quarta-feira, junho 12, 2013

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Flor do Parque Monteiro-Mor, Lisboa
   
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 
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Pavão em Évora [J. Ferreira]

 Dúvida

Cavaco mesmo Presidente da República ou ter-se-á demitido do cargo e assumido o cargo de assessor de imprensa de Passos Coelho?

 A agricultura segundo Cavaco
 
Cavaco continua o seu roteiro de revisão da história mostrando que está mais preocupado com a limpeza do seu passado como governante do que com o país. Estas comemorações não passaram de mais uma paragem nesse roteiro, Cavaco tentou fazer as pazes com o Alentejo que desprezou e deixou tal como o encontrou, bem como com um sector que com as pescas destruiu.

Cavaco lá sabe onde foi buscar os números da agricultura, mas só ele acredita na realidade que descreveu. Este é o Cavaco da exploração agrícola do Thierry Russel, do abandono do Alqueva, do esbanjamento dos fundos comunitários, da eliminação precoce dos mecanismos de protecção da agricultura durante o período de transição, da tentativa de ocultação do problema das vacas loucas.
 
Cavaco só se esqueceu de dizer que todos os supostos progressos que referiu ganham uma dimensão especial quando se sabe que o interior foi abandonado e uma boa parte do território foi ocupado por eucaliptos da empresa do seu ministro da Agricultura, Álvaro Barreto.
 
 Ainda pior do que o discurso de Cavaco

Foi a entrevista, um chorrilho de manipulações, inverdades e falsidades, uma tentativa de branqueamento do seu passado como primeiro-ministro e já como presidente promotor de crises. O verdadeiro primeiro-ministro não é nem Passos Coelho nem Gaspar, é Cavaco Silva e torna-se cada vez mais evidente que este é o seu governo e estas são as suas políticas.
 
 Cavaco é contra a bomba atómica
 
Pela forma como actuou com Sócrates prefere as bombas de mau cheiro.
 

  
 O Presidente sequestrado
   
«O Presidente pode demitir o governo se ficar provado o "irregular funcionamento das instituições". Mas o discurso de ontem de Aníbal Cavaco Silva é uma prova cabal do "irregular funcionamento das instituições", de um chefe de Estado sequestrado por um governo e colocado em lugar incerto - embora o seu avatar circule por aí e debite orações sobre as maravilhas da agricultura.

Nas cerimónias do 10 de Junho, o verdadeiro discurso que falou do Portugal de hoje foi feito por Silva Peneda, o presidente do Conselho Económico e Social, escolhido pelo Presidente da República para presidir às comemorações do 10 de Junho. E só isto pode ser um "sinal" de que a cabeça de Cavaco Silva - capaz de escolher um homem como Silva Peneda para aquela função - largou o seu corpo e se juntou à coligação governamental depois de ter sido alvo de eventuais malfeitorias naquela famosa reunião de sábado em Belém a seguir ao Conselho de Ministros.

A calamidade da situação do país foi bem apresentada por Silva Peneda. Numa sociedade que tem os números de desemprego que tem a portuguesa "daqui ao medo é um pequeno passo". Mas o Presidente da República que tinha afirmado, perante Sócrates, que se tinham atingido "os limites dos sacrifícios" fechou os olhos ao mundo à sua volta - e preferiu recordar a literatura neo-realista dos tempos da miséria e da ditadura, como se servisse de grande consolo aos portugueses de 2013 pensar que o país era muito pior e mais miserável nos anos 60, na época em que pontificava em Belém o contra-almirante Américo de Deus Thomaz - que ficou na memória colectiva por, não tendo na realidade nenhum poder face a Salazar, ocupar o seu tempo a fazer discursos estúpidos.

Ao aceitar ser uma espécie de ministro sem pasta do actual governo, Cavaco Silva perdeu o que lhe restava de capacidade para ocupar o cargo de "Presidente de todos os portugueses", no momento mais difícil da vida do país depois da ditadura. Ao explicar que não quer ter nenhum papel político, ainda piorou a situação. Já não há nada a fazer: como disse o primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva relativamente ao Presidente em funções nos anos 90, ainda poderia restar ao governo ajudar o chefe de Estado a acabar o mandato com dignidade. Infelizmente, tal não é possível. O sequestro do Presidente da República é um acontecimento grave e põe em causa o regular funcionamento das instituições democráticas.» [i]
   
Autor:
 
Ana Sá Lopes,

 Miguel Sousa Tavares, afinal, está safo!
   
«Nem queria acreditar! O professor Cavaco Silva, num discurso oficial , enquanto Chefe do Estado, no Dia de Portugal e no pior ano que vivemos de crise, achou ser boa altura tentar reabilitar o seu passado como primeiro-ministro (José Sócrates tem, afinal, um mestre!) e resume assim 25 anos de política agrícola (dos quais os primeiros 10 comandou): "apesar de o número de agricultores ser então muito superior ao atual - cerca de 600 mil, contra cerca de 300 mil nos dias de hoje - a produtividade da terra cresceu 22% e a produtividade do trabalho agrícola aumentou 180%."

Cavaco Silva discursou aquele raciocínio sem se rir. Explicou querer desfazer assim "ideias feitas e preconceitos"... Como?!
Entre 1989 e 2009, o número de explorações agrícolas caiu 50% e a superfície agrícola utilizada diminuiu 9%. O valor acrescentado bruto criado pelo sector primário caiu de 10% para 2% - o peso do sector primário na riqueza criada no País dividiu-se assim por cinco.

A taxa de cobertura das importações pelas exportações de bens alimentares recuou de 43% em 1990 para 32% em 2010. Em 2007, mais de 50% do consumo alimentar em Portugal era importado, contra 35% em 1986.

Portugal era praticamente autossuficiente em 1986 em produtos como as hortaliças, as frutas, as carnes e o leite. Agora, importa grande parte do que come.

Portugal caiu de sétimo para 12.º lugar entre os países da União Europeia na representatividade económica do sector da agricultura, silvicultura e pescas.

Podia continuar com páginas e páginas de números, todos no mesmo sentido e sempre citando o elogiado estudo coordenado pelo professor Augusto Mateus para a Fundação Francisco Manuel dos Santos, "25 Anos de Portugal Europeu", que o DN publicou há dias.

Augusto Mateus não podia ser mais assassino para as intenções e para o texto do discurso presidencial de ontem: comparada com a Europa, lê-se no estudo, "a agricultura regista o maior gap face à média comunitária e foi o único sector cuja produtividade divergiu".

Um desastre completo para os muitos mil milhões investidos pelos fundos europeus e pelo Estado português na agricultura. Para o Presidente da República, porém, esta é uma ideia feita, um preconceito. Nós é que não entendemos!

Qual é o juiz, face a este exemplo presidencial de pantominice estatística, capaz de condenar Miguel Sousa Tavares por ter chamado palhaço a Cavaco Silva? E aquele tipo de falácia não afeta profundamente a dignidade da função presidencial? Não deveria a PGR processar o cidadão Cavaco Silva por ofender a Presidência da República?» [DN]
   
Autor:
 
Pedro Tadeu.
      
 Bipolaridade
   
«Nós temos memória curta, somos de brandos costumes, mas felizmente já não somos tão ignorantes assim. Vejamos, no ‘ranking’ mundial as universidades portuguesas ultrapassaram as alemãs,

no PISA (Programme for International Student Assessment) 2009, Portugal apresenta melhor desempenho que a maioria dos países europeus e os países norte-americanos (EUA e Canadá).

No TIMSS (Trends in International Mathematics and Science Study) 2011, os resultados dos alunos portugueses do 4º ano de escolaridade colocam Portugal no 15º lugar, num conjunto de 52 países. Neste breve e transversal resumo percebemos que isto tem significado. Pergunto: Seremos nós um povo bipolar?

Os sintomas são facilmente identificáveis, variações acentuadas do humor, com crises repetidas de depressão e mania com repercussão nas ideias, no comportamento e na perda de autonomia da personalidade. Relembro que politicamente os partidos eleitos para governar foram só dois e as alianças são inexplicáveis. Os ministros escolhidos pelos partidos, tendem a revelar na sua grande maioria problemas ao nível das suas competências e credibilidade. Em consequência, os docentes de todos os níveis de ensino, são os melhores clientes dos psiquiatras. A bipolaridade anda à solta.

Nuno Crato antes de ser ministro, foi um académico que ganhou prestigio pela divulgação do seu trabalho científico, mas recordo uma célebre frase deste: "Acho que o Ministério da Educação deveria quase ser implodido, devia desaparecer...". Para quem nunca lecionou outros níveis de ensino, estas certezas e a perseguição aos docentes são impensáveis. As exigências e as penalizações são muitas e sem qualquer objectivo pedagógico à vista. Veja-se a requalificação de docentes para os despedir de seguida, o número díspar de alunos por turma e ainda em cima, os docentes substituem os auxiliares de ação educativa além de outras subtilezas. Entre os vários exames exigidos aos alunos e professores, como cidadãos idóneos porque não exigir um exame à bipolaridade latente aos futuros ministros.

Não se pode exigir qualidade, quando se perseguem os docentes com medidas soberbas. Para quem quis implodir o ME, pertencer ao mesmo, é estranho. Mais estranho é a palavra ignorada num País já sem norte. Quem tem razão? Os alunos, certamente, como sempre assim foi.» [DE]
   
Autor:
 
Paula Elvas.
   
     
 Produtividade alemã
   
«Um bancário alemão adormeceu no seu local de trabalho, o que fez com que, acidentalmente, tocasse no teclado e transferisse, por engano, 222 milhões de euros.

O funcionário do banco alemão só devia ter feito uma transferência de 62,40 euros, mas o facto de ter adormecido em cima do teclado fez com que pressionasse o número 2, dando origem a uma ordem de pagamento milionário para a conta de um reformado.» [CM]
   
Parecer:
 
É pena não ter sido para a minha conta.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
      
 Alemanha ganha mais com a crise do que o empréstimo a Portugal
   
«A queda das ‘yields' das obrigações permitiu à Alemanha poupar 80 mil milhões de euros desde o início da crise.

O Estado alemão poupou cerca de 80 mil milhões de euros desde o início da crise financeira em resultado do recuo das taxas de juro das obrigações alemãs, revelou hoje um estudo do Institute for World Economy (IWF).

Só no ano passado o pagamento de juros ficou cerca de dez mil milhões de euros abaixo do que a Alemanha pagaria num "cenário benchmark", que tem em consideração as ‘yields' médias da década anterior à crise. E este ano a poupança para o Governo alemão ficará nos 13 mil milhões. O relatório do IFW cobre o período que vai desde 2009 até 2013.» [DE]
   
Parecer:
 
Assim vale a pena prolongar a crise e sujeitar os outros a austeridade. o que a Alemanha ganha mais não é do que o que os países do sul perderam.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
   

   
   
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