segunda-feira, março 03, 2014

Deus nos livre de um conflito na Crimeia

Os que por aí andam armados em galos da Índia em relação ao que se vai passando na Crimeia ainda não se aperceberam de como o ténue senão mesmo raquítico crescimento económico pode ficar em estilhaços com a primeira granada russa.

Como crescimento da procura interna espartilhado pela sanha da austeridade de que ainda sofre o nosso governo a única possibilidade de o governo assegurar a estabilidade das receitas fiscais reside na exportação. Por mais que os nossos exportadores diversifiquem os mercados dos, a nossa dependência em relação aos clientes europeus é ainda dominante. Isso significa que qualquer incidente que ponha em causa a estabilidade na Europa terá repercussões no desempenho da nossa economia.

A pior coisa que poderia suceder-nos nesta fase crítica em que já não se percebe muito bem se há ou não troika seria uma crise política à escala europeia e é isso que estás à beira de suceder. Pensar que a Rússia perde a sua base naval de Sebastopol ou que abandona os cidadãos russos da Crimeia aos desvarios da salgalhada que tomou o poder nas ruas de Kiev é uma ingenuidade.

A Rússia poderá permitir que a Alemanha tome conta da Ucrânia, mas nunca aceitará que a República Autónoma da Crimeia fique nas mãos do novo poder quando a sua população é esmagadormente russa. Se a Rússia investe em armamento para alguma coisa deverá ser e se não for para defender os seus interesses e os seus cidadãos para o que será? Goste-se ou não da Rússia e de Putin a verdade é que a Crimeia tem mais razões para ser russa do que para ser ucraniana e a qualquer momento a esmagadora maioria da sua população pode pedir a independência total, ou mesmo a integração na Rússia.


Mas os custos de uma crise na Crimeia não podem ser avaliados apenas como se fossem os resultantes de uma guerra longínqua. Uma boa parte da União Europeia depende da energia vinda da Rússia e este país é um importante mercado para as empresas europeias. Um conflito europeu por causa da Crimeia porá fim a qualquer esperança de recuperação económica a curto prazo por parte de Portugal.

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