sábado, junho 29, 2013

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Flor do Parque Florestal de Monsanto, Lisboa
 Ocupação ilegal da via pública?

Quantos portuguesas poderão estar juntos sem pedir autorização para organizar uma manifestação, serão quatro?



 Os trabalhos de Passos
   
«Diz o primeiro-ministro, em resposta à greve geral de ontem, que este país precisa é de trabalho. Sem trabalho, é certo, nada de jeito se faz. Mas é de trabalho digno, tratado com dignidade, que precisamos. Se há trabalho não digno? Então não há: o dos escravos, por exemplo. Podem os escravos ser dignos, e Epicteto, a grande referência da escola estoica, bem o demonstra, mas são-no apesar de serem escravos, da indignidade que tal implica.
  
Mas não é só o trabalho forçado que é indigno; há trabalhos voluntários, até entusiásticos, igualmente indignos. Como aquele que Passos, Portas, Gaspar e, não esquecer, Cavaco (se porque quer ou porque foi a isso forçado de qualquer forma é indiferente) estão a levar a cabo: o trabalho que tem como principal objetivo diminuir, escarnecer, defraudar, castigar, precisamente, o trabalho.
  
Disse Carlos Silva, o atual secretário-geral da UGT, em resposta a Passos, algo como "para falar sobre trabalho, é preciso saber o que é". Deu como exemplo os portugueses que trabalham pelo salário mínimo. Ora o problema não reside na questão populista de saber se Passos alguma vez na vida teve de se levantar às seis da manhã para ir para as filas de transportes públicos e para ganhar 485 euros antes de impostos. Sabemos que não, mas o essencial não é que nunca o tenha feito, mas que desrespeite quem o faz. O essencial é que, havendo muitos tipos de trabalho e de trabalhadores, o que Passos e companhia estão há dois anos a fazer é a trabalhar para que o valor daquilo que fazem, do que são, seja depreciado.
  
Para Passos, na sua cabeça povoada por slogans pseudoliberais, o salário deve ser idealmente uma coisa que depende do défice e dos juros da dívida e dos movimentos do mercado (a começar pela taxa de desemprego), flutuando de acordo com as conveniências do empregador e imune a quaisquer estipulações legais - essas só contam para contratos com bancos e consultoras financeiras. É esse o exemplo que dá, o sinal que transmite, enquanto empregador do sector Estado. O exemplo de quem quer, um a um, anular todos os direitos conseguidos em décadas de luta (luta, sim), do horário máximo de trabalho às férias pagas, do subsídio de desemprego ao salário mínimo.
  
O que Passos pensa do trabalho, de resto, ficou muito claro numa proposta que o seu PSD na oposição apresentou, a de obrigar os de-sempregados a trabalhar de graça. O trabalho como um castigo para madraços, como penitência; o trabalho como algo que se impõe, não livre escolha mas sentença. Eis a essência do seu pensamento - se tal se lhe pode chamar.
  
E por assim ser, concordemos com ele nisto: precisamos de trabalho, do trabalho. Trabalhemos juntos para o defender. E se greves gerais não resultam, puxemos pela cabeça. Porque temos um Governo a trabalhar, dia e noite, contra ele - contra nós.» [DN]
   
Autor:

Fernanda Câncio.
      
 Uma entrevista histórica
   
«A entrevista que Teixeira dos Santos deu esta semana à TVI é um documento histórico de enorme importância. Daqui para a frente, ninguém poderá fazer a história das razões que levaram Portugal ao pedido de ajuda externa sem referir este poderoso testemunho na primeira pessoa

de quem participou na construção de uma alternativa ao pedido de resgate e presenciou a formalização das garantias de apoio do BCE e dos nossos parceiros europeus ao PEC IV, entendido como solução para estancar o "efeito dominó" provocado pela crise grega. A mensagem foi clara: Portugal foi forçado a pedir ajuda externa porque, em plena crise das dívidas soberanas, as oposições à direita e à esquerda se coligaram para rejeitar um PEC que tinha obtido o apoio formal da União Europeia e do BCE.

A especulação sobre o que teria acontecido se o PEC IV tivesse sido aprovado é uma discussão estéril, que só pode conduzir a conclusões especulativas. Mas o testemunho de Teixeira dos Santos não veio trazer nenhuma especulação. Trouxe, isso sim, um facto histórico inquestionável, sem o qual a história estará sempre falseada. E o facto é este: havia uma alternativa ao pedido de ajuda externa e essa alternativa, rejeitada no Parlamento (ante a passividade do Presidente da República), contava com o apoio europeu. É claro, nada disto será novidade para quem ainda se lembra das palavras secas que Ângela Merkel dirigiu na altura a Passos Coelho ou da reacção dura da chanceler, em pleno Parlamento alemão, quando teve a notícia da votação ocorrida na Assembleia da República. Mas o certo é que estas banais evidências históricas são hoje recebidas como se fossem "revelações" - foi assim com Sócrates, depois com Lobo Xavier e Pacheco Pereira, é assim agora com Teixeira dos Santos. A razão é simples: ao longo dos últimos anos, foi construída uma versão deturpada da história, assente na supressão grosseira dos factos inconvenientes, para justificar o assalto ao poder pelos partidos da direita e atacar o Partido Socialista. A novidade é que essa versão falsa da história já não está sozinha em campo e está a ser contraditada pelos factos.

O momento central da entrevista, recebido com estranha impaciência pela entrevistadora, foi aquele em que Teixeira dos Santos recordou, uma a uma, as datas das sucessivas descidas do "rating" da República e dos bancos nos dias que se seguiram ao "chumbo" do PEC IV. Foi essa queda abrupta dos "ratings" que provocou a subida exponencial dos juros e que, em menos de quinze dias, deteriorou a um extremo insustentável as condições de financiamento do País. E é esse, aliás, o contexto da célebre declaração do ex-Ministro das Finanças, tantas vezes desvirtuada, de que poderia chegar-se à situação de não haver dinheiro para "pagar salários e pensões". Ao contrário do que maldosamente se quis fazer crer, essa declaração não se referia a um pretenso esvaziamento dos cofres públicos causado por um alegado "despesismo socialista" (com o Orçamento para 2011 o País estava até a gastar bastante menos do que no ano anterior!) referia-se, sim, às consequências previsíveis do "chumbo" do PEC IV no normal financiamento da dívida pública. E, de facto, foi essa rejeição parlamentar, no dia 23 de Março de 2011, que traçou o destino de Portugal: entre o "chumbo" do PEC IV e o pedido de ajuda, a 6 de Abril, não passaram sequer quinze dias.

A entrevista de Teixeira dos Santos terá desiludido uma certa direita política e mediática: nem alimentou "fofocas" sobre questões pessoais, nem manifestou divergências sobre a justificação ou sequer sobre o momento do pedido de ajuda - pelo contrário, subscreveu a narrativa que Sócrates expôs na sua entrevista à RTP e desvalorizou, como se impunha, a relevância de, "chumbado" o PEC, o pedido de ajuda ser formulado um dia antes ou um dia depois. Não se desviou do ponto essencial: com o apoio europeu ao PEC IV, o pedido de ajuda externa podia e devia ter sido evitado. Ao fim de dois anos de austeridade "além da troika" e de uma dramática espiral recessiva, com 18% de desemprego, 127% de dívida pública e 10% de défice no primeiro trimestre deste ano, vai sendo tempo de se perceber quem é que tinha razão.» [DE]
   
Autor:
 
Pedro Silva Pereira.
   
   
 Então não é?
   
«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, considerou hoje, em Bruxelas, que o limite para o défice este ano, de 5,5%, é “perfeitamente alcançável”, atribuindo a subida no primeiro trimestre ao aumento da despesa pública resultante da decisão do Tribunal Constitucional.» [Notícias ano Minuto]
   
Parecer:

Ouvir o Passos Coelho a falar de economia é um exercício parecido a assistir a uma missa rezada pelo Gaspar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Quem dá atenção à conversa de Passos Coelho que meta o braço no ar.»
   
 Mourinho podia dar uma ajuda a Passos Coelho
   
«A passagem de José Mourinho pelo Real Madrid não deixou ninguém indiferente e dividiu o balneário merengue. Contudo, há quem o defenda com unhas e dentes, como é o caso de Arbeloa, lateral da seleção espanhola e do Real, que acredita que até Mariano Rajoy, presidente do Governo de Espanha, "deve estar agradecido" a Mourinho, porque de tanto se falar no treinador português desviaram-se as atenções de outros problemas que se passavam no país.

Sem papas na língua, Arbeloa admite que até com amigos discutiu a propósito de Mourinho porque é "uma pessoa que não deixa ninguém indiferente e com quem se está até à morte ou contra ele". E reforçou o seu ponto de vista: "Penso que nestes três anos foi uma figura que tomou uma dimensão exageradamente grande. Qualquer pessoa podia dizer uma frase, mas se Mourinho dissesse metade saía em todo o lado. Toda a gente opinava a seu respeito e o presidente do governo [Mariano Rajoy] tem de estar-lhe muito agradecido porque se salvou de que se falasse mais de coisas que se passaram em Espanha."» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Dizia umas coisas e fazia um favor a Passos, mas principalmente aos portugueses. Quem ajudar os portugueses a não pensar em Passos Coelho está fazendo-lhes um grande favor.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Pedro Lomba vai ser o animador
   
«Pedro Lomba é secretário de Estado adjunto do ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, que tomou posse em abril, herdando de Miguel Relvas a coordenação política do Governo PSD/CDS-PP, e decidiu criar uma rotina de encontros com a comunicação social.

Fonte do gabinete do ministro adjunto ressalvou, em declarações à agência Lusa, que "Pedro Lomba não vai ser porta-voz do Governo, mas sim o membro deste gabinete que vai representar o Governo nestes 'briefings'", nos quais "poderão estar presentes, algumas vezes, secretários de Estado ou até ministros de outras pastas".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Se não é porta-voz do governo não seria melhor fazer umas sessões de striptease para ajudar a passar a meia-hora diária?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Até tu Carrapatoso?
   
«O presidente da Fundação Vodafone Portugal António Carrapatoso considera que os partidos da Executivo “não se prepararam suficientemente para uma exigente governação”. Num artigo de opinião do Expresso, o economista distancia-se de Passos Coelho e do próprio Governo, de quem chegou a ser apoiante.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
O navio deve estar mesmo à beira do naufrágio, até os roedores do Compromisso Portugal já estão abandonando o navio.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
  Pois, a culpa é das empresas
   
«O primeiro-ministro afirmou hoje, em Bruxelas, que não é por falta de financiamento que programas como o Impulso Jovem estão “aquém das expectativas”, considerando que é necessário que haja interesse das empresas em adotá-los.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
É o desespero que já está a tomar conta dele.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Até tu Costa
   
«"O país tem que fazer um processo de ajustamento. E, qualquer que ele seja, envolve sacrifícios. Os sacrifícios têm que ter uma aceitação por parte do todo nacional, que é a população. Por isso, é muito importante a coesão, o entendimento, e que se perceba para que serve [esse ajustamento]", afirmou aos jornalistas, à margem de uma conferência em Lisboa.

"O resultado em matéria de défice orçamental depende, em parte, da política orçamental seguida e, em parte, das condições externas", realçou o governador, justificando os números da execução orçamental do primeiro trimestre, hoje divulgados, com a grave crise económica que a Europa atravessa.» [DE]
   
Parecer:
 
O navio deve estar mesmo à beira do naufrágio, até o campeão do apoio à austeridade pura e dura já está quase a atorar-se ao mar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
   
 Cavaco cada vez mais isolado
   
«As quatro confederações patronais pediram uma audiência ao Presidente da República e ao primeiro-ministro para apresentar o compromisso que desafia o Governo a mudar de políticas mas também para demonstrar o seu descontentamento com a desvalorização da concertação social.

A intenção, sabe o Diário Económico, é mostrar que o patronato está unido num compromisso que apela a um novo rumo para Portugal. As confederações que representam a Indústria, o Comércio, o Turismo e a Agricultura já fizeram uma conferência de imprensa para apresentar este desafio e levarão agora o documento ao Governo e ao Presidente da República.» [DE]
   
Parecer:
 
Já faltou mais para que os únicos apoiantes de Passos sejam os Silvas da Coelha.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Confiará na Nossa Senhora de Fátima
   
«O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, disse hoje acreditar que a meta do défice traçada pelo Governo para 2013 vai ser cumprida e desvalorizou os números do primeiro trimestre, que apontam para um saldo negativo de 10,6 por cento.

Em declarações aos jornalistas, à margem da cerimónia de inauguração de uma unidade hoteleira no Algarve, realizada hoje em Albufeira, o chefe de Estado português afirmou que “o que está programado para o ano de 2013 [5,5 por cento] será alcançado”.» [i]
   
Parecer:
 
Pobre Senhor Silva.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver se as preces resultaram.»
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