sexta-feira, janeiro 03, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Coimbra
  
 Jumento do dia
    
António José Seguro

Estando em causa uma resposta ao discurso de ano novo de Cavaco Silva e manifestar uma grande discordância em relação a muito do que foi dito nesse discurso o mínimo que se esperava era que fosse o secretário-geral do PS a dar a cara pela resposta e as chamar a si o protagonismo da posição do seu partido. Seguro preferiu continuar a queimar-se no madeiro de Penamacor.

Parece que Seguro começou muito bem 2014, em férias prolongadas.

 
 Cavaco em todo o seu esplendor

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Aos poucos os portugueses vão-se habituando à ideia, uma coisa eram os Presidentes da República que até aqui tinham tido e outra é o senhor Cavaco Silva. Aqueles que ainda viam na Presidência da República o último reduto da defesa da Constituição perceberam agora que com a direita em Belém e em São Bento o regime político português volta ao velho sistema em que há um presidente do conselho que tudo decide e a quem as outras figuras e instituições do Estado devem obedecer.
  
Cavaco Silva não podia ter sido mais claro, ao chamar a atenção dos portugueses para o facto de ainda viverem em democracia apesar da austeridade, isto é, ao aprovar de olhos fechados a duplicação da austeridade Cavaco sugeriu que deveríamos estar felizes por ainda podermos falar em público sem irmos presos. Isto é, o grande valor que lhe devemos não é o respeito de todos os princípios constitucionais que regem a democracia mas apenas aqueles que ele entende não deverem ser ignorados apesar da austeridade.
  
O político que beneficiava de uma ficha muito simpática da PIDE e que sempre foi alérgico aos cravos vem agora usar o 25 de Abril no seu discurso sugerindo aos portugueses que lhe devem estar gratos porque vivem em democracia. O que Cavaco acabou de fazer foi dizer aos partidos, aos tribunais e aos portugueses o que a direita sempre disse que o bom do 25 de Abril foi a democracia, tudo o que veio depois era dispensável. E tudo o que veio depois foram as regras dessa democracia, foi a Constituição aprovada e sucessivamente revista por mais de dois terços dos deputados.
  
Cavaco ignorou ostensivamente o discurso da defesa da Constituição e em vez disso optou pelo discurso da democracia, como se para defender a democracia os portugueses algumas vez precisaram da sua personagem. Na hora de defender a democracia do seu governo os portugueses nunca precisarão nem dele nem da dona Maria, nesse dia Cavaco pouco mais fará do que refugiar-se na Quinta da Coelho onde estão alguns dos que montaram o BPN para roubar o país.
  
O discurso de Cavaco teve uma virtude, Cavaco sentiu a necessidade de mostrar-se aos portugueses em todo o seu esplendor, agora muitos do que o escolheram para Presidente da República sabem quem têm em Belém e o que podem espera dele. Ows portugueses escolheram um presidente sobre a opinião acerca da constitucionalidade das normas do OE, decidiu com base nos pareceres que encomendou. Resta saber qual o critério seguido na escolha dos autores dos pareceres, provavelmente foram contratados os mesmos que o governo costuma contratar quando tenta convencer os juízes do Constitucional. Quanto gastará a Presidência da República em pareceres?
 
Resta apenas perguntar a Cavaco Silva no que é que os perigosos "interesses partidários" estão em conflito com os interesses dos portugueses? Estar-se-á a referir aos que usaram as relações partidárias para roubar o país sob as mais diversas formas através da criação do BPN? Só pode ser isso, só mesmo a seita que ganhou dinheiro fácil recorrendo aos mais diversos esquemas do BPN ou da SLN pode agora vir lançar suspeitas sobre os interesses partidários e dessa forma denegrir a democracia. Há por aí quem atrás de algumas cortinas partidárias tenha montado fraudes, mas certamente não é a esses interesses que Cavaco se refere.
 
Para Cavaco há dois jogos, o da democracia parlamentar onde estão os interesses partidários e das reuniões secretas com controleiros de Belém onde se discutem as uniões nacionais segundo os superiores interesses dos portugueses, tal como são interpretados por Sua Excelência.
 
      
 O meu melhor negócio do ano
   
«Os dias estão naturalmente explicados, nascem com a repetição do Sol, que todos vemos. Já os anos, mais largos e esbatidos, precisaram da intenção humana, foram inventados. Isto é, os homens precisaram de um marco para dizer que mudavam. Foi assim que apareceu o Dia do Ano Novo, o 1 de janeiro. Janeiro de Jano, o deus romano com face dupla, uma para trás, outra para a frente. A mensagem era: atendendo o que foi, a partir de hoje vai ser melhor... É o dia das promessas e das esperanças. Promessas, porque pessoais, ainda as podemos ter, apesar de mentirosas: em 2014, vou emagrecer. Mas esperanças não há quando conjugadas com a atual data. Em 1 de janeiro de 2014, a cara virada para o passado viu nada; a virada para o novo ano nada vê. No ano passado, ao parar um táxi vazio, não nos admirava se víamos sair dele o chefe do Governo. Amanhã, suspeitamos (de facto, sabemos) ser bem provável que volte a sair um primeiro-ministro, este ou o outro, quando para um táxi vazio. Estamos, assim, sem esperança. E no entanto... Acabei o ano dirigindo-me a um jovem toxicodependente: "Lembra-se daquela senhora velhinha a quem carregava as compras? Morreu ontem, e deu-me isto para si", disse eu, entregando-lhe uma nota de 20 euros. Ele dobrou a nota em quatro e meteu-a num bolso. Estendeu-me a mão. Ia-me embora mas ele chamou--me. Mexia no outro bolso: "Compre duas velinhas", disse, dando-me uma moeda de um euro. Estendi-lhe a mão. Bom ano!» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
      
 O presidente no seu melhor
   
«A mensagem de Ano Novo dita ontem aos portugueses pelo presidente da República é um bocejo. São seis páginas de conversa mole e desinteressante em que Cavaco Silva mostra como politicamente é: um monumento ao taticismo e ao equilibrismo, de modo a não chatear Deus, nem incomodar o diabo.

Ao dar uma no cravo e outra na ferradura, como diz o povo, o chefe de Estado mostra, por outro lado, toda a sua fragilidade enquanto ator político. Num tempo que reclama decisão e ação, o presidente da República escolhe a lassidão (política, claro).

Cavaco Silva está metido na trincheira que o próprio cavou quando, na crise do verão quente de 2013, tentou transformar um triângulo num quadrado, tese em que ontem insistiu, ainda que de maneira mais sibilina. A embrulhada do "compromisso de salvação nacional" foi de tal forma mal gerida e teve um tal resultado que, agora, o chefe de Estado não pode, sob pena de abrir o flanco, tecer um encómio ao Governo ou, ao invés, dirigir-lhe uma crítica mais severa - seria imediatamente acusado de estar a tramar Passos, por quem, como se sabe, não morre de amores.

Piscar o olho a Seguro é, igualmente, possibilidade fora de causa. A inversa também é verdadeira. Um elogio ou um ralhete ao líder do principal partido da Oposição seriam tomados como uma ajuda ao Governo e uma afronta ao PS.

É por estar metido nesta camisa de onze varas que o chefe de Estado nos presenteou com pérolas do seguinte calibre:

- "O desemprego manteve-se em níveis muito elevados". Ai sim?

- "Orgulhamo-nos de viver numa democracia consolidada". Viva!

- "No ano findo, surgiram sinais que nos permitem encarar 2014 com mais esperança". Consta que o comum dos portugueses ainda não avistou tais "sinais", apesar de redobrados esforços para chegar ao final do mês com os bolsos mais compostos.

- "Há que reconhecer o extraordinário esforço feito pelos nossos empresários e trabalhadores". Ai sim?

- "Há razões para crer que Portugal não necessitará de um segundo resgate. Um programa cautelar é uma realidade diferente". A sério?

Há um ano, o presidente da República mandou o Orçamento do Estado para o Tribunal Constitucional, por entender que os gigantes sacrifícios pedidos aos portugueses afetavam "alguns mais do que outros", facto que naturalmente lhe suscitava "fundadas dúvidas".

Este ano, apesar da violência da crise continuar a manifestar-se em todo o seu esplendor, Cavaco não esclareceu sequer se pretende pedir aos juízes do Palácio Ratton ajuda para descortinar eventuais problemas no Orçamento. A razão é simples: o presidente da República odeia, mas odeia mesmo, meter-se em (inevitáveis) problemas antes do tempo.» [JN]
   
Autor:

Paulo Ferreira.
   
   
 O SCP já tem o seu D. Sebastião
   
«Cristiano Ronaldo considerou hoje que lhe falta no currículo um título de campeão pelo Sporting, afirmando que seria "um orgulho", mas não se comprometeu a regressar ao clube onde fez a sua formação como futebolista.

"Realmente, no meu currículo ainda me falta o título de campeão pelo Sporting. Não sei se acontecerá ou não, porque ninguém sabe o que vai suceder no futuro, mas que seria um orgulho... lá isso seria", disse hoje o avançado do Real Madrid em entrevista ao jornal desportivo Record.» [DN]
   
Parecer:

Convenhamos que não seria coisa fácil....
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Ronaldo de quantas vezes se lembra de ver o SCP campeão.»
  
 Mas que belo ajustamento
   
«O período do ajustamento da troika, entre 2011 e 2014, será claramente marcado por uma redução do défice feita à custa de um aumento da dívida pública. Esta transferência de encargos correntes para o futuro está patente nas contas oficiais: em média, por cada euro a menos no défice, a dívida pública engorda à razão de 1,1 euros nestes quatro anos.

A estratégia seguida é da responsabilidade do Governo e da troika, que optaram por limpar contas correntes e ajudar o sector bancário, atirando os encargos financeiros para o stock da dívida (dinheiro que terá de ser pago no futuro e que agrava a fatura com juros). No caso do Banif, por exemplo, cuja ajuda de 700 milhões de euros agravou o défice de 2013 de 5,5% para 5,9%, as Finanças ainda insistem em reclassificar a despesa na dívida pública, contestando uma decisão do Eurostat. A decisão final sobre este tópico em concreto só será conhecida este ano, eventualmente no final de março, no reporte regular dos défices excessivos.

Segundo cálculos do DN/Dinheiro Vivo, em 2013, em contabilidade nacional, por cada euro a menos no défice, a dívida engordou 7,3 euros. Este ano, o ritmo vai abrandar, mas ainda assim por cada euro a menos no défice irá parar à dívida mais 50 cêntimos. O ritmo volta a piorar em 2015, quando se espera que cada euro poupado no défice leve a mais 1,3 euros de endividamento.

Mas o Governo não está sozinho nessa responsabilidade. É que a dívida também tem subido na secretaria. As autoridades estatísticas europeias e o Instituto Nacional de Estatística têm obrigado a reclassificar muitas operações e entidades dentro do perímetro da consolidação orçamental ao longo dos últimos anos. Desde 2010, inclusive, que as referidas reclassificações se intensificaram, e é de esperar que 2014 seja marcado por mais encargos que farão engordar o endividamento.» [DN]
   
Parecer:

Deus nos ajude a livrar o país desta troika, de Durão Barroso, Cavaco Silva e Passos Coelho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Reze-se.»
     

   
   
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