domingo, setembro 27, 2015

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Castelo de Alomourol
  
 Jumento do dia
    
Catarina Martins

Catarina Martins diz que vale tudo na campanha da direita e do PS, só esquece que nesse vale tudo está um apoio descarado da direita ao Bloco de Esquerda na esperança de a coligação se apresentar como o "maior partido". Basta ler jornais como o Expresso ou o Observador para se perceber que a seguir ao PF a paixão da direita é o BE, aliás, como sempre foi. É divertido dizer dos outros que vale tudo e esquecer que até vale ser brinquedo da direita.

«A porta-voz do BE, Catarina Martins, afirmou hoje que PSD, CDS e PS estão a apostar numa "campanha vale-tudo", com pedidos de "poder absoluto" e, no caso da coligação, com promessas de estabilidade e proteção dos funcionários públicos.

"O vale-tudo da campanha eleitoral chega a este momento em que, a seis dias, começam a pedir maioria absoluta. A direita, já se sabe, quer o poder absoluto para ir ao pote da Segurança Social, como foi sempre, como quer continuar a ir [...], o poder absoluto para vender o país a retalho", afirmou Catarina Martins, num almoço-comício na Ribeira Grande, nos Açores.» [Expresso]

 Uma onda de vitória nas sondagens



 Falta de decoro

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A forma como um primeiro-ministro se refere a um colega e a um líder de um país aliado ultrapassa em muito o conceito de falta de dignidade.

 É muito mais do que uma questão da utilidade de um voto

Nestas alturas é usual falar de voto útil e com a direita unida em torno de um projecto extremista onde já nem Paulo Portas promete servir de amaciador de Passos Coelho, é na esquerda dividida entre os que pensam no presente e os que sonham com amanhãs no paraíso. Mas a brincadeira acabou e depois de quatro anos a governar já todos percebemos o que está em causa e ao que vem Passos Coelho. Todos sabemos o que une os banqueiros, os patrões da comunicação social, os donos da poderosas e influentes redes de distribuição alimentar, o accionistas da empresas do sector da energia.
  
O que está em causa não são mais dois ou três deputados que não vamos ouvir e que de dois em dois anos cedem lugar ao seguinte na lista. O que está em causa não é ver quem é mais forte ou aumentar a receita do partido com as ajudas do Estado ou as devolução ao partido de parte do vencimento. O que está em causa não ter mais ou menos porta-vozes das manifestações de rua. O que está em causa é muito mais do que isso e no dia seguinte às eleições não vamos ver se este partido conseguiu superar aquele, qual é o partido mais pequeno do parlamento, saber se o segundo candidato de um partido por Beja ou pelo Porto foi eleito, se a Catarina foi mais forte do que o Louçã ou se o Jerónimo de Sousa lembra o Cunhal.
  
O que vai estar em causa na noite do próximo dia 4 de Outubro é saber se os pensionistas podem ficar tranquilos no que resta das suas vidas, se os jovens devem continuar a ter a emigração como meta, se daqui a dois ou três anos ainda vale a pena arriscar a vida indo a uma urgência do SNS ou se não será melhor pagar o que nos pedem no Hospital da Luz, nos Lusíadas ou na CUF, se os funcionários públicos podem ter segurança nas suas decisões sem serem surpreendidos por cortes para compensar desvios colossais inventados ou de que não são responsáveis, se o país pode confiar nas suas instituições e os direitos dos cidadãos e os seus valores continuam a ter  a protecção de uma constituição respeitada.
  
É isto e muito mais que está em causa, é tudo isto que une a direita, que transforma a generalidade dos jornalista numa nova raça de canídeos, que faz os candidatos presidenciais da direita rastejarem perante o dono, que leva a direita a implementar a maior manobra de manipulação e de mentira. É porque tudo isto está em causa que a direita promove a imagem de personagens da extrema-esquerda, os que dantes eram a esquerda caviar passaram a ser a esquerda útil. Se há nestas eleições algum voto útil é aquele que sabendo estar perdido para a direita esta deseja que vá para soluções que viabilizam uma maioria de direita. Esse é mesmo o voto útil mas apenas para a direita, mas para a esquerda é um voto inútil, é um voto que já ajudou a direita afazer-nos o que nos fez e que pode ciar condições para que essa mesma direita nos faça tudo o que deseja fazer.

As soluções podem ser sonhos para amanhãs que já foram presente e muitos povos decidiram que devia ser passado ou para o presente, o presente são as crianças para quem queremos uma boa escola pública, os doentes sem recursos que queremos que sejam tratados com competência e dignidade, os reformados que queremos que sejam recompensados pelo que nos deram durante uma vida de trabalho, os jovens que queremos que enriqueçam e viabilizem o nosso país. Há dois votos úteis para, na perspectiva da direita é o voto que ajuda a viabilizar um governo de direita, na perspectiva do centro e da esquerda o voto só tem alguma utilidade para travar a direita no parlamento e com uma maioria parlamentar que trave este processo iniciado no dia em que ajudaram Cavaco a dissolver o parlamento.

      
 A mentira é uma homenagem à virtude
   
«De tanto trazer na boca a palavra democracia, a saliva enfraquece-a. Mas ela reaparece sempre. Ah, essa poderosa Volkswagen apanhada agora como uma criança de beiços sujos, tentando esconder o pote de doce atrás das costas... Não, essa imagem não chega, é mera mentira. A Volkswagen não se limitou a mentir nas suas emissões de gases poluentes como punha, no pote, pão por baixo para o nível de doce não causar suspeitas à mamã. Claro, a Volkswagen era mais sofisticada, mas o esforço de esconder a mentira era a mesma homenagem à virtude. Nem todas as sociedades se dão a esse cuidado no vício: roubam e está a andar, sem estados de alma nem culpa. A democracia dá-nos a oportunidade destes momentos, raros, mas vingadores. Agora é quase comovente ver o ex-poderoso patrão Martin Winterkorn, fingindo surpresa, obrigado a demitir-se. Quase apetece não nos indignarmos com a indemnização de 28 milhões que ele leva para casa - podemos dar-nos ao luxo da generosidade porque agora os poderosos somos nós e só os fortes podem ser generosos... Saboreemos, porque o efeito é curto. Entretanto, não seria mal pensado ter em conta que o sistema é o melhor, mas não perfeito. As aldrabices da Volkswagen foram desmascaradas na América. A virtude da acusação pode ter sido (foi certamente) motivada pela concorrência. Mas não se veja nesta um vício: é exatamente o conflito de interesses que garante a caça contínua aos trapaceiros.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Vigarizados pelo BES e Companhia incomodam direita
   
«Um grupo de lesados do BES que já se tinha manifestado neste sábado de manhã em Marco de Canavezes voltou a esperar por Passos e Portas à tarde, em Paços de Ferreira. No jardim público, junto ao coreto, o local anunciado para o discurso, os ânimos estiveram exaltados, e havia muita tensão entre os manifestantes e os apoiantes da coligação Portugal à Frente (PaF).

Depois de se esperar mais de 40 minutos, o protesto acabou por obrigar os dois líderes a discursar noutro ponto do jardim. A GNR bloqueou a passagem dos manifestantes. Portas pediu “respeito”, Passos ignorou-os na intervenção e falou do apoio e da confiança na coligação. Mas o barulho ao fundo estava lá.

No programa, a acção de campanha em Paços de Ferreira estava marcada para as 16h30, mas no local a caravana anunciava a “presença de Passos Coelho e de Paulo Portas” (que tinha feito saber que iria faltar mas que acabou por não falhar) para as 16h00. Meia hora antes, pelo menos um elemento da caravana – ligado ao CDS – avisou o grupo em tom de ameaça que deviam abandonar o local, caso contrário chamaria as autoridades policiais.» [Público]
   
Parecer:

Mais do que lesados os emigrantes foram vigarizados pelo BES com a cobertura institucional do BdP, do governo e de Cavaco.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se justiça. e pergunte-se ao pantomineiro se já organizou o peditório que prometeu promover.»
  

   
 Eugene Remy
   
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