segunda-feira, março 16, 2015

Castas

A injustiça social associada às políticas económicas das últimas décadas tem aumentado o abismo entre os diversos grupos ou classes sociais, alguns grupos profissionais são melhor remunerados, uma boa parte da sociedade vive melhor mas os mais ricos nunca foram tão ricos e a chamada classe média alta nunca viveu tão bem. Têm sido criado mecanismos de compensação que mais não fazem do que esconder os elevados níveis de exclusão.
   
Mas as consequências deste modelo social que se tem vindo a instalar em Portugal não se limita a aprofundar as diferenças sociais. Tem também implantado na sociedade portuguesa um verdadeiro sistema  de castas muito semelhantes ao que há muito se tenta eliminar na Índia. Alguns grupos sociais ou profissionais têm vindo a estratificar-se e a defender os privilégios limitando o acesso a eles aos familiares e amigos.

Na política, na advocacia e nalgumas profissões liberais, na justiça, nos altos cargos da Administração Pública multiplicam-se os esquemas de favorecimento de grupo que asseguram que os privilégios são um exclusivo do grupo social que está instalado.  Os dirigentes de algumas instituições públicas proporcionam aos seus filhos carreiras fulminantes que lhes garantirão um currículo que mais tarde proporciona acesso mais fácil a altos cargo, foi o que sucedeu com a colocação do filho de Durão Barroso no BdP, mas há vários filhos promissores, ainda que alguns circulem de forma mais discreta.

Na política sucede a mesma coisa, os grandes partidos estão tomados por barões que decidem quem vai singrar na política. Quando um jovem adere a um partido tem o seu futuro quase traçado, se for apadrinhado pela família tem um futuro garantido a viver da política, com direito a muitas mordomias, que vão da garantia de vencimento ao pinga pinga de muitos esquemas e facilidades a que se acede com o factor cunha.
  
Na justiça sucede o mesmo e não é por acaso que a actual procuradora-geral é filha de um antigo procurador, aliás é uma família que em vez de apelido devia usar a categoria de cada um na carreira do Ministério Público. Basta ler a lista de apelidos de muitas instituições e organizações ara se perceber a forte concentração de grupos familiares em determinadas instituições ou actividades do país.
  
Esta estratificação da sociedade portuguesa em castas que defendem os seus interesses barrando o acesso a muitas actividades aos que não contam com a protecção do grupo. O português comum dificilmente terá sucesso em determinadas carreiras profissionais ou instituições dominadas por estas castas.

As consequências disto é o apodrecimento lento do país, é uma sociedade mais injusta menos competitiva e menos dinâmica, é uma democracia gerida por políticos cada vez mais fracos, com compromissos de grupos que se sobrepõem aos interesses do país, são instituições dóceis ou com agendas políticas e sociais próprias.
  
Portugal está mais pobre, mais injusto e com estas castas está também mais podre.

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