quarta-feira, julho 17, 2013

Mais olhos do que barriga

Há muitos anos que a nossa direita vê no Estado a nova fonte de financiamento para mais uma década de corrupção e de subsidiodependência, há muito que ideólogos da direita como Miguel Cadilhe (o tal que dizia que resolvia os problemas do BPN com 400 milhões de euros) até dizem que o número de funcionários a despedir é de 150.00o, só não esclarecem se o faroleiros das Berlengas está incluído.
 
Recorde-se que o primeiro governo a organizar despedimentos em massa no Estado foi o de Cavaco Silva, chegaram a ser feitas listas de disponíveis (foi o termo usado na época), mas o habitual oportunismo eleitoral da personagem levou a que o assunto fosse esquecido. Mas o destino tem destas coisas e como a personagem tem agora o estatuto de rata velha descobriu uma solução, Passos Coelho designou o despedimento em massa por requalificação, Cavaco prefere chamar-lhe plataforma de salvação nacional e disfarça-lo com o pós-parto a que ele chama pós-troika.
 
O problema é que esta gente está mais motivada por uma visão racista da sociedade portuguesa e por um ódio ideológico ao Estado, senão mesmo pela inveja que alguns inúteis das jotas têm dos jovens melhor qualificados que lhes ganharam nos concursos de admissão no Estado. Alguém disse às organizações internacionais que se podia poupar uma fortuna no Estado.
 
Foram os mesmos que em tempos achavam que podiam cortar o mesmo nas famosas gorduras mas que depois de eleitos perceberam que tinham sido burros. Agora têm uma nova tese mas bem mais perigosa, quando perceberem o desastre que provocaram será tarde, nada poderão fazer para recuperar a qualidade dos serviços públicos ou para reconstruir milhares de vidas destruídas.
 
Estes políticos incompetentes e mal formados não percebem que o Estado é muito mais e muito mais necessário do que essa coisa ideológica que aprenderam a odiar em discussões de discotecas alimentadas por bebedeiras de shots. O Estado que eles defendem é o da África da infância de Passos Coelho, o Estado dos administradores coloniais formados no antigo Instituto Superior de Estudos Ultramarinos. Estes idiotas estão convencidos que podem ter uma economia moderna com o Estado com quadros superiores a ganhar como empregadas domésticas e com horários de trabalho de serventes de pedreiro.
 
Ainda por cima não sabem fazer contas, algo que começa a ser uma tradição desde que um incompetente chegou a ministro das finanças de Passos Coelho. Estes gulosos têm mais olhos do que barriga e quando fazem as contas ao que poupam com o despedimento dos funcionários públicos esquecem-se de algumas parcelas.
 

Para além dos custos das indeminizações e das reformas antecipadas importa lembrar mais de metade do rendimento bruto de um funcionário público, como de qualquer cidadão, acaba por reverter para o Estado sob a forma de impostos. Isto é, do que se poupa apenas se pode contabilizar metade pois a outra metade seria sempre receita fiscal sob a forma dos mais diversos impostos. Mas como a outra metade deixa em grande parte de ser gasta pelas famílias importa considerar o seu efeito multiplicador negativo e a consequente perda de rendimentos e de impostos em consequência deste corte e isso significa menos impostos e mais subsídios de desemprego.
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