sábado, março 08, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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A"A Brasileira" do Chiado, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Durão Barroso

Não há nada em Durão Barroso que já nos possa surpreender, é um político para quem os fins pessoais justificam os meios, mas ir para Dublin cobrar ao país os favores que segundo o próprio fez revela o baixo nível moral desta personagem despesista, incompetente e fugidia. É preciso não ter nenhuma vergonha na cara para dizer que fez muitos favores ao país e é assim por dois motivos, porque não os fez e mesmo que os fizesse fica-lhe mal esta posição, ficar-lheia muito mal tratando-se de um amigo, é vergonhoso tratando-se do seu país.

E que favores fez Durão ao país na opinião do próprio? Segundo o próprio devemos-lhe o amaciar da política de austeridade, ele que representou os membros da troika mais extremistas, ele que apoiou o excesso de troikismo de Passos Coelho, ele que fez pressões sobre o Tribunal Constitucional numa tentativa vergonhosa de influenciar as decisões de um órgão soberano.

Durão Barroso vai abandonar a Comissão pela porta traseira, deixou a Europa pior, esteve envolvido na guerra suja do Iraque servindo os cafés nos Açores, foi incapaz de combater a crise financeira. Agora que a Europa o dispensou quer viver mais uns anos à custa dos contribuintes portugueses.

A propósito de Junkers Barroso disse que quando era primeiro-ministro era o decano e que agora seria ele. Barroso está enganado por duas razões, em primeiro lugar porque não sendo mebro do conselho de ministros não pode ser o seu decano, em segundo lugar, porque depois do Partido Popular Europeu ter puxado o autoclismo ele não será o decano, ele é do cano.

Como se tudo isto fosse pouco ainda temos que aturar um Barroso incapaz de assumir que foi rejeitado por aqueles a quem andou a lamber as botas, não se candidatou ao cargo de presidente da Comissão porque ninguém o apoiou. E fizeram muito bem, Barroso foi um presidente incompetente.

«Durão Barroso justificou hoje que não irá candidatar-se a um terceiro mandato na presidência da Comissão Europeia por considerar que se trata de um cargo “extremamente difícil” e porque acredita que o bom senso “manda que faça outra coisa”. É ridículo andar agora a dizer que se vem embora porque não o conseguir agarrar, apesar de ter ameaçado partir.

“Nunca ninguém esteve mais de 10 anos neste cargo, nem nas difíceis condições com que estive”, argumentou.

Barroso afirmou, ainda, que sai de "consciência tranquila" e que tudo fez para ajudar Portugal. O ex-primeiro ministro português disse, mesmo, que “se não fosse um português a estar à frente da comissão europeia”, o país teria sido direcionando “mais no sentido do rigor” e não nos sentido do “equilíbrio e apoio” para ultrapassar a crise económica vivida nos últimos anos.

Questionado pela TVI sobre um possível regresso ao panorama politico português, embora afirme que “Portugal é o seu país”, Durão Barroso garante que ainda “não tem planos.» [Notícias ao Minuto]
 
 O governo, as oposições e as força de segurança

Estão todos muito sensibilizados com as dificuldades dos profissionais das forças de segurança. Acontece que as dificuldades destes funcionários públicos são as mesmas dos militares ou de todos os outros funcionários públicos. As preocupações por parte do governo e a exigências das oposições não passam de uma triste mistura entre cinismo e oportunismo.
 
      
 Copo meio cheio, escadaria meio vazia
   
«Se você ainda fala de copo meio cheio ou de copo meio vazio, não está a par das notícias. Agora, a metáfora é outra: a escadaria está meio cheia ou meio vazia? O otimismo e o pessimismo agora medem-se pela escadaria parlamentar. Se tipos gritam "invasão! invasão!" e chegam a metade dos degraus de São Bento, perante essa mesma realidade, você pode ver a coisa meio cheia ou meio vazia, é conforme. Você pode dizer: "Viva, a boa polícia conseguiu suster os maus polícias!" Ou dizer: "Mais degraus e só nos resta a GNR. E se esta cai, é a anarquia!" Se uma quer dizer que você é otimista e a outra, pessimista, ou vice-versa, isso já não sei. A teoria da escadaria vazia ou cheia (como a do copo) depende do nosso prisma de partida. Para um antialcoólico, um copo meio vazio já está cheio que baste... Otimista ou pessimista, havia ontem quem suspirasse: "Esmaga-se a GNR à entrada de São Bento e o traidor Passos Coelho foge para se ir refugiar junto à Merkel!" Ao que outros (otimistas? pessimistas?) diriam: "Ai que vamos perder a nossa Crimeia para os alemães!..." Aqui chegados, podemos concluir todos, otimistas e pessimistas, que é tolo vermos o mundo pelo semiconteúdo dos copos (ou escadarias). A vida é mais complexa e mais simples. Complexa, porque a cabeça quente de poucos pode tramar a razão da maioria. Simples, porque frente ao Parlamento, em democracia, um polícia não fica na ambiguidade de subir ou descer. Defende-o, ponto.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
      
 Carta a um pontapé
   
«Escrevo quatro dias depois de te ter visto. É com perplexidade que reconheço que poderia nunca ter sabido de ti, já que os canais de TV que habitualmente sigo te ignoraram, e os jornais que leio, a começar por este em que trabalho, só te noticiaram porque houve um canal de cabo que te mostrou. Não fosse esse canal, que tenho por exemplo do que o jornalismo não deve ser, terias ficado clandestino, graças ao que, levaram estes dias a explicar-me, seria um nobre acordo de cavalheiros entre quem te desferiu, o vai para 40 anos assessor de imprensa do PSD José Mendonça (Zeca para todos) e quem levou contigo, o meu colega Paulo Spranger - porque o Zeca pediu desculpa ao Paulo, que aceitou as desculpas. E pronto, dizem-me: é circular, faz favor, não há mais nada para dizer.

Mas olho para ti e não vejo nada de cavalheiro, nem de nobre, nem de senhor. Ou por outra, vejo um senhor pontapé. Gratuito, deliberado, discreto, profissional - um pontapé de quem sabe dá-los. É o que se vê no corredor do hotel onde decorreu no domingo o Conselho Nacional do PSD: o Zeca, acompanhando Relvas, afasta-se dele e caminha, calmo e ligeiro, para Spranger, que está a fotografar Relvas. Pespega-lhe um pontapé e a seguir segura-o (para que não caia?). É o pontapé de um assessor de imprensa, no desempenho das suas funções, a um jornalista a tentar desempenhar as suas. É o pontapé do funcionário de um partido, o principal partido do Governo, a agredir fisicamente alguém ao serviço de um jornal - portanto, o jornal. É o pontapé de um membro do Conselho de Opinião da RTP - porque Zeca Mendonça é-o - a fazer algo que, além de constituir uma ofensa à integridade física, pode ser configurado como "atentado à liberdade de informação", punido com prisão até dois anos caso "o infrator for agente ou funcionário do Estado ou de pessoa coletiva pública e agir nessa qualidade."

É muito para ver num pontapé? Vindo de quem, na minha experiência profissional, sempre foi, além de eficiente, simpático? É. Diz Zeca que se descontrolou. Pois não vejo ali, em ti, pontapé, descontrolo nenhum. Pelo contrário: vejo um controladíssimo pontapé, a controlar.

"Um pontapé não define uma pessoa", garante, em procissão de elogios no Facebook do Zeca, um ror de gente, muita dela habitualmente inflamada contra "tentativas de controlo" e "asfixias democráticas". Em estando uma pessoa em causa, poder-se-ia discutir isso (aliás, resumir o caso a uma escolha entre linchar e perdoar Mendonça define bem aquilo a que chegou a nossa vida pública). Mas não está. Está um funcionário do PSD a zelar pela imagem do partido. Está a imagem do partido. E se o silêncio do PSD sobre o ocorrido mostra quão bem lhe vai este pontapé ao parecer (uma semana depois do discurso da pancada, até rima), o do jornalismo mostra que merece. Até à próxima, pois, pontapé.» [DN]
   
Autor:

Fernanda Câncio.
   
   
 Ao que isto chegou
   
«O Governo pretende que as empresas paguem menos aos trabalhadores nos casos do despedimento ilegal. A questão vai ser levada aos parceiros sociais, que entretanto já rejeitaram a proposta, tanto do lado dos patrões, quanto dos trabalhadores.

Uma imposição da troika que ficou explícita num documento com as conclusões da penúltima avaliação feita com o Governo e revelado pela TSF. Em causa estão os despedimentos que os tribunais declaram ilegais. Hoje, qualquer trabalhador que seja, aos olhos da Justiça, demitido de forma ilegal, tem direito a uma indemnização que vai dos 15 aos 45 dias por cada ano de trabalho, com um valor mínimo de três salários. Para a troika, isto é um incentivo para dar entrada de ações contra empresas no âmbito dos despedimentos. A ideia passa por aproximar as indemnizações devidas por despedimento legal, que pode começar nos 12 dias por ano de trabalho, das rescisões sem justa causa.» [CM]
   
Parecer:

Este governo ainda vai decretar que as putas trabalhem a troco de gorjetas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  
 Moniz regressa à ficção na TVI
   
«Cinco anos depois de ter deixado a TVI, José Eduardo Moniz está de volta à Media Capital. O antigo diretor-geral é o novo consultor para a área da ficção da empresa que detém a estação de Queluz e a produtora Plural.

Ao que o CM apurou, o acordo entre a Media Capital e a JEM Media Consulting, criada em outubro de 2013 por Moniz, foi assinado na semana passada depois de várias semanas de negociações.» [CM]
   
Parecer:

Foi na ficção que a família se notabilizou, quem não se recorda da telenovela montada pela sua bela esposa acerca do caso Freeport?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se de escárnio.»
   
 Cavaco já gosta de manifestações
   
«"Acho que nunca se pode ignorar as vozes que se fazem ouvir na rua, quaisquer que elas sejam desde que se apresentem como razoáveis", disse Cavaco Silva, questionado pelos jornalistas à margem da visita que hoje efetuou a uma exploração de frutos vermelhos, em Silves, no Algarve.

O Presidente da República acrescentou que, de acordo com as informações de que dispõe, "houve bom senso e a contenção acabou por prevalecer" durante a manifestação das forças de segurança, pelas quais afirmou que tem "grande consideração".

"Tenho imensa consideração pelas nossas forças policiais e das Forças Armadas. As forças policiais têm uma responsabilidade muito grande porque elas têm de ser o exemplo no cumprimento das leis da República", sublinhou Cavaco Silva.» [DN]
   
Parecer:

Ridículo, Cavaco deve ter-se esquecido de que era primeiro-ministro quando ocorreu a famosa manifestação dos secos e molhados.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
   
 E agora os militares
   
«Associações de militares reiteraram hoje a sua solidariedade com as forças de segurança, afirmando que a manifestação da próxima semana será semelhante sobretudo no conteúdo das reivindicações mais do que na forma.

"No fundamental do que aconteceu ontem e no que acontecerá no próximo dia 15, [as semelhanças são] não propriamente a forma como as coisas poderão decorrer, mas mais o conteúdo", afirmou à Lusa Manuel Cracel, da Associação dos Oficiais das Forças Armadas (AOFA).» [DN]
   
Parecer:

Será que Cavaco vai continuar a gostar de manifestações?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Cavaco se vai falar com o governo no seu estatuto de comandante das forças armadas.»
     

   
   
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