sexta-feira, junho 13, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Flor de marcela, Praia do Cabeço
  
 Jumento do dia
    
Maria Luís Albuquerque

A ministra escreveu à troika e nada disse aos portugueses, escreveu no dia seguinte às eleições europeias e foi necessário esperar um mês para que tal facto fosse tornado público, mesmo assim a ministra nãoi teve a coragem de tomar posição em público e mandou uma cópia da carta ao Expresso.

«A receita abaixo do previsto na Segurança Social, as transferências mais altas para os hospitais-empresa e a revisão em baixa das rescisões por mútuo acordo no Estado são três variáveis que anulam a folga herdada do fecho das contas de 2013 e o comportamento melhor do que o previsto da economia, identifica o Governo na carta de intenções enviada ao FMI.

Na carta - assinada pela ministra das Finanças, pelo vice-primeiro-ministro e pelo governador do Banco de Portugal - as autoridades portuguesas mantêm o compromisso de cumprir a meta de 4% do PIB fixada para o défice orçamental, mas revelam que, a meio do ano, o Governo perdeu a vantagem trazida de 2013.

A carta foi enviada um dia depois das eleições europeias e antes do chumbo das reduções salariais deste ano pelo Tribunal Constitucional, o que sugere que o exercício orçamental deste ano será mais apertado do que previsto em Janeiro.» [DE]
 
      
 A iconomia
   
«Há uma empresa em Felgueiras que fez o contrário do que a troika exigiu: não desceu salários, subiu; não despediu pessoas, contratou; não parou de investir para se desendividar, gastou em mais e em melhor tecnologia, não parou de trabalhar as suas marcas, gastou dinheiro a pensar no assunto e a posicionar--se nos mercados internacionais. E subiu os preços, não os baixou.

Hoje, esta empresa, a J. Moreira Lda., chegou onde a troika queria - dizia querer - que o País chegasse: ganhou quota de mercado, vende para o mundo inteiro (só os italianos conseguem vender sapatos mais caros que os portugueses). A J. Moreira Lda. é um êxito no meio de muito fracasso. Não é a única assim, embora seja um bom exemplo. Em 2013, as empresas de calçado venderam 1,7 mil milhões de euros para o exterior e, desde 2010, a indústria tem mais 10% de pessoas a trabalhar. Cresceu no meio da crise.

Como é sabido, a chamada des-valorização interna foi a resposta automática do FMI para um país que não pode desvalorizar a moeda. A ciência económica ficou assim reduzida à sua expressão mais simplória. Para quê complicar?, pensaram FMI, BCE e Comissão Europeia, até porque, na verdade, os salários tinham crescido acima da produtividade na última década.

É evidente que o fator trabalho (custo) é relevante para a competitividade de uma economia e de qualquer empresa (embora não seja o único) e que, por isso, a moderação salarial era provavelmente inevitável na maioria dos sectores. O que não se entende é que hoje, depois de os salários terem sido longamente congelados no Estado, depois de as remunerações terem sofrido cortes violentos, depois de terem saído pessoas como nunca da função pública para a reforma ou para o desemprego, depois de o sector privado ter despedido e continuar a despedir e ter cortados salários e benefícios, depois de as horas extraordinárias terem sido reduzidas e de mais de 200 mil pessoas terem emigrado... depois de tudo isto, como é que ainda se pode acreditar que o caminho é cortar ainda mais?

Na J. Moreira Lda., as receitas subiram para 14 milhões anuais e duplicaram nos últimos quatro anos. Os menos de 170 trabalhadores em 2009 são hoje mais de 200. Uma delas é Sónia Carneiro, que trabalha há 16 anos na empresa e que nunca deixou de receber aumentos salariais. A troika (que ainda cá está e não apenas em espírito), o Governo e muitas empresas privadas deviam pôr os olhos neste exemplo. É fácil dizer que as pessoas estão sempre em primeiro lugar, difícil é mostrá-lo nas decisões. O facto de um homem morrer por uma causa não faz dela uma causa certa.» [DN]
   
Autor:
 
André Macedo.
   
   
 Governo e Banco de Portugal reconhecem falhanço
   
«A receita abaixo do previsto na Segurança Social, as transferências mais altas para os hospitais-empresa e a revisão em baixa das rescisões por mútuo acordo no Estado são três variáveis que anulam a folga herdada do fecho das contas de 2013 e o comportamento melhor do que o previsto da economia, identifica o Governo na carta de intenções enviada ao FMI.

Na carta - assinada pela ministra das Finanças, pelo vice-primeiro-ministro e pelo governador do Banco de Portugal - as autoridades portuguesas mantêm o compromisso de cumprir a meta de 4% do PIB fixada para o défice orçamental, mas revelam que, a meio do ano, o Governo perdeu a vantagem trazida de 2013.

A carta foi enviada um dia depois das eleições europeias e antes do chumbo das reduções salariais deste ano pelo Tribunal Constitucional, o que sugere que o exercício orçamental deste ano será mais apertado do que previsto em Janeiro.» [DE]
   
Parecer:

O que é feito das receitas resultantes do aumento do emprego tantas vezes badalado pelo governo?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Lambretas.»
  
 O graxista
   
«"Do que conheço, parece a opção mais sensata", disse Ulrich, à margem da divulgação na bolsa de Lisboa dos resultados da oferta de troca de dívida do BPI em ações.

A ministra das Finanças anunciou hoje, no final do Conselho de Ministros, que o Governo abdicou de "receber o último reembolso do empréstimo" por não querer solicitar "uma nova extensão que reabrisse o programa com a 'troika'".

"É muito importante que isto seja percebido. O que nós deixámos foi de ter condições para receber a última 'tranche'. Por cerca de duas semanas acabámos por não poder alcançar esse resultado", explicou Maria Luís Albuquerque já na Assembleia da República. Portugal tinha a receber 1,7 mil milhões de euros do lado de Bruxelas e 900 milhões de euros pela parte do FMI.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Tem anda muito calado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
     

   
   
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