quarta-feira, junho 26, 2013

Um estranha fonte de inspiração

Portugal é o único país do mundo onde há governantes que sugerem aos seus cidadãos que emigrem em busca de zonas de conforto, mais grave ainda, os cidadãos que convida a abandonarem o seu país são os mais jovens e qualificados, aquela que muitos consideram a melhor geração que este país criou em matéria de qualificações e preparação académica. Agora até podem negá-lo, mas tudo começou com declarações de um secretário de Estado, seguidas da aprovação de Passos Coelho, Miguel Relvas propôs aos jovens países como Angola e o Brasil, o deputado europeu Rangel chegou a sugerir a criação de uma agência pública para apoiar a emigração. É o único país, mas não é o primeiro que mostra a gente inconveniente a fronteira, também os nazis quando embarcavam os judeus nos comboios prometiam que iam para locais bonitos e chegaram a encená-los, inclusive para iludir as autoridades internacionais como a cruz vermelha.
  
Portugal é o único país do mundo que olha o desemprego como uma oportunidade e quase defende que os desempregados são uns sortudos, uns privilegiados quando comparados com aqueles que estão empregados. Aqui o nosso governo tem uma pequena divergência com os nazis, enquanto os alemães inscreviam nos portões de Auschwitz a tristemente famosa frase “o trabalho liberta”, os nossos governantes parecem dizer que o “desemprego liberta” os trabalhadores da prisão do emprego, permitindo-lhes novos desafios.
  
As semelhanças com Auschwitz não se ficam por aqui e nem vale a pena comparar o banco de ensaios em que Portugal está transformado com o laboratório do dr. Mengele naquele campo de extermínio. Tal como aqui já foi referido e Correia de Campos também chamou a atenção num artigo publicado num jornal, em Auschwitz os judeus quando chegavam aos campos e eram seleccionados para serem mortos era-lhes dito que iam tomar um duche reconfortante. Aqui dizem aos funcionários públicos que estejam descansados,  que não vão ser despedidos, em vez disso vão ser requalificados, obter novas qualificações para serem colocados noutros postos de trabalho. E se em Auschwitz lhes tiravam os relógios, os dentes de ouro e até lhes cortavam o cabelo, por cá os empresários da CIP e outros não escondem o desejo de ver os salários poupados convertidos em reduções de impostos e até fazem o favor de aceitar que uma parte se traduza numa redução do IRS, para calar o povo.
  
Tal como na Alemanha nazi os judeus foram apontados como os culpados de todos os males que tinham acontecido naquele país, por cá todos os problemas resultam da despesa pública, e despesa pública significa funcionários públicos. Ser funcionário público não é ser gente, é ser reduzido à condição de ratos, tal como os judeus alemães, gente que roe a riqueza do país e que deve ser exterminada. Portugal tem um primeiro-ministro que descansa os portugueses, as próximas medidas da reforma do Estado, o despedimento de funcionários públicos, não é austeridade. Pois, as medidas que se aplicam aos ratos não é austeridade, apenas se fala de austeridade quando se referem medidas aplicadas a gente e gente é quem trabalha no sector privado ou no Estado por conta de um dos partidos do governo.
   

É evidente que os nossos governantes não são nazis nem suficientemente canalhas para andarem a transpor as sacanices nazis para o nosso país, o estranho é que se inspirem em valores que conduzem aos mesmos raciocínios, à mesma forma de tratar uma parte da população como seres inferiores, ao mesmo tipo de justificação da brutalidade, ao mesmo desprezo pela inteligência dos seus concidadãos.
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