Domingo, Agosto 07, 2011

Semanada

Sempre que vejo o Álvaro lembro-me a cena de cinema do exame de medicina do Dr. Vasco, quando este explicou o que era o esternoclidomastóideo. Tal como as velinhas ficavam embevecidas porque o rapaz até sabia o que era o mastoideu também muitos dos nossos analistas ficaram eufóricos porque o Álvaro se lembrou de coisas como a bandeirinha nos produtos portugueses e do tratamento informal, desde o famoso ovo de Colombo que não se via nada de tão genial neste país mergulhado no obscurantismo e ignorância, foi preciso um Álvaro canadiano vir libertar-nos. Mas isso de retirar os portugueses do torpor da idiotice exige não só um super ministro mas uma equipa super, desde a chefe de gabinete aos adjuntos e uma equipa super deve ser remunerada de forma super. Grande Álvaro, o que seria deste pobre país sem ti.

Afinal, o grande lutador Mário Nogueira não era o grande lutador da classe operária das escolas, que exigia auto-avaliação e perseguia diariamente o primeiro-ministro. Agora fica calado quando o ministro devolve milhares de professores às escolas, altera programas curriculares e promete milhares de despedimentos, A troco de algumas benesses para os sindicalistas instalados o grande lobo do sindicalismo transformou-se num dócil borrego no curral da quinta do Crato.

O país assiste impavidamente ao espectáculo triste proporcionado pela nossa espionagem, não se sabendo muito bem onde acabam os serviços secretos e começa a Ongoin, sabe-se apenas que a empresa onde trabalha o marido da senhora dos sms teve acesso a relatórios secretos que tinham interesse para os seus negócios. Resta agora saber se a Ongoin se limitava a ter acesso aos arquivos ou se encomendava as investigações Nunca o saberemos pois também não sabemos onde acaba o programa de privatizações do governo e onde começam os interesses da Ongoing nos negócios do Estado.

O país aguarda ansiosamente uma palavra da Quinta da Coelha, nem que seja via Facebook, sobre as últimas da crise financeira internacional. Até o próprio Obama aguarda que o velho (mísero) professor lhe dê alguns conselhos na matéria até talvez tenha a sorte de receber como prenda uma “Zé Povinho” da Vista Alegre.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Vila Real de Santo António
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Torre del Oro, Sevilha [R. Silva]
  
Jumento do dia


Paulo Portas, ministro dos Negócios Estrangeiros

Paulo Portas vê o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros como se fosse um caixeiro-viajante, só é pena que vá negociar aquilo que supostamente está em concurso e que em vez de exportar produtos considere mais fácil exportar património do Estado.

Isto começa a cheirar mal, muito mal.

«Paulo Portas negociou em Luanda as condições de venda do Banco Português de Negócios aos angolanos do Banco Internacional de Crédito. O encontro com Fernando Teles, presidente, e Mira Amaral, presidente do BIC Portugal, aconteceu no dia 23 de Julho, sábado, depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros ter participado na quinta e sexta na reunião da CPLP.

A reunião de Paulo Portas com o BIC visava salvaguardar os interesses do Estado português, nomeadamente o pagamento do crédito concedido pelo BPN em 2006 à Amorim Energia para a compra de uma participação na Galp. A Amorim Energia é uma holding que tem como accionistas Américo Amorim, a Santoro Holding Financial, de Isabel dos Santos, filha do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, e a Sonangol.

Com a venda do BPN ao BIC, que tem como accionista principal a Santoro, de Isabel dos Santos, o governo temia que esse crédito, da ordem dos 1,6 mil milhões de euros, fosse pago pela Amorim Energia a um banco que tinha como principal accionista a própria devedora. Foi por isso que a secretária de Estado do Tesouro, Maria Luísa Albuquerque, foi à comissão parlamentar dizer aos deputados da comissão de Orçamento e Finanças que o governo tinha esperança de recuperar uma parte significativa dos 2,4 mil milhões de euros que a nacionalização do BNP já custou ao Estado.» [i]
    
 

 PSD e CDS. Um casamento de fachada que tem tudo para correr mal

«Desconfiança, medo, tensões medianamente controladas. O governo de coligação é um casamento de fachada, em que os protagonistas fingem o que podem em público - mas em privado, genuinamente, não se podem ver e praticam o bullying político nem sempre com a discrição devida.

Primeiro ponto, essencial: os sociais- -democratas desconfiam de Paulo Portas, que, politicamente, tem uma experiência muito mais larga que Passos Coelho. Desconfiam e têm medo: todos sabem que Portas não padece da ingenuidade que por vezes atinge o primeiro-ministro e é um sobrevivente. Para conter a força de Portas foram feitas as diligências possíveis, para evitar que o líder do CDS controlasse sozinho o Ministério dos Negócios Estrangeiros: a colocação de Francisco Ribeiro de Menezes, embaixador de carreira, no cargo de chefe de gabinete do primeiro-ministro (com imensa experiência da máquina ministerial, depois de ter dirigido os gabinetes de Jaime Gama e de Luís Amado) foi uma peça nesse damage control. A pasta do MNE é fortíssima por duas razões: genericamente, dá popularidade nas sondagens. Em tempos de crise, sem ter de lidar com os cortes da despesa nem com os problemas das corporações, como a dos médicos e a dos professores, é provável que dê ainda muito mais popularidade que aquela que é costume. Com a crise do euro, a pasta do MNE passou a ter uma importância desmedida - o risco de Passos Coelho ficar refém de Portas, e das informações de Portas, para gerir os Conselhos Europeus é considerado muito grande no PSD. Também aí a escolha de Ribeiro de Menezes teve um objectivo preventivo, segundo fontes do PSD. 

A "vingança" de Passos Coelho contra o seu parceiro de coligação foi avocar uma das grandes tarefas do MNE: a diplomacia económica, que ficou, na orgânica do governo, na dependência do primeiro-ministro. E quem foi Passos Coelho buscar para fazer uma espécie de "programa do governo" na vertente diplomacia económica? Nada mais nada menos que um arqui-inimigo de Paulo Portas - um ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva, Jorge Braga de Macedo, que mantém um diferendo com Portas desde os tempos em que este era director de "O Independente" e denunciou a entrega de um subsídio do IFADAP, na altura gerido por Henrique Granadeiro, para jovem agricultor a uma propriedade da família do ministro, o Monte dos Frades. O jovem agricultor era um sobrinho de Braga de Macedo.

O ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva nos princípios dos anos 90, o tal que via um oásis quando o país estava em recessão, vingou-se agora na diplomacia económica do facto de Passos Coelho não ter vetado a ida para as Necessidades do seu inimigo. Mas fez tudo o que podia e não podia e foi o último a desistir na tentativa de dissuadir o líder do PSD de aceitar a imposição de Portas de ser ministro dos Negócios Estrangeiros.

O discurso de Paulo Portas na Madeira no fim-de-semana passado perturbou enormemente os sociais-democratas. A "liberdade" com que Portas se atirou a Alberto João Jardim - um "ícone" do PSD, apesar de distante de Passos Coelho - foi lido por alguns sociais-democratas como um sinal do "poder total" com que Portas se sente nesta coligação. Afrontar Jardim ao fim de um mês de governo é obra: no fundo, Paulo Portas, ao denunciar o "despesismo" da Madeira, impôs balizas à negociação do próximo Orçamento do Estado. Na Madeira, Paulo Portas comparou Jardim com Sócrates: "No país, os socialistas fizeram uma política de endividamento para lá do que era aceitável e aqui, na região da Madeira, os sociais-democratas fizeram uma política de endividamento que é também para lá do aceitável. E para sermos coerentes temos de propor aqui a mudança que também o país como um todo já percebeu. É que não é possível continuar a endividar mais um país ou uma região." Jardim respondeu à sua maneira habitual: disse que não conhecia Portas de lado nenhum. E Marcelo Rebelo de Sousa, um especialista em atirar gasolina para as fogueiras e velho inimigo do líder do CDS/PP, veio logo recordar que Paulo Portas, nos tempos da coligação com Durão Barroso, nunca ousou atirar-se a Alberto João Jardim ou criticar qualquer outro dirigente laranja.

Esta é a pior altura para qualquer partido estar no governo. O CDS enfrenta o mesmo dilema que os Lib-Dems no Reino Unido: associados aos conservadores e às suas políticas de austeridade, correm o risco de desaparecimento nas próximas eleições. Portas, o político no activo cujo instinto de sobrevivência mais se tem revelado nos últimos 15 anos, não quer que o CDS volte a ser o "partido do táxi", lugar onde ficou colocado a partir de 1987, depois de Cavaco Silva ter aglutinado toda a direita com as suas maiorias absolutas. Se Paulo Portas tivesse conseguido um resultado eleitoral mais forte, poderia ter capacidade negocial maior dentro da coligação. Mas isso não aconteceu - trata-se agora de gerir o dia--a-dia sabendo que na guerra e na política (e às vezes no amor) ou se mata ou se morre. A coligação governamental pode durar um ano ou três anos. Mas no fim entre Passos Coelho e Paulo Portas só sobrará um. E se Paulo Portas já percebeu isto há muito tempo, Passos Coelho está a começar a perceber.» [i]

Autor:

Ana Sá Lopes.
     

 Mais uma do Sócrates

«"Os riscos políticos tiveram um peso mais importante que a fatia orçamental da equação", disse David Beers numa teleconferência com jornalistas, citado pelas agências AFP e AP.

Na noite de sexta-feira, a S&P reduziu a nota dos Estados Unidos de AAA (a máxima) para AA+, uma redução inédita na história da maior economia do mundo, apontando receios quanto ao nível de endividamento do Estado federal dos EUA.» [DN]

Parecer:

Este Sócrates stá em todo o lado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao mísero professor.»
  
 E o mísero professor nem falou em crise internacional...

«Governantes do G7 (grupo de sete países industrializados) vão discutir em breve formas de coordenar os seus bancos centrais para fazer face à agitação dos mercados financeiros, segundo fontes diplomáticas citadas pela agência AP. [Jornal de Negócios]

Parecer:

Os últimos acontecimentos estão a ser uma bofetada sem mão a muito boa gente, começando pelo tal senhor que se designou a si próprio por mísero professor.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao senhor da Quinta da Coelha.»
  
 Variações sobre pobrezinhos

«"Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres".

Começa assim uma das crónicas mais conhecidas de António Lobo Antunes que acendeu em muitos leitores recordações de um tempo em que havia pobres, remediados e ricos. Sublinho a palavra remediados, não resisto, porque me parece conter toda uma ideologia, todo um regime.

Ontem, ao ouvir o discurso do ministro da Solidariedade e da Segurança Social, pensei nesse texto chamado "Os Pobrezinhos". Não é que não encontre medidas acertadas e solidárias no rol de intenções do Governo. Mas tropecei noutra recordação: os aumentos de preços das últimas semanas.

Tempos de crise exigem medidas excepcionais: aí está uma verdade que o senhor de La Palice poderia subscrever. E tudo o que pudermos fazer para evitar a fome, a pobreza, a exclusão, parece mais do que justificado. Mas se, ao mesmo tempo que se oferece um almoço a alguém, há milhares de pessoas empurradas para o desemprego e para um custo de vida insuportável, então no fim do ciclo de excepção (diz o minstro que no fim de 2014) vamos ter um número de pobres muito maior do que o de hoje.

Ouvi o discurso todo, e até a clássica citação do provérbio chinês, numa variação respeitabilíssima: "Nuns casos damos o peixe, nos outros ensinamos a pescar". E aqueles que sabem pescar e vão deixar de poder fazê-lo?

O desperdício é sempre um mau princípio, ainda mais se as dificuldades apertam. O ministro anunciou que os medicamentos a seis meses de expirar o prazo de validade deixarão de ser destruídos e serão entregues aos mais pobres por entidades credenciadas. Dá que pensar: os medicamentos com seis meses de prazo de validade são destruídos? Seis meses? Porquê? Para a indústria farmacêutica fabricar mais e su bir o preço? E depois de 2014 volta-se ao mesmo? Não seria melhor repensar o sistema da pescaria?

Outra medida que me deixa perguntas é o aligeirar das regras a que costumamos chamar "da ASAE" nas cantinas e IPSS. Então há regras que podem ser dispensadas sem prejuízo para os consumidores? Então por que razão existem e são impostas e rigorosamente vigiadas? Ou não interessam porque estamos a falar de pobres?

Eram assim os pobrezinhos de Lobo Antunes: "De preferência descalços, para poderem ser calçados pelos donos; de preferência rotos, para poderem vestir camisas velhas que se salvavam, desse modo, de um destino natural de esfregões; de preferência doentes a fim de receberem uma embalagem de aspirina".» [JN]

Parecer:

Ana Sousa Dias.
  
 Com o Álvaro tudo é super

«O ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira, nomeou dois assessores com um estatuto remuneratório equiparado a director-geral, ou seja, irão receber um salário mensal bruto de 3.892,53 euros.» [Público]

Parecer:

Até o vencimento dos seus super boys.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  

  





Sábado, Agosto 06, 2011

Que comentário faz esta fotografia?

 
A fotografia já tem alguns anos, em pleno sapal de Castro Marim o dono do armazém do sal já deveria estar cansado de as traseiras do armazém ser o wc do local, apesar de se tratar de um local isolado e pouco frequentado parece que em certos momentos as pessoas procuram protecção.

Mas poderia teria tirada em muitos sítios deste país desde os sinais de trânsito destruídos por idiotas ao hemiciclo de São Bento ou mesmo no Palácio de Belém. Em dia de preguiça editorial deixo-a aqui para que cada um sugira os muitos locais deste país onde faria sentido fazer este apelo.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Chaminé, Vila Real de Santo António
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Capela da Tapada do Palácio dos Condes de Avillez, Santiago do Cacém [H. Gomes]
Jumento do dia


Paulo Macedo, opus ministro da Saúde

Paulo Macedo já iniciou a sua estratégia de propaganda tal como fez no fisco e nem um suicídio em plena visita pode interromper a sua agenda. Lamentável, um rapaz tão dado a missas de acções de graças e faz uma coisa destas.

«Uma funcionária do hospital de Évora suicidou-se hoje naquela unidade hospitalar durante uma visita do ministro da Saúde, que lamentou o sucedido e ponderou mesmo cancelar o programa, mas acabou por cumpri-lo.» [DN]
    
 

 A deputada que faz "Apanhados"

«É costume dizer que os deputados são o povo, mas seria mais correcto dizer "os deputados é o povo" - no singular, para sublinhar quem é o sujeito. Ser o povo é de uma importância do caraças. É diferente de ser do povo, que bem pode não ser importante. Por exemplo, aquele meu camarada do Tal & Qual que um dia se sentou na bancada do PSD para testar se davam por ele, estava a fazer uma brincadeira popular. Se nós do povo não podemos nem fazer uma laracha de vez em quando... Deram por ele, o olho de lince de Conceição Monteiro, antiga secretária de Sá Carneiro e conhecedora do PSD como ninguém, deu pelo jornalista onde não devia e expulsou-o. Nesse dia, o PSD ficou bem na fotografia. Anteontem, a deputada Joana Lopes ficou mal, foi do povo, e não o povo. Ela estava na comissão parlamentar de Saúde, ouvindo o presidente do INEM, e disse que os dela, do PSD, tinham telefonado para o 112 testando o tempo de atendimento que o INEM pretendia ser de X. "Pois é de X+Y!", disse Joana Lopes triunfante. Mostrou ignorância sobre o assunto, pois os tempos de atendimento do INEM não são os mesmos dos do 112. E, sobretudo, mostrou ignorância sobre o que é ser o povo. O povo (os deputados) não testa brincadeiras: manda o INEM dar os dados exactos e se não acredita neles manda até que eles sejam exactos. Se Joana Lopes quer ser só do povo, ressuscite o T&Q (que bem falta faz, aliás) e vá testar a segurança do aeroporto com uma falsa bomba. » [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.
  
 Habituem-se

«O PM que se especializou em chamar mentiroso, entre outras delicadezas, ao PM que o antecedeu já foi ao Parlamento garantir que não mente quando diz que não mente. "Não tenho por hábito desmentir categoricamente para ocultar a verdade", disse, a propósito do alegado pedido de informações aos serviços de segurança sobre Bernardo Bairrão, o ex-administrador da TVI que ficou célebre por se ter despedido para ser secretário de Estado e acabou desempregado. A curiosa frase, que parece informar-nos de que só os desmentidos categóricos do PM são para levar a sério, surgiu na mesma intervenção em que este negou, sem ser categoricamente, que Bairrão tivesse sido sequer convidado.

Longe de mim chamar mentiroso a alguém, quanto mais a um primeiro-ministro, sem provas. Mas custa um pouco a crer que Bairrão se tivesse despedido a correr da TVI só para lhe criar um problema de comunicação. Quanto ao pedido de informações à Secreta, estou em crer que nunca saberemos a verdade, pelo que cada um acreditará no que quiser, dizendo o que melhor lhe aprouver. Foi a isso, aliás, que nos habituámos, sob a batuta do partido deste PM, a avaliar as coisas. Não interessa o que podemos provar; interessa aquilo em que nos dá jeito acreditar e as acusações que consideramos vantajosas. Lembram-se, por exemplo (entre tantas), da história fantástica de que Belém estava sob vigilância por parte do Governo Sócrates? O PSD cavalgou-a deliciado, chegando a então presidente a asseverar, num comício, que o jornal Público estava sob escuta (uma invenção do então director do diário, que acusou os serviços secretos de entrar nos seus mails, para no mesmo dia ser desmentido pela própria administração). Dava jeito? Acusava-se. Depois - ou seja, nunca - logo se via.

Como se dirigir o PSD fosse o mesmo que dirigir um tablóide do tipo News of the World: quanto mais lama, escândalo e nojeira, melhor. Aliás, para a analogia nem faltaram as escutas (cá feitas pela polícia, pelo menos ao que se sabe). Sucede, claro, que quando se assume o princípio de que tudo o que um Governo faz é suspeito e que todas as pessoas que o apoiam ou apoiam o partido do Governo são "boys" à espera de recompensa venal, não se pode esperar que a seguir, quando o Governo muda, os princípios mudem com ele. Inevitável, pois, que Passos fosse confrontado com as suas nomeações para a CGD como sendo favores partidários; que lhe mandem à cara cada cêntimo gasto pelos gabinetes; que lhe exijam os currículos dos nomeados e cor política (de que serve o famoso "portal da transparência" se só traz o nome e a idade?), que o acusem de "cambalacho", como fez o deputado do BE João Semedo, na "venda" do BPN ao BIC.

Semedo fê-lo, aparentemente, sem ter qualquer informação concreta sobre as outras ofertas; que interessa. Fê-lo porque acha que acusar um Governo de aldrabice e de prejudicar voluntariamente o País sem ter de provar o que diz é uma coisa normalíssima. E é, para o PSD. » [DN]

Autor:

Fernanda Câncio.
  
 Da vida das marionetas

«Durante anos a fio o cidadão foi compelido a consumir, consumir, consumir.

Durante anos a fio o cidadão foi compelido a consumir, consumir, consumir. Montaram-se ideologias, linhas de crédito e grandes centros comerciais para o efeito. De súbito, consumir é um crime.

A Europa do início do século XX era ainda um vasto campo de miséria e opressão. Elites bárbaras e corruptas, povo embrutecido e faminto. Van Gogh, que começou como padre, depois foi pintor e acabou louco, retratou numa das suas melhores e mais originais obras, "Os comedores de batatas", esses tempos sombrios. Uma família holandesa reúne-se à volta de uma mesa para comer a única refeição do dia, feita de batatas cozidas e uma zurrapa parecida com café. O ambiente é obscuro e lúgubre. Os rostos feios e brutos. Não será aliás por acaso que a Holanda praticamente não tenha uma gastronomia própria. Enquanto o povo mastigava rijas batatas, nos palácios falava-se e comia-se francês. Mas adiante.

Com a derrota de Hitler, parte da Europa descobre duas novidades: a liberdade e a riqueza. O povo emerge então como entidade física e ideológica, com os seus direitos e poderes específicos, nomeadamente os de eleição democrática. O povo, que sempre fora encarado pelas elites como mera fonte da exploração bruta, aparece agora também como consumidor.

Fomes milenares, misérias profundas, barbáries tremendas, levam a generalidade das pessoas a agarrar freneticamente esta janela de oportunidade, paz e prosperidade. Os pequenos delírios fetichistas, a febre da elevação social, a reificação dos momentos de vida, a mercantilização de tudo e de nada, tornam-se então banalidades de base de uma vida coletiva que depressa tomou o nome de Sociedade do Consumo.

Por cá, a ação combinada da Igreja e do salazarismo, prolongaram a miséria por mais três décadas. Só em 74 conquistámos liberdade e acesso aos bens de consumo. A fome era portanto ainda maior e os portugueses, finalmente europeus, mergulharam totalmente na vida moderna do Jacques Tati. Ninguém pode contestar a legitimidade do facto. Todos deviam ter direito aos seus 15 minutos de alucinação coletiva.

Tanto mais que os poderes, políticos e económicos, empreenderam desde então uma obstinada campanha para o consumo. A publicidade, toda ela enganosa já que sobrevaloriza a qualidade dos produtos mas esconde os seus defeitos e inutilidade prática, passou a bombardear o comum do cidadão com apelos à aquisição de tudo. Objetos, instantes, sorrisos, experiências, corpos e futuros. Tudo se tornou num produto. A comida, a praia, o amor, a viagem, o livro, a arte. Os bancos abriram o crédito praticamente ilimitado. O dinheiro transformou-se em plástico adiado. A arquitetura construiu as grandes catedrais do nosso tempo sob a forma de enormes centros do comércio e do sonho.

Eis senão quando, de tanto emprestar o que não tinha, o sistema entra em colapso. A finança, que vive agora da compra e venda do próprio dinheiro e nada de palpável produz, afoga-se na demência das operações especulativas, dos ativos tóxicos e de tantas outras manigâncias, legais e ilegais, cujo único objetivo é o lucro grande e rápido. A narrativa muda. O consumo torna-se num ato irresponsável e quase criminoso. O cidadão é agora fortemente pressionado a não comprar nada, não viajar, não se divertir, não ir jantar fora, enfim, se possível a ficar em casa sentadinho a ver a televisão e as más notícias.

Não é preciso um grande esforço intelectual para perceber a incongruência do mecanismo. Sem consumo a Sociedade do Consumo deixa de funcionar e nada, mesmo nada, existe como efetiva alternativa. Não estamos perante a emergência de uma súbita consciência coletiva que tenha percebido a inocuidade de uma sociedade assente na posse do fugaz. Nem das suas consequências nefastas, já não digo para a trivialização das vidas, mas por exemplo para o desgaste irreversível do meio ambiente. Não é que estejamos a desvalorizar o consumo para empreender decididamente uma Sociedade do Conhecimento, única que poderá realmente fornecer um destino digno e empolgante à espécie humana.

Trata-se simplesmente de mais um expediente airoso mas irrefletido das elites que metidas num sarilho não sabem como sair dele. O povo que se lixe, como sempre. Comam batatas. » [Jornal de Negócios]

Autor:

Leonel Moura.
  

 Está em marcha a vaga de saneamentos

«Segundo o Jornal de Negócios, a decisão do afastamento de Luís Capucha foi anunciada esta segunda-feira, durante uma reunião onde estiveram presentes o secretário de Estado do Emprego, Pedro Martins, e a secretária de Estado do Ensino Básico e secundário, Isabel Leite. Ao Jornal Negócios, Luís Capucha afirmou: "Não me foi dada nenhuma justificação, mas também não a pedi."» [DN]

Parecer:

É para dar novas oportunidades aos apoiantes de Passos Coelho.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Os brancos que se entendam.»
  
 Combate à evasão fiscal: um programa de banalidades

«O Governo vai aumentar os recursos humanos destinados à inspecção para que correspondam a cerca de 30% do total de recursos humanos, e também quer um aumento expressivo dos elementos destinados ao combate à fraude de elevada complexidade.

Além disso, o Executivo quer reforçar as inspecções e a cobrança coerciva com base em técnicas de gestão de risco, e quer também aumentar as trocas de informação com outras administrações fiscais, sobretudo aquelas com quem agora existem acordos sobre dupla tributação. » [DE]

Parecer:

Alguém que não sabe muito bem o que se tem de fazer disse ao secretário de Estado o que deveria fazer.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Creches superlotadas e higiene das cantinas sociais sem controlo

«A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) vai deixar de ter responsabilidade na fiscalização das cozinhas das instituições sociais. A medida está contemplada no Plano de Emergência Social que o governo apresenta hoje e pretende simplificar as regras da segurança e da higiene alimentar nas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e outras instituições de cariz social.

O objectivo será o de levar as próprias IPSS a fazerem o controlo da sua higiene e segurança. Para isso, a ASAE - que foi ouvida pelo governo no processo - vai formar 100 funcionários de instituições sociais a quem caberá zelar pelo cumprimento das normas de higiene. De qualquer forma, as IPSS vão passar a estar abrangidas pelas regras de higiene e segurança alimentar aplicáveis às micro e pequenas empresas - mais simples. » [i]

Parecer:

este ministro tem uma forma muito original de resolver os problemas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 Como se perde 8 mil milhões de dólares em quatro dias

«A tempestade que se abateu nas bolsas esta semana não poupou o homem mais rico do mundo. Quatro dias foram os suficientes para que o mexicano Carlos Slim assistisse à eliminação de 8 mil milhões de dólares (5,6 mil milhões de euros) da sua carteira de participações accionistas, de acordo com contas feitas pela agência Bloomberg.

É como se tivesse sido eliminada uma Portugal Telecom e uma Sonaecom das contas de Slim, que, curiosamente, tem o seu maior activo nas telecomunicações. A operadora liderada por Zeinal Bava tem, ao fecho da sessão de hoje, uma capitalização bolsista de 5,1 mil milhões de euros e a dona da Optimus vale 500 milhões. Juntas, totalizam os cerca de 5,6 mil milhões de euros que foram perdidos.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Só os perde quem os tem.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  

   




Sexta-feira, Agosto 05, 2011

Privatizar o ar que respiramos?

A agenda liberal à escala mundial que tem progredido graças à chantagem dos países mais ricos através de organizações internacionais como o FMI ou o Banco Mundial passa pela transformação em mercadorias de tudo o que pode ser comercializado. A necessidade de rentabilizar com negócios de lucro certo a imensidão de capitais que afluem ao mercado financeiro obriga à transformação de todos bens, incluindo os que desde sempre foram do domínio público como a água.

Aquilo a que temos assistido em Portugal com algumas privatizações não têm sido reformas como alguns pretendem fazer crer, mas sim operações de promoção do enriquecimento fácil de algumas personalidades e grupos económicos. Tal como parece estar a suceder com a venda do BPN o Estado não só sai a perder com a venda como ainda promove todas as condições para que as novas empresas privadas beneficiem de condições de obtenção de lucros fáceis.

Transformar uma empresa pública num monopólio privado ou várias empresas públicas num oligopólio privado é um crime económico e contra o país e é uma das grandes causas do nosso subdesenvolvimento. Têm sido tantos os negócios fáceis promovidos pelo Estado em nome dos mercados que os capitais nacionais se especializaram nesta forma de proxenetismo económico. Os nossos empresários especializaram-se no lucro fácil e isso explica uma boa parte da baixa competitividade do país. Nos sectores em que estas facilidades não existem é a evasão fiscal e a economia paralela que proporciona os lucros fáceis. O resultado é um país que vai soçobrando à falta de qualidade das suas empresas enquanto vê uma boa parte da sua riqueza convertidas em mais-valias de favor que são transformadas em bens de luxo ou transferidas para as off-shore.

Compare-se, por exemplo, a evolução dos preços num sector onde existe uma forte concorrência, como é o caso das telecomunicações, com sectores onde existem monopólios, o caso das petrolíferas ou da electricidade, ou onde existem monopólios protegidos pelos reguladores estatais, de que o exemplo mais descarado é a banca. Nas telecomunicações temos assistido a uma grande modernização acompanhada de uma descida acentuada dos preços, nos outros sectores pagamos muito acima do que se pagam noutros países enquanto a tendência é par uma subida contínua dos preços.

Esgotados os negócios tradicionais é preciso gerar mais balões de oxigénio para os que financiam a classe política e pouco mais resta do que privatizar a saúde e a água, pouco faltará para que alguém se lembre de vender as praias já que os rios são propriedade indirecta da EDP. Talvez um dia se lembrem de privatizar o ar, mas podemos ficar descansados porque o governo está muito preocupado com os pobres e o Álvaro assegurará um preço por metro cúbico reduzidos para os que ganhem menos de quinhentos euros.

Tivemos um rei que se queixava de que só era dono das estradas de Portugal, não imaginava o nosso rei que nem isso já nos pertence e que tudo o que existe no subsolo, à superfície e no ar poderia pertencer à nobreza, pior ainda, a uma nobreza que não alcançou os títulos em batalhas com os mouros ou os invasores espanhóis, mas sim a uma nobreza que se limitou a dar golpes sujos e que se limitaram a usar a classe política como infantaria na luta contra dos direitos e o futuro de todo um povo.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Pernilongo [Himantopus himantopus], Sapal de Castro Marim
 
Jumento do dia


Joana Barata Lopes, deputada do PSD

A deputada Joana Barata Lopes é ignorante, se não o fosse perceberia que um sistema de emergência não é avaliado com uma única chamada falsa. Parece ser idiota, se não o fosse teria a obrigação que com estas coisas não se brinca. É uma fraca deputada, depois de fazer uma chamada dispensável fez uma intervenção ainda mais dispensável, digna de uma líder de uma associação de estudantes do ensino básico. Parece ser mal formada, se não o fosse já teria apresentado um pedido de desculpas aos eleitores que a elegeram e aos profissionais dos serviços de emergência.
  
Terei compreendido bem?

Marques Júnior conclui que o mais alto responsável dos serviços secretos revelou segredos à Ongoing mas que não está em causa a segurança do Estado. Como pode o homem dizer que estamos seguros se o mais alto ersponsável da secreta passou informações aos seu futuro patrão? Ninguém pode acreditar e em qualquer país a sério esse senhor já estaria "dentro".
     

 Justiça italiana suspeita da Moody's

«A Itália lançou uma investigação à Moody's e à Standard & Poor's, num processo em que as agências de ‘rating' são suspeitas de estarem envolvidas em movimentos anómalos nas cotações de acções italianas, segundo a Reuters.

Segundo um membro do Ministério Público, citado pela Reuters, a medida justifica-se para "verificar se estas agências respeitam os regulamentos enquanto desenvolvem o seu trabalho". Os procuradores italianos pediram ainda informações ao regulador financeiro do país sobre a actividade das agências de ‘rating'.» [DE]

Parecer:

O primeiro ataque sério aos negócios da Moody's.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
  
 Dar as boas-vindas ao papa com papel higiénico Renova

«A marca Renova lançou uma edição limitada de rolos de papel higiénico com as cores do Vaticano para doar na Jornada Mundial da Juventude, em Madrid. O objectivo é dar as boas-vindas de forma "animada e colorida" ao Papa.» [JN]

Parecer:

Uma ideia de caca.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  

 Sergei Bizyaev