terça-feira, junho 10, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Ninhos de andorinhas, Vila Real de Santo António
  
 Jumento do dia
    
Cavaco Silva

O ainda e para mal dos nossos pecados presidente (com letra minúscula para poupar nos tinteiros) é reconhecidamente o mais incompetente da República Portuguesa e claramente o prior desde que há democracia. Para quem se julgava uma santidade vai ser um fim de mandato muito penoso. Será que Cavaco vai ter o discernimento necessários para perceber que o único bem que pode fazer à democracia portuguesa é resignar?

«O Presidente da República recupera uma décima no capítulo da popularidade em relação a Março, mas continua a fechar a avaliação dos portugueses com nota negativa. Este mês, Cavaco fica nos sete valores, com quase metade dos inquiridos (47,6%) a não ir além deste patamar.

Quando o inquérito deste mês foi feito, o Tribunal Constitucional tinha acabado de chumbar três das quatro normas do Orçamento do Estado deste ano sujeitas a fiscalização sucessiva da constitucionalidade. A tensão entre o governo e os juízes do Palácio Ratton ainda não tinha arrancado e os portugueses poderiam apenas esperar uma palavra do Presidente em reacção aos resultados das eleições. O silêncio de então só foi quebrado sexta-feira.

Entre o seu pior (6,1, em Dezembro de 2012) e o seu melhor (oito valores, em Julho do ano passado), Cavaco Silva nunca conseguiu descolar das avaliações negativas. Ainda assim, este mês há menos 4,3% dos portugueses que optam pelo conjunto de notas mais negativas.

Entre os oito e os 13 valores, 38,8% dos inquiridos concede nota intermédia a Cavaco, contra os 13,6% de participantes que concedem a nota mais alta ao chefe de Estado (mais 0,9% que em Março).» [i]
 
 Ainda bem que não uma crise política

A esmagadora maioria dos portugueses gostaria de ver pelas costas o primeiro-ministro, o presidente e o líder da oposição, mas vivermos em estabilidade porque isso é, como diria Cavaco Silva, o normal nos países europeus. O nosso único problema é a falta da apetência da oposição para assinar de cruz as políticas de um governo louco.
 
      
 A tempestade perfeita
   
«Numa tarde morna de Abril de 2010, ali para os lados de Cascais, no primeiro discurso como presidente do seu partido, no encerramento do congresso que o entronizou, Passos Coelho concentrou as suas palavras na urgência de uma revisão constitucional. O país que ele queria não se podia construir com a Constituição em vigor - informou. "Nós temos de mexer na Constituição. Vamos rever a Constituição e vamos fazê-lo depressa" - disse do alto da tribuna, fazendo ecoar na sala uma estrondosa ovação. A crise europeia das "dívidas soberanas" ainda não tinha entrado na narrativa política, nem um pedido de resgate se adivinhava ainda. O que estava em causa, naquele discurso, mais do que uma revisão constitucional, a qual sabia não ser possível concretizar, era apontar uma clara proposta de alteração do regime democrático em que vivemos desde a aprovação da Constituição de Abril de 1976. Só faltou, para ilustrar capazmente o ambiente daquele congresso, o apelo a uma nova Vilafrancada, a revolta dos absolutistas que revogou a Constituição liberal de 1822.

O confronto do governo de Passos Coelho com o tribunal Constitucional, assumido desde a primeira declaração de inconstitucionalidade, no orçamento de Estado de 2012, não é acidental. É sistemático. Faz parte de uma estratégia de quem mal compreende o que é a democracia e o Estado de Direito. E de quem procura o desgaste daqueles a quem, na arquitectura do regime, foi conferida a competência para fiscalizar a conformidade com a Lei, dos actos do governo. As declarações de Passos Coelho, na semana passada, não são, por isso, de estranhar. São recorrentes. Estas invectivas fazem parte do código genético ideológico desta direcção do PSD. Só que desta vez, o barítono subiu o tom até roçar a arruaça. Se o nosso rei absolutista, D. Miguel, usou contra os defensores da Constituição de 1822 a expressão "pestilenta cáfila", Passos Coelho não lhe ficou atrás nas suas diatribes contra os juízes do tribunal Constitucional. E fê-lo, agora, da forma mais desbragada, sem usar do respeito que usa nas relações com outros órgãos de soberania, nomeadamente o presidente da República. Desta vez, Passos Coelho foi mais além, protagonizando um folhetim que ainda não acabou, porque quis dar motivos para que se entendesse que o "regular funcionamento das instituições democráticas" estava em causa. Os partidos do governo "querem levar o mandato até ao fim", mas no estado em que o maior partido da oposição se encontra, se lhes antecipassem as eleições para Outubro deste ano, agradeciam. No entanto, o inquilino de Belém, zelando pela sobrevivência da sua imagem de "velho do Restelo", não parece estar disponível para lhe fazer a vontade, o que faz da afronta de Passos Coelho aos juízes do constitucional um doloroso episódio gratuito.

Como se não bastasse esta persistente delinquência anticonstitucional do governo, o maior partido da oposição suspendeu ou hibernou para reiniciar a sessão lá para o Natal, na melhor das hipóteses. Perante uma crise política interna, a qual exigia uma rápida clarificação, com a marcação de eleições directas e um congresso, o ainda secretário-geral dos socialistas enveredou por um caminho dilatório e estouvadamente improvisado, cujas consequências podem ser desastrosas para o PS.

Há quem pense que os portugueses são gente de brandos costumes, e que nem Passos Coelho, nem António José Seguro, dirigentes políticos que têm a inteligência de quem aprendeu a ler nas páginas literárias dos jornais "povo livre" e "acção socialista", conseguem subverter a "tranquilidade" das últimas décadas: ora agora governo eu, ora agora governas tu. Pode não acontecer, mas as condições para a tempestade perfeita estão a ser reunidas: a implosão do xadrez partidário que moldou o nosso regime democrático.» [i]
   
Autor:
 
Tomás Vasques.
   
   
 Seguro ainda não se demitiu?
   
«António Costa é o homem que a larga maioria dos inquiridos gostaria de ver à frente do PS. Seguro tem repetido que foi ele o eleito para comandar as hostes socialistas, mas, entre os eleitores, a preferência recai claramente sobre o presidente da câmara de Lisboa, de acordo com o barómetro i/Pitagórica de Junho.

A menos de um ano e meio das eleições legislativas - admitindo que o calendário eleitoral se cumpre como previsto -, mais de seis em cada dez inquiridos (60,5%) confessa que António Costa seria "melhor líder do PS, neste momento". Seguro chegou à liderança do partido em 2011, com a saída de José Sócrates. Costa esteve para avançar desde essa hora, mas a principal autarquia do país serviu de pretexto para que o ex-ministro tivesse recuado. No início do ano passado, segunda falsa partida. Em Janeiro, quando já tudo se posicionava no PS para que Costa defrontasse Seguro na disputa pela liderança, o autarca recuou. O Documento de Coimbra e alguns lugares na Comissão Nacional para os opositores internos apaziguaram o clima. Até ao final do mês de Maio. Hoje, no entanto, Seguro não colhe o apoio de mais de 18,2% dos inquiridos, quando se trata de escolher aquele que seria o melhor líder socialista para o momento que o país atravessa. É menos de um terço do número de inquiridos que assume a preferência por Costa.

ELEIÇÕES, JÁ! O actual secretário-geral socialista acabou por assumir o papel de principal rosto da oposição a um governo que conduziu o país ao longo de três anos de aperto financeiro contínuo e progressivo. Mas, com o salto em frente de António Costa, esse tempo terá chegado ao fim, na opinião de quase dois terços dos inquiridos. O presidente da câmara de Lisboa avançou para disputar o leme do partido; Seguro elevou o tom - "Habituem-se, porque isto mudou" - e surpreendeu, ao propor eleições primárias, não para secretário-geral, mas para o lugar de candidato a primeiro-ministro do PS. Entre ajustes de posição, vão passando os dias, e isso não agrada aos eleitores.

A maioria (56,3%) defende a marcação de eleições internas imediatas. Nesse capítulo de gestão do calendário socialista, apenas 29,2% entende que o secretário-geral em funções deve permanecer no cargo até ao próximo ano, dando a Seguro a possibilidade de disputar o cargo de primeiro-ministro em eleições legislativas. Com a defesa de primárias, Seguro procurou dar um sinal de confiança na sua eleição porque os portugueses conhecem as suas propostas para o país. Mas, entre os inquiridos que querem ver Costa e Seguro num frente-a- -frente no curto prazo, destaca-se o facto de estarem sobretudo os eleitores que, em 2011, votaram PS ou CDU.» [i]
   
Parecer:

Pelos vistos prefere ser assado no madeiro de Penamacor.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Seguro que saia com alguma dignidade..»
  
 O Paulinho das feiras finas
   
«O vice-primeiro ministro assegurou hoje, em Santarém, que "não haverá ruturas nem demoras" na passagem de um quadro comunitário para outro em relação aos apoios para a agricultura, adiantando que foram apresentadas 9.000 candidaturas que garantem essa continuidade.» [DN]
   
Parecer:

O Paulinho das feiras deixou de ir a qualquer feira, agora já só aparece naquelas em que tem garantias de que não e vaiado, só vai às feiras dos latifundiários e ganadeiros.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
     

   
   
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