quarta-feira, março 11, 2015

É a democracia ó Macedo!

Ao fim de mais de três anos de governo Paulo Macedo descobriu que em Portugal é uma democracia, só assim se entende que venha agora dizer que no caso das dívidas de Passos Coelho à Segurança Social houve aproveitamento político. Usando o seu alto estatuto de ex-director-geral dos Impostos Paulo Macedo vem definir regras em matéria de cidadania “se a pessoa paga num mês ou no mês a seguir, se paga com o juro, etc., desde que esteja dentro do sistema e tenha as obrigações regularizadas, isso parece-me o mais importante”.
  
Este tipo de declarações permitem concluir que os espelho de Paulo Macedo são muito generosos quando o ministro os questionam sobre a sua própria inteligência. Paulo Macedo centra o seu discurso nas questões fiscais e conclui que em matéria de cidadania não há qualquer diferença entre um cidadão cumpridor e um outro que só cumpre quando e se a isso for obrigado. Para ele os juros de mora têm uma dupla função, penalizar financeira o cidadão cumpridor e limpar o seu currículo de cidadania.

O problema é que Paulo Macedo acha que os portugueses são uns palermas, se assim não fosse não omitia que o grande problema de Passos Coelho não se refere às suas contas no fisco, na EDP ou na companhia das águas. As contas que ele não pagou foram as da segurança social. Eu compreendo que o facto de a Direcção-Geral dos Impostos dos tempso de Paulo Macedo se designar pela velhinha sigla DGCI o levasse a confundir impostos com contribuições. Mas não é assim, Passos Coelho pagou impostos e não pagou contribuições porque a máquina fiscal, já muito antes do Dr. Macedo é e era mais eficaz do que a da Segurança Social. Na DGCI foi obrigado a pagar o que devia, acrescido de coimas e de juros de mora, na Segurança Social foi premiado pela incompetência ou sabe Deus que por mão caridosa que o amparou enquanto outros viam os bens e rendimentos penhorados.

Se o Dr. Macedo sabe alguma coisa de impostos já o mesmo não parece saber de política e de valores democráticos, só isso explica que se queixe de aproveitamento político em relação ao comportamento inaceitável de Passos Coelho na forma como encara os seus deveres de cidadania. Considerar o debate democrático como um mero “aproveitamento político” revela muito sobre os valores democráticos do ministro da Saúde.
  
Um comportamento que não surpreende em alguém que enquanto director-geral mandou vasculhar os emails dos funcionários para tentar identificar quem poderia ter contado ao jornalistas Rudolfo Rebelo do DN e actual assessor de Passos Coelho os pormenores de um problema relacionado com a sua situação enquanto contribuinte. 

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