sexta-feira, setembro 18, 2015

Avaliar um governo

Escolher um novo governo implica avaliar o seu programa e as suas propostas, mas se esse programa e essas propostas correspondem no essencial às mesmas propostas e ao mesmo programa do governo anterior isso pressupõe que o debate deve começar pelo desempenho do governo anterior. Se o candidato a primeiro-ministro é o primeiro-ministro em exercício é igualmente inevitável avaliar o seu desempenho e o seu carácter.
  
Por aquilo que temos visto á quem queira pular de 2011 para 2016 com o argumento de que este governo terá executado um programa que não era o seu. Em parte é verdade que o governo saído das últimas legislativas estava condicionado por um memorando que não só adoptava medidas restritivas no plano orçamental como impunha um conjunto de reformas. 
  
Quando Passos Coelho se candidatou a primeiro-ministro sabia quais os compromissos que Portugal tinha assumido e o seu partido esteve envolvido na sua negociação. Isso significa que não foi apanhado de surpresa, o seu programa contemplava as medidas do programa e foi público não só o seu apoio adesão a essas medidas como a intenção de as estender, ainda que tal intenção tivesse sido escondida dos eleitores. 
  
Assim, o que está em causa não é saber quem assinou o memorando com  a troika ou quem teve culpas na crise das dívidas soe ranas europeias, mal ou bem isso foi avaliado nas últimas legislativas. O que está em causa é avaliação do desempenho do governo e a qualidade das medidas que vinham na linha do memorando e que o levaram a níveis que não foram assumidos aquando da sua assinatura. 
  
O governo falhou em três vertentes distintas, na execução do memorando de entendimento, na competência com que governou e nas medidas com que pretendeu dar mais amplitude ás medidas previstas no memorando.
  
O governo ficou aquém em muitos domínios previstos no memorando. Uma das grandes chagas da sociedade e da economia é a morosidade da nossa justiça, morosidade que afasta muitos investidores. Neste capítulo o governo foi um desastre, não resolveu um único problema, promoveu reformas assente no Guia Michelin e o espectáculo do Citius foi o que se viu. O mesmo sucedeu com a reestruturação do Estado onde tudo ficou na mesma, apenas a administração fiscal foi mexida, mal e de forma incompleta pois foram ignoradas as metas do memorando em relação à eliminação de serviços de necessidade questionável.
  
O governo foi incompetente e tê-lo-ia sido mesmo sem memorando, é isso que explica a total ausência dos ministros nesta campanha eleitoral. Dizem que criaram emprego mas o Mota Soares anda escondido, que o SNS melhorou mas o Paulo Macedo não se deixa ver, a ministra da Justiça deu uma imagem de louca, do Miguel Macedo não é tempo para falar e a sua sucessora chega a ser ridícula, o Aguiar-Branco só deu barracas, como a do famoso drone do Alfeite, o Rui Machete só disse baboseiras, o Crato foi um desastre. Como estamos avaliando o desempenho dos governantes convém recordar ainda Vítor Gaspar, Miguel Relvas e Álvaros Santos Pereira, três desastres escondidos no armário.
  
Quanto aos resultados das políticas adoptadas por Passos Coelho e inspiradas em personagens como o anedótico sôr Álvaro, o netinho da Dona Prazeres que fugiu espavorido para um tacho no FMI e o falecido António Borges, foi o que se viu, um falhanço. A maior prova desse falhanço está no facto de Passos Coelho tentar atribuir o desastre ao memorando com a troika.


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