sexta-feira, março 27, 2015

A minha lista VIP

Agora que a tal lista VIP já quase cabe num pequeno post-it e começa a suspeitar-se de que se calhar nem sequer existiu, apesar de todo o chiqueiro a que se assistiu, começo a ter vontade de dizer a alguns artistas que a minha lista VIP é maior do que a deles e nem sequer teve a honra de me ter sido entregue por um qualquer secretário de Estado tão inamovível e irrevogável quanto o cavalo da estátua do D. José, que nestes tempos parece estar a servir de inspiração a muitas cavalgaduras com gabinetes nas suas imediações. Só que os meus VIP são outros, são os Very Imbecil People.

Os VIP do sindicalismo 

Um sindicalista inteligente e defensor dos seus colegas faria tudo para que o país desconhecesse que uma centena de funcionários tinha sido apanhada a consultar o que não devia, violando leis e princípios deontológicos. A inteligência mandaria seria uma regra de ouro nestas situações que determina que o que se come em casa não se diz na rua. Mas o nosso novo herói nacional achou que era a sua oportunidade de ser VIP, fugindo a um destino cansativo e poeirento nos fundos de uma repartição quando terminasse o mandato sindical, optou por meter a boca no trombone. O pobre sindicalista desconhecia a lei e como teve mais olhos do que barriga acabou por promover a transformação de meros processos disciplinares em processos-crime com penas até dois anos de prisão. Agora que o objectivo é o estrelato está mais empenhado em demitir todos os que detesta do que em safar os seus trabalhadores.

Os deputados VIP da oposição

Em vez de se preocuparem com os dez milhões de portugueses cujos dados fiscais que dizem quase tudo sobre a sua vida são vulneráveis à curiosidade e mesmo ao tráfico os nossos deputados acharam que em época de caça ao Coelho todos os tiros são bem dados. Em vez de se preocuparem com o essencial optaram pelo que aparentemente daria mais votos. Agora arriscam-se a cair no ridículo e alguém ainda lhes vai perguntar se os dirigentes que foram humilhados e difamados em público mereciam que tal lhes sucedesse só porque sendo dirigentes da Administração Pública com um governo de que não gostamos deixam de ter direitos, saem da sua lista de cidadãos cuja dignidade deve ser respeitada.

Os deputados VIP dos partidos do governo

Primeiro defendiam a AT e o governo mas mal a Maria Luís e o Núncio decidiram que mais do que apurar a verdade o melhor seria atirar dois altos dirigentes da Administração Pública aos lobos os ilustres deputados de governo, de um momento para o outro passou a existir lista mas foi feita sem o conhecimento dos governantes que, como toda a gente sabe, são muito respeitadores dos princípio da igualdade, o tal princípio que foi muito questionado por ter sido usado pelos tais juízes incompetentes e más figuras para chumbar várias medidas deste governo com um primeiro-ministro que viaja sentado em livros sobre Salazar.

O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais

O senhor que agora pede para que se aguarde serenamente pelos resultados da auditoria feita pela IGF foi o mesmo que recusou essa serenidade quando achou que essa mesma serenidade não era necessária para demitir os dirigentes da Administração Pública sem fundamentos legais que justificassem tal decisão. Este jovem tigre do CDS que usou os impostos que os portugueses pagaram, as amnistias fiscais que promoveu e to o trabalho daqueles que por falta de serenidade demitiu pensava que ia substituir Paulo portas e agora vê a sua brilhante carreira destruída. Se houve lista devia saber, se não houve lista será acusado de cobarde.

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