quinta-feira, março 06, 2014

Que estratégia para a economia?

A economia portuguesa não está apenas em crise, está também à deriva, aqueles que a atiraram contra a parede não sabem o que querem, limitam-se a elogiar taxas de crescimento raquíticas, a exibir reduções do desemprego que escondem a emigração ou a perda de esperança de vir a ter emprego. Alguém tem uma ideia do que estes senhores pretendem?

Até poderão esconder-se atrás da falsa etiqueta de liberais e dizerem que é aos investidores e não a eles que cabe decidir o rumo da economia. Mas a verdade é que ainda há bem pouco tempo consideravam alguns sectores inúteis, sacrificaram uns e salvaram outros, privilegiam a redução salarial e a mão de obra pouco qualificada, resolvem o problema do desemprego considerando-o consequência de um excedente de mão de obra que deve ser incentivada a emigrar.

Que ideias tem o actual ministro da Economia? Passou os primeiros meses a encontrar milagres, agora é a versão internacional do Paulinho das Feiras e dá-se ao trabalho de ir a uma feira de calçado em Milão só porque obtém mais tempo de antena do que se falar na Rua da Horta Seca. O que pretende o seu ministério com os portos? Ainda há uns meses meio governo apresentou um projecto para o porto de Lisboa, ao que parece já tudo mudou e por este andar ainda vão querer mudar o terminal de contentores para a margem norte do rio Trancão.

A única indicação do que este governo poderá pretender vem de Paulo Portas, o coordenador da sua área económica. Por aquilo que ele vai dizendo parece que a sua ideia é mudar as tríades chinesas para Lisboa, está farto de vender passaportes para os chineses circularem livremente na Europa mas ainda não se viu a mais pequena fabriqueta, nenhum dos ilustres investidores que já dariam para ocupar metade da Lapa investiram na criação de um emprego. Transferem uns milhares de dólares, compram um apartamento de luxo e partem com o seu passaporte novo.

Cavaco já não fala de produtos transaccionáveis, talvez esteja satisfeito com as exportações de gasolina e até parece estar curado do seu velho vício de cortar fitas. Depois de ter inaugurado uns investimentos de empresas que apostaram no país no tempo de Sócrates nunca mais foi visto de tesoura não mão. Ele bem se desdobra em conversas sobre empreendedorismno e até conhece meio mundo à custas de falar com jovens empreendores que emigraram, mas a verdade é que em três anos não inaugurou um único investimento que tenha resultado dos benefícios do famoso ajustamento.
 
 

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