domingo, junho 08, 2014

Semanada

Desde as europeias que não se sabia se Cavaco estava em funções ou tinha voltado a hibernar devido ao mau tempo que, como se sabem, na sua idade já deixa mossas. Tinha ido para a China, cumprindo mais um ponto do roteiro turístico-presidencial com que vai brindando a sua esposa, agora uma reputada especialista em assuntos da emigração e nunca mais se deu por ele. Não apareceu depois das eleições e nem deu pelo acórdão do Tribunal Constitucional, mas finalmente deu um ar da sua graça e tranquilizou o país, voltou ao exercício presidencial e tirou uma selfie com o pessoal da bola, só não sabemos que encomendou algum parecer sobre o assunto.
  
Deve ser da idade, Cavaco já não fala de mercados nem sugere ao país que se for obediente em relação ao seu governo podemos beneficiar de juros mais baixos, nem sequer festeja a saída da troika que, como se sabe, ele não desejou pois foi um defensor de uma saída amparada em muletas. Talvez por ter andado a tirar um curso acelerado de fotografia não soube que apesar das eleições que o derrotaram, do acórdão do TC que o desautorizou e da candidatura de Costa os juros baixaram, uma prova de que os seus conhecimentos de economia são mais úteis para ajudar os rendimentos familiares com negócios estranhos de acções do que para ajudar o país.
  
Quem anda com muito mais vigor do que no passado é o agora perigoso José António Seguro, primeiro foi o próprio a avisar que deveríamos estar preparados, depois foi o bajulador Beleza a dizer que nos cuidássemos pois agora iríamos conhecer o Seguro. Ao que parece o choninhas Seguro não é a moleza que todos vimos na oposição a Passos Coelho, deverá ter tomado uma overdose de Viagra e a crisálida de borboleta do largo do Rato transformou-se no Leão da Estrela.
  
Quem não aprece com muito medo de leões é o António Costa que preferiu o Porto a Lisboa para apresentar a sua candidatura. Ao mesmo tempo que as sondagens anunciam o funeral da actual liderança e enquanto o aparelho do partido vai abandonando Seguro o futuro líder do PS mostra a Seguro que fazer oposição não é aguardar por uma alternância promovida por eleitores enjoados, mas sim apresentar um projecto alternativo e esse projecto significa haver alguém em quem os eleitores confiam.
  
E enquanto Seguro não abandona a liderança do PS decidindo pedir aos simpatizantes do PSD uma aclaração sobre quem eles querem como candidato a primeiro-ministro, Passos Coelho dirige-se ao TC para pedir umas explicações técnicas sobre como cumprir o acórdão e sobre como adoptar medidas inconstitucionais sem que este tribunal se pronuncie contra. Isto faz lembrar o velho anúncio televisivo da Aguardente Aldeia Velha, “Ai não tem Aldeia Velha, então dê-me um pastel de bacalhau”.
 
Com a grandiosa vitória do choninhas nas eleições europeias e quando os eleitores estavam rendidos ao novo discurso com Viagra de Seguro estavam reunidas as condições para um grande tsunami eleitoral que levaria o PS à maioria absoluta. O chumbo do TC permitiu a Seguro mostrar ao país a sua nova versão primavera-verão, um líder do PS combativo e a quem se deve o chumbo constitucional. Mas tinha de aparecer o fantasma de Sócrates disfarçado de António Costa e estragar tudo, o PS caminha para menos de 30%. Este António Costa é mesmo um desmancha prazeres.


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