sábado, julho 13, 2013

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Flor do Parque Florestal de Monsanto, Lisboa
    
 O porquê da decisão de Cavaco

Cavaco Silva não aceitou a remodelação proposta por Passos Coelho por receio de que os muitos milhares de fotocópias dos processos do ministério que Paulo Portas iria tirar, como fez em tempos no ministério da Defesa, poriam em causa as metas orçamentais acordadas com a troika!

 Haverá um limite para a calma do sôr Álvaro
 
Um  dias destes vai ser o Álvaro a perguntar se fica ou se vai já para o Canadá!
 
 Falta de educação presidencial é...

Emitir um comunicado enquanto o parlamento está reunido no mais importante dos debates anuais. Começa a haver a impressão de que a Dona Maria deu um golpe de estado e é ela a presidente, isto é mesmo um PREC da Dona Maria.
   
 Portas número dois e à direita do Senhor (na última ceia?)

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 Cavaco prescindiu da bomba H

Agora combate as crises políticas com bombinhas de Carnaval.

 Incompetência

Em muito pouco tempo Cavaco deixou cair a figura de mediador da crise, a sus proposta estava tão bem pensada que ninguém a percebeu e poucos dias depois já começa a sofrer alterações. Com o país à beira do colapso até parece que Cavaco entregou a presidência à Dona Maria.
 
 A "Carrasca" na versão inglesa da Wikipedia

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 Prova de morte
   
«Uma pessoa não se cansa de ler o discurso em que o político Cavaco Silva quis fazer prova de vida. A delícia começa logo na primeira frase: "Na semana passada, fomos confrontados, de forma inesperada, com uma grave crise política." Logo agora, que os partidos da coligação andavam a dar-se tão bem e nem tinha havido dois orçamentos inconstitucionais. E os resultados da governação? Joia. Aliás, os portugueses não podiam estar mais satisfeitos: tudo como deus com os anjos - é ver aquela salva de palmas na tomada de posse (ou será coroação?) do patriarca.

O segundo parágrafo também encanta: os portugueses, diz o político belenense, ficaram a saber o que sucede "quando se associa uma crise política à crise económica e social". Faltou acrescentar: "Os que nasceram depois de março de 2011, ou andaram perdidos no espaço." Ah, mas espera: esta crise é diferente das outras. E é por isso que não deve haver eleições antecipadas em setembro: porque teríamos um Governo de gestão durante dois meses e se isso sucedesse o mais certo, apesar de estar tudo tão no bom caminho, era levarmos com um segundo resgate (levar com o primeiro foi ginjas), além de que há "grande tensão e crispação entre as forças partidárias", pelo que seria difícil sair das urnas um Governo com consistência e solidez". Portanto, que sugere este político que foi dez anos PM depois de uma dissolução do Parlamento pelo então presidente Soares, que é PR há sete tendo feito tudo para que Sócrates se demitisse, e que ainda na semana passada, entre a demissão de Gaspar e a de Portas, certificou que quem manda governos abaixo é e só pode ser a Assembleia da República? Que deve haver eleições antecipadas não dentro de dois mas de 11 meses. E um acordo entre os partidos do Governo e o PS quanto ao rumo a seguir nos próximos anos - para isso a "grande tensão e crispação entre as forças partidárias" já não é problema, portanto.

Já quase tudo foi dito sobre esta proposta de um político que fala dos "agentes políticos" como se não fosse um deles; que andou os últimos dias a gozar com Passos e Portas (sendo bem merecido, é abjeto); que na prática demitiu o primeiro-ministro ao mesmo tempo que afirma manter o Executivo "a plenitude das funções"; que lançou o País numa campanha eleitoral de um ano apesar de querer transformar as eleições numa farsa; que trata dois partidos com assento parlamentar e mais de 20% dos votos como irrelevantes; que é difícil imaginar um cenário de maior confusão e instabilidade que o resultante deste pronunciamento. Mas talvez o mais saboroso de tudo seja que, ao propor o recurso a "uma personalidade de reconhecido prestígio que promova e facilite o diálogo" entre partidos, Cavaco esteja a assumir que não pode ser ele a fazer esse papel - que é o de Presidente. Não era que não soubéssemos; não sabíamos era que ele tinha noção.» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.
     
 A bomba
   
«Ao anunciar eleições antecipadas para daqui a um ano, o Presidente da República fez, na prática, o pré-anúncio da dissolução da Assembleia da República.

Não há como negar esta evidência: a partir de agora, pende sobre o Parlamento, e consequentemente sobre o Governo, uma bomba atómica em contagem decrescente. E isso muda tudo.
Diz o Presidente que, apesar da sua declaração bombástica, o Governo actual permanece em "plenitude de funções". Permito-me discordar: depois da intervenção assassina do Presidente, o Governo atingiu, isso sim, a plenitude das disfunções.

Vejamos: ainda abalado pelo fracasso reconhecido na carta de demissão de Vítor Gaspar e pela crise causada pela demissão (entretanto revogada) de Paulo Portas, o Governo viu o Presidente da República ignorar ostensivamente - ou seja, rejeitar com desprezo - a proposta de remodelação que o Primeiro-Ministro apresentou solenemente ao País como solução para a crise governativa.

Este facto não pode ser ignorado: para além do vexame público a que o Presidente sujeitou o Primeiro-Ministro e o proposto Vice-Primeiro-Ministro, a atitude de Cavaco Silva mantém em aberto a crise política e tem um significado óbvio: o Presidente retirou a confiança política ao Governo. Mais: ao anunciar eleições antecipadas para daqui a um ano, Cavaco decreta a caducidade da maioria parlamentar, converte o mandato do Governo num contrato a prazo e faz dele, na prática, um governo de gestão. E, como se não bastasse, o Presidente não dá sequer por adquirido que o actual Governo sobreviva até às próximas eleições legislativas, por alturas de Junho de 2014.

Pelo contrário, o Presidente admite expressamente a "morte súbita" do Governo ao abrir a porta a outras (enigmáticas) "soluções jurídico-constitucionais"! Há limites para o fingimento: depois do que disse o Presidente, este Governo tem o destino traçado e é tudo menos um Governo em plenitude de funções. E quanto mais depressa essa evidência for assumida, melhor.

Confrontado com o manifesto fracasso da solução governativa que ajudou a gerar, o Presidente da República resolveu, finalmente, lembrar-se do Partido Socialista. E eis que, de repente, uma crise que estalou no interior do Governo PSD/CDS, suportado no Parlamento por uma maioria absoluta, tem de ser resolvida pelo concurso do Partido Socialista! O mesmo Presidente que assistiu impávido e sereno à marginalização ostensiva do PS em sete revisões sucessivas do memorando de entendimento e em três documentos de estratégia orçamental, parece que descobriu agora, subitamente, a importância do envolvimento do PS para um consenso alargado na execução do Programa de Assistência Financeira. Acontece que isso ocorre já com o Governo feito em pedaços, com a economia mergulhada numa espiral recessiva, com 18% de desemprego, 10,6% de défice (no 1º trimestre) e 127% de dívida pública.

Pior: a iniciativa do Presidente sucede quando o Governo já se comprometeu com a "troika" a aprovar nos próximos dias mais um pacote de 4700 milões de euros de medidas de austeridade! 
Falemos claro: não há forma de reconstruir um consenso sobre a execução do memorando sem reconstruir o próprio memorando. Porque o memorando que existe já não é o que era: foi desvirtuado em sucessivas revisões que destruíram os equilíbrios da versão original, em nome de uma estratégia de empobrecimento e em obediência a uma cegueira ideológica, travestida de verdade científica.

Foi essa austeridade "além da troika" que, manifestamente, falhou. Ora, nenhum acordo será viável - e nenhum acordo valerá a pena - para insistir numa estratégia que falhou. É sobre isso que importa fazer escolhas. E é para isso que importa fazer eleições antecipadas. Eleições livres e justas. Porque nenhum acordo pode neutralizar o sentido das escolhas democráticas dos portugueses quanto ao futuro do seu País.» [DE]
   
Autor:
 
Pedro Silva Pereira.
   
   
 As aventuras nocturnas do Portas
   
«Segundo relata o jornal, já no início desta semana, Paulo Portas era “uma figura mais ausente do que presente” no Palácio das Necessidades. Antes de saber o veredicto do Presidente da República, o MNE já tinha tudo empacotado no seu gabinete e foi-se despedindo nomeadamente do pessoal do ministério e de embaixadores, descreve o jornal.

As noites, essas eram ocupadas em “viagens semiclandestinas por Lisboa”. Tratavam-se de “aventuras nocturnas pelo património do Estado na capital”, descreve o jornal.

Segundo o Público, Paulo Portas fez-se acompanhar por alguns dos seus colaboradores de confiança, tendo visitado “inúmeros edifícios em busca do lugar ideal para uma sede digna de vice-primeiro-ministro”.

Ontem, em dia de reunião de Conselho de Ministros, Paulo Portas acabou por faltar a boa parte da reunião. Dando um sinal de que está demissionário, o ministro dos Negócios Estrangeiros fez-se representar na reunião semanal do governo por Luís Morais Leitão, seu secretário de Estado.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:

Ridículo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Horta-Osório é o melhor banqueiro do mundo
   
«Para chegar ao banqueiro português que lidera o Lloyds foram avaliados bancos de cem países e compararam-se os resultados entre 1 de abril de 2012 e 31 de março de 2013. "Decisões duras tomadas em momentos críticos ajudaram a reavivar o Lloyds. Agora, Horta-Osório pode concentrar-se em fazer o melhor do maior banco do Reino Unido", disse o porta-voz da Euromoney.

Foram 12 meses difíceis, com momentos turbulentos e no limite da resistência, mas os resultados começam a estar à vista. A capitalização bolsista do Lloyds atingiu 55 mil milhões de euros, ombro a ombro com o Santander, maior instituição financeira da zona euro, onde trabalhou quase duas décadas. No último ano, as ações subiram 117% - e foi a melhor ação de banca no mundo nos últimos 18 meses -, a dívida caiu abaixo de 50 mil milhões de libras, quando há dois anos tocava os 250 mil milhões, e para o ano deve haver lucro.» [JN]
   
Parecer:
 
E começou a sua brilhante ascensão a olimpo da banca vendendo swaps às empresas públicas portuguesas, geridas por admiradores do seu sucesso.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Horta-Osório quanto ganhou com as swaps.»
   
 Pobre Mário Nogueira
   
«Em comunicado, a Fenprof acusa o MEC de não respeitar "os compromissos que assumiu" e de fazer um "aproveitamento abusivo (...) para incluir matérias que não foram sequer abordadas".

O despacho contraria "um dos mais importantes compromissos do MEC, assumido em ata negocial": não considerar como atividades letivas aquelas que, não correspondendo a aulas, se desenvolvem junto dos alunos, tais como coadjuvação ou apoios.» [JN]
   
Parecer:
 
É a segunda vez que o Crato o engana.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Informe-se o Crato que se volta a enganar o Mário é obrigado a casar com ele.»
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