quarta-feira, julho 03, 2013

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Monumentos aos Heróis da Guerra Peninsular, Lisboa

 Se Poiares Maduro fosse médico

Não estaria nada preocupado em tentar salvar o doente da morte, para ele o importante não seria o doente morrer ou sobreviver, o preocupante era dar-lhe a notícia da morte de forma simpática quando o doente já estivesse agonizando.
 
Mas não é só nos briefings diários que se nota o brilhantismo intelectual do académico Poiares, graças a ele Passos Coelho brilhou na sua comunicação ao país. Dizer que Portas estava de acordo com a nomeação da Luisinha tóxica quando nenhum ministro do CDS esteve na posse é coisa que só lembraria a alguém tão inteligente. O mesmo se pode dizer da ideia de colher os frutos da política que segundo o próprio autor, o ex-ministro Gaspar, falhou em todos os campos. A ideia de manter um ministro que se demitiu faz lembrar os japoneses que não fazem o funeral aos idosos só para continuarem a receber a pensão, é uma ideia que só poderia sair da cabeça do brilhante Maduro.

 O estado da economia e da política
 
Quando um país substitui um doutorado na Nova por uma licenciada na Lusíada é porque a preocupação do primeiro-ministro não é a sua situação financeira. E para que um primeiro-ministro tenha esta visão do país só mesmo se for um licenciado na Lusíada.
 
 A remodelação

A remodelação não traduz qualquer mudança de política, aliás, significa que o governo vai deixar de pensar, dar como adquiridas as opções de Gaspar, limitando-se a mudar a responsabilidade pela execução. Se o "melhor aluno" da turma da Católica imagine-se a desgraça que vai ser a aluna da Lusíada.

O governo já não governa, limita-se a executar com grande incompetência as ordens da troika, Passos Coelho não governa para os portugueses, não é primeiro-ministro de Portugal, está preso ao poder por uma trela que lhe foi posta pela troika.
 
 Estranha forma de se demitirem
  
Quando se demitiu o Miguel Relvas fez um longo discurso onde explicou como inventou o Passos Coelho. Agora é o Gaspar que se manifesta muito grato a Passos Coelho e demite-se para o ajudar a carregar o pesado fardo. Nunca os ministros se demitiram com cartas publicadas na comunicação social minutos depois de conhecida a demissão ou com longos discursos transmitidos em directo pela comunicação social.

 Começou a incineração do Gaspar

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Aquele que ra um herói vai ser agora exibido como o responsável de todos os males, aquela que até há poucos dias era pertencia à mesma equipa e era uma fiel executora aparece agora como a salvadora. Melhor do que isto só nos tempos da ex-URSS de Estaline.

 Já se sente a mão do Lomba

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Eis que a comunicação social é inundada de notícias sobre a meta do défice sem qualquer indicação da fonte! Todos os jornais repetem o que o Lomba disse mas sem referência ao autor, a partir de agora é assim, sabe-se o que o Lomba disse, que foi o Lomba que o disse, mas divulga-se dizendo que foi o governo que disse.

 Nos circos não há só palhaços
 
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 O confessionário
   
«De estimulante importação da ficção televisiva a iniciativa irrealista e ingénua proposta por um académico recém-chegado não só ao Governo, como à política (Poiares Maduro), a ideia de o Governo realizar ‘briefings' diários deixou muitos espantados, inclusivamente no Conselho de Ministros. Durante algum tempo muitos alimentaram a dupla fábula de que o problema deste Governo residiria no facto de decidir na essência bem, mas, infelizmente, comunicar mal, e que uma melhor comunicação permitiria que as pessoas compreendessem e aceitassem melhor as políticas levadas a cabo. Porém, não é possível que, depois de dois anos de governação, alguém ainda acredite que melhor comunicação compense a ausência de estratégia, de coordenação e de coesão no interior do Executivo, ou que melhor comunicação possa alisar conflitos provocados por políticas de empobrecimento justificadas por discursos divisionistas. Se essa crença subsiste, então quem a sustém não sabe o que é um Governo; pior, não sabe o que é política (durante muito tempo, este Governo gozou da fama de comunicar mal porque, concentrado no essencial, orgulhava-se de não ceder à atração pela propaganda dos governos Sócrates. O que se diria destes se gastassem tempo e atenção políticas, e colocassem membros de governo a responder, em ‘briefings' diários, a perguntas previamente enviadas pelos jornalistas?).

Os ‘briefings' funcionarão essencialmente como um dispositivo de auto-controlo e compromisso: serão rituais diários de renovação da concordância dos ministros e dos secretários de Estado que nelas participarem com as medidas do governo, precisamente no momento em que se aproxima o momento de as mais divisórias ficarem inscritas em lei. Por muito que, em privado, tenham dúvidas e alimentem fugas de informação, os membros do executivo serão chamados, todos os dias e em público, a garantir de viva voz, perante Passos e o País, a defesa dessas políticas. A tortura será tal que duvido que este exercício punitivo esteja ainda em vigor quando, daqui a 100 dias, o governo apresentar na Assembleia da República o Orçamento de Estado para 2014.» [DE]
   
Autor:

Hugo Mendes.
      
 O'briefing' de Maria Luís Albuquerque
   
«Quem se interessa pelos problemas sérios desta sociedade terá ignorado a novidade: os briefing (a tradução literal deste termo inglês é "instruções") que todos os dias úteis, às 12 horas, serão dados aos jornalistas pelo Governo. Ontem foi o primeiro.

Às 10 da manhã os jornalistas credenciados foram avisados: o tema a tratar duas horas depois seria o dos swaps (tradução literal: "trocas") e estaria lá a secretária de Estado Maria Luís Albuquerque.
Pedro Lomba, o mestre de cerimónias destes eventos, graduado em secretário de Estado, recebeu os antigos colegas de profissão e explicou as regras: uma delas era que poderia acontecer haver momentos em que as declarações feitas aos 30 ou 40 jornalistas presentes seriam em on (que mania têm pelo inglês!) e poderiam ser publicadas identificando a fonte da informação ou, em alternativa, em off (irra!), situação em que as ditas declarações passariam a ser citáveis sem atribuição de fonte.
Acontece que à hora em que Maria Luís Albuquerque comunicou aos jornalistas as suas "instruções" sobre o problema das "trocas" financeiras tóxicas em empresas públicas juntou, em on, a declaração de que não recebera de Vítor Gaspar informação sobre a matéria, passada antes pelo ministro das Finanças de José Sócrates, Teixeira dos Santos.

Três horas depois a TSF noticiava que Vítor Gaspar se demitira. Quatro horas depois o Governo comunicava que esta senhora era a nova ministra das Finanças.

Talvez hoje o mestre de cerimónias, na nova sessão de colocação de notícias, diga, em off, qualquer coisa que esclareça esta questão: sabendo, certamente, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, à hora do briefing, que a doutora Maria Luís Albuquerque já era ministra das Finanças, porque a deixou fazer exercício tão hipócrita, ainda por cima para "enterrar" o seu antecessor? Que feio!

Talvez hoje ou, quiçá, amanhã o mestre de cerimónias nos apresente a ministra que ontem era secretária de Estado para esta, então, explicar porque aceitou fazer tal figurinha. Porque não se adiou a cena?

Sempre que oiço um governo prometer melhorar a comunicação penso que estão a enganar-me. Este Governo, no entanto, não engana. Porquê? Porque o problema deste Governo não é, a sério, um problema de comunicação.

O problema deste Governo é de conteúdo, carácter, competência, ideologia e política. Esta nova ministra, vê-se, comunga de todo este projeto global e, portanto, nada de essencial mudará no Governo com a saída de Vítor Gaspar. O briefing de ontem foi, portanto, muito útil porque comunicou esta mensagem muito bem.Venham mais.» [DN]
   
Autor:
 
Pedro Tadeu
     
 O primeiro-ministro demitiu-se ontem
   
«A eminência Gaspar, primeiro-ministro de facto deste governo, demitiu-se ontem e comunicou ao primeiro-ministro de direito - o seu duplo Pedro Passos Coelho - que perante o falhanço do ajustamento cada um tem de assumir as suas responsabilidades. A carta de Gaspar a Pedro Passos Coelho é um monumento político: Vítor Gaspar assume em pormenor o falhanço das políticas que o governo levou a cabo e decide-se pela retirada de cena, não sem responder aos seus críticos no interior do executivo, afirmando que sem ele a possibilidade de o governo se manter coeso aumentou exponencialmente.

Certamente Gaspar percebeu que a sua espécie de mea culpa e assunção de falta de credibilidade acabam por ser, na prática, uma justificação para a demissão em bloco do governo. Gaspar era um problema, mas não é o problema - todos os seus falhanços macroeconómicos são partilhados pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que ainda é quem institucionalmente manda e por uma Europa em alucinação colectiva.

Ao assumir o ónus da culpa - nomeadamente o da "queda da procura interna", uma consequência óbvia de um programa de ajustamento deste género mesmo para um não economista - e ao comunicar publicamente a Passos Coelho que sem ele o primeiro-ministro poderá "reforçar a sua confiança e a coesão da equipa governativa", Gaspar opta na hora da despedida pela ironia (misturada com arrogância) com que tantas e tantas vezes se dirigiu aos deputados. O que Gaspar proclamou ontem ao povo é que o governo falhou as suas metas e tem que assumir as responsabilidades pelo seu falhanço. E nem as referências ao "tempo do investimento" - com um curioso ponto de exclamação - e ao "fardo da liderança" que agora é deixado a Passos Coelho podem ser lidas se não à luz da ironia gaspariana.

A escolha de Maria Luísa Albuquerque para sucessora do ministro das Finanças é uma cabal demonstração de que o governo está a viver os seus últimos dias. O envolvimento da secretária de Estado no escândalo dos swaps faria dela a última hipótese para o cargo, se vivêssemos tempos normais. Como qualquer primeiro-ministro na decadência, Passos Coelho já não tem outra margem de manobra senão recrutar no seu círculo íntimo. Infelizmente para todos nós, a queda do governo será uma excelente desintoxicação, mas não resolverá o problema na raiz - o PS de Seguro terá de se confrontar com os mesmos loucos que governam a Europa, o mesmo euro disfuncional e a sua margem de mudança será, infelizmente, reduzida.» [i]
   
Autor:
 
Ana Sá Lopes.
   
   
 Baixo nível
   
«"O Governo mantém as metas, sendo que, caso seja necessário, por motivos decorrentes da conjuntura, e caso seja viável no contexto da negociação com os nossos parceiros internacionais", afirmou fonte oficial do executivo PSD/CDS-PP.

Esta posição foi assumida no contexto de mudança da chefia do Ministério das Finanças, que passará a ser assumida por Maria Luís Albuquerque, na sequência da demissão de Vítor Gaspar.

A mesma fonte oficial do Governo frisou que um eventual processo de revisão de metas "nunca será feito na praça pública".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

A nova equipa das Finanças precisava de marcar a diferença em relação ao Gaspar e fê-lo da pior forma. Para dar ares de seriedade dizem que uma revisão das metas do défice não será feito na praça pública, mas dizem isto na praça pública e a coberto do anonimato. Começa muito mal a ministra das Finanças, a política económica deve ser tratada com seriedade e não como se fosse assunto para intriga.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se o mau começo.»
   
 Depois dos swap, as PPP
   
«Entre 2009 e 2012, Joaquim Pais Jorge foi director da Estradas de Portugal encarregado do Departamento económico e financeiro da Direcção de Concessões. Esse período abarca os dois últimos anos de José Sócrates no Governo e o início do mandato do actual Executivo. E inclui também a parte final da gestão de Almerindo Marques, que chefiou a Estradas de Portugal (EP) entre 2007 e 2011 e que é um dos alvos do relatório da comissão de inquérito às Parcerias Público Privadas (PPP): "A EP foi conivente com a opção política vigente, alheando-se do seu papel técnico de assessoria a uma decisão política bem fundamentada e consciente e massificou o recurso às Parcerias Público Privadas no sector rodoviário". Este relatório foi redigido pelo deputado social-democrata Sérgio Azevedo, foi considerado pelo CDS um "retrato fiel" dos acontecimentos e acabou mesmo por ser enviado para o Ministério Público por nele se considerar poder existir matéria de foro criminal.

O nome de Joaquim Pais Jorge suscita dúvidas ao PS. Hoje, no Parlamento, nos trabalhos da comissão de inquérito, o deputado Fernando Serrasqueiro perguntou se o novo secretário de Estado do Tesouro é "a mesma pessoa" indicada no relatório, considerando-o uma "peça fundamental na assinatura de contratos de renegociação" das PPP.» [DE]
   
Parecer:

Afinal os blys do Sócrates eram ... do PSD!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Já podemos chamar palhaço a Cavaco?
   
«O Ministério Público decidiu arquivar o processo do Presidente da República, Cavaco Silva, contra Miguel Sousa Tavares, por ofensa à honra, confirmou hoje o comentador à agência Lusa.

Admitindo que já foi notificado do arquivamento do processo, Miguel Sousa Tavares recusou, contudo, pronunciar-se sobre a decisão do Ministério Público, hoje avançada pela Sic Notícias.

A Procuradoria Geral da República abriu um inquérito a Miguel Sousa Tavares, a 23 de maio, na sequência de uma entrevista ao Jornal de Negócios na qual o comentador proferiu frases que, na altura, a PGR consideraou poderem ser suscetíveis de configurar um crime de ofensa à honra do Presidente da República.» [i]
   
Parecer:

Não é crime porque o MP concorda com Sousa Tavares?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
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