis desigualdades sociais. Mas, apesar de tudo isso - e o mais que se poderia acrescentar -, os portu-gueses não devem, nem po- dem, deixar-se cair no pessimismo e perder a confiança em si próprios e no futuro do País a que pertencem.

É preciso reagir. Portugal não está sujeito a nenhuma fatalidade. As crises - e tivemos algumas, graves, nos últimos anos - têm tido sempre solução. É o que a história nos ensina. Às vezes até nos abrem novas oportunidades.» [DN]

Parecer:

Por Mário Soares.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

CHARUTO SALVA, CHARUTO DESPEDE

«Dia de cortes, ontem. Ele é a Grécia, que diz que reduziu o défice público em 43%. Ele é o ministro das Finanças britânico, George Osborne, que anuncia cortes nas despesas dos ministérios até 40%. Ele é o parlamento francês, que vota o fim dos salvamentos gratuitos: "Um francês está em perigo em Djibuti? Vamos já buscá-lo!" Enfim, dia de muitos estrebuchares, prova de que a crise comanda-nos a vida. Ontem, também, foi dia do nervoso miudinho da agência de rating Standard & Poors (S&P), cujo presidente, Deven Sharma, atacou a possibilidade de aparecer uma agência de rating europeia: "Os negócios são globais, não locais", justificou ele, como se as pontuações da S&P brotassem de interesses não localizados. Ontem, portanto, foi mais um dia marcado pelo essencial: a crise financeira. Também podia incluir nela, na crise, a demissão do secretário de Estado francês, Louis Blanc, ontem apresentada. Vocês sabem, já aqui falei dele e do seu gosto pelos charutos: o gabinete de Blanc gastou 12 000 euros em 'habanos', e Sarkozy não gostou nada do escândalo. Mas não, reservo o caso "Louis Blanc" à categoria de ironia, o que é muito mais interessante do que mero exemplo de crise. Em 11 de Setembro de 2001, director da Merril Lynch, Blanc estava nas Torres Gémeas, em Nova Iorque. Desceu para fumar um charuto. A paixão reacendeu-lhe a vida, agora apagou-lhe a carreira. » [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

FTT

«Na última semana a cidade de Toronto recebeu mais uma reunião magna das grandes potências económicas mundiais (G-20), numa cimeira onde as grandes conclusões foram a necessidade de aplicação ao nível global de planos de austeridade consagrando medidas anti-défice e de contenção orçamental.

Não surpreendem estas decisões, uma vez que continuam a ser retiradas da cartilha neo-liberal e conservadora que domina a maioria dos governos europeus, comprovando, aliás, que a política da união é fortemente marcada ideologicamente. De fora da agenda ficaram algumas das propostas que têm sido frequentemente apresentadas pela família progressista europeia (liderada pelos socialistas), como a que pretende introduzir uma Taxa Financeira Internacional (Finantial Transation Tax, ou simplesmente FTT).» [DE]

Parecer:

Por José Reis Santos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

O CHEQUE E O XEQUE-MATE

«No meio do teatro de sombras em que se transformou o negócio PT/Vivo/Telefónica, o Governo espanhol achou que a Portugal estava reservado o papel de D. Quixote, o cavaleiro que não distingue a ficção da realidade.

Os ministros Miguel Angel Moratinos e Elena Salgado e a Telefónica, transformaram--se em anjos impolutos, escrevendo o argumento. José Sócrates entendeu tarde demais o verdadeiro dilema da PT, entretido com o assalto à TVI numa lógica que um dia será melhor explicada.

Não se preparou, estrategicamente, para o que a Espanha queria e, por isso, a sua reacção foi tardia e disparatada. Mas talvez esteja a tempo de recuperar o equilíbrio político. A sua entrevista ao "El País" mostra um renovado Sócrates que sabe separar o trigo do joio. E que entende o que efectivamente está em jogo, enquanto que atrás das cortinas se continuam a inventar cenários para que tudo pareça um conto de fadas.

O Governo espanhol e a Telefónica, tão amigos das regras de mercado, sabem o que fizeram à alemã E.on quando tentou entrar em Espanha. E sabem como Berlusconi despachou a Telefónica quando esta estava tentada pela Telecom Itália. As leis do mercado têm diferente valor em diferentes épocas.

Mas a ideia espanhola foi genial e lembra quando Maquiavel, para comemorar as vitórias de Florença, comissionou um mural em conjunto a Leonardo Da Vinci e a Michelangelo, sabendo que ambos se odiavam. Conseguiu dividir o poder político e o económico português, enquanto acenava com o cheque.

Agora resta saber quem aplicará o xeque-mate.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Fernando Sobral.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

SUL PODE FICAR SEM AS SCUT

«O Governo está a ultimar a proposta técnica sobre as portagens nas Scut para aprovação final do primeiro-ministro e, só após a aprovação de José Sócrates, seguirá até à S. Caetano à Lapa, sede do PSD. O Executivo terá que se entender com Pedro Passos Coelho sobre esta matéria até à próxima sexta- -feira, dia 9. Dia em que o PCP e o BE fazem passar pelo crivo dos deputados o decreto-lei que institui as portagens naquelas auto-estradas e a data da sua entrada em funcionamento.

O Ministério das Obras Públicas terá que apresentar aos sociais- -democratas, entre outras coisas, os critérios de "isenção" e de "discriminação positiva" e o seu impacto financeiro na cobrança das portagens. Tanto mais que a primeira proposta avançada pelo secretário de Estado das Obras Púbicas, Paulo Campos, de isentar 46 municípios, baseado no índice de desenvolvimento concelhio, foi considerada inegociável pelo líder do PSD. "É pôr autarcas contra autarcas", argumentou Passos.» [DN]

Parecer:

Não era isso que Rui Rio queria?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Mendes Bota que vá embirrar com os seus camaradas do norte.»

PODE SURRAR POLÍCIAS À VONTADE

«Foi a segunda vez em menos de quatro meses que um morador do bairro da Bela Vista (Setúbal) esmurrou um polícia, mas à semelhança do que já aconteceu em Março, também desta vez o homem, na casa dos 30 anos, ficou apenas com termo de identidade e residência. A decisão do tribunal gerou um clima de mal-estar entre os colegas, que esperavam uma medida de coacção mais pesada, como permite a lei, devido à reincidência, entre as apresentações periódicas até à própria permanência na sua habitação.

Fonte policial lamentou ao DN que o tribunal não tivesse levado em linha de conta o "perigo para a vida em comunidade" que o indivíduo representa, após os dois casos de comportamento agressivo contra elementos da polícia, sendo que na noite de domingo o suspeito começou por provocar um agente à paisana, que estava, à porta da casa (no bairro da Bela Vista), à espera do cunhado para ir beber café. O agressor saberia que do outro lado estava um polícia, tendo sido esse o motivo da provocação.» [DN]

Parecer:

É uma pena que o meliante não dê uma surra num juiz, era a maneira de não ficar outra vez com termo de identidade e residência.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

O FALHANÇO FOI UM BOM NEGÓCIO PARA QUEIROZ

«Carlos Queiroz vai encaixar mais de 800 mil euros pela campanha da selecção nacional no Mundial da África do Sul. O CM sabe que no contrato que vigora entre o seleccionador e a FPF, e que só expira em 2012, consta uma cláusula que atribui ao primeiro dez por cento dos prémios pagos pela FIFA à instituição dirigida por Gilberto Madaíl.

Contas feitas, Carlos Queiroz teve direito a receber 720 mil euros, dos 7,2 milhões de euros pagos pela FIFA à FPF pela presença da Selecção nos oitavos-de-final no grande evento do futebol mundial. A esses valores, há a acrescentar mais 800 mil de ajudas de custo (80 mil para Queiroz), quantia entregue a cada uma das 32 selecções presentes no Mundial. » [CM]

Parecer:

Assim também eu não me queria ir embora.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Que lhe faça bom proveito.»

A EXTREMA-ESQUERDA É O CARREGADOR DO ANDOR DA DIREITA

«As forças políticas à esquerda do PS "são hoje carregadores do andor onde vai a direita política portuguesa", considerou Augusto Santos Silva, falando esta manhã nas jornadas parlamentares do seu partido, que decorrem na Assembleia da República. "Não devemos ter nenhuma dúvida sobre isso", insistiu.

Mas para o dirigente socialista, o combate à direita é que deve ser a prioridade do PS, pois "é melhor tratar do andor do que dos ajudantes que o carregam". Da dupla demarcação que os socialistas devem fazer, à esquerda e à direita, a segunda é que é "decisiva". "É aí que devemos insistir o essencial do nosso combate político", frisou Santos Silva, pois a "agenda da direita portuguesa é superar o Estado Providência" e instituir o "Estado mínimo".» [Expresso]

Parecer:

Santos Silva tem razão e o pior é que durante quatro anos todos viram Manuel Alegre a carregar o andor.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Manuel Alegre se ficou com muitos calos na mão.»

ENRICO GROTTO

AGENTE CIDADÃO

Terça-feira, Julho 06, 2010

Ninguém nos tira o Ronaldinho americano

Os portugueses podem estar descansados, diria mesmo que mais descansados do que em tempos estavam os defensores de D. Duarte, preocupados com o longo celibato do herdeiro, Cristiano Ronaldo já garantiu o herdeiro. Enquanto estávamos preocupados em saber se o craque marcava mais golos do que aqueles que gosta de marcar ao FCP lá longe, nas terras da Paris Hilton, nascia um rebento construído com o mesmo apuro científico com que Ronaldo marca os golos, ao que parece até marcou este golo sem ter que rematar, só é pena que no futebol não hajam balizas de aluguer, a esta hora estaríamos ansiosos por ver a prestação do craque nas meias-finais.

Graças a este golaço do Cristiano Ronaldo já li tantas vezes o nome dos familiares que não me esquecerei que a mãe se chama Dolores, as irmãs dão-se pelos nomes de Cátia e Elma e até fiquei a saber que o cunhado é um tal José Pereira. Isto é, já sei mais da família do Ronaldo do a dos Silvas de Boliqueime, de quem só sei os nomes do patriarca e da esposa.

Tal todos os portugueses estou preocupado com o futuro da criança, a sua situação legal, porque vir a americana que alugou as entranhas buscar o rebento em quem Portugal deposita todas as esperanças era a mesma coisa que os mouros cá virem outra vez e levarem os herdeiros da Casa de Bragança para Alcácer Quibir. Por isso leio atentamente as centenas de páginas que os nossos ilustres jornalistas, à falta de mais recados do processo Freeport e Face Oculta, vão escrevendo.

Até porque enquanto o herdeiro dos Ronaldos não exibir o bilhete de identidade nacional estamos todos intranquilos, o que nos vale é que o Dr. José Miguel Júdice até interrompeu os seus negócios e mui doutos pareceres para nos tranquilizar, o rebento ainda não tem assento nos nossos registos civis mas isso é coisa de cá chegar o correio do consulado português, isto é, já é português mas o nosso arquivo é que não sabe, está à espera do embrulho da DHL.

De qualquer das formas podemos estar tranquilos, Ronaldo até pode ter um filho da russa e o Putin decidir levá-lo de volta para a Rússia para o clonar e ganhar o mundial daqui a uns anos que a descendência lusa do Ronaldo está assegurada. Dizem os especialistas que a dona da barriga pode mudar de ideias e vir buscar a criança mas isso é coisa que não nos preocupa, a não se que o Obama se meta no assunto este já ninguém nos leva, até porque se o Obama ficou com o cão d’água português nós ficamos com o Ronaldo americano e ficamos quites!

Só é pena que não seja filho da Paris Hilton, em tempos de crise a cadeia hoteleira dos Hilton fazia-nos um grande jeito, mas, enfim, não se pode ter tudo.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Flor silvestre fotografada no Parque Eduardo VII, Lisboa

JUMENTO DO DIA

Pedro Passos Coelho

Vale a pena ler o artigo de opinião de Pedro Passos Coelho publicado no "i", está ao nível de um aluno médio de introdução à economia, muito pouco para quem exibe a melhor nota de curso ainda que de uma universidade desconhecida além-fronteiras. Já que Nogueira Leite não se cansa de ajudar o líder do PSD mais valia que lhe tivesse escrito o artigo, sempre seria bem mais interessante.

«O mundo inteiro, e em particular a área euro, vive uma situação complexa e instável, marcada por uma grave crise que começou por ser financeira – com origem no subprime americano e nas debilidades de supervisão – passou a económica, está a voltar a ser financeira e não se sabe em que medida será o prenúncio de alterações importantes na Europa e no mundo.

Sempre soubemos que Portugal nunca ficaria imune a este tipo de acontecimentos globais. Porém, não é nada irrelevante saber se a gravíssima crise que se está a instalar no nosso país é sobretudo uma consequência da situação global ou se apenas foi por esta antecipada e amplificada dadas as condições de base da nossa economia. O mundo mudou em poucas semanas, sem nos dar possibilidade de o prever e de nos ajustarmos, ou andávamos a chocar uma crise inevitável e fomos apanhados pela turbulência externa? A resposta a esta questão, mais do que pretender apurar responsabilidades do passado, torna-se decisiva para determinar qual o melhor programa de resposta à crise.» [i]

O ÚNICO FUTURO

«O casamento é a realização mais espantosa da humanidade. A mais utilizada forma de transmitir a existência e a única eficaz de transmitir a civilização. Que duas pessoas tão diferentes encontrem uma complementaridade fecunda para a vida e, através da sua união, dêem substância e continuidade à comunidade humana é sublime. Mais ainda, uma descrição objectiva do que está implicado na vida quotidiana de um casal mostra a qualquer observador perspicaz que ele é formalmente impossível. As núpcias que permanecem não são as fáceis e sem problemas, porque essas não há. Todos os casamentos são impossíveis. Alguns simplesmente existem e persistem. Os casamentos que duram constituem a realização mais espantosa da humanidade.

O nosso tempo adicionou aqui uma dimensão. Em vez de o considerar como ele é, um bem precioso, frágil e essencial, decidiu procurar formas alternativas de transmitir a existência e a civilização. Sempre houve promiscuidade, adultério, divórcio, união de facto, consequências directas da impossibilidade do casamento. Esta é a primeira época que admira e promove esses comportamentos, enquanto inova furiosamente em contraceptivos e procriação artificial. Além disso, desconfiando da capacidade dos pais para ensinar os valores básicos, entrega ao Estado ou ao mercado essa função. A doutrinação ideológica, mascarada ou não de educação, e os desenhos animados são as formas contemporâneas de transmitir a civilização.» [DN]

Parecer:

João César das Neves opõe ao que designa por fundamentalismo erótico o seu fundamentalismo religioso, não percebe que o mundo mudou.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

DEDICADO AOS PEDAÇOS DE ASNO

«O mais emotivo que tivemos até 10 de Junho de 2010 sobre África do Sul anunciava um desastre: jornalistas roubados, violência policial perto dos estádios... O Mundial 2010 ia ser um horror. Comentaristas televisivos desdenhavam do país, sul-africano mas galopantemente africano, incapaz para acontecimento tão importante... Abrindo hoje a última semana do Mundial, faço um balanço. E não, não vou fazê-lo geral, o que é sempre impreciso, nem sublinho uma daquelas características que, não sendo de deitar fora, dizem pouco (género: os sul-africanos são gente simpática...) Vou para pormenores técnicos com consequências que cada um pode reconhecer em sua casa: nunca um Mundial de futebol foi tão bem filmado. E não vale justificar com as melhorias tecnológicas desde o Mundial da Alemanha, há quatro anos: nunca um jogo europeu, daqueles que ainda se faziam em Maio passado, foi tão bem filmado. Os muitos ângulos com que se vê uma marcação de canto, as bochechas de Xavi a tremer no momento do remate, o círculo, filmado de cima, da oração da equipa antes do jogo, o olhar vazio, falhado o penálti, do ganês Gyan, a angústia do uruguaio Suárez seguida de salto de alegria, o choque entre duas chuteiras, o pedaço de relva que salta... Nunca se filmou assim o futebol. E quem filmou chama-se South African Broadcasting Corporation. Como o nome indica, não é de Hamburgo. » [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

COSTINHA DIZ QUE É NECESSÁRIO FORMAR O HOMEM

«O director desportivo do Sporting, Costinha, afirmou hoje que no clube "não basta formar jogadores, tem que se formar homens", considerando que João Moutinho queria sair "para qualquer clube, a qualquer preço".» [CM]

Parecer:

Este Costinha não foi aquele que se virou para a bancada dos adeptos da equipa adversária e fez um gesto menos educado agarrando os ditos?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Costinha em que escola andou depois de ter saído do FCP.»

GOVERNO NÃO CORTA SALÁRIOS

«"O Governo não trabalha num cenário de cortes salariais ou de cortes de subsídio. A nossa estratégia está completamente focada no congelamento das admissões, no controlo mais rigoroso das admissões e numa forte contenção salarial", disse Gonçalo Castilho dos Santos.

O secretário de Estado falava aos jornalistas no Ministério das Finanças, em reacção à manchete de hoje do jornal 'i', que diz que "o Governo prepara o maior corte de sempre nos salários da função pública", intenção desmentida "categoricamente" pelo responsável.» [DN]

Parecer:

Enfim, a promessa vale até que se alterem as circunstâncias.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

PORTUGAL DEIXA DE ESTAR NO TOP 10 DOS PAÍSES EM RISCO DE BANCARROTA

«Portugal conseguiu, no final do segundo trimestre, sair do grupo dos 10 países e estados com maior probabilidade de default (incumprimento da dívida soberana) num horizonte de cinco anos na percepção dos investidores no mercado dos credit default swaps (cds).

Também a Espanha e a Irlanda viram o seu risco diminuir para níveis abaixo dos 20%, afastando os dois países da probabilidade de entrada no "clube" dos 10 de maior risco.

No entanto, estes três países da zona euro mantêm-se no grupo mais alargado dos 20 de maior risco à escala mundial, segundo o relatório de balanço do segundo trimestre realizado pela CMA Datavision e divulgado esta manhã em Londres.

O último lugar desse TOP 10 foi ocupado pela Roménia e países como a Letónia e a Bulgária encontram-se em posições muito próximas da fronteira deste "clube" de alto risco. A "frente de Leste" da União Europeia emergiu como o pólo de especulação mais recente no mercado dos cds.» [Expresso]

Parecer:

Uma boa notícia, ainda que apenas para os que desejam o progresso do país.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Informe-se Cavaco Silva que a situação está menos insustentável.»

IGOR VOROBEY

COMISSÃO EUROPEIA