terça-feira, setembro 29, 2015

Umas no cravo e outras na ferradura

 Jumento do dia
    
Marcelo Rebelo de Sousa

Marcelo, o político, o professor, o benfeitor da aldeia, o bracarense, o ex-presidente do PSD, o comentador, o conselheiro, o putativo e eterno candidato presidencial, o amigo do Ricardo, o promotor e animador de jantares da alta sociedade, faz tanta coisa e assume tantos papéis que até parece sofrer de uma grave crise de personalidade.

Marcelo nã percebe que quem quer ser candidato de todos os portugueses deve fazer como os outros candidatos e não sujar as mãs com intervenções oportunistas na campanha eleitoral. Também não aprece perceber que é ridículo um ex-presidente do PSD dar conselhos paternalistas ao líder do PS.

Há muitos anos Marcelo foi candidato à autarquia de Lisboa e para dar nas vistas decidiu dar um banho no meio dos cagalhões flutuantes do Rio Tejo. A que parece tomou-le e gosto e nunca mais conseguiu viver sem dar estes mergulhos.

« seu comentário habitual na TVI, Marcelo Rebelo de Sousa avaliou a primeira semana de campanha eleitoral e considerou que António Costa cometeu vários erros que podem prejudicar o desempenho do Partido Socialista (PS) nas eleições do próximo domingo.

“O PS cometeu um erro de opção estratégica: optou pela esquerda e perdeu os 600 mil”, afirmou esta noite, referindo-se aos cerca de 600 mil votos que os partidos da coligação perderam nas sondagens, em relação a 2011. Segundo o professor Marcelo, o PS deveria ter aproveitado para “seduzir” esses eleitores hesitantes mas, ao optar por apelar ao voto “à esquerda”, esquecendo-se da direita, vai devolver esses votos ao PSD/CDS.

Esses eleitores “estavam disponíveis para aceitar uma proposta segura, certa, sem aventura, mas que desse mais esperança”, assegurou. “Mas esses 600 mil que estão hesitantes podem deslocar-se outra vez para a coligação, ou ficar abstencionistas, se a mensagem que ouvem é: 'Nós chumbamos um Orçamento se ganhar a coligação'.”» [Expresso]
  
 Tesourinhos norte-coreanos do Expresso
  
 photo _Tesourinhos_zpsvinpmc6r.jpg
  
O pessoal do jornal do PC da Coreia do Norte não teria feio melhor, ainda que duvido que sugerissem bolas de Berlim a uma gordinha.

 Ano de vacas gordas

O governo está muito aquém das metas do défice e tem condições para devolver a sobretaxa? O que o governo não explica aos portugueses é que a devolução será feita com receitas de 2016, isto é promete hoje e outros que paguem depois, quando tiverem que apertar o conto por causa do défice de 2014.

 A ilusão das sondagens

A evolução dos resultados da Eurosondagem para o Expresso comparando os resultados do PS como os do PSD juntos é a seguinte, desde Outubro de 2014:

 photo _grafico-1_zpssyhons2m.jpg


Facilmente se vê que praticamente não há alterações de relevo. O gráfico não revela nenhum crescimento da coligação, dado que o resultado publicado esta semana pelo Expresso é igual ao de janeiro e de abril de 2015.

Então porque é que toda a gente diz que António Costa tem vindo a desperdiçar a vantagem que tinha e que a coligação tem vindo a ganhar cada vez mais terreno?

Pelo simples facto de que até Abril se comparava o PS com o PSD, estando sempre o PS à frente, com uma vantagem de mais de 10 pontos percentuais (37,5% contra 26,7%), e que a partir de maio os votos do PSD passaram a estar somados aos do CDS.

É o esquecimento desta pequena mudança que produz a ilusão (mais uma) de que o PS está a perder votos.

O gráfico seguinte mostra os resultados da sondagem antes e depois do PAF:

 photo _grafico-2_zpso7908wib.jpg

O duo ilusionista.


 Um banco a custo zero, dizem eles

 photo _zero_zpswyhabd04.jpg


      
 Cantata em eme
   
«A campanha, do lado da coligação PAF é uma cantata em eme. Começa pela mentira, passa ao músculo, recolhe o maná, dedilha os acordes do medo, entra na mistificação e termina com a maré.

Mentira. Toda a história da chamada da Troika foi cultivada num caldo de mentira: a crise internacional de 2008 nunca existiu, foi apenas nacional; o PEC 4, apesar de aprovado por Bruxelas, pelo Banco Central Europeu e por Merkel em pessoa, era excessivo. Com os votos contranatura da ultra esquerda, o governo Sócrates caiu e a Troika tornou-se inevitável; apesar da satisfação de Passos e Catroga com o desfecho, e depois de se gabarem de ir além da Troika, ao fim de três anos ela tornou-se incómoda e renegada, passando para o PS a canga da chamada. Os erros e excessos, uns de fé cega, outros de incompetência, desgraçaram a economia, agigantaram o desemprego, desmantelaram a coesão social, forçaram a emigração qualificada, ampliaram a pobreza, alienaram da cidadania os mais fracos e menos vocais. Foram destruídos 420 mil empregos, criando-se apenas 130 mil, 2/3 dos quais a prazo. Como bem assinalou Fernanda Câncio, o Governo impôs cortes para 2015 a todas as pensões acima de mil euros, bem como 10% de punção às pensões da Função Pública acima de 600 euros; tentou reduzir, logo a partir de 2014, as pensões de sobrevivência. Toda a classe média baixa seria afectada. O Tribunal Constitucional opôs-se a essa sangria. À sua recusa e à reposição do 13º e 14º mês se deve a ténue recuperação económica. O ódio destilado contra o Tribunal Constitucional transformou-se em sanha contra os mais pobres, no corte dos apoios: entre 2011 e 2015, 63 mil perderam o abono de família, 69 mil perderam o complemento solidário para idosos e 112 mil perderam o rendimento social de inserção. De forma vil lançaram a comparação errada de universos diferentes: os seiscentos milhões de cortes em pensões a que o governo se obrigou com Bruxelas são 2,4 milhares de milhões em quatro anos, mas os 250 milhões anuais variáveis passaram a ser 1.050 milhões. Incauta e pouco atenta, a media engoliu o engodo. E o PS, o defensor último do Estado Social, passou a vilão da fita. Em vez de se preocuparem com a correção dos números e conceitos, muitos criticavam o PS por não vencer as barreiras que eles próprios lhe erguiam. Assistiram ao mal e colaboraram na caramunha.

Músculo. Financeiro, mediático e físico. A coligação PAF arranca com grandes meios: imensa frota de carros, enormes jantaradas, arregimentação de tropas jovens, pagas e treinadas para todo o terreno, disciplinadas e ambulatórias, moscas varejeiras nas redes sociais. Sempre que se receiam embaraços com descontentes, envolvem-se estes numa nuvem dissuasora de militantes e bandeiras. Os percursos evitam os pontos onde se concentra descontentamento. Os indignados do BES, apesar de desidratados e liofilizados, ainda resistem e incomodam. A cenarização torna-se dia a dia empolgante. Quando algum mais irado tem o arrojo de os interpelar, recorrem ao músculo, sem pensar que estão presentes operadores de imagem, como em Espinho. A voz dissonante abafa-se com murros de corpulentos senhores de fato escuro. Tal como no gulag, no terreno, a dissidência apenas é consentida a alienados mentais. O foguetório entrou no léxico da campanha, com a variada semântica da palavra maioria.

Maná. O Velho Testamento refere que Deus proveu o povo judeu, na travessia do deserto, com alimentação caída do Céu, ao longo de quarenta anos. Há diferenças para os tempos atuais. O maná não é ainda real, mas uma promessa e os quarenta anos foram reduzidos a quatro. Mas existe no imediato: contratos cirurgicamente surgidos, de uma época, para professores desempregados; remuneração complementar para médicos reformados que estejam dispostos a trabalhar em cadência elevada; médico de família a todos os portugueses, primeiro até ao fim deste ano, depois, até 2017; subsídios a mais turmas do ensino privado; cabimento para cirurgia ambulatória praticada em hospitais particulares, mesmo sem concurso; recursos para modernizar a tecnologia da Saúde, aqui e ali. Com grossos lapsos, como as senhas para uma colonoscopia, a cada 45 dias, exigindo madrugada e frustração. A nível macro, ficaram em promessas: anulação de 35% da sobretaxa do IRS, “se a execução fiscal estiver como estava em Agosto”; redução do défice abaixo dos 3%, mesmo que seja necessário atrasar por meses as devoluções de IRS e IRC. Impossível é prometer a redução do défice de 2014 e da dívida acumulada, depois do desfecho da não venda do Novo Banco. Que a venda se não tenha concretizado, nas condições negociais deprimentes em que era proposta, até será bom, mas afirmar, como Passos, que a demora rende juros ao Estado, ou que não causa mossa ao povo, já releva do imaginário celestial. E a procissão ainda vai no adro.» [Público]
   
Autor:

António Correia de Campos.

      
 E porque não aos 10 anos?
   
«No início, é só timidez. No fim, todos querem falar com a líder do Bloco de Esquerda sobre reformas, desemprego ou legalização da canábis. Não se pode dizer que a iniciativa da manhã desta segunda-feira na Escola de Hotelaria de Fátima tivesse sido pensada propriamente para captar os votos do dia 4 de Outubro, porque a maior parte dos alunos ainda não tem idade para ir às urnas. Mas para o Bloco deviam: se com 16 anos já podem trabalhar, se já têm responsabilidade criminal, também deviam poder exercer este direito.

No fim da visita às instalações desta escola, onde andam 320 alunos, há uma sessão e Catarina Martins desafia os jovens que tem à sua frente (cerca de 70) a expressarem as suas preocupações. Para variar, desta vez, a porta-voz ficaria calada e eles fariam as perguntas, partilhariam as reflexões sobre o país, sobre o futuro.

Catarina Martins garante que quer ouvi-los, mesmo que muitos ainda não votem – a maior dos alunos que frequentam esta escola profissional têm entre 15 e 18 anos. Tal como está no programa, o BE defende que se devia votar a partir dos 16 anos. Então, se já têm idade para trabalhar, responsabilidade criminal, se já podem ser chamados para cumprir serviço militar, por que razão não têm ainda direito ao voto?, questiona a porta-voz.» [Público]
   
Parecer:

Esta senhora tem mesmo vocação para os pequeninos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

   
   
 photo Lizaveta-1_zpsnddcbzj9.jpg

 photo Lizaveta-3_zpsshz9oiqr.jpg

 photo Lizaveta-2_zps39pvlcvv.jpg

 photo Lizaveta-5_zpseqexocfr.jpg

 photo Lizaveta-4_zpstfbaz1cm.jpg
  
blog comments powered by Disqus