segunda-feira, março 09, 2015

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Elevador da Glória, Lisboa
  
 Interrogações que me atormentam

Leio na comunicação social que a Procuradora-Geral detesta as violações do segredo de justiça e ela própria desencadeou investigações, ainda que todos saibamos que dessas investigações apenas resultarão despesas a pagar pelos contribuintes. Ouço uma conhecida procuradora dizer numa entrevista na televisão que as violações do segredo de justiça servem os criminosos e que nos casos do crime económico os manuais explicam isso.

EM Portugal os jornais que se destacam na violação do segredo de justiça e estão entre os patrocinadores do congresso do Ministério Público. Será que os nossos procuradores não se sentem incomodados por estarem num luxuoso congresso patrocinados por aqueles que segundo os manuais estão ao serviço dos criminosos? Depois de terem sido patrocinados pelo banco do Ricardo Salgado não faria sentido serem criteriosos nas escolhas de quem os patrocina ou teremos de concluir que ninguém dá nada à borla e que nem o MP tem direito a almoços grátis?

 Caloteiro

Nunca um caloteiro português teve tanta gente a ajudá-lo a explicar o inexplicável e a perdoar o imperdoável.

 É campanha eleitoral diz Cavaco

Por causa de dúvidas sobre se teria pago a totalidade do imposto sobre o património numa aquisição António Vitorino demitiu.se.

Por causa de um acidente de que não era moralmente responsável Jorge Coelho demitiu-se.

Por causa de alguns conhecidos terem estarem a ser investigados Miguel Macedo pediu a demissão.

Por causa de uma anedota de mau gosto Carlos Borrego, ministro do Ambiente de Cavaco Silva, demitiu-se.

Não cumpriu com as suas obrigações fiscais, tentou iludir os portugueses, usou o Estado e um ministro para ilibar-se atribuindo as culpas aos funcionários públicos, mas continua em funções. Cavaco diz que cheira a eleições.

Recomenda-se a ida de Cavaco Silva a uma consulta de otorrino pois com a idade está a sofrer de alterações de olfacto, senão ainda o vamos ouvir gritar "Ó Maria porque é que estes carapaus alimados cheiram a naftalina?". 

      
 Imperfeito em Portugal, paralítico na Grécia
   
«"Faço parte de uma raça de homens que paga aquilo que deve", disse Pedro Passos Coelho, em Outubro de 2012, a propósito da dívida que Portugal mantém com os seus credores. A afirmação do primeiro-ministro era todo um programa moral, de condenação ao calote e daqueles que, de forma mais ou menos tíbia, defendem a renegociação dos nossos compromissos.

Dois anos mais tarde, socorrendo-se da mesma lógica punitiva aos que não cumprem, seja porque razão for, não hesitava em condenar: "Se há quem se ponha fora das suas obrigações com a sociedade, tendo muito ou pouco, esse alguém está a ser um ónus importante para todos os outros que têm um fardo maior."

Vem esta revisitação à história recente a propósito das dívidas do cidadão Passos Coelho à Segurança Social. Pedro, soubemo-lo nesta semana, é, afinal, homem vulgar. Imperfeito como todos nós. Tem pecadilhos e esqueletos no armário que, a qualquer momento, lhe saem ao caminho para desfazer a imagem de responsabilidade à prova de bala.

Antes de mais, e para que não haja equívocos, não ponho em causa a probidade do primeiro-ministro que, até prova em contrário e sem ponta de encómio, julgo inquestionável. Mal estaríamos se assim não fosse. Do que se trata é de autoridade política e moral. É este primeiro--ministro, e não outro, que se atira como gato a bofe às famílias que não cumprem as suas obrigações fiscais, penhorando tudo o que há para penhorar, tantas vezes para além do que a dignidade humana tolera. É este primeiro-ministro, e não outro, que trata com desprezo aqueles que beneficiam de pensões para as quais diz não terem descontado. É este primeiro-ministro, e não outro, quem apregoa constantemente a insustentabilidade da Segurança Social por défice de financiamento. É, em síntese, este primeiro-ministro, e não outro, que, qual pregador de vão de escada, exorta à exigência e à responsabilidade que impõe aos outros, mas que, manifestamente, não pratica para si próprio.

Os factos são o que são. Passos Coelho foi relapso nas suas obrigações com o Estado durante, pelo menos, cinco anos. Voltou a sê-lo, em 2012, quando questionado pela primeira vez sobre o assunto e inventou uma desculpa esfarrapada para não regularizar logo ali a situação. À sexta explicação, e depois de já ter invocado um inqualificável desconhecimento da lei, confessou vergonha por, umas vezes por desleixo outras por falta de liquidez, não ter honrado as suas obrigações com o Estado. Se assim foi, é a prova de que, afinal, foi ele quem viveu acima das suas possibilidades.

Na prática, entre 1999 e 2004, Pedro Passos Coelho teve o seu quinhão de responsabilidade na insustentabilidade da Segurança Social.

No relato sobre si próprio que nesta semana quis fazer, Pedro Passos Coelho, além de se fazer de vítima de perseguição pessoal, apresentou-se como um homem comum, com imperfeições e gozando de tratamento idêntico ao de qualquer cidadão. Sucede, porém, que um primeiro-ministro não é um homem comum nem um cidadão vulgar. Não se lhe exige perfeição, que é coisa a que só os deuses aspiram, mas que seja cumpridor e exemplar.

Passos Coelho já tinha, no passado recente, dado mostras de desleixo, para dizer o mínimo, quando foi incapaz de esclarecer a sua relação profissional com a Tecnoforma e os proveitos que dali obteve. Com este "cadastro", a questão não é de imperfeição, mas de incumprimento. Não é de natureza pessoal, mas política. Porque Passos Coelho, repito, não é um simples cidadão, é o primeiro-ministro.

Se fosse grego, e parafraseando a propaganda alemã citada há não muito tempo por um diligente e intrépido repórter da nossa praça, Passos Coelho seria um paralítico. Se fosse sueco já tinha caído do seu posto. Como é português, e apesar de já ter havido um primeiro-ministro demitido por se sentir um bebé numa incubadora a quem todos davam estaladas, vai continuar em funções. Porque Portugal é assim mesmo, como Pedro Passos Coelho, tolerante com os fortes e implacável com os fracos.» [DN]
   
Autor:

Nuno Saraiva.

 Pedro Piegas
   
«1. Todos conhecemos pessoas com várias personalidades. Muitas da nossa vida de todos os dias, das nossas amizades, das nossas famílias. Outras que não fazem propriamente parte do nosso círculo mais íntimo mas que vemos ou ouvimos nos media. Políticos, por exemplo. São estes que mais vezes exibem uma espécie de desdobramento público de personalidade. Não poucas vezes, dão a sua opinião sobre um qualquer tema e dizem-nos: "É a minha opinião pessoal." Ficamos assim a saber que há a forte possibilidade de ter outra: uma que não é a sua mas que esse mesmo cidadão pode defender ao mesmo tempo que a outra ou, pura e simplesmente, estarmos perante alguém que tem duas personalidades distintas.

Talvez seja este o estranho caso do primeiro-ministro Passos Coelho e do cidadão Passos Coelho.

Antes de mais, e para que não reste qualquer dúvida, cumpre dizer que estou convencido da absoluta honestidade e da preocupação com o bem-estar da comunidade de ambos. Temo, no entanto, que o Passos Coelho primeiro-ministro esteja menos preocupado que o Passos cidadão com princípios fundamentais da democracia liberal. Pelo menos foi o que exibiu com o tristíssimo comentário sobre o seu antecessor no cargo, como também não estou a ver o Passos Coelho cidadão invocar a sua família para sua própria defesa. O que se afigura claro é que os dois Passos Coelho não se dariam bem, nada bem mesmo. Era até capaz de dizer que o primeiro-ministro Passos Coelho pensaria no Passos Coelho cidadão como um daqueles elementos que deviam sair da sua zona de conforto e emigrar.

Não me parece que o Passos primeiro-ministro entendesse a possível ignorância do cidadão Passos sobre a obrigatoriedade de pagar à Segurança Social ou que tivesse contemplações com possíveis esquecimentos. Posso imaginar o que diria o Passos primeiro-ministro sobre alguém que, sabendo que tinha uma dívida, levou três anos para pagar. Talvez que o Passos cidadão era alguém de uma outra raça e não "de uma raça de homens que paga o que deve". E que diria o primeiro-ministro, que acha que tem de haver tanta transparência, tanta transparência, que até acha que deve ser o cidadão a provar de onde vem o dinheiro que tem (vide o seu apoio à iníqua lei do chamado enriquecimento ilícito), de um outro que recusasse dizer em que empresas trabalhou? Assim como o Passos Coelho cidadão. Não ficaria pedra sobre pedra de certeza absoluta.

Também não julgo possível que o Passos primeiro-ministro tivesse contemplações com o Passos cidadão se este entregasse fora de tempo uma declaração ou fosse multado por uma qualquer irregularidade fiscal menor. Não, o primeiro-ministro não toleraria aquele cidadão comum de classe média, residente num subúrbio e que passa férias no meio do povo e não numa qualquer luxuosa estância. Esse, como todos nós, já teve falhas na sua relação com o fisco, esse compreende que às vezes temos de gastar mais dinheiro do que era suposto. Ao Passos Coelho cidadão, o Passos Coelho primeiro-ministro diria que quem não tem dinheiro para pagar o IRS é porque viveu acima das suas possibilidades.

Ao Passos cidadão, homem consciente das suas imperfeições, humilde, avesso ao puritanismo, com noção de que a importância dos pecados muda com o tempo, não perdoaria o Passos Coelho primeiro-ministro. Estou aliás convencido de que ultimamente quando olha para o espelho e vê o cidadão Pedro Passos Coelho lhe diz: "És um piegas, pá."

2. O ministro da Segurança Social tem azar: sempre que é mais papista do que o papa é certo e sabido que acaba a falar sozinho. No episódio da TSU, foi Mota Soares o primeiro a apregoar a genialidade do plano para depois ser, digamos assim, corrigido pelo líder do seu próprio partido e pelo primeiro-ministro - este esmagado pela realidade.

Também agora, mal se soube do não pagamento atempado à Segurança Social por parte do primeiro-ministro, lá quis o Sr. ministro ser o primeiro a jurar pela probidade de Passos Coelho. E a vontade de agradar foi tanta, que não hesitou em acusar os próprios serviços do ministério que dirige da prática de erros. Coitado do primeiro-ministro, ele não tinha nada que saber se devia pagar, a culpa era dos malandros dos funcionários. E, pronto, lá teve o ministro azar outra vez. O próprio primeiro-ministro veio dizer que não era perfeito e que era ele quem teria falhado.

Entretanto, o ministro calou-se. Talvez seja mesmo a atitude mais acertada. Para ele e para nós. Assim não teremos de assistir a espetáculos constrangedores.

3. Cavaco Silva acha que os problemas de Passos Coelho com a Segurança Social são fruto de "controvérsias político-partidárias que já cheiram a campanha eleitoral".

Ficamos assim a saber que o Presidente da República acha que nada no comportamento de Passos Coelho é reprovável e, portanto, tudo isto não passa de uma "jogada" da oposição. Como foram órgãos de comunicação social que divulgaram os lapsos do primeiro-ministro, devemos, assim, concluir que os que o fizeram estão ao serviço de interesses político-partidários. Ao que Cavaco Silva chegou.» [DN]
   
Autor:

Pedro Marques Lopes.


 Ganhava-se mais no Estado, dizia o caloteiro
   
«Salários baixos e degradação das condições de trabalho afastam especialistas do Serviço Nacional de Saúde. Um anestesista, por exemplo, que ganha entre 1500 e 2300 euros no público pode chegar aos 6000 no privado. As diferenças ainda são maiores quando saem do país.

Anestesistas, radiologistas, cirurgia geral, ortopedistas, ginecologistas, oftalmologia, internistas, patologia clínica ou pediatras. Estes são só alguns dos exemplos de especialidades onde faltam médicos no Serviço Nacional de Saúde. Os baixos salários, cortes nas horas extra e degradação das condições de trabalho fazem com que optem cada vez mais pelo setor privado e pelo estrangeiro, onde têm melhores condições e ordenados mais altos. No caso dos anestesistas, ganham no público entre 1500 e 2300 euros limpos por mês, se juntarem horas extra, enquanto no privado podem chegar aos 6 mil euros. No estrangeiro há quem receba mais de 19 mil euros brutos.» [DN]
   
Parecer:

Os portugueses vão pagar caro ter aceitar a mentira de que no Estado era uma fartar de vilanagem.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

 É para isto que servem os boys, para fazerem fretes
   
«O Instituto de Segurança Social veio ontem, em novo comunicado, procurar ilibar o cidadão Pedro Passos Coelho de ter sido beneficiado. Mas este organismo continua sem explicar - como não explicaram as respostas dadas pelo primeiro-ministro aos deputados - a que corresponde o valor em dívida prescrito, de contribuições à Segurança Social que não foram pagas de 1999 a 2004, e que Passos Coelho só liquidou no passado mês de fevereiro de 2015.

A Segurança Social já explicou que a sua dívida era de 2880,26 euros, mais 1034 euros de juros de mora, não mais, e Passos agarrou-se a isso. Pagou o que lhe foi pedido. Só que o Instituto da Segurança Social ainda não detalhou a que correspondem esses 2880,26 euros de dívida - meses e valores. Por isto, o grupo parlamentar do PCP insistiu com mais sete perguntas, queixando-se de que houve "omissão de alguns dos elementos requeridos".» []
   
Parecer:

Mais um momento triste para a dignidade do Estado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  

   
   
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