sábado, junho 01, 2013

Que se lixem as eleições, disse ele

Num dos seus momentos de filosofia de Massamá o por enquanto ainda primeiro-ministro disse estar-se lixando para as eleições, parecia querer dar de si a imagem de um grande líder que faz o que for necessário fazer pelo país sem olhar a custos eleitorais, o mesmo é dizer que passando a imagem do homem que põe os interesses do país consegue dessa forma captar o apoio do povo. Como tem sucedido com todos os seus momento filosóficos Passos Coelho bateu com os burrinhos na areia e nunca mais repetiu a frase.
O problema é que ao longo da legislatura Passos Coelho tem demonstrado sempre um cálculo eleitoral que chega a ser cínico, para não dizer que chega a inspirar-se nas práticas políticas de Adolf Hitler, é o que sucede na forma com trata os funcionários como seres de segunda classe, acusando-os de todos os males e condenando-os a pagar a crise.
Passos Coelho não só está muito preocupado com os seus objectivos eleitorais, como está mesmo convencido de que o seu governo é indispensável ao país. É precisamente porque Passos e Gaspar estão a perder a noção da realidade que o famoso “que se lixem as eleições” podem ter vários significados.
Passos disse que se estava lixando para as eleições, e Vítor Gaspar acrescentou em pleno parlamento que “não fui eleito coisíssima nenhuma”. Um está-se lixando para o que povo possa escolher em democracia, o segundo revela um total desprezo pela condição de eleito pelo voto dos seus concidadãos. Passos Coelho tem Portas e Cavaco Silva na mã, vá-se lá saber porquê, governa sem respeitar qualquer promessa, programa ou compromisso eleitoral, está convencido de que durante quatro anos faz o que quer ao país. Por sua vez, é mais do que evidente que Gaspar acha que manda porque foi escolhido pelo ministro das Finanças alemão, e se perante os deputados se comporta com arrogância, ao lado do ministro alemão parece um gato capado.
Uma segunda interpretação mistura valores ideológicos, negócios pouco claros com agentes estrangeiros e a convicção de que a democracia é uma brincadeira para quem tem dinheiro. A tese fascista de que as eleições só poderão prejudicar o país e agravam a crise ganha cada vez mais adeptos. O problema é que os argumentos usados para evitar a realização de eleições antecipadas são tão válidos agora como o serão no fim da legislatura e quanto ao respeito dos princípios constitucionais já se sabe como esta gente se comporta, há várias teses fascistas, os chicos espertos dizem que a realidade é inconstitucional, os mais grunhos atacam os juízes do Tribunal Constitucional, os cobardes optam por ignorar a Constituição e o Tribunal Constitucional.

Mas em pleno século XXI só os doidos poderiam imaginar um Estado Novo, o que não quer dizer que neste governo não hajam doidos convencidos de que se o ministro alemão assim o desejar os portugueses obedecem. Pelo sim pelo não este governo tenta salvar-se, tenta gerir a economia segundo o seu calendário e sem olhar a custos, convencidos de que perderam o voto dos funcionários públicos decidiram chaciná-los com austeridade. O governo além de governar sem legitimidade, de desrespeitar as instituições democráticas, comporta-se de forma perversa.
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