sexta-feira, julho 19, 2013

O compromisso manhoso

Bastaria a promessa de agendar a dissolução do parlamento para que um parido defensor dos valores democráticos rejeitasse esta manifestação de caudilhismo, é inaceitável que um Presidente da República use a duração da legislatura como instrumento de pressão ou de chantagem para que partidos democráticos negoceiem o que quer que seja segundo as suas condições.
 
Parece que a plataforma de salvação nacional começa pela negação da democracia, a alternância democrática só é aceite por Cavaco Silva se obedecer a um programa eleitoral comum a todos os partidos. Se Cavaco diz que não vale a pena realizar eleições porque a política será a mesma e depois promete eleições para daqui a um ano se os partidos chegarem a um acordo de políticas para uma década é porque só aceita as eleições se todos os partidos se comprometerem a irem a eleições para depois cumprirem o programa pré acordado.
 
E a que acordo devem chegar os partidos? Um acordo que permita ir aos mercados, que evite um segundo resgate e que garanta a continuidade desta situação, isto é, Cavaco Silva acha que na ausência de Vítor Gaspar os partidos devem dar garantias de que devem eternizar o seu programa económico e é isso que explica porque razão Cavaco deu posse a uma modesta economista como ministra das Finanças de olhos fechados e depois usa a proposta de remodelação governamental para forçar o PSD a negociar prometendo ao PS eleições um dias destes para que este partido alinhe.
 
Cavaco evoluiu do consenso para o acordo forçado, dantes queria consenso em torno das políticas, agora exige ao PS que apoie a política de Passos Coelho. Ao manter este governo e dizendo que o objectivo do acordo é a ida aos mercados é óbvio que Cavaco quer manter esta política. Cavaco tentou ignorar o Tribunal Constitucional e deu-se mal, agora quer neutralizar a Constituição obrigando o PS a transformar a maioria de direita em maioria constitucional.
 

Cavaco não tem autoridade e o seu mandato pouco mais tem sido do que apreciar o sorriso do gado bovino ou ir às Ilhas Selvagens para observar as cagarras. Os acordos assinados sob os seus auspícios não têm qualquer valor pois são desrespeitados pelo governo sem que da sua parte se veja qualquer reacção. O governo renegociou o memorando meia dúzia de vezes sem o conhecimento de ninguém e o que fez Cavaco Silva? O governo esqueceu os compromissos assumidos no acordo de concertação social e o que fez Cavaco? É ridículo ouvir agora Cavaco pedir aos partidos que ouçam os parceiros sociais, o mesmo Cavaco que aprece não ter ouvido os parceiros sociais queixarem-se de que o governo os ignorava.
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