terça-feira, dezembro 03, 2013

Os limpa-fundos

Bastaria a incompetência para demitir este governo e, já agora, o próprio presidente (com “p” pequeno) da República. À excepção do ministro da Saúde de todos os outros exala o cheiro pestilento da incompetência, cheiro que se manifesta em visões milagrosas dignas da Santinha da Ladeira, em passeios deignos de um elefante numa loja de cristais no sector da saúde, ou reformas orgânicas desenhadas com base em guias da estradas. Os ministros deste governo ou desaparecem porque no meio de tanta incompetência quem menos for visto mais sobe na consideração dos eleitores, ou aparecem a custo e para nada dizer como sucedeu com o ministro da Administração Interna na sequência da fantochada nas escadarias do parlamento.

Se a incompetência não bastasse chegaria a má-fé com que muitas políticas são adoptadas, governa-se à base de medidas que não são alvo de qualquer debate por parte dos cidadãos, encomendam-se fretes à troika para que seja esta a responsável pelas medidas mais brutais, agora até se instalam centros de emprego nas instalações de empresas onde se promovem despedimentos colectivos, um dia destes vão ser instaladas centros de emprego, capelas, morgues e delegações da tal agência de apoio à emigração que o eurodeputado do PSD Paulo Rangel chegou a propor quando o governo encontrou na emigração a solução para o desemprego que tencionava promover.

Se mesmo juntando a má fé à incompetência a má-fé das políticas, para não referir a má-fé de algumas intervenções de Cavaco Silva ainda no tempo de Sócrates, bastaria a propaganda governamental para considerar que este governo ultrapassou as fronteiras do aceitável. Uma coisa é o marketing político que visa dar melhor imagem do produto que o governo pretende vender. Outra é o recurso às técnicas de propaganda de outros tempos para estimular o ódio em relação aos idosos ou aos funcionários públicos, para dar o dito por não dito.

Um bom exemplo destas manobras de propaganda foi dado no passado fim-de-semana, com todas as televisões a transmitirem em directo um discurso banal, sobre um tema banal, feito por um primeiro-ministro banal, aquilo tinha menor valor intelectual do que as missas dominicais transmitidas por televisão.

«“Por isso nos dói tanto que, entre aqueles que hoje são mais desenvolvidos e evoluídos do ponto de vista do conhecimento que adquiriram em termos académicos, muitos deles tenham de escolher outras paragens para poderem aceder ou aos seus estágios ou à sua realização profissional”.» [VAI E VEM]


Mas a máquina foi toda reunida para mostrar um primeiro-ministro pesaroso com o drama da emigração que o seu governo promoveu e chegou a elogiar. Mais grave do que o comportamento d primeiro-ministro foi o dos directores de informação de todas as televisões que se envolveram nesta manobra. Em ditadura ou em democracia a sociedade assemelha-se sempre a um aquário e não há aquário em que não existam uns peixinhos chamados limpa-fundos que sobrevivem comendo a merda dos outros. 
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