sábado, janeiro 25, 2014

A bandalheira a que isto chegou

Há quem tenha ficado ofendido com a forma como Passos Coelho resolveu dizer que tipo de candidatos presidenciais queria definindo de forma pouco digna as características que rejeitaria. Escreveu Passos que não quer um candidato “cata-vento de opiniões erráticas”, defeitos que logo todos encontraram em Marcelo Rebelo de Sousa, por oposição a um tal Durão Barroso que nunca foi cata-vento, nem teve ideias erráticas.
  
Na verdade Durão Barroso nunca foi nem é um cata-vento, ainda não sabe muito bem se quer ser candidato a continuar na Comissão Europeia, se o melhor será candidatar-se à NÃO, ou talvez à ONU ou mesmo a Presidente da República, cargo miserável mas sempre dá direito a um palácio e mais algumas mordomias. Durão Barroso é um modelo de virtudes a quem nunca ninguém viu mudanças de ideias desde o tempo que militava no MRPP.
  
Como seria de esperar Marcelo deixou a Passos Coelho a falar sozinho, deu-lhe um xeque-mate pastor, o xeque-mate com que se brinca com as crianças pois o jogo termina em cinco jogadas. Marcelo limitou-se a dizer de forma obediente que se Passos não o queria ele não seria candidato, mais obediente que este Marcelo só mesmo o Miguel Beleza que parecia estar com uma bebedeira de caixão à cova quando disse a Passos que era um seu admirador incondicional.
  
Quem veio em defesa de Passos? Só podia ser mesmo o modelo de princípios do regime, a última fronteira da ética em política, o provedor da Santa Casa Pedro Santana Lopes, um antigo candidato a Belém que Cavaco arrumou pondo-o à venda na Feira da Ladra com o estatuto de má moeda, algo que o actual Presidente, tal como agora Passos em relação a Marcelo, sempre disse que não se referia ao Cristo das chagas e facadas pelas costas.
  
O mais grave de todo este espectáculo é evidenciar que a Presidência da República tem hoje menos dignidade do que um circo de rua. Se Passos escolhe aquela forma de definir o estatuto de um candidato a Presidente da República é porque a sua consideração pela instituição não é grande coisa, aliás, se houvessem dúvidas bastaria a sua preferência por Durão Barroso como prova de que para ele Belém está ai nível da Quinta dos Húngaros.
  
O mais grave de tudo isto é que desta vez Passos Coelho tem toda a razão.
  
  


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