domingo, setembro 27, 2015

Semanada

As sondagens caminham para uma expressiva maioria absoluta da direita e devemos estar felizes por estarmos a uma semana das eleições, com a evolução das previsões eleitorais é bem provável que Passos Coelho também ganhasse as eleições em Castela, substituindo Rajoy e voltando a unificar a Península Ibérica, desta vez sob a bandeira portuguesa.
  
Perante uma projecção do défice altamente desfavorável, com 80 do défice “consumido” na primeira metade do ano o governo justificou-se dizendo que o segundo semestre costuma ser bom em receitas fiscais. Mas o governo esqueceu-se de dizer que em anos anteriores as decisões do Tribunal Constitucional deram lugar a um consumo acima das expectativas e de que foram promovidos perdões fiscais, que empolaram as receitas de Dezembro. Desta vez não há perdões, não há decisões generosas do TC e o governo tem um problema adicional que resulta da encenação do reembolso da sobretaxa. Para criar a ilusão de sucesso nas receitas fiscais estas foram empoadas com a retenção de reembolsos de impostos que agora ou são processados reduzindo as receitas fiscais ou vão penalizar as contas de 2016.
  
Depois da famosa saída limpa a próxima passagem do ano pode representar uma entrada suja em 2016, a manobra do reembolso da sobretaxa, os abusos na retenção de IRS em 2015, o buraco do Novo Banco são factores que condicionarão as contas do próximo ano. Com a dívida em alta o país fica mais perto de um segundo resgate do que já alguma vez esteve.
  
Manuel Moura Guedes deu uma entrevista ao jornal “i” onde afirmou, com aparente conhecimento de causa e aquele ar de quem sabe da coisa,  que o juiz Alexandre os tem no sítio, Agora aguardamos que a senhora nos diga como chegou a tão brilhante conclusão, se é um mero palpite u teve a oportunidade de proceder à obtenção de prova palpável junto do discreto magistrado.
  
O país ficou a saber que para se ser um super juiz e a Manuela Moura Guedes afirmar que os tem no sítio a melhor solução é reduzir ao mínimo ou mesmo eliminar os direitos de defesa dos arguidos. Enfim, um dia destes regressamos à Santa Inquisição.

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