Segunda-feira, Setembro 07, 2009

Os novos heróis da liberdade

Nesta mentira da asfixia democrática, concebida pelo filósofo da Marmeleira, em que Manuela Ferreira Leite embarcou à falta de melhor discurso político, tem-se tentado identificar em todos os gestos de Sócrates os tiques de um ditador. O perfil pessoal do primeiro-ministro até ajuda, para uma direita que nasceu à sombra do autoritarismo, liderada por uma Ferreira Leite transvertida numa velhinha simpática, dócil, tolerante, sorridente e vestida à Sarah Palin, a melhor forma de afastar os seus fantasmas é chamando ditadores aos outros. Compreendo que algumas personagens do PSD se sintam em dívida para com os que lutaram pela democracia em Portugal, mas convenhamos que se foram cobardes quando poderiam ter um gesto, mesmo que pequeno, em defesa da liberdade, não é agora aos sessenta ou setenta que poderão inscrever o nome na história da democracia portuguesa, é um pouco tarde. A democracia nada deve à geração cavaquista do PSD, é gente que nunca teve coragem de enfrentar a ditadura, têm-na agora porque é bem mais cómodo chamar ditadura a uma democracia para se armarem em libertadores. Ouvir Ferreira Leite falar em asfixia democrática ou assistir a Cavaco Silva afirmar “conquistámos a democracia”, como se alguma vez tivesse mexido um dedo contra a ditadura. A democracia surpreendeu-os com mais de trinta anos, é um absurdo virem agora armarem-se em paladinos da democracia. Por mim dispenso que gente que passou a ser alérgica a cravos vermelhos desde que estes se tornaram símbolo da democracia portuguesa, venha agora armarem-se em defensores do que muitos outros, com grandes sacrifício, conquistaram. Um partido que mantém a Região Autónoma da Madeira refém dos métodos políticos de Alberto João Jardim encontro dois grandes heróis da liberdade: ao professor Charrua juntou-se agora a Manuela Moura Guedes. O primeiro adquiriu o estatuto de herói porque nas horas de trabalho andava pelos corredores a chamar “filho da puta” ao primeiro-ministro. A segunda porque andou a tentar julgar o primeiro-ministro na praça pública, substituindo-se aos tribunais. O país não tem culpa culpa de que Ferreira Leite tenha preferido ser administradora do Santander em vez de deputada deputada, mas se o tivesse sido saberia que nesta legislatura o Parlamento adoptou regras de debate bem mais democráticas do que as do tempo de Durão Barroso, que José Sócrates foi mais vezes ao Parlamento em seis meses do que Cavaco tinha ido em duas legislaturas, ou que a linguagem e o professor Charrua se tornou em argumento político de um dos seus deputados. É uma ofensa à história da democracia portuguesa que para que Manuela Ferreira Leite corrija uma falha no seu pobre percurso político venha impingir ao país novos heróis da liberdade como o professor Charrua ou a Manuela Moura Guedes, que sob o seu patrocínio um Alberto João, educado para servir a ditadura, venha dar lições de democracia ao PS ou a qualquer partido português. Se Manuela Ferreira Leite tem vergonha do seu passado político ou se sente incomodada porque o cavaquismo em nada contribuiu para melhorar a democracia portuguesa é um problema seu. Foi ela que saneou Passos Coelho ao contrário de Sócrates que respeitou Manuel Alegre, é ela que escolhe candidatos a deputados que têm tromboflebites no braço no dia dos exames periciais na PJ, foi o seu candidato a Lisboa que fez chantagem sobre a TVI para conseguir ver-se livre de Marcelo Rebelo de Sousa, seus os seus antigos amigos dos governos de Cavaco Silva que fizeram uma burla de mais de dois mil milhões de euros, foi o seu partido que tentou afastar Fernanda Câncio do Diário de Notícias, é o seu partido que trata a Madeira como se fosse um principado do Uganda de Idi Amin Dada. Compreendo que para líder política o seu currículo tenha um grande défice no que se refere ao contributo para a democracia, mas é vergonhoso que supere essa fragilidade impondo ao país novos heróis da liberdade. É coisa que não faltam à democracia portuguesa, foram muitos os cidadãos deste país que deram mostras de grande generosidade em favor da democracia, alguns deles foram mesmo fundadores e militantes do PSD, mas não é o caso de Manuela Ferreira Leite ou de Cavaco Silva.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Bispo-de-coroa-amarela [Euplectes afer] no Paul da Barroca

JUMENTO DO DIA

Joana Amaral Dias

Tal como se percebeu na ocasião nem tudo foi dito sobre o suposto convite a Joana Amaral Dias, apenas se lamenta que a militante de base do BE não tenha tido a coragem de dizer tudo, fazendo-o só agora.

O DEBATE ENTRE FERREIRA LEITE E LOUÇÃ

Louçã aplicou a Manuela Ferreira Leite a mesma receita que tinha adoptado com Jerónimo de Sousa e resultou, o líder do BE conduziu o debate e pôs Manuela Ferreira Leite embevecida a ouvi-la.

Manuela Ferreira Leite foi incapaz de contrariar Louçã na questão das nacionalizações, apesar de o seu programa falar em peso asfixiante do Estado refugiou-se na PME para contornar os argumentos de Louçã. Manuela chegou à brilhante conclusão de que se não fosse o peso das pequenas e médias empresas estaria solidária com Louçã, isto é, aceitaria a nacionalização.

No capítulo da Segurança Social Ferreira Leite limitou-se a recuar na privatização do sistema tendo perdido o sorriso com que iniciou o debate, concluindo que são os contribuintes que terão de suportar a redução da taxa social única. Tal como com as nacionalizações Ferreira Leite contornou o debate sugerindo a discussão do problema do emprego, talvez por pensar que nessa questão não seria incomodada.

Na questão do emprego concordou com Francisco Louçã, concluiu que as propostas de Louçã constavam no seu programa.

AVES DE LISBOA

Alvéola-branca [Motacilla alba]

FLORES DE LISBOA

No Jardim Botânico Tropical

A CRONKITE DE QUELUZ

«Diz Vasco Pulido Valente (no Público, ontem), para nos ilustrar sobre Manuela Moura Guedes, que não importa que o programa dela fosse bom ou mau, e acrescenta: "Embora, quanto ao estilo e ao tom, os críticos ganhassem em conhecer Walter Conkrite, Chet Huntley e David Brinkley - e muito do que ainda se continua a fazer hoje na América e em Inglaterra."

Se se trata do Walter Cronkite que julgo ser, com um "r" noutro sítio, e pivot da CBS Evening News durante vinte anos (até 1981), foi considerado (e nas contas entravam os líderes políticos e religiosos) "o homem em quem a América mais confia." Calculem o estilo e o tom e comparem-no com a agora alcandorada a Walter Cronkite de Queluz. Falo por mim, não quero generalizar, mas garanto-vos: confiança não é exactamente o que me inspira Manuela Moura Guedes. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

JERÓNIMO DESAPARECIDO EM DEBATE

«Ontem, o líder comunista deve ter desiludido muitos dos militantes do seu partido. Faltou-lhe agressividade política e preparação. Podia ter falado da UGT quando Sócrates se referiu à falta de independência do movimento sindical. Até no conflito dos professores foi mole e mal preparado. Definitivamente, ser simpático não chega.

Francisco Louçã, o ausente, ficou a ganhar. É cada vez mais claro que é ele o líder da esquerda à esquerda do PS. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Por João Marcelino.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

MAIS UMA HOMENAGEM A MANUEL PINHO

«O ex-ministro da Economia Manuel Pinho vai ser alvo de uma homenagem por parte dos empresários da região de Leiria.

Num encontro liderado pelo LN Group, da área de moldes e plásticos, o jantar decorrerá esta segunda-feira, prevendo-se a participação de várias dezenas de pessoas.» [Correio da Manhã]

Parecer:

E não fazem nenhuma ao deputado Bernardino Soares?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao mau deputado.»

MANUELA, DEFENSORA DA LIBERDADE

«Um programa silenciado, um grave atentado à liberdade da Comunicação Social e um clima de retaliações. Este é o diagnóstico de Manuela Ferreira Leite, líder do PSD, quanto à suspensão do ‘Jornal Nacional de 6ª, da TVI, e consequente afastamento de Manuela Moura Guedes. No fim da linha, "nunca ninguém saberá o que realmente se passou", mas para a presidente social-democrata acredita que "quem ousa dizer alguma coisa que não está de acordo com o Governo de Sócrates sofre retaliações".» [Correio da Manhã]

Parecer:

Esta versão da Manuela dá vontade de rir.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a competente gargalhada.»

LOUÇÃ FOI OPORTUNISTA

«O facto de Francisco Louçã ter colocado esse convite e as suas implicações políticas - as que Louçã viu nesse convite - nas primeiras páginas e na crista da onda da comunicação social não me agradou. Tenho pena que assim fosse porque o convite foi-me dirigido a mim e, portanto, eu é que teria de fazer a gestão política desse convite e não Francisco Louçã. Para além de também não me rever no excesso de atenção e exposição que este convite recebeu na comunicação social! Não acho que eu fosse ou seja merecedora desse tipo de exposição. Não entendo que merecesse esse tipo de atenção! Não me senti ofendida por esse convite, acho até normal que um partido político nestas circunstâncias - com um militante que foi afastado da direcção, etc. - o fizesse e comuniquei apenas por transparência. Portanto, fiquei perplexa e desagradada quando vi o tratamento que foi dado por parte do Bloco de Esquerda e depois pelas ondas de repercussão.» [Diário de Notícias]

«O líder do BE desvalorizou hoje, domingo, as críticas de Joana Amaral Dias, que manifestou desagrado por Louçã ter explorado politicamente um convite feito à militante "bloquista" para que integrasse as listas de deputados do PS.

Numa entrevista ao Diário de Notícias, Joana Amaral Dias diz ter sido "lamentável a utilização que Louçã deu ao convite" que foi dirigido pelo PS à ex-deputada para integrar as listas de candidatos deste partido ao Parlamento.

A perspectiva do líder do BE é outra: "A Joana Amaral Dias escolheu, na sua inteira liberdade, telefonar à TVI e dar a notícia. E houve milhões de pessoas que souberam porque ela quis, e tinha o direito de o fazer. Portanto, não é uma questão de alarido, é de respeito pela sua própria posição". » [Jornal de Notícias]

Parecer:

Como de costume.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

ILLUZIONIST

FANTASY LEAGUE

Domingo, Setembro 06, 2009

Semanada

A não ser os que acham que os portugueses são estúpidos ou fazem insinuações mais ou menos cobardes e oportunistas é que poderão pensar que Sócrates interveio para se livrar da família Moniz. Por isso subsiste a dúvida, quem tramou Manuela Moura Guedes ou, melhor, José Sócrates? A Prisa diz que foi a Media Capital e esta diz que foi a Prisa. Uma coisa é certa, se eu fosse patrão da madame Moniz e ela me chamasse estúpido dava-lhe um pontapé no traseiro que ela teria que amortecer a queda com os beiços.

Todo este processo é estranho e confuso, os ataques a Sócrates com o objectivo claro de o destruir começaram com Pina Moura à frente da Media Capital, o mesmo Pinha Moura que agora é admirador dos papers da Manuela Ferreira Leite, o mesmo Pina Moura que preside a uma Iberdrola que perdeu importantes concursos públicos. Tudo isto é muito confuso.

O que não é confuso é a postura dos líderes dos partidos da oposição, à excepção de Paulo Portas todos eles detestam a Manuela Moura Guedes quanto eu, todos eles consideram um nojo o jornalismo praticado por Manuela Moura Guedes, todos eles sabem que há uma tentativa de linchamento de Sócrates. Mas entre os votos e a dignidade todos optaram pelos votos, sancionam um modelo de jornalismo de que um dia destes serão vítimas. Cá estamos para esperar e ver.

Desta vez Cavaco Silva limitou-se a armar-se em conquistador da democracia e ficou-se por umas insinuações ligeiras. Cavaco já percebeu que não convém mexer no processo Freeport mais do que já fez, este processo é irmão gémeo do caso BPN e o melhor é que ninguém repare que nada se diz do roubo de dois mil milhões de euros praticado pelos seus velhos amigos. O confronto político está a chegar a níveis que ele próprio poderá ser levado pelo turbilhão, até porque poderá ter ganho mais com as acções da SLN do que os arguidos do caso Freeport ganharam com a aprovação do projecto.

Pelo meio ficam os silêncios estranhos, gente que gosta muito de falar em solidariedade mas quando é preciso arriscar opta por se dedicar à pesca desportiva. Enfim, a vingança é sempre saborosa mesmo que seja servida por Manuela Moura Guedes.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Convento do Carmo, Lisboa

JUMENTO DO DIA

Vasco Pulido Valente

O parceiro de Manuela Moura Guedes acredita na inocência de Sócrates, mas como o líder do PS não gostava do que os monizes lhe estavam a fazer merece o castigo de se pensar que foi ele a acabar com o programa. Se este é o conceito de justiça de Vasco Pulido Valente não é o jornal da Manuela que merece ser encerrado, é o país. Não há país que aguente tanta desonestidade intelectual.

UMA DÚVIDA

Haverá alguma relação entre a preferência de Pina Moura pelo programa do PSD e a actuação da família Moniz à frente da TVI desde que Pina Moura assumiu a presidência da Media Capital? Coincidência ou não, foi quando Pina Moura chegou à Media Capital que alguém soltou os cães da TVI contra José Sócrates.

Ou estou muito enganado ou este caso é um dos golpes mais baixos da política portuguesa.

Quem quer destruir Sócrates? Moniz, Pina Moura ou ambos? E porquê? Porque causa da televisão digital, por causa dos concursos que a Iberdrola perdeu ou por ambos?

AVES DE LISBOA

Periquito-de-colar [Psittacula krameri] Local: Parque José Gomes Ferreira [2009-09-05]

FLORES DE LISBOA

O IMPORTANTE NO CASO DA TVI

«Em Espanha muito mudou desde então. Cebrián incompatibilizou-se com Zapatero. Por um capricho do mercado, veja-se a coincidência, surgiu um outro grupo de media socialista que canibalizou os interesses da Prisa. Em crise profunda, o grupo espanhol até se deve ter sentido prejudicado com o negócio que recentemente deixou de fazer com a PT, vetado pelo Governo face às dúvidas da oposição.

Todos estes dados devem servir de aviso. Num país há sectores estratégicos. Os negócios de ocasião, ditados por interesses conjunturais de família ideológica, podem não valer um programa de Manuela Moura Guedes.

Do ponto de vista jornalístico e deontológico já escrevi aqui sobre o Jornal Nacional da TVI que havia às sextas-feiras. Não gosto das circunstâncias que rodeiam o seu desaparecimento. Fico desconfiado. Mas não lamento a saída de antena daquele programa pseudo-informativo. Deixo esse exclusivo à hipocrisia de uma grande parte da corporação e à necessidade dos políticos em campanha.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por João Marcelino.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

DECO DÁ SHOW DE BRIO

«Gilberto Madaíl, com a delicadeza de uma manada de elefantes na pequena área, abanou com uma mão-cheia de notas: "Os prémios de jogo são apenas simbólicos para muitos jogadores, mas é uma situação que está a ser estudada." Traduzo: caso se ganhe hoje à Dinamarca, haverá aumento do prémio de jogo... Não foi boa ideia pôr dinheiro na mesa num momento em que se julgava os jogadores movidos por outra coisa. Para nós, a selecção portuguesa começou a campanha para o Mundial 2010 como a favorita da qualificação. Talvez ela nos tivesse mal habituado, mas é assim. Aconteceram, porém, os semi-desastres que nos colocam à beira da angústia. Um empate hoje é (quase) o fim. Daí que falar de notas do Banco de Portugal foi mal recebido quando preferíamos pensar que o que determinava eram as notas do Hino Nacional... Por ironia, agora que tanto se discute a convocatória de Liedson, foi de Deco, outro oriundo do Brasil, que veio a resposta ao prémio do jogo: "Se ele [Madaíl] disse isso, foi infeliz. O nosso prémio é estar no Mundial." Eis um hino. Ouvir o brio de um trabalhador, com pronúncia de São Bernardo do Campo ou de Mangualde, comove-me sempre. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

TÍTULO 12

«Em Agosto, que é esta merda de mês que acabou agora mesmo, descobrimos que a minha mulher tem um cancro na mama. Nós "descobrimos": mas ela é que tem. Nem é tão simples: às vezes não foi ela que descobriu e sou só eu é que tenho. Tenho tentado escrever sobre tudo menos isso. Mas é sempre sobre o cancro dela que eu escrevo. Parece que é sobre uma praia mas a praia, em Novembro, já não é a mesma que em Agosto. Parece que é sobre uma uva mas a uva muda e o vinho é o que fica dessa mudança.

Tenho medo. O medo não é nada amigo de quem escreve. Então quando faz medo de escrever certas coisas que fazem medo. Ou podem dar azar. Mas depois pensei assim: qual é a coisa que eu faço? Qual é a coisa para a qual tenho mais jeito? A falar, sou uma miséria. Atropelo-me de tantas ideias contrárias; cada uma a ver se pega; a esganar-se a ver se fisga o ângulo por onde hei-de entrar.

Eu sei que a minha tristeza se nota. Que o amor pela minha mulher se nota mais ainda. E que isto são coisas chatas para quem passa o dia a trabalhar em coisas chatas e abre um jornal para se distrair.

Peço desculpa. Mas hoje tinha de ser. A Maria João deu-me licença. E eu abusei logo. Todos nós temos um problema que nos foge e vai matar. Todos nós fingimos que não é bem assim. Mas é bem assim. E eu hoje tive de desabafar, por ter sido, nos últimos tempos, tão mentiroso e tão cobarde. A verdade é sempre o melhor remédio. Dizem. Daqui para a frente vai ser pior.» [Público]

Parecer:

A minha solidariedade para Miguel Esteves Cardoso e o desejo de que a esposa vença a batalha contra o cancro.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

O CASO DE MANUELA MOURA GUEDES

«Sócrates ficou indignado. Como se permitia aquele despautério? Como não se corria com a senhora? Por falta de hábito e por incapacidade de sofrer o "atrito" que o primeiro-ministro inevitavelmente sofre, entrou logo, furibundo, no melodrama e no erro. Em vez de se contentar, com um comunicado curto e peremptório, inventou uma "conspiração negra", esbracejou no Parlamento e no congresso do PS contra Manuela Moura Guedes, caiu mesmo na imperdoável asneira de a processar. Ele é sem dúvida o principal responsável pelo "fenómeno Manuela", de que tanto se queixa, como, de resto, do ambiente de cortar à faca, que se criou no país. Acredito que não suprimiu ele próprio o Jornal de Sexta na véspera de eleições - não é tão cego. Mas merece as consequências. » [Público]

Parecer:

Este Vasco Pulido Valente é mesmo um sacana.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Arquive-se.»

COMEÇOUA A DESINFESTAÇÃO NA TVI?

«Gritaria, acusações, insultos. Houve de tudo um pouco no plenário selvagem realizado ontem à tarde na redacção da TVI. Tudo por causa da escolha de Patrícia Matos, uma estagiária contratada no início do ano para a TVI 24, para apresentar o primeiro jornal de sexta-feira sem Manuela Moura Guedes. O plenário transformou-se rapidamente numa imensa algazarra, com João Maia Abreu, director de informação interino, a dar a cara pela escolha e Manuela Moura Guedes a ser acusada por vários jornalistas de ser a responsável pelo afastamento dos pivôs habituais.

As trocas de acusações sucederam-se, os berros também, o ambiente na redacção de Queluz de Baixo fazia lembrar os tempos vividos no PREC em 1975. Manuela Moura Guedes chegou mesmo a insultar a jornalista Paula Magalhães, uma histórica da TVI, mas foi violentamente atacada pelo seu comportamento na estação nos últimos anos. E houve mesmo quem lhe dissesse, cara a cara, sempre num ambiente de grande exaltação, que o famoso ‘Jornal Nacional de 6ª’, cancelado pela administração da Media Capital, era, afinal, ‘uma porcaria’. Tudo isto se passava à frente da estagiária escolhida, que, a duas horas de ir para o ar, assistia a uma violenta discussão sobre a sua presença no ecrã. E mesmo quando o plenário selvagem acabou e as pessoas voltaram aos seus lugares, a tensão não diminuiu, antes pelo contrário.

O CM sabe que o processo de escolha do pivô substituto de Manuela Moura Guedes começou na quinta--feira. A direcção de Informação falou com José Carlos Castro, mas o pivô está de férias e não podia deslocar-se a Queluz. Pedro Pinto tinha uma apresentação de um livro e afirmou que não ia substituir uma pessoa com quem tinha trabalhado dez anos, muito embora tenha ocupado o seu lugar quando os espanhóis afastaram Manuela Moura Guedes dos ecrãs mal chegaram a Queluz. Já Júlio Magalhães tinha uma festa de anos no Porto, mas, sabe o CM, estava disposto a vir a Lisboa. No entanto, um telefonema de Manuela Moura Guedes, que fez tudo para impor a escolha de Patrícia Matos para pivô ontem à noite, fê-lo mudar de ideias. » [Correio da Manhã]

Parecer:

Era de esperar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Reserve-se um lugar sentado na fila da frente.»

NUNCA SE SABERÁ

«A líder do PSD reagiu este sábado à polémica suspensão do ‘Jornal Nacional de Sexta’, dizendo que “aquilo que se passou nunca se saberá o que foi”.

Manuela Ferreira Leite mostrou-se preocupada com o clima de “asfixia democrática”, falou em ameaças à “liberdade total” e lembrou que o programa da TVI era “incómodo” para o primeiro-ministro José Sócrates.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Velhaca como de costume Manuela Ferreira Leite não resiste ao golpe baixo e insinua como se o ónus da prova estivesse do acusado. Só se esqueceu de dizer que no tempo do governo do seu partido soube-se.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Ferreira Leite se já se esqueceu do que o seu candidato a Lisboa fez a Marcelo Rebelo de Sousa.»

CILADA?

«O PS jura a pés juntos que não teve qualquer interferência no caso do Jornal Nacional da TVI e há quem fale numa "cilada" para prejudicar o partido, a três semanas das eleições legislativas. Os socialistas apoiam-se no argumento de que a notícia do cancelamento do espaço noticioso de Manuela Moura Guedes prejudica José Sócrates, pelo que não faria sentido que fosse o primeiro-ministro a pressionar este desfecho.

"É como nos crimes, tem que se procurar quem é que beneficia com o crime para encontrar o criminoso", afirmou ontem ao DN Renato Sampaio, líder da federação do PS do Porto. "Houve aqui uma montagem para criar um facto que prejudica o PS", sustenta o dirigente, apontando baterias a Manuela Moura Guedes, sem poupar a oposição pelo caminho. "Isto surge após um conjunto de declarações da senhora jornalista, em entrevistas que deu. Leva-me a pensar que houve uma cilada montada para dar este resultado, sabendo que prejudicaria o PS." Renato Sampaio acrescenta que Moura Guedes "foi deputada do CDS, tem tudo a ver com os partidos de direita, está a fazer o jogo da direita". Questionado sobre se os partidos terão alguma coisa a ver com o caso, responde assim: "Não sei se não têm". » [Diário de Notícias]

Parecer:

O certo é quye Manuela Moura Guedes provocou a Media Capital quase sugerindo o seu despedimento ao chamar estúpidos aos patrões.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelas eleições.»

A ANEDOTA DO DIA

«O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, declarou hoje que Portugal vive "uma democracia limitada" porque os titulares dos cargos públicos não se podem exprimir em período de pré-campanha eleitoral.

"Portugal não é ainda uma democracia plena, há leis que já vem desde o 25 de Abril para poder beneficiar quem todos sabem e que impedem os presidentes de câmaras e de governo, os titulares de cargos públicos de ter liberdade de expressão quando, nestes períodos pré-eleitorais, estão numa cerimónia pública', disse na inauguração do caminho municipal de ligação entre os sítios da Achada e Fajã dos Rolos, em Machico. » [Jornal de Notícias]

Parecer:

Só para rir.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Recorde-se as origens fascistas de Alberto João.»

QUEM CALOU A DONA MONIZ?

«O terramoto político causado pelo fim do Jornal Nacional de Sexta (JN6) de Manuela Moura Guedes pela administração da TVI continua a provocar réplicas, mas ainda não foi identificado o seu epicentro. Depois de na quinta-feira ter remetido todas as explicações para a Media Capital, a Prisa negou ontem qualquer interferência na decisão e insistiu nas responsabilidades em solo português.

O pingue-pongue entre a empresa-mãe (Prisa) e a sua subsidiária nacional (Media Capital) mantém-se. Fonte da Prisa precisou à Lusa que foi uma decisão "da direcção" do canal" e "com o envolvimento da direcção-geral da Media Capital". Mas na véspera a Media Capital atirava a responsabilidade para a Prisa e ontem nada quis acrescentar.

O PÚBLICO confirmou, no entanto, que a decisão foi comunicada na segunda-feira por Juan Luis Cebrián (administrador não-executivo da Media Capital e presidente executivo da Prisa) a Bernardo Bairrão. O administrador-delegado da Media Capital, que acumula o cargo de director-geral desde que José Eduardo Moniz saiu há um mês, explicou a Cebrián que o timing não era o adequado, por ser em vésperas do regresso do programa e pela promiximidade das eleições.» [Público]

Parecer:

É indiferente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «A Prisa e a Media Capital que se entendam.»

MARINA

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