sábado, março 01, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Pormenor da fachada da Igreja da Conceição Velha, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Passos Coelho

Temos um primeiro-ministro que vai para Espanha apelar à unidade nacional, isto é, em Portugal recusa-se ao diálogo, despreza os parceiros sociais, não cumpre os acordos que com eles assinou e agora que está à rasca vai para Espanha pedir a solidariedade dos parceiros europeus e apelar à unidade nacional como se isso fosse uma espécie de milagre de Maio, o mês em que Portugal entra no caminho do paraíso.

«Agora, disse o primeiro-ministro português, é vital apostar numa maior solidariedade entre os estados-membros e em conseguir maior responsabilidade nacional através de um "grande compromisso" com a oposição e os parceiros sociais.

"Com a credibilidade de um país que está à beira de cumprir plenamente os requisitos do programa de ajustamento, dizemos que uma maior unidade, uma maior solidariedade, uma maior responsabilidade é o caminho a seguir", declarou passos Coelho, sublinhando: "Precisamos alcançar um equilíbrio sério, exigente, entre uma maior unidade e uma firme responsabilidade".

Para Passos Coelho, "um grande compromisso nacional seria rapidamente recompensado com maior confiança interna e externa nos esforços nacionais de reforma", ajudaria aumentar o investimento produtivo e traria "mais estabilidade à dívida pública".» [DN]
 
 Que se terá passado?

Na semana passada tudo era milagres, o país vivia num ambiente de romaria a Fátima e o congresso da ala liberal do antigo regime vivia em ambiente de felicidade, quase de êxtase, bastaram umas piadolas do Marcelo e aquilo foi um orgasmo colectivo digno de uma missa da IURD.

De repente fez-se silêncio, Passos Perdeu o riso, Portas desapareceu e a Santinha da Horta Seca deixou-se de milagres. O que se terá passado, quase se fica com a sensação de que se converteram ao islamismo e deixaram de acreditar em milagres e em santinhas.
 
 2014

Cavaco Silva decidiu comemorar o 25 de Abril de uma forma muito original, declarou que 2014 é o ano nacional sem Constituição.
 
 Ora, aqui está um belo tema para o sociólogo Barreto divagar

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 Bom, bom, é termos um governo de direita

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 A lagartixa e o jacaré
  
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 Esperar pela pancada
   
«Disse Passos, no congresso da risota, que no meio da pancadaria - a de Molière e a outra - com que nos mimoseia há dois anos e meio as últimas arrochadas, mesmo se mais fracas, podem doer mais que as primeiras. Será? Parece é que já nada dói, ou nada já se sente, tal o estado de catalepsia em que o País mergulhou. O coma é tal, aliás, que Relvas, o Relvas que há 11 meses saiu, choroso, por "falta de condições anímicas", se animou a regressar de corpo à alma que é deste PSD. Aliás levou só um bocadinho mais de tempo que Gaspar, o ministro das Finanças que em julho reconheceu por escrito o falhanço da sua política e veio agora, impante, congratular-se no (seu) "milagre". E bastante mais que Portas, tão rápido a sair e reentrar que nisso (como em tanta outra coisa) ninguém o bate.

E, depois, de que últimas pancadas fala Passos, quando se anunciam quatro mil milhões de cortes (o mesmíssimo valor que se anunciava no início de 2013 como equivalendo à "reforma do Estado") e o mesmo FMI que arrepela os cabelos com a tragédia do nosso desemprego e nega o celebrado "milagre das exportações" prescreve baixar ainda mais os salários? Dizia esta semana o ministro Maduro, maduramente, que "é preciso pensar mais, refletir mais, tratar as coisas com mais profundidade." A gente já se contentava com um bocadinho menos de desplante. Veja-se por exemplo a notícia de ontem sobre o subsídio de desemprego.

Parece então que Governo e troika repararam ter a percentagem de subsídios anulados (por incumprimento das regras) vindo a descer, atingindo em 2013, ano do máximo histórico do número de desempregados, o valor mais baixo de sempre. Que concluem daí? Que os desempregados que recebem a prestação, apesar de serem submetidos a cada vez mais exigências, muitas delas gratuitas, humilhantes e persecutórias, se têm esforçado por cumpri-las? Que isso só pode querer dizer que estão desesperados e que o mercado de trabalho não tem mesmo lugar para eles?
  
Qual quê. Ante a evidência de diminuição da fraude, Governo e troika não desarmam: vão investir em cartas registadas para certificar que quem não responda a uma primeira convocatória em correio normal possa ver logo o subsídio cortado ao não responder à segunda; o número de anulações, dizem, vai compensar o gasto nos registos. E sabem isso como? Fizeram contas. Com base em quê? Isso agora: então não é bom de ver que há uma percentagem fixa de desempregados burlões (senão todos), excelmente determinada, e que só falta apanhá-los?
  
Realmente, não se imagina melhor forma de comemorar os 40 anos de um partido que faz uma paródia da social-democracia senão esta espécie de Estado social por equivalência, em que as prestações sociais existem para ser anuladas e a lei para acertar contas. Razão têm os líderes do PSD para rir, e Relvas para voltar: estamos mesmo no ponto.» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.
      
 Jornalistas sóbrio e manchetes alcoólicas
   
«No DN colaborou em tempos Fernando Pessoa, um bêbedo. Um tipo que era apanhado, não poucas vezes, em flagrante de litro. Para desculpa do DN, naqueles tempos ainda não havia o arsenal de leis purificadoras que permite, hoje, o Correio da Manhã (salve, ó bíblia dos costumes morigeradores!) tirar os seus jornalistas da perdição. Um jornalista tipo CM vai para uma reportagem e salta-lhe ao caminho o advogado da empresa: "Fulano, vamos lá ao nosso exame de deontologia!" O advogado aponta a linha reta feita a giz que o jornalista, de braços abertos, tem de percorrer sem bambolear. Exame conseguido, o jornalista já pode ir fazer, por exemplo, a manchete de ontem do CM: "Pai de Sicrano em fuga por tráfico de droga". Não importa que o Sicrano, de 19 anos, não tenha culpa dos tráficos do pai. Leva com o seu nome, o traje de trabalho (Sicrano é jogador de futebol) e a foto na primeira página. Algumas almas piedosas podem não achar isto bonito, mas o importante, não é?, é que aquela manchete não foi feita por um bêbedo. Um jornal com manchetes alcoólicas, fontes anónimas e jornalistas sóbrios. E, suspeito, talvez outros jornais lhe sigam o exemplo. Infelizmente, eu, que sempre bebi pouco, tenho de declarar que nunca soprarei o balão numa redação. Cruzei-me com alguns camaradas talentosíssimos e bêbedos, e, esgotadas todas as tentativas de lhes chegar às canelas, quero guardar a última esperança de o conseguir com uns copos.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.
      
 Erro de cálculo
   
«Enganaram-se nos cálculos os que prometiam aos quatro ventos que não iriam aumentar os impostos e juravam salvaguardar os empregos, os salários e as pensões.

De visita a São Francisco, nos Estados Unidos da América, o Presidente da República, talvez inspirado pela distância, deixou escapar uma meditação: o programa de ajustamento, disse ele, "tem sido duro para os portugueses". E acrescentou: "tem sido mesmo mais duro do que aquilo que inicialmente se antecipava". Mas seria um engano grave atribuir a "dureza inesperada" do programa a um "erro de cálculo".

Sem dúvida, impressiona o contraste entre as metas iniciais do programa de ajustamento e os resultados alcançados. Vejam-se, por exemplo, os indicadores onde mais se exprime a dureza do "ajustamento" - recessão e desemprego. As diferenças são enormes: segundo a previsão inicial, a economia, depois de cair -1,8% em 2012, já deveria ter um crescimento de 1,2% em 2013 e de 2,5% em 2014; a realidade, porém, revelou uma recessão profunda e prolongada, de -3,2% em 2012 e de -1,4% em 2013, prevendo-se apenas algum crescimento para 2014 mas a um ritmo que deverá ser inferior a metade do inicialmente previsto. Por consequência, também a taxa de desemprego acabou por superar todas as previsões: em vez de cumprir a previsão inicial alcançando um pico máximo em 2012, com 13,4% (em média anual), na realidade o desemprego disparou a ponto de atingir os 16,3% em 2013.

Todavia, esta análise simplista é tão tentadora como enganadora. A verdade é que a diferença entre previsões e resultados só exprimiria um verdadeiro "erro de cálculo" do programa de ajustamento inicial se o programa executado tivesse sido o programa inicialmente previsto. Mas isso não aconteceu: as múltiplas alterações introduzidas nas dez revisões trimestrais do programa subverteram radicalmente os equilíbrios do programa inicial e conduziram à execução do dobro (!) das medidas de austeridade inicialmente previstas. Em 2012 e 2013, por exemplo, e segundo os números do próprio Governo, o programa inicial previa medidas de austeridade no valor total de 7,6 mil milhões de euros mas foram executadas medidas no valor de 15,4 mil milhões de euros. Ora, um programa diferente só podia ter resultados diferentes.

A esta luz, a conclusão é simples: o programa de ajustamento revelou-se, como diz o Presidente, "mais duro do que aquilo que inicialmente se antecipava" não em resultado de um qualquer "erro de cálculo" do programa inicial mas sim porque foi executado um programa diferente e bastante mais duro do que o programa inicialmente previsto.

Erros de cálculo houve, mas foram outros. Engaram-se nos cálculos os que, em plena crise das dívidas soberanas, e contra o parecer do Conselho Europeu e do Banco Central Europeu, optaram por provocar a crise política que arrastou o País para a ajuda externa ou que nada fizeram para a evitar. Enganaram-se nos cálculos os que julgavam que, depois dessa crise política, o ‘rating' da República recuperaria logo que os mercados se apercebessem da mudança de Governo. Enganaram-se nos cálculos os que prometiam resolver tudo cortando nas gorduras do Estado, nos desperdícios, nas fundações e no "Estado paralelo". Enganaram-se nos cálculos os que prometiam aos quatro ventos que não iriam aumentar os impostos e juravam salvaguardar os empregos, os salários e as pensões. E enganaram-se nos cálculos os que confiaram neles.» [DE]
   
Autor:

Pedro Silva Pereira.
   
   
 A anedota do dia
   
«As jornadas de empreendedorismo agrícola começam hoje com uma conferência realizada na Casa da Música, no Porto. Nuno Amado, presidente do BCP, na sua intervenção considerou o setor agrícola muito importante. Acredita que poderá incentivar a economia portuguesa, no entanto, não sendo especialista no setor agrícola prefere falar do papel da banca e das formas que banca tem para apoiar o desenvolvimento desse setor, adiantando que a banca está agora preparada para financiar a agricultura. Manuel Tavares, diretor do Jornal de Notícias, apresentou o painel.» [DN]
   
Parecer:

O BCPque nunca apostou um tostão de crédito no sector agrícola vai deixar de financiar os seus sócios e amigos para apoiar os agricultores!

Seria muito interessante se aquele banco divulgasse dados à distribuição do seu crédito pelos diversos sectores, bem como aos juros que pratica nesses mesmos sectores.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Que alívio
   
«Como refere o The Telegraph, o novo documento – apoiado pelo governo – defende que os professores não podem impedir os alunos de assistir a pornografia, mas podem ter um importante papel ao ajudá-los a compreender a “imagem distorcida” que é transmitida sobre o sexo.

Desta forma, exemplos de imagens transmitidas em vídeos e fotos pornográficas devem ser mote de discussão nas aulas, numa altura em que o uso de imagens explícitas se tornou mais acessível aos jovens, através dos novos dispositivos móveis.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Ainda bem que em Portugal são social-democratas a governar e não conservadores como sucede no Reino Unido.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Aguiar-Branco é um mau caracter
   
«No seu comentário semanal, esta madrugada, no programa “Quadratura do Círculo”, o vice-presidente do Parlamento Europeu disse que José Pedro Aguiar-Branco era mesmo um caso acentuado de mau-carácter, situação que o entristecia.

“Conheço muito bem Aguiar-Branco, mais que a maioria das pessoas, e para mim é sinal de péssimo carácter que vá ao congresso e que diga que eu, Bagão Félix e Mário Soares somos o vírus da política portuguesa”, afirmou Pacheco Pereira, acrescentando que também não lhe ficou bem falar dos ex.

“Eu sou ex de muitas coisas e noutras não, mas a minha vida não é dominada pelo medo de ser ex”, continuou o comentador, ao mesmo tempo que sublinhava que não está disposto a pagar todo o preço, “que algumas pessoas pagam para nunca serem ex de coisa nenhuma, como é o caso de Aguiar-Branco”.

Pacheco Pereira acusou ainda o ministro de bajular pessoas por quem tem uma opinião duvidosa. “Eu sei qual a opinião de Aguiar-Branco sobre muitas pessoas que anda a bajular e isso é uma questão de carácter. E custa-me ver algumas pessoas a terem essas exibições de mau carácter”.

A finalizar o seu comentário sobre Aguia-Branco, o político enfatizou que lhe custa ver as pessoas com obsessão de não serem ex de coisa nenhuma, "estarem sempre à superfície da vida política, sem qualquer espécie de coluna vertebral".» [i]
   
Parecer:

Já tínhamos notado que a pobre alma apesar de ministro da Defesa não é lá uma grande espingarda.
    
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
   
 Os amigos do Kim
   
«O PCP ficou, esta sexta-feira, isolado no voto contra uma deliberação do PSD, PS e CDS-PP a condenar os "crimes contra a Humanidade perpetrados pelo regime da Coreia do Norte", e advertiu para "campanhas" de desestabilização da península.» [JN]
   
Parecer:

Esta gente não muda.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
   
 Anedótico
   
«Vítor Gaspar foi nomeado diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a área dos assuntos orçamentais, acaba de informar a instituição de Washington. O ex-ministro das Finanças começa a trabalhar nesta funções no início de junho.
  
Gaspar, que saiu do Governo em julho passado em colisão com Paulo Portas, vai ser a partir de agora os olhos do FMI na implementação da reforma do Estado, da responsabilidade do próprio vice-primeiro-ministro.» [DN]
   
Parecer:

Digamos que para alguém que não acertou uma em matéria orçamental é o prémio apropriado. Em todo o caso quanto mais longe esta alma estiver de Portugal melhor para os portugueses, ninguém quer aves agoirentas nem almas penadas a pairar aqui perto.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a habitual gargalhada.»
     

   
   
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