domingo, junho 29, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Estátua nalhão dos Combatentes da Grande Guerra, Cemitério do Alto de São João, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Marinho Pinto

Até parece que o eurodeputado não sabia ao que se estava candidatando e ficou surpreendido. Até apetece perguntar-lhe se decidiu doar o dinheiro que considera ser pago em excesso a uma instituição.

«Marinho e Pinto, em conversa com o jornal i, denunciou o dinheiro que é dado aos eurodeputados, no Parlamento Europeu, chegando mesmo a afirmar que se vive uma situação "aberrante", pois está a gastar-se o dinheiro dos contribuintes.» [Notícias ao Minuto]
 
 Seguro dá uma ajuda aos simpatizantes do PS

Enquanto tenta passar a imagem do lobo alfa Seguro desdobra-se em auto-elogios e até já tem ideias. É uma pena para o ainda líder do PS que António Costa não tenha aparecido mais cedo.
 
 Que estratégia para António Costa

Depois de inventar as primárias e de soltar os seus pitbulls e caniches contra António Costa o por enquanto líder do PS quer que António Costa passe o tempo a fazer debates televisivos na esperança de ganhar combates de vale tudo na versão partidária. A estratégia de Seguro é de alguém que luta desesperadamente por manter o seu pequeno tacho, não pensando em Portugal ou no seu partido.

Depois de ter montado um esquema de chapelada e de ter imposto as suas regras Seguros espera que António Costa faça o seu próprio jogo. Só que aqui as coisas mudam e António Costa deve ignorar os golpes sujos, as dentadas dos pitbulls e caniches do canil de Seguro e conquistar o país. O que está em causa não é o tacho de Seguro, é o país e o povo e o ainda líder do PS já teve mais de três anos para mostra o que vale e mostrou que não valia grande coisa.

Se Seguro queria mostrar o que vale em debates teve uma oportunidade de o fazer contra Passos Coelho de quinze em quinze dias, mas perdeu todos os debates quinzenais, assim como perdeu dezenas de oportunidades de apresentar propostas, de contestar as políticas. Ao fim de três anos nãop propôs nada e só agora começa a dizer o que pensava há três anos.

António Costa deve ignorar Seguro e evitar perder tempo com ele, o que está em caus aé conquistar o país, começar a construir uma alternativa séria e competente, abrir portas a compromissos com outros sectores e personalidades. Não é só o PS que está dividido, é o próprio país, de um lado estão os dois jotas e a sua fast política que prejudica a saúde do país, do outro lado está António Costa e muita gente à esquerda e à direita para quem é possível recuperar o país.

Seguro já teve 3 anos de oportunidades para mostra do que é capaz e foi o que se viu, três anos sem ideias, sem propostas e sem um novo rumo. A única coisa que Seguro conseguiu mostrar é que não passa de um sucedâneo de Passos Coelho, está para este assim como a chicória está para o café.

 A diferença entre a selecção e o governo

Enquanto temos uma das piores selecções com o melhor jogador do mundo e sem banco, temos um dos piores governos do mundo com o pior primeiro-ministro da Europa e um banco ainda mais mal servido.

      
 Liderar de dentro do armário
   
«Pouca coisa revela tão bem a degenerescência burocrática dos partidos e a sua captura pela partidocracia do que o actual processo no PS.

É verdade, e toda a gente que conhece história e ciência política sabe-o, que o problema das oligarquias partidárias é inerente aos partidos políticos em democracia. Há cem anos de análises destes fenómenos, por isso não se trata de novidade nenhuma, mas como Michels não escreveu sobre o PS português talvez valha a pena olhar com atenção o que lá se passa, medidas todas as distâncias. E como o que lá se passa é relevante para a vida cívica portuguesa, muito para além das fronteiras das sedes partidárias – mais do que isso é um verdadeiro problema nacional da democracia e de Portugal que se reflecte na vida concreta de milhões de cidadãos –, encolher os ombros e dizer que é o “costume” nos partidos, “eles lá que se arranjem” é irresponsável.

Comecemos por uma nota prévia, um aviso a tempo por causa do tempo. Falar do processo do PS é essencialmente falar de António José Seguro e dos seus apoiantes, porque são eles com a sua maioria nos órgãos do PS que têm condicionado tudo. São eles os autores relevantes em todo o processo, a que apenas o acto inicial de contestação da liderança de António Costa pode ser comparado. E acrescente-se aquilo que todos sabem e que todas as consultas de opinião dizem de forma tão expressiva: para os portugueses, entre António Costa e António José Seguro vai uma diferença abissal em termos de opinião pública. Pode ser engano, pode ser um efeito mediático, pode ser tudo, mas existe sem ambiguidades. Os dois não são iguais, mesmo que a luta fosse apenas por estilos de liderança, que não é. Podem não ser claras e estar escondidas em muita retórica redonda, mas há diferenças programáticas, há diferentes sensibilidades e pulsões que apontam para caminhos distintos. O próprio Francisco Assis, apoiante de Seguro, enunciou no PÚBLICO um conjunto de perguntas que marcam diferenças tácticas e estratégicas. Mas não é essa a matéria deste artigo, ficando para outra altura essa análise.

Agora trata-se de compreender a natureza aparelhística nua e crua da resposta de António José Seguro à contestação de Costa e o que ela nos mostra sobre o estado dos maiores partidos portugueses, visto que se trata de uma reacção que não é distinta entre PS e PSD, só que agora se revela em todo o seu esplendor no PS. Já há muito escrevi aqui que, se António Costa ou Rui Rio contestassem as actuais lideranças, o seu prestígio social de pouco valia face ao acantonamento de aparelhos que se defendem até à última, mesmo que isso signifique perder eleições, desde que os seus poderes internos não sejam postos em causa, o que também significa o seu emprego. Na altura, referi que, mesmo assim, seria mais fácil essa contestação ser vitoriosa no PS do que no PSD. E, embora surpreendido pelo catálogo absurdo de truques que Seguro tem tirado da manga, continuo a achar que no PSD seria muito mais duro, porque há poder e a ruptura violenta do partido com a sua história, programa, e ideologia, logo com o seu eleitorado, tem facilitado a degenerescência aparelhística.

O que mostra à evidência o que Seguro e os seus têm feito no PS é algo que muitas vezes se compreende mal no aparelhismo: é que acima da força do partido e das suas oportunidades eleitorais de aceder ao poder, acima do “cheiro ao poder”, está o controlo interno do aparelho. Seguro não hesitou um segundo em castrar o PS por vários meses, numa altura crítica para a vida pública portuguesa, para adiar um confronto que pressentia ser-lhe desfavorável, arregimentar as suas tropas e encontrar uma panóplia de truques para tentar obter vantagem. E Seguro sabe, e se não sabe não está lá a fazer nada, que, se sair vitorioso deste confronto nestas condições viciadas, não só muito dificilmente ganha as eleições em 2015, com um partido esfrangalhado e um líder recusado pela opinião pública, como, se as ganhar, é para começar no dia seguinte a negociar com o PSD. Corre, aliás, o risco, que no PSD também se corre a um prazo mais dilatado, de criar condições para as primeiras cisões a sério nos partidos do “arco de governação”. » [Público]
   
Autor:
 
Pacheco Pereira.
   
   
 Não há pressa no CDS
   
«Uma frase colocada ontem no Facebook por um assessor de imprensa de Paulo Portas no CDS constitui a resposta do líder centrista à urgência já manifestada pelo PSD para que a questão da coligação entre os dois partidos para as próximas legislativas se defina "rapidamente". E a resposta foi: não há pressa nenhuma.

"Não é possível estar-se a discutir politicamente um Orçamento ao mesmo tempo que se discute partidariamente uma coligação", publicou o referido assessor, Pedro Salgueiro.» [DN]
   
Parecer:

O Paulo portas a pôr o Passos Coelho de marinada.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 A resposta aos ressabiados
   
«Segundo noticiou este sábado a TVI, históricos socialistas como Soares, Arons de Carvalho, Alfredo Barroso e Mário Mesquita revêem-se no texto onde se diz ser “indispensável que António Costa seja o candidato a primeiro- ministro”, por estar em “melhores condições externas e internas para ganhar as próximas eleições legislativas e oferecer a Portugal uma alternativa sólida, clara e de esquerda”.

Nuno Godinho de Matos, outro dos subscritores do manifesto, disse à TVI que considera o actual presidente da Câmara de Lisboa “uma pessoa mais sólida, mais preparada” do que António José Seguro, “e que se afirmou na política trabalhando em público e para o público”, enquanto o actual líder do PS “não tem curriculum”.

Depois de defender a "participação de todos" neste processo de "clarificação" do partido, os subscritores do manifesto apelam a que "o debate e o processo eleitoral decorram no cumprimento escrupuloso das regras democráticas, nomeadamente de transparência, lisura e respeito mútuo pelas posições de cada um".» [Público]
   
Parecer:

Sempre é gente a quem o país deve mais do que ao ressabiado do Neto que deve a fama ao ódio que tem a Sócrates, muito bem aproveitado pela comunicação social.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
     

   
   
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